face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Espírito Urbano


Com meus olhos contemplo a cidade...
Suas luzes de vapor de sódio,
deixa tudo dourado,
e a distancia forma meu céu as avessas...
Roubei o brilho das estrelas,
na terra usei,
mas agora pouco importa...
e mais que uma natureza morta,
são os vidros brilhando no escuro...
E eu aqui catatonico...

Tantos passam,
tantos carros fazendo o cenário ficar branco e vermelho,
tudo brilhante,
a marginal espelha,
e as ruas refletem seu povo,
sua alma sobre a penumbra...
As arvores são inertes,
seus espiritos são eternos perante o carbono tossido por velhos,
admirado por crianças...

Ao correr do relógio tudo vai se desfazendo,
desmanchando...
e o som fica característico,
ouço o ultimo trem passando ao longe,
uma freiada ou outra.

Risadas passando,
garrafas quebrando,
as ruas cortando,
vejo as coitadas,
vendem o pouco que lhes resta,
seu corpo tão usado e maltrapilho,
faço de meu chão sua passarela...
Aos bebados ofereço meu travesseiro,
que durmam,
que durmam...
a vida é dura,
mais que minhas veias,
meu coração pulsa,
enquanto muitos me acusam...

O semáforo abriu,
o carro correu,
passou e não viu nada,
não encherga o meu eu,
só converso com poetas.

Minha respiração,
pulsar e caminhar,
faço das multidões minhas hemáceas,
e que me façam viver.


David Weydson

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Delirio do Menino


Vi que o mundo está tão sozinho,
em meio a uma multidão ouvi meu silêncio,
tocaram-me e pediram desculpas,
Acenei com a cabeça calado...

Cheguei em casa,
mesmos movimentos gravados,
conversei mudo,
ri aparentemente sozinho,
ouvi música...

Isso foi parcela do dia,
estou em nostalgia,
e o tempo corria...

O menino deitado,
calado sorria,
e em sua fantasia...
fazia milagre.

pensava que podia voar,
e de tento pensar...
ele conseguia.
Contemplo sua alegria...

Acreditava em heróis,
só que sabia que não eram de revistinha,
eram aqueles que em sua agonia lhe davam aconchego...

Ouvia música de olhos fechados,
ou no escuro de olhos abertos,
até que conseguia ver vultos de seus devaneios.


David Weydson

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Frenesi


Sinceramente não entendo o frenesi de minha vida,
não estou habituado a nada muito formal,
muito menos à pose.
Tenho meus caprichos e luxos,
quem não tem?

Minhas vontades são diferentes,
porém não muito estranhas,
vontade de escrever com sangue sobre papiro,
beber absinto como bom poeta.

Vontade de pular de bungee jump,
só para sentir a sensação do suicídio,
me torturar,
andar até inchar.
ja fiz isso e foi irresponsável...

Saudades tenho do mar,
olhar as estrelas e o luar,
morrer de maneira distinta,
uma morte nova inventada pra mim.
Vontade de conhecer o sem fim,
ou um fim de todos os fins,
a morte.


David Weydson

Martírio Escrito


E em minhas mágoas mergulho,
tentei fugir mas não deu,
sou a lágrima do vagabundo,
a tristeza de Clarice.

...

A tristeza escolhe a dedo os artisticos,
como combustível para sua chama que não se apaga,
Tortura...
Tortura até que lamba o papel de agonia,
Me atira nostalgia...
minha cabeça doi.

Me elogiam por esse martírio,
minha dor é bela.
minha escrita é bela.


David Weydson

Prece de um Desgraçado


Deus... a fé que me resta é questão de tempo,
os meus olhos estão sem tento,
estou cansado,
impossibilita-me... não sento.
E morro lento,
esticar-me tento,
De onde virá o meu sustento?
O meu sustento vem do senhor...
Parece-me que estás desatento.

Enquanto morro... grito,
parece que me ouve como algo erudito,
e perante meus gemidos aumenta o som.

Senhor... sendo sincero,
quando eu tiver voz eu berro,
e viver é o que espero,
acho que estas querendo me matar.

Dizem que ninguém conhece o teu plano,
mas perante a dor pede-me piano?
Ainda sou humano...

Sem dúvida agora sei,
a pior tortura...
é a tortura divina.

Perdoe meus pecados,
minhas perguntas perante os teus planos,
mas agora em um ovo há um oceano,
e não consigo conter...
A unica coisa que ainda consigo dizer é
Misericórdia... deixe-me ao menos respirar,
e se for para o ceifar,
que me leve logo.
Não mais opto com ou sem dor,
E se me ouve...
Prove.

Amém.


David Weydson

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

hupokrisis


Feliz Natal é Prospero ano novo,
que você continue a não se importar com a fome mundial,
nem com o desespero de mães que não tem o que fazer,
simplesmente vendem seus filhos...

Feliz falta de água,
que sua família pereça reunida...
todos sentados à mesa...
...ahhhh é verdade,
nem mesa vocês tem.

Desejo muita indiferença e muitos sorrisos falsos,
ja que você está na sua frente vou te desejar felicidades...
"QUE MORRA MALDITO!"

Feliz dia de se endividar,
e depois lamentar tantas parcelas,
feliz dia do peru,
feliz dia do gordo mediocre,
um idiota vermelho que nem passa pelas bandas dos que precisam...
Finge que não viu,
e ainda pede para as renas irem mais rápido.

Feliz dia dos Hipocritas


David Weydson

Comida Aos que tem Fome



Não Me negue alimento,
pois dele preciso para viver,
não sei até onde minha providência vai dar,
creio que não muito longe vou estar,
tenho medo de morrer...
morrer no espiritual...

Dentro de meus átrios vejo uma imensidão de perguntas,
todas as portas eu jogo respostas...
nem tudo é pra ser respondido,
mas mesmo assim questiono tudo e passo por cima disso,
e de todos os avisos jogo fora.

Quero ver o poder,
poder ancestral,
aqueles que li e sei que é real
( ainda tenho fé... )

Tudo poderia resolver,
mudar minha rotina e sina...
Só quero ver um milagre,
e que nada seja explicado...
nada além disso...

Enquanto isso vou vagar,
orar e minhas preces moribundas rogar,
viver com a intenção de entender,
para que um dia eu venha denovo a voar...
voar...



David Weydson

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Chafariz e o Aniz



No Silêncio corre o pranto,
ninguém vê...
lamenta por não ser igual a todos,
e por ninguém,
ninguém sequer o ver.

A pureza é prontamente estranhada,
entra a malícia tentando tudo mudar,
fazendo o branco negro ficar,
impregnado,
sujo e arruinado.
Leva ao alcool...
ao excesso.

Ainda acredito que dentro de todos ha uma criança sufocada,
ouço seus gritos quietinhos...
seus soluços juvenis...

Ela ainda sorri,
ainda se vê feliz,
ou pelo menos acredita que pode ser feliz.
Ao Chafariz rí ao brincar com aniz,
e o riso mantém,
a té ele sumir e no rosto ficar a sombra,
a sobra de felicidade...


David Weydson

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Queda e a Redenção


O Orgulho o corrompeu,
queria ser mais que Deus...
Ter Os Atributos da Divindade,
encheu-se de vaidade e foi arremessado.

A estrela da manhã veio sobre o mar,
as outras estrelas ficaram a observar,
viram que a devastação iria começar...

Foi cortando o vento,
o cosmo,
sabe-se la de onde veio...
caiu...
demorou para levantar,
observou,
por vingança começou a devastar...

"Ensinarei os homens o mal,
farei o odio brotar,
ja sei...
depois do pecado um irmão irá matar."

Há um que viu tudo,
sabia de tudo antes de o criar,
mas mesmo assim o fez,
o motivo não sei,
se soubesse não ia revelar...

Talvez um gosto...
escolhas colocou à mesa,
o fruto proibido degustado,
fez uma revolução na cabeça...

"Vão agora plantar colher e cansar,
não querem vida fácil, agora vão sentir o pesar...
dores no parto..."

E quando achei que Deus seria farto,
baixinho chorei,
ele me acolheu,
e la fiquei...
"Perdão Papai... novamente pequei"

E ainda nasceu o sol,
e a aurora ainda brilhou,
fielmente fez-se o amor.


David Weydson

Jardim Amante


Tentei durmir,
não deu...
vi pela fresta da janela um clarão...
abri e vi a lua,
vi um jardim intocado...

Ja tinha passado o dia,
era grande a concentração de pessoas,
insetos...
mas de noite era só ele e a lua,
acordava cedo para ver o orvalho...
e vi como agora se depositava,
parecia um tanto molhado,
sabia que não podia sair de meu quarto,
"Carpe Diem"...

A janela deixei escancarada,
deixei a neblina entrar no meu quarto,
olhei de minha pequena sacada as estrelas,
meu amigo carvalho...
Mas preferi os braços da cerejeira...

Deslizei a mão sobre a maçaneta gelada,
o som parecia mais limpo,
era só eu e a sinfonia da noite...
fui descalço pelo chão de madeira,
passo após passo sem me importar com o frio...
Frio me lembra que sou vivo...
desperta o arrepio...
o calor me atordoa.

A madeira rangia...
parecia falar comigo,
dizendo pra continuar,
me senti tão místico ao andar...
saí da minha toca de concreto...
corri ao encontro do jardim,
belo jardim que me chamava...
corri sorrindo,
girei e caí...

Tão macio o jardim a me aconchegar,
sendo cama para meus devaneios levar,
caí perto de uma cerejeira,
a mesma que eu vi...

Contei estrelas,
comi uns morangos selvagens que estavam a me presentear,
vi as nuvens e o céu a me iluminar,
como era estrelado...
Tentei as estrelas contar,
e durmi com o cheiro da relva distante,
o clima confortante,
e o jardim a me abraçar.


David Weydson e Mayara Verginio

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Devaneio Medieval


E houve silêncio na torre escura e fria quando os cavalos e cavaleiros se moviam...
Sob a torre jaziam corpos que ninguém se importava...
não se sabiam a cor,
nomes...
mal distinguia-lhes as cruzes de metal fundido chulamente,
como se feito por doação,
foi dado ao morto e ele fez da terra cochão...
durmiu até sonhar com a vasta imensidão do céu estrelado que lhe cobria.

David Weydson

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mar de Pensamentos


Quem é esse menino estranho que escreve sem ter hora ou lugar?
Quem é esse que escreve freneticamente, como quem procura pelo ar?
Quem é esse que não tem nada a falar...
não sabe responder sinceramente uma pergunta de " tudo bem, posso ajudar? "

Quem é essa bolha de confusão?
Esse ser emergindo da escuridão?
Quem é o poeta da solidão?
O artista em transição...

Como pode superar as lágrimas...
ele ja tem olhos secos...
a rotina é um zumbi,
ninguém percebe...

Quem é o menino que anda na chuva sem se importar?
Aquele louco que escreve como procurando pelo ar...
Aquele pobre a lamentar,
o amante louco querendo amar...
o insâno vivendo se afogando no seu mar...


David Weydson

. . . Op IV


Dói cada mentira encarcerada,
minhas máscaras estão me sustentando...
nem sei ao certo o que faço,
pois só estou passando...

Falam-me de seus amores,
cada beijo me é uma dor profunda,
vejo amores com inveja,
pois para o que escreve de amor...
... lhe foi impedido de amar.

Me questionam por que de minha solidão,
esquivo com astúcia,
por dentro arde a dor,
uma dor profunda...

Amargura ao invez de candura,
solidão ao invez de compania,
alcool ao invez de promessas de amor,
tristeza no lugar de fervor...
Sou um maldito Pierrot.


David Weydson

... Op III


Os racionais sofrem...
pois a cada pensamento há uma chibatada,
os pensantes sofrem...
pois conceitos são mudados...

É como se o chão fosse fragmentado,
e você luta para não cair...
caí...
e pensa freneticamente até achar outro,
até ele ruir.

Acostuma-se com a queda,
e vai até sentir o chão,
quase te mata,
o que fazer então?

Não tenho respostas...
só perguntas mais que pendentes,
tenho sede de verdades,
ou vontade do alívio...
não quero ser tão racional,
mas isso é uma maldição?
Queria viver mais no irreal...

ja foi minha fase de ser um vagante,
agora meus pensamentos são constantes,
isso me faz incompreendido,
sendo que o que tento é achar minhas respostas.


David Weydson

domingo, 12 de dezembro de 2010

. . . Op II


Errei querendo acertar,
fiz coisas que não sou capaz de falar,
e tenho vergonha de ter vontade de fazer inumeras outras...

Queria simplesmente cessar,
esquecer... ja que não dava pra tirar,
o que me matava a cada dia,
Morro e Nasço...

Deixo de pensar por acreditar em algo a mais,
deixo de viver coisas por esperar outras,
tenho medo de não acertar querendo acertar...
ja aconteceu uma vez,
agora vêm a me condenar...

Poxa...
nesses momentos tu podia me ajudar,
mas mesmo assim fico calado,
ja chorei o que tinha pra chorar,
meus olhos são secos,
minha garganta só há ecos...

E triste eu me nego.


David Weydson

. . . Op I


As vozes gritam aos meus ouvidos,
com tantas frequências,
um audível inaldível...

As respostas,
questionamentos e memórias...
calculos de tudo querendo acertar.
Seria mais facil se não fosse a dor a me acompanhar...

Digo pois ora sou anjo,
ora tenho espanto,
ando de canto em canto,
meu feroz abrando...

Não sei mais como respiro,
faço tudo por costume,
meu olho não mais relume,
não me importa mais o perfume...

Queria deixar de estar assim...
queria tantas coisas...
acho que só o alcool mesmo para me domar,
me tirar dos pensamentos,
e que eu deixe num mar...
o mar do esquecimento de minha alma esquecida,
que venha a sair da sina,
ou pelo menos...
me esquecer dela.


David Weydson

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Morte da Santa de Areia


( Li um texto que me inspirou a escrever esse, pensei numa vida pacata, vida que se repete de pessoas em pessoas até o seu fim monumental. )

O tempo não corria em um lugar que ninguém se importa. Onde o sol sempre aparecia forte e entediado, onde o céu era no fim de tarde dourado.
Nenhuma beleza dispunha a casa tranquila rodeada por plantas simples que uma senhora cultivava. Era seu passatempo cuidar de suas rosas, trocar o seu pratinho de porcelana com água fresca para ver os passarinhos se banhando.
Sentava em sua cadeira que rangia, como se lhe falasse do passado a cada ruído amadeirado.
Sua xicara ja manchada pelo café, café esse que parecia ser parte sua... café amargo e cachimbo com fumo de corda.
Não conhecia bebidas refinadas, sempre tinha uma garrafa de conhaque, sua velha amiga.
Ela fazia tudo como num ato religioso, em seus momentos mais tristes bebia juntamente com chá para tentar fugir da mesmice. As datas não faziam mais importância ja que todos os dias eram iguais.
Seus atos eram tão rotineiros que ela nem lembrava mais do que fazia.
Seu mesmo terço... seu rosário pendurado no quadro de sua santinha que tanto admirava, ela era branca... admirava sua candura, parecia nunca ter visto o sol... diferente dela queimada por ele, pele caramelada.
Decidiu pegar seu véu... tirou seu rosário e passou um pouco de pó de arroz, tentou imitar a imagem que tanto admirara.
Sorria no Espelho... Brincava de ser santa. Um milagre decidiu criar... decidiu inovar. Muito não fazia, mas era preciso para fazer-la sorrir.
Fez queijadinha, lembrou de quando sua mãe fazia... sorria... a primeira fornada queimou, ela gargalhou... até chorou de felicidade, foi à praça...
Agora lembrou de seus namorados, lembrou quando paquerava, lembrou com olhos mareados, sentia falta do passado, mas também sentia orgulho... tudo tinha ido e ela sorria com fantasmas em seus olhos. Comprou algodão doce.
Assim que voltou para casa, acendeu suas velas, ja era noite. As janelas estavam abertas, soprou a brisa que moveu seu véu... Carinho fez em seu rosto marcado, suas mãos trêmulas foram de encontro com seu rosto que agora fez-se coberto. Fazia tempo em que não sentia algo do tipo.
Saiu para olhar o céu, como era lindo o luar, deitou vagarosamente sob o chão, começou a cantarolar músicas de época. Não se importou onde foi deitar, tentou contar as estrelas... eram mais que os grãos de areia no mar. Lembrou que morava perto ao mar...
Suas pernas trêmulas cambalearam e ela andou querendo chegar ao mar, o caminho parecia distante, mas não lhe impediu de chegar...
Soltou seus cabelos presos e eles voaram com a brisa salgada. Deitou na areia macia, ouvia o som das ondas... fechou os olhos.
Deixou o cachimbo aceso e o café a esfriar... Durmiu para nunca mais voltar.


David Weydson

domingo, 28 de novembro de 2010

Mímico


Seus dias eram iguais...
a mesma canseira para acordar,
mal levantava e ja sentia seu corpo adormecer,
não importava se fazia chuva ou sol.

Seus movimentos eram patéticos,
todos simplificados,
suas primeiras palavras tardavam a aparecer,
seu caminhar era ligeiro, porém mole.

Seus sorrisos cópias de outros ja dados,
escolhia ser chato e falar pouco,
ou então fingir simpatia...
tentava fugir da nostalgia,
ela lhe agredia...

Seus medos não existiam,
seus sonhos viraram acaso,
suas roupas não mais valiam,
ele simplesmente vivia.

Suas horas não lhe importavam,
as vezes torturava seu corpo por raiva,
fingia ter calma,
até que ela o domava.

Criticava muito,
pois não tinha muito o que fazer,
pensava e respostas tinha a oferecer.
Muitas vezes machucavam...
Ele não se importava porque não tinha coração.

Ele escrevia no passado,
nem ele mesmo sabe o porque,
escrevia freneticamente,
como se fosse para viver...

Escrever era a unica maneira de lhe fazer pulsar,
ainda fala sozinho,
solta palavras no ar...
se observa na água,
olha as nuvens...

Vive instintivamente,
os costumes não tem poder sobre ele,
ele cresceu e mudou tudo,
ele viveu,
se satisfez...
muitas vezes se refez...

Ele amou,
iludiu e salubrizou,
ele fez o que muitos não tiveram coragem,
ele foi a essência da arte.
foi ao Apogeu.
Viveu...
Ele sim viveu.


David Weydson

Exaltação as Artes


E viva o teatro,
e viva toda forma de arte viva,
ser chamado de artista,
se mover,
retratar,
fazer e pensar...
Viva ser um ser a pulsar.

E viva as artes,
E viva Apolo,
e viva os pincéis,
microfones,
telas,
instrumentos,
maquiagens,
figurinos,
almas e gritos...

Papel...
viva o papel

E viva o viva que é maneira de exaltação,
E viva meu texto pobre que nem isso é senão uma saudação escrita,
aplausos a todos dariam no mesmo.
E viva viver.


David Weydson

sábado, 27 de novembro de 2010

Vivace


Ele voltou a tocar,
lembrou da pessoa que ele antes matara,
matara a si mesmo e a seu passado,
seus olhos ficaram em tom de sépia,
o passado correu sobre seus vidros...

Sua boca ja não era a mesma,
seus dedos agora tinham outra função...
passava horas aperfeiçoando seu som.

O cenário era lindo,
seu quarto escuro,
o som enchendo a casa vazia,
e o luar alumia as chaves de seu outro braço...
A cor era linda...
Ele sentiu vontade de chorar,
lembrou dos aplausos,
da luz quente a lhe iluminar,
dos movimentos do corpo junto a musica,
eram como ondas...

Ele voltou a vida...
Ele sentiu o arrepio e seus olhos se encheram de lágrimas...
Ele sentiu o seu folego de vida voltar...
O elemento que ele tanto usa,
o ar...
...O ar fez musica denovo...

E ele começou de maneira insana a explodir,
no alge de sua inspiração...
vamos todos ao seu movimento Vivace...
Mergulhem no Fortissimo...
Vamos Vamos...
FFF

Silencio Subto
quero ouvir as lágrimas caírem...
quero ouvir o ar correr sem falar,

E ele renasceu...
Lembrou do Renascimento,
lembrou de Brahms,
de Stravinsky,
Lembrou que ele ainda Existe...
E que ele é parte disso...
Não mais terá tédio,
pois ele terá música.
E tudo acabou em Dali.
( Explodi )


David Weydson

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pub


Sim,
foi inusitado,
mas são momentos marcantes que fazem a vida,
e quando o coração palpita não há dúvidas...

Foi com sentimento que o sorriso dei,
medi minhas palavras,
treinei-as, mas todas fugiram,
( elas me pagam! )
Fui com a cara e a coragem,
e uma taça de Martini,
duas cerejas,
como ela gostava.

Observei-a por dias,
sei que parece maníaco,
mas isso me fazia bem,
me sentia vivo,
via que agora estava.

Naquele bar,
quinta a noite ela bebia suas lágrimas misturadas com alcool,
duas cerejas,
esse era seu capricho...
me vi obrigado a acolher-la,
dar aconchego,
cheguei,
nada perguntei,
simplesmente falei o que sentia,
que sonhava ser sua compania,
nem que fosse para ouvir o seu silêncio.
...Ela me olhou,
foi o olhar mais vívido que vi,
seus olhos cristalinos,
suas lágrimas prateadas...
Ela me pediu um abraço,
senti suas lágrimas quentes sob meu pescoço,
ela me poxou para o banheiro,
não queria mais incomodar,
nem percebeu que os que observavam a cena,
começaram a chorar.

Abri a porta do banheiro,
entrei junto a ela,
me tranquei e sentei junto a ela no chão,
sua cabeça reclinou sob meu ombro,
sentia sua respiração,
olhei-a com olhos de ternura,
seus olhos fixaram aos meus,
E disse: " Prazer, Helena...
ja sentiu que a felicidade está perto demais?
Hoje finalmente senti paz,
coisa que você me traz,
sou sorriso me acalma."

Os olhos se entrelaçaram,
suas bocas ansiaram,
um cobiçou o outro,
o lugar ja não importava...

E houve o encontro,
beijos loucamente desesperados,
era tudo em tom de vermelho,
eram lindo os atos,
as mãos seguravam um corpo regado,
absurdamente molhado.
E foi o fim da agonia.


David Weydson

domingo, 21 de novembro de 2010

Vazio Op. 1

Preciso fazer algo para que a vida valha a pena,
que ela pulse e não simplesmente aconteça,
antes que minha carne apodreça,
não quero minhas moedas para caronte...

Pode ser falta de algo,
ou necessidade de vento,
solidão ja virou um vicio,
isso é fato...

Tantos querem minha presença,
até brigam e lançam inumeros convites,
não atraz de não...
estou me matando.


David Weydson

sábado, 13 de novembro de 2010

A queda de um Titan

Indiferença...
Hoje vi uma árvore inchada,
um tanto mal-tratada tentando se reerguer,
tentando ser,
talvez não morrer.

Ironia...
Morrer rima com viver,
quem sabe um seja espelhado no outro,
um espelho morto,
uma sombra refletida,
sombra viva...

Mergulho em faces no escuro,
venho a ouvir os burbúrios do silêncio,
vazio astúto.
Talvez seu nome seja João,
quem sabe um alberto.
Não sei se tem teto,
não o quero sentir de perto.

Será que tem algum sonho?
Será que respira?
Faz parte da paisagem...
beleza maligna?

Uns anceiam respostas,
outros doses de conhaque,
uns fazem a vida,
outros revelam a arte.

David Weydson

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

É... o resto do pão de ontem.

Sabe quando você ja está cansado da propria voz,
voz essa que está dizendo coisas que você mesmo ja ouviu,
que ja doeu...
que ja fez o que tinha de fazer...

Sabe aquela dor,
aquela que você nem sabia que existia,
aquele tédio e melancolia,
que toma conta... que contagia?

Sabe aquela coisa de falar só,
de do nada pensar em um esquimó,
em talvez pensar no frio mais frio que você se tornou...

Caramba... pensar não é mas bom como era,
é perigoso...
tudo agora é muito vital,
posso pensar algo pra mim mortal.

A luta de mim comigo mesmo e mais outros meus por aí,
um é o bem,
outro o mal,
outro o tédio,
outro o brutal,
outro o chato,
outro o arrogante,
o insipido,
o marcante...
são tantos...
talvez isso me faça inconstante.


David Weydson

domingo, 7 de novembro de 2010

Carência

Como eu não percebi,
foi tão óbvio,
me isolei,
nada passa de um grau de carência...
É tédio da solidão...

Fazem anos que não choro,
escolhi secar...
fizeram-me assim,
me tranquei e não intervi.

Digo Não a todos,
me privo de todo e qualquer lugar,
quero ficar quieto,
quero descançar.
Cansado sempre estou,
o enfado, o peso chegou...

Quero continuar a falar,
mas não vou,
a tristeza e o cansaço me privou.


David Weydson

sábado, 6 de novembro de 2010

Tempo Parado Maldito Corrido

Sinto sede de algo que ainda não tem nome,
As vezes sinto que a felicidade some,
Sinto fome...

As horas não passam,
e correm os dias,
sempre os mesmos...
sempre iguais...
Ah... não faz importância,
Ou faz?

Viver para o desgaste rotineiro,
ser sempre batido,
amassado e dobrado pelo ferreiro.
Indo no relojoeiro e chorando as horas perdidas,
Culpando a vida bandida,
cultivo minhas mentiras,
narcisa...
Ouço Maísa.

Meus gritos no gutural,
encontro na música... metal,
o orgulho de um narcisista,
o toque de um arista,
encontro no ritmo portenho...
no tango.
sou mistura de santo,
santo e carnal,
quero o bem e quero o mal.
E que isso que eu sinto...
Seja um tanto menos brutal.


David Weydson

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Chuva

Enquanto tantos corriam eu andava,
sentia a chuva acariciar o meu rosto,
meu corpo foi banhado,
e os olhos me cortavam como loucos,
pensando que louco era eu por não fugir do que podia me lavar,
algo molhado que purifica o ar,
que enche o mar,
enche os olhos...

De minha face escorriam lágrimas que não eram minhas,
pedaços e restos de andorinhas,
ancestrais e dinossauros dissolvidos...

E ainda correm,
se escondem e não acolhem,
o milagre da chuva.


David Weydson

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Maldição de Midas

Ultimamente ando com sede,
toda água que vou beber fica amarga,
sou obrigado dela engolir,
e ficar quieto sob a dor...


Cada sonho compartilhado é uma pedrada,
talvez esteja me moldado à ser gente,
não confiar em nada nem ninguém,
e a ti ser indiferente.


Não tenho muito a responder,
só que infelizmente minha alma está em pranto,
queria tanto escrever coisas belas,
mas o que toco vira cinzas,
e sinto a maldição de midas,
só que comigo tudo se dissolve...


Espero algum mortal ajudar,
com essas palavras jogadas à terra,
e que ela venha a rachar,
mostrar suas ranhuras e suas pedras...
Espero que eu consiga mostrar que tu não é sozinho,
se tu tens dor eu também ja tive,
espero que isso te ajude,
te ative...
pois a morte d´alma chega logo,
só que dela temos que fugir,
buscar forças de um elixir profundo,
elixir ilusório.




David Weydson

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pó de Mim

Sob a nevoa densa penso,
sinto o meu penar,
ele me corta,
então é levado pelo ar.

Não!
quero desse estado sair,
quero correr,
sair desse lugar,
isso me é impossivel...

Talvez não nasci pra isso,
narciso...
cativo de sua beleza,
ficou prostrado à mesa,
mesa d´água com seu prato,
sua alma...
por dentro seu pranto,
por fora vaidade...
Essa foi sua realidade.

Não passo de crueldade,
Anseio que se afaste...
cansei do desgaste de ter outros a me amolar,
se preciso vou gritar...
Na insanidade mergulhar.

Vou moer o que em mim há,
e fazer de tudo um pó fino,
um pó de nuvem confusa,
serei medusa...

E assim guiarei,
me farei e serei,
serei defesa em pessoa,
orgulho à toa.


David Weydson

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ódio


Meu ódio não tem tamanho,
não tem medida conhecida,
não há um padrão...

Se tenho Ódio anseio sangue,
não há simplesmente uma raivinha,
quero logo estrangular,
criar agonia.

Parece que minha vista é vermelha,
e minha boca saliva mais,
tenho sede de mortes,
hajo como um predador voraz.

Chega de escrever...
As palavras não podem mais conter...

O Sacrifício

E quando o que te cria te amaldiçoa
e quando o que tens zelo te magoa,
o que fazer?

Quando tudo que quero é sumir,
se meu patamar é alto só quero cair,
quero te negar,
te fazer chorar...
sinta e respire minha mágoa no ar,
que ela seja como seu perfume de culpa...
sinta minha amargura.
Se lembre da minha candura,
da tua maldição,
das palavras que me levaram à perdição...

Queria meus dias finalizar...
fazer tu pensar em que me fizesse,
que agora teu dia anoitece,
e jamais terá o sol...

Queria te mostrar o quanto te quis bem,
e tu veio à mim, tirou do além,
palavras amargas e me fez engolir...
e com punhaladas ficou a sorrir...
mataste o teu filho querido,
nasceu um rebento partido,
um sorriso partido,
um martírio.

No sacrificio Ninguém interviu.


David Weydson

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Divihumano


As Vezes a carne se mistura com o Sangue,
não sei o que é maciço e o que é vital,
a sangue leva o alimento,
carne só o consome...

Uns dizem que sangue é carne liquida...
eu não acredito...
sei a verdade...
Carne é parcela de sangue só que mudada.

Dizem que cortando carne escorre sangue...
sim, ela está impregnada,
sem sangue sem carne,
sem sangue sem nada...

Sangue e carne só são diferenciados ao toque,
ou toca e sente o fluir ou sente a barreira,
ou molha ou impede,
até que o prove...
prefiro o ferro.


David Weydson

sábado, 23 de outubro de 2010

Indiferença

Minha música foi cortada...
algo longe começou a falar,
despertei e ouvi,
um pedinte a falar.

Mergulhei denovo em minha musica,
sem com ele me importar,
se sua história era mesmo verdadeira,
se lhe faltava dinheiro, vergonha ou ar...

Não me interessa...
não me importo com sua fome,
se morre desvio do corpo e passo,
tenho meus afazeres.

Passo apressado,
algo estendido ao chão,
é apenas um bêbado,
mais um acompanhado de um cão...

Se passa ao meu lado,
viro a cara,
finjo não ter medo...
sujeira andante...
parece mais um bicho!
Não me importo se é morto ou vivo...
Seria melhor sem isso...

Não importa se humano ou se bicho,
vivo para mim...
só espelho para narciso,
indiferente sou,
e sabe o que mais?
Saia... seja fugaz...
não quero te ver novamente,
JAMAIS.


David Weydson

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sede

Preciso satisfazer o meu Ego,
fazer alguma coisa divertida...
sair da minha rotina...

Preciso de algo que me atraia,
algo proibido,
quem sabe Absinto.

Preciso finalizar o meu ódio,
fazer meu grand finalle,
achei minha femme fatale.

Preciso de Algo Mais...
Estou com fome... sede...
Voraz.


David Weydson

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Isolado

É um misto de chuva com neve,
uma noite londrina,
a tristeza cativa,
olhos mareados.

Quando tudo que te resta,
é somente o seu pranto,
em meio ao silêncio está o meu recanto,
num canto eu canto.


David Weydson

domingo, 17 de outubro de 2010

Fragmento de Sombra Op 1

Minha palavra clareou um pouco,
talvez um feixe de luz...
agora escrevo de olhos fechados...
lacrados.

Tudo é tão perto,
o escuro é o contato ao meu olho,
mergulho num poço...

se muito me concentrar visões viram...
até meu corpo despertar,
despertar do devaneio.

Alguma coisa me diz,
outra me contradiz,
imperatriz do misterio profundo e corpulento,
corpo lento,
copo lento...


David Weydson

Pure

Tem algo diferente em seu rosto...
parece que está mais brilhante,
parece faíscar.

Sorrisos tem à esbanjar,
palavras puras,
não estás tão distante,
estás mais próximo.

És vivo...

Não ouço mais seus gritos,
gritos inaldíveis,
ensurdecedores...

Agora estás alvo,
não possui mais a maldade,
tudo é misericórdia...

És puro.


David Weydson

sábado, 16 de outubro de 2010

Procura Eterna

Te procurei no tempo,
no vento...
silêncio fiz para ver se ouvia,
não achei...
estava vazio,
algo em mim não concluia.

Procurei nas fendas,
nos campos,
experimentei de tudo um pouco,
até amianto...

Te procurei em meus sonhos,
memórias...
não me valeu...

(Foram minhas reticências mais tristes.)


David Weydson

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Devaneio Op. 1

Queria saber por que no frio as estrelas brilham mais,
quem sabe seja por elas quererem esquentar mais a terra,
ou pelo menos mostrar sua beleza cristalina...

Queria poder ser um pouco desse tudo,
tudo bonito e marcado,
ser um pouco de céu,
um pouco do borrado de Andrômeda.

Teria eu como imitar os sons que tanto admiro,
me fazer belo como uma flor, nuvem...
e não como narciso que apenas se iludiu...
ainda era pó.

Robusto era seu reflexo errante,
procurou a água de maneira frenética,
e quando beleza é perfeita,
a água que o procura em forma de orvalho...
É seu agradecimento.

Tenho muito a querer,
faço o que posso fazer,
deito em nuvens e como estrelas,
o resto são só lendas...


David Weydson

domingo, 10 de outubro de 2010

O Vôo da Borboleta


A borboleta enfim foi completamente formada,
saiu de seu casulo...
foi transformada...
um momento incapacibilitada,
depois do tempo e da mutação veio algo novo,
veio a Transformação...

Ela voou,
tão linda como só Deus pode fazer,
voou livre,
obstaculos tentaram-na impedir...
ela derrubou todas as folhas em sua frente...

Quando subiu à atmosfera,
a brisa a trouxe novamente para a terra...
foi lindo...
foi lindo...


David Weydson

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Suicidio

As Vezes anseio uma forca,
uma lâmina à minha jugular...
um pouco de veneno,
uma bala a me atravessar.

O tempo agora é torturante,
e peço constante...
que a morte chegue logo,
que venha e me encante.

Abra olhos,
feche outros...
não interessa...
quero algo mais.

As vezes penso que o melhor é mesmo a abraçar,
mas se ela não vem não vou me matar.
Suicidio é forçar a morte a trabalhar,
é para os fracos,
sem personalidade e otarios...
insetos...

Tenho que essa mentira ou verdade conservar...
é ela que me mantem vivo.
E que dela eu seja cativo,
até que a morte venha a me premiar.


Apollo Liz

Minha Palavra...

... meu espelho

Forte demais Para Titulo Algum

Hoje andei até onde o vento podia soprar,
fiz coisas que antes pareciam inatingiveis,
agi de forma exentrica...
insana...

Saí andando quando era para estar em outro lugar,
talvez me martirizando...
não tenho muitas respostas...

Andei...
chorei internamente,
nenhuma lágrima caiu,
mas uma coisa eu sei,
estou por um fio.

Não amei,
não sou feliz,
não sei porque falo a verdade,
agora não consigo mais dominar minha palavra,
ela toma vida...

De forma louca ele grita o que me é preciso,
de nada mais vale-lhe o ego,
nada mais importa...
ele quér mesmo ser pássaro e voar,
ele tem um sonho maior que todos,
ele quér amar...
quér deixar de ser um pouco racional...
fazer seus desejos,
ser um tanto mais feliz,
anis...

Segredos ele me diz,
aos poucos vou a revelar,
mas agora ele explodiu e comigo se abriu,
Tive de gritar...
Sou sua famosa palavra nua
sua lua,
vidente crua...
sua musa.



David Weydson e Palavra Nua

domingo, 3 de outubro de 2010

Papiro

Ultimamente nada tenho a passar para o papel,
como se ao invez da pena virei o papiro,
só que não posso ver o que me é escrito...

Tenho vontade de poder riscar,
marcar o pedaço meu em alguém,
mas o que me é possivel é diferente...

Queria saber pelo menos de que fibra sou feito,
se de papiro do nilo ou de alguma prefeitura,
queria saber por que me molhas,
e não simplesmente faz logo tua escritura.

Era verde...
agora seco estou,
sempre tive minha parte morta,
mas agora toda ela sou.

Será que custa muito me queimar?
Ouvi dizer que cinzas voam livremente pelo ar...
aqui estou preso,
aqui será que vou ficar?
Antes pendia para onde o vento soprava,
agora não tenho nem ar...

Papiro a vácuo,
não sei se muito mais vou aguentar,
quero logo uma coisa,
sair desse estado,
sair desse lugar.

Quem sabe um papiro mergulhando no azul do mar,
ou estalando numa fogueira,
quero mesmo é...
mudança...
mudança ligeira.


Papiro Weydson

Hiptonico

Não estou ligado a nada nem ninguem,
nem ao céu e nem à terra...
estou automático...
tanto faz...
nada mais me satisfaz.

Escrever...
nenhuma palavra mais.
É esse meu estado...
Tédio.

As palavras se misturam,
se fundem com a cidade,
os rostos são irreconheciveis,
assuntos inaudíveis...

O silêncio é a resposta mais abrangente,
os olhos são perolados,
perpetuos...

Estão procurando o infinito longiquo...

Estão mergulhando no seu proprio limbo...


David Weydson...

David Weydson

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Melané Kholé

A tristeza e a morbidez me consomem,
como se de fato a felicidade nunca houvera existido...
Parece que todo ultraromantismo caiu sobre mim,
como se todo tédio tivesse me elegido,
Sou a essência de disso tudo,
eles me elegeram como um deus,
a mitologia toma vida...

É um algo negro,
chuvoso...
Meu templo é em qualquer lugar,
minhas orações o silêncio,
não há lágrimas,
nem gritos de tormento,
sou só um pobre vivendo.


David Weydson

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Para Meus Leitores

Obrigado A todos Meus Leitores por lerem o que aqui escrevo...
Confesso que primeiramente comecei a escrever por uma fuga ou algo do tipo, mas depois se tornou uma vontade de ajudar pessoas assim como eu que ja passaram por momentos de raiva, ódio, tristeza, desesperança ou algo do tipo... coisas felizes como amor e felicidade são muito faceis de lidar, agora com as mais obscuras é que está o desespero...
meus sinceros agradecimentos aos meus leitores...
Que Deus abençoe vocês e que quiserem podem me add que eu terei prazer em conhecer um pouco de vocês

davidweydson@hotmail.com

Muito Obrigado pelas visitas... Tchau ^^

Ironia da Agonia

É engraçado como tudo acontece,
antes tinha me trancado,
tinha me sentenciado...
vou andar sozinho...
Quando estava no caminho,
escrevendo e me afogando,
apareceu outros mais...
desconhecidos...
amigos...
estranhos a me acompanhar.

O que antes era um fuga de mim,
virou plateia de outros,
quem sabe compartilham do mesmo sufoco,
ou um dia acham que esse irá sofrer.

Quando o tempo é simplesmente um capricho do dia,
nada mais importa,
e ouço batidas na porta,
ah... previ... é a melancolia.

Fugindo dela estou,
para outro universo vou,
decifro meus fragmentos,
sigo...

Agora vou me realizar,
ousar...
cansei de queto ficar,
fazer minhas vontades até flutuar.
fazer o meu mar e nele mergulhar.
Vou criar o meu proprio mundo...
Pois ja cansei do atual.


David Weydson

domingo, 19 de setembro de 2010

Finalle

E que cada dia passe,
e seja consumado à meia noite...
Que a lua traga seu luto,
e também presentes ao seu nascimento.

Que tudo passe logo,
que venha logo o sol,
e passe o dia...

Ja que tudo é igual,
é monotonia,
passo simplesmente,
não vivo em nostalgia.

Respiro e anseio,
espero o ultimo suspiro,
que o corpo fique frio,
que a lua chegue,
ceife...
plante depois...
tire uma vida...
minha vida...
chore por mim...

É meia noite,
depois da minha morte,
nasci...


David Weydson

sábado, 11 de setembro de 2010

Leio Ossos... Leio Almas mas me contento com Papel

Dos livros só quero dedilhar as páginas secas,
me distrair lendo...
prefiro ler almas sedentas,
vazias ou misteriosas...

A cada linha se forma um fragmento,
fragmento humano e real,
carne, pele e osso são formados,
é preciso ter capacidade mental.

Gosto de ler gestos,
atos e dizeres,
achas inocente...
eu vejo minhas linhas em sua pele.

Esconder...
não importa... um dia vou achar,
depois abrir o leque teu mesmo,
te impressionar.

Manipular é uma arte,
arte tal que só artistas eximios tem,
fazer isso de forma pesada,
pintar sua tela,
e que não escape ninguém.

Te revelei,
emoldurei vi o que tinhas pra dar,
se cristais ou se pedras,
força ou fraqueza,
decifrei o teu caminhar.

Em silencio falas,
não importa...
sei tuas feridas,
sei onde te tocar...
tenho prazer em você,
sei o que gostas de ouvir,
sei a essencia do teu ar.


David Weydson

Elixir da Morte

Brinquei atraz de mentiras,
brinquei para fugir do real,
felicidade é passageira,
tristeza é integral.

Não é mais falta de Deus,
é falta...
sim isso é...
falta extrema de mim...

Falta do amor que eu preciso respirar,
minha alma é feita de amor,

Me engano,
minto para mim...
amor é para os fracos!
então eu sou antonimo de força...

Complico tudo...
queria ser mais simples...
tenho só uma coisa pra dizer,
sou triste.


David Weydson

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nunca houve

E quando eu procuro a felicidade?
ela nunca existiu...
apenas mentira bonita...
sorrisos forçados...

Procuro por algo que não existe no meu vocabulário,
confusão é meu cenário...
ator principal...
teatro vazio.

Tenho dias,
meses e anos,
de nada valeram...

Sem felicidade,
sem nada.


Apollo Liz

domingo, 5 de setembro de 2010

Prazer... Luna

A tempos procuro para mim uma definição...
queria ao menos saber o que sou ao certo,
quais são minhas regras e minhas leis...


Gosto de intimidar...

quem sabe seja pelo simples fato de no passado eu ser indefeso...

Digo ser forte,

acredito ser forte...

( sinceramente o que me é mais lógico é que não tenho força alguma... )
sou só uma criança disfarçada de vilão...

Uma criança com medo de acharem ela e fezerem-na mal...

Me escondi numa caixa de papelão...

é tão óbvio que chega até a ser imperceptível...

se não fosse por meus soluços afogados...

a caixa pula...

Eu refino a tristeza,

refino o medo e a incerteza...

sou tua cópia avessa...

Nessa caixa vou, até que ela suma,
sou frio da madrugada,
sou luna.

David Weydson

sábado, 4 de setembro de 2010

Extremos

Comigo tudo é tão rápido...
sei o que é viver intensamente,
o que era pra durar dias,
dura segundos,
é vivo e em tom de vermelho...


Quando chega a paixão,
ja penso a vida inteira com aquele ardor,
quando chega a fé...
ela vem cheia,

sem pudor...


As vezes recebo inundaçoes de ódio...

ja penso logo em torturar,
quando penso em tristeza,

ja penso logo na morte...
em me afogar.


Vivo em extremos...

nada é pouco,
nada é normal...
tudo passa a barreira conhecida,

essa é minha lei,

minha sina...


Vivo em extremos,

preto ou branco,
no meu mundo não existe cinza.


David Weydson

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Insano

Que posso fazer se sou assim?
essa é minha forma...
minha lapidação...

Sou um tanto brutal,

sempre tive pendencia pra isso...
se não tenho afirmo o que digo,
nasci de modo que vire isso,
que isso vire abrigo...
aconchego para filho,

aconchego materno.

Faço de minha forma medo à outros,

psicopatia...
palavra que falo e causa calafrios,

medo mortal,

suor frio...


Tudo o que para mim é como música,
como perfume refinado,
medo enjaulado...

Apollo Liz

Armas Op 2


Lâmina precisamente afiada,
empunhada e descarada,
escondida entre as trevas da noite,
num beco qualquer,
vejo um pescoço acolhedor...

E a noite vai caindo...
os passos vão seguindo,
engulo seco,
dou o ultimo suspiro...

Acolho o corte,
carne macia,
delicia... fresquinha...
sangue fazendo a poça perfeita...

O corpo tomba lentamente...
cravadas precisas...
a carne sempre é a melhor amiga...
amiga da morte.


Apollo Liz

Armas Op 1


Metal frio,
movimentos frios,
seguro com firmeza...
o mundo está aos meus pés.

A velocidade,
explosão rápida...
decido uma vida,
com dor ou sem...
questão de escolha...

Calculismo...
tenho sangue frio,
dedo frio,
arma fria...
não importa,
o que me move é o som,
som do tiro,
som do corpo prostrado no chão.

Apollo Liz

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Meus Arranha-céus


Sou eu quem dito as regras da minha cidade,
corro entre ruas,
as vezes grito...
chamo de "meu labirinto"...

Ando...
ouço os seus sons,
decifro vidas e rostos,
maturo meus dons...

Só vejo fábricas de nuvens,
vejo flores enjauladas,
vejo o que acham belo,
morto em cima de uma bancada...

Artigo de luxo,
água de fonte,
o que era simples,
hoje é fora de alcance...

Vejo coisas que não posso olhar,
toco...
penso...
faço valer o meu ar,
não só vivo...
Prezo meu Caminhar.


David Weydson

domingo, 29 de agosto de 2010

Comum Ignorado


Sob meu corpo ignorado,
pousa gritos desesperados,
pensamento sofisticado...

Pra tudo tem vários caminhos,
geralmente eu sou o meio,
nem direita nem esquerda,
levo a placa comigo e faço meu proprio desenho,
minha rota,
minha trilha...

Ao mesmo tempo que quero falar,
o oculto me grita aos ouvidos...
pra que ser translucido?
Tenho que ser opaco...
opaco...
opaco...

Pra que ser humano...
tenho que ser diferenciado...
é compulsivo,
meu doce vício.

Terminar pra que sendo que minha mutação não tem fim?

...


David Weydson

Força em Pó

Roubou o meu sorriso,
a minha fé,
e tudo de belo que em mim havia...
Ladrão nojento e inescrupuloso...

Procuro sedentamente uma solução,
antes que eu caia no chão,
e dele não saia mais...

Sem forças,
sem tempo,
vento e com medo de nunca mais ver o amanhecer...

Só tenho o escuro,
o frio,
e a tristeza...
tudo vai melhorar...
É nesses momentos que sou fraco,
mas mesmo assim continuo sendo forte,
alego isso e tenho porte.

O pranto pode durar uma noite,
mas a alegria vem ao amanhecer...
As vezes tenho vergonha de me ser,
sou sujo...
sujamente humano e tenho carne...
( as vezes me esqueço desse detalhe )
Quando minhas penas resplandecem,
os meus calos aparecem,
quando minha santidade aflora,
vem o pecado e me abraça,
me devora...
Deus... me conforta...


David Weydson

O Anjo Humanizado


Quanto mais bato as asas,
mais chego ao céu mais fico leve,
só que as asas doem,
pedem um momento de luxuria...
prazer para ela e não para os olhos...

As asas cessaram,
as nuvens não mais me acolheram,
o ar virou lâmina,
cortou meu momento,
as nuvens passam pelo meu rosto,
forma-se pranto em minha face,
minhas penas são o meu rastro...
o alívio estou sentindo,
mas tambem profundo temor,
vou cair não tem jeito...

Faço furo em nuvens,
fecho os olhos diante da queda,
caí...

Me ajude a levantar.


David Weydson

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Minhas Mentiras

Me afoguei em lendas,
coisas para não acreditar em mim,
disso não falo,
foi para na dor dar um fim.

Acabar com a inveja,
questionamentos constantes,
posso ter ido para o pensamento errante,
retomei.

Consegui coisas em mim anular,
chamei de força,
e o esquecer disso tudo,
esquecimento das dores do mundo,
chamei de falta de medo...

Lavagem cerebral?
Mudei para melhor?
me transformei,
disso eu sei.
Agora lido bem com tal,
talvez não tenha sido o certo,
não penso nisso...
aceito e vivo.


David Weydson

Quebrador de Rotinas

Agir como anormal,
para não dizer louco...
vivo para mim,
de que intereça os outros?
Olham...
olhar curioso,
um louco senta numa fila,
escreve freneticamente,
algo impulsivo...
Não sei até que ponto eles tem razão...
Não me importa.

Sim...
superioridade me inunda,
as vezes individualismo ao extremo,
escrevo...

Com minha rotina quebro outras mil,
irracional...
Quem se importa?

Tantos passam,
mas eu fico.


David Weydson

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Instrução da Fuga Op.1

Prezo pelo olhar intimidador...
pelo que é desapercebido,
me faço flor,
flor seca...

Não consigo ser simples...
esponja cotidiana sou,
absorvo segredos que não hei de falar,
ando as vezes em dor...

Sou fácil de agradar,
da confusão faço lar,
fugir não posso...
não dá.

E no timbre da voz rouca,
Vivace... dança louca,
moça...
insana.

Quantas vezes ja gritei,
mais alto que todos na multidão,
não vi uma só reação...
Gritos da alma,
gritos molhados,
lágrima mareada...
esconder-me vou...

Me decifrar não gosto,
é mais forte do que eu,
esse jovem ja sofreu...
seguro me fiz,
feliz e mui forte.

Sou apenas maciês de algodão.


David Weydson

sábado, 21 de agosto de 2010

Deus e Eu

Fazia tempo que não chorava,
hoje eu me derramei,
vi meu espirito dançar,
e em tuas mãos me entregar...

Vi as estrelas brilharem fracas,
eu brilhei mais...
elas vieram rodear-me.

Vi o manto do Espírito de Deus,
senti a macies me tocar,
senti o amor de Deus,
me atravessar...

Quando achei que meu espirito era morto ele vive...
é mais vivo do que era antes...
Dança quando andei normalmente...
fazendo o chão se encher de flor...

Me derramei para ti,
meus olhos de visões se incandesceram,
mais forte que ouro,
ofuscou o fogo...

Santo Santo Santo...
Não tenho mais o que falar,
é aí que o Espirito com sua lingua Santa por mim vai decifrar...

Sentir os teus braços a me abraçar,
o teu carinho me rasgar,
TE AMO DEUS,
contigo SEMPRE vou estar...

"Mesmo sendo falho lugar tens para mim filho meu,
mesmo agindo de forma humana...
mesmo sentindo as dores da carne,
olha pra mim...
EU VENCI!
Mesmo que o sol não apareça,
Mesmo que o dia pareça dor,
sou do seu lado com meu AMOR.
Mesmo que o tempo passe e aflições venham,
O meu socorro virá,
e um tempo novo fará acontecer,
onde o amanhecer será mais belo,
os dias mais certos.
Prosperidade e riqueza.
Filho...
Mesmo que anoiteça,
Sou Deus Criador o TEU PAI."

Deus e David Weydson

sábado, 14 de agosto de 2010

Ás de Espadas

Sou eu quem dou as cartas,
o jogo depende de mim,
sem mim?
sem nada,
sem cartas,
sem espadas.

Gosto de brincar,
nesse jogo vamos ver,
as caras retorcerem,
cabeças rolarem,
coisas morrerem...

Sou bom com os sonhos,
manipular as vezes é legal,
fazer o que é certo...
isso sim é real.

Olhe... veja a lua,
linda não?
decisões são feitas,
escolha...
cativa.
sim ou não?

A felicidade é facil de enxergar,
ela bate a porta,
pede para entrar...
as vezes temos medo de ser feliz,
de perder o ar...
querida... olhe pra mim...
Vamos lá.

Deite...
contarei-lhe uma história...
Era uma vez uma mulher,
como era linda...
trocou a vida por um prato de que?
conhece a história das lentilhas?
Felicidade se foi...
agradar outros ficou,
olha logo...
enxerga rapido...
é você que faz o amor.


David Weydson

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Aos Meus Amigos

Não importa tempo,
distancia ou o vento,
ela segue...
segue na alma,
com força e intensidade...
caminhando na cidade vejo pedaços de amigos...
não importa quais sejam,
estão em flores,
em bosques,
em sorrisos...

Amigo...
palavra indizivel para valor tal,
mesmo que o tempo interfira,
os momentos ainda estão vividos,
isso é real...

Amigo...
algo feito de uma ironia do destino,
não me importa,
te chamo de amigo,
de minha vida abro-lhe a porta

O mundo seria cheio,
teria felicidade e amor,
teria mais sentimento,
menos lamento...
menos dor,
o amigo traz a ti,
um pouco mais de calor,
e nas noites frias dirá...
um amigo me acalmou,
lagrimas colheu,
ou dele brotou...
amigo de longe ou de perto,
uma coisa sei ao certo,
amigos tenho,
não contesto.

Amigos que lembram a brisa,
corujas ou fogo,
amigos que brincam sem medo,
amigos pela boca e amigos por dedos,
amigos...
um dos meus melhores frascos,
guardados com carinho em mim,
minha essencia de vida.
amigos...


David Weydson

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Palavras...

As vezes não há palavras...
Elas escondem...
o momento é tão forte,
tão intenso...

Elas tem medo de aparecer,
chocar-se com os olhos,
bocas e ouvidos.

E aí só restam os olhos,
que circulam,
a boca que anseia,
o medo se foi...
O frio na barriga ficou...

As palavras continuam extintas,
agora não ha mais rimas,
só há mordidas,
cantos de boca...
um bobo atoa.

Palavras sabem o tempo de aparecer,
sabem manipular,
se esconder e entalhar humanos.
Palavras são mais que conjuntos de letras,
são temômetros de prantos.
Cantos...
palavras cantam,
e o tempo passa,
palavras ficam e martelam,
minha boca faz o dano...

Palavras...
Fiquei sem outras mais,
palavras são pérolas...
palavra...
Cada uma no singular,
pois cada uma é especial,
ela que me faz...
cada uma é fundamental.


David Weydson

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Guerra dentro de Mim

Meu tempo está se findando...
de uma mudança preciso...
correr do que estou sentindo,
meu desejo impreciso.

Parece que foi um mar de rosa...
um tempo de dor,
viver santo?
correr atraz do amor?

Minha carne grita...
a balança está fatal,
igualados estão...
ganhar é fatal...

A carne está fácil agradar,
o espírito está dificil achar,
alguém pode me ajudar?
O diabo e Deus num cabo de guerra dentro de mim,
estou gritando a querubins,
tragam milagres...
pois minha corda arrebentará


David Weydson

sábado, 7 de agosto de 2010

Meu momento

Xiu...
Todos façam silêncio...
Estou pensando...
ouvindo o cachorro ao longe...
contando as batidas do coração...
as batidas do tempo...
ouvindo os sinos dos ventos...


David Weydson

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sonha...

Segue teu sonho...
até que ele te ceife...
e dos momentos bons te tire,
para dar lugar a outros além...

Segue teu sonho...
até que ele te mostre,
que sonhos tambem são de cristal,
papel...
as vezes de madeira...

Segue teu sonho...
até que dele se sacie,
ele te deixe...
outro sonho te abrace...

Segue teu sonho...
até que outro dia não haja mais,
que ele não traga nada mais...
só satisfação de uma vida feita,
te traga a morte e a paz.


David Weydson

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Fragmento de Loucura

Escrever ja não me basta...
quero algo mais,
quero sair de mim,
fugir...
quero me entender,
quero paz.

Amordaçado estou,
confesso que ri da ironia,
algo não profundo e trancafiado me colocou...

Quero sair de mim,
arrancar cabelos,
gritar...
afogar minha cara,
sentir sede do ar...
me cortar,
sei lá...
um jeito de fugir disso.
Respostas...
Quero Já!

David Weydson

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Íris Negra

Ninguém consegue chegar ao fundo dos meus olhos,
nem eu consigo tal proeza.
Eles são fundos... frios...
A cara brinca de expressões,
coisa que o mesmo não o faz...

Ele se enche,
vive na cautela,
janelas d´alma,
d´água...

A água que entra é diferente da que sai,
uma satisfaz,
a outra cai,
chora...
nunca se sabe ao certo quando acontecerá.

Há matéria escura nela também,
não é só no espaço,
se for...
um pouco dela roubei.


David Weydson

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cicatrizes da Alma

A Alma tem cortes,
cortes profundos...
do todas as cores,
com todas as dores...

Grandes deles são vistos quando estás só,
pois ao cortares escondes...

A vida está destinada a elas,
ataduras são feitas,
as pessoas não enxergam a alma,
esconderei bem para ninguem tocar...
Tenho que a dor mascarar.

Marcos são feitos,
vidas torturadas,
esse é o destino da vida,
esse é o molde...

Tirei as ataduras,
olhei para meus ferimentos,
quase morri...

Venci!


David Weydson

domingo, 1 de agosto de 2010

Metarmofose

Sabia que vivia em mutações...
mas não que elas praticamente me dominam...
eram tão sutis,
tão imperceptiveis...
Era Gradual.

Acho que uma noite de sono cura,
cura o que sinto agora,
calculismo,
amargura...

Quero brincar,
brincar com pessoas,
meus bonequinhos,
to meio psicotico eu acho...

Escrever...
nem sei o por que,
ah... e quem se importa,
vou fazer sem mais porque!

Palavras na minha dança insana,
dança louca...
dança na lama.
Stravinsky em mim.


David Weydson

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Poema Verginiano


Como lembrei,
agora tenho que fazer,
caso esquecer,
a obra já está feita...

Lugar reservado em meu poço de sangue já tens,
sorrisos ganha à granel,
sou feliz demais por tua amizade...
ela me aproxima do céu...

Pessoas parecidas,
rumos quase iguais...
fazer o que ama,
chegar ao céu,
tirando isso, nada mais...

É nos momentos de raiva que me entende,
no momento de silencio se aquieta,
no momento de brincadeira é só festa...

Acredito que Deus manda pessoas ao mundo,
pessoas que anjos são,
anjos com memória apagada...
ajuda mesmo sem saber outros humanos,
ou outros meio-anjos,
ou faz alguns humanos quase angelicais...

Confesso que não entendo muito Deus,
mas de uma coisa eu sei,
uma benção enorme foi,
a de tu aparecer...

Falar da noite,
da brisa e do céu...
mergulhar na palavra escrita,
na palavra falada,
e comigo dar rizadas...
viver sem ter medo...

Muitas coisas são à escrever,
não sei ao certo o que falar...
só tenho a agradecer,
por me ajudar no caminhar...
Ajudando quando meus paços são um pouco confusos,
concordando com minha indignação,
sendo mais que amigo...
sendo irmão.


David Weydson para Mayara Verginio ^^

sábado, 24 de julho de 2010

Destino... Nostalgia


Tem gente que diz que ele está traçado,
acho que gostaria que os traços fossem reais...
já vi minha vida em tantas curvas,
quem sabe em uma dela não está o final?

Final feliz...
final normal,
o que espero é fazer o que é certo,
com vontade estou de descansar,
sentar...
ficar...
me fazer inerte.

Minha esperança está liquida,
a fé é de vapor...
posso ter em quantidade,
mas a pressão está normal...

Sou previsível pra mim,
rascunhei os meus paços,
emoções preví,
sei de todos meus laços...

Admito... assumo o que sou,
humano... sou real,
forte as vezes...
esse não é o meu estado atual.

Estou Preto e Branco,
racional e aliaz...
estou com fome de algo,
fome voraz...
nada consigo concluir...
estou pela metade,
isso me traz raiva...
não me permito mudar tanto?

Respostas agora são raras,
quem sabe algum dia...
esqueça de tudo isso,
me inunde a alegria.


David Weydson

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ultimamente...

Ultimamente me desliguei de mim,
estou aprendendo mais...
Observando mais o que é desapercebido,
larguei o espelho de Narciso,
o mundo me atraíu...

Tenho sido mais humano,
mais real...
é o sonho se solidificando,
me edificando...

O que era feio agora mostro que é belo,
faço mudanças brutais,
reforço meus elos...

Sentindo,
gritando,
correndo,
vagando...

Fazendo o ex-norte virar sul,
o que era quase preto pra mim é azul.

Gritando sem som,
falando sem boca,
converso sozinho...
não tem fim...
tentei concluir.
(Não deu...)


David Weydson

Nós, mundo...

Todos reunidos,
a partida começou,
o destino é o mesmo,
mesmo juntos é só o "eu"...

Tantos olhares,
até mesmo o contato,
mas há algo maior,
isola a todos...

Me perco em tantos olhares,
uns bons,
outros nem tanto...
todos sozinhos,
Deus por todos...

Mesmo na sincronia,
a vida tomando as mesmas curvas,
o que lhe digo?
(Não falo... penso em silêncio.)

Transmitir algo real,
melhor... vital.
O mundo poderia ser mais 3ª pessoa,
mais plural.


David Weydson

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fome

A fome é a pior morte...
a tortura sem sangue,
o pedaço de pessoas te servindo de alimento,
e outros mandando ou deixando tudo isso...

Tenho meu Armani,
meu foi a gras,
de que me importa que eles comam seus proprios filhos?
de que me interessa se eles tem sede?

Danço em corpos secos,
não me importo...
tenho água engarrafada,
tenho comida estocada...

Eles são de raça impura,
raça destinada a mendigar,
viver com fome,
sem jamais se confortar.

Meu celular quebrou,
meu mp4 não quer pegar,
esse mundo é um lixo,
como vou viver sem meu Apple?
Sem meu tênis de marca?

Depois me perguntam por que eu sou mal com humanos,
não me conformo com a desumanidade,
raça nojenta,
mergulhada na vaidade...

Sou humano?
Sou...
faço tudo para fugir disso,
não escolhi assim ser,
mas posso esse estado ultrapassar.

Prefiro a morte,
ela vem e tudo acaba,
não tem a dor,
agora é só alma vagando...
e não como humanos,
humanos que insistem em pisar em humanos...
Capitalismo...

Me contentei em assim ser,
vivo... vivo por viver...
Afinal, tenho que minha marca deixar,
pelo menos um pão a alguém eu vou dar...

Água aos que tem sede...
orações aos que tem Aids...
E a morte aos que imploram por ela.


David Weydson

Fragmento de Pergaminho

É engraçado,
procuro meus pedaços,
uns acho na cidade,
outros na natureza,
simplicidade...

Pessoa de ollhar,
pessoa singular,
achou e depois acolheu,
geralmente é ficção,
ou colocam num vilão,
coisa tarjada de mau.

Mal sabem eles que meu pedaço de armadura é vital,
crucial,
letal,
fatal...

O que tenho a escrever?
Mais nada!
minha alma foi revelada.


David Weydson

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Máscara Fracionada

Quando os gritos se tornam evidentes,
muitos se assustam,
são minhas partes em contradição...

Elas quebram o silêncio,
minh´ alma canta,
e sem vacílo dança,
dança as ordens que lhe são feitas...

Para, vai,
fica, some,
cala, grita...
E na confusão mergulho...
sou assim mesmo...

Guerra em mim é o que fica evidente,
tantos doentes,
não domam a si?
e ainda me chamam de demente...

Rio de escárnio,
rio com nojo impregnado,
nem percebem...

Sou caras distintas,
e isso me faz artista,
artista da vida e das palavras,
raras... elas são por mim gritadas,
vivenciadas...

E fico no preto branco,
muitas vezes na solidão em meio à tantos,
e não tenho espanto...
Sou gente.
sou carne,
sou poeta.

David Weydson

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Poema Humanitário


Na palavra eu vejo recanto,
em veneno penso amianto,
Cortar eu penso em espada,
mais nada...

Sou cru,
sou simples,
só sou...

Me encanto quando vejo a neblina,
tenho uma ligação com a lua,
ando cortando a rua,
eu escrevo a palavra nua.

De um jeito ou de outro tento te ajudar,
entender um pouco mais a vida...
respirar o teu ar,
Sinceramente, não sei por que faço isso,
acho que é uma missão,
com a palavra tenho um compromisso,
insisto. Desistir?
Não!

Com o tempo acho respostas,
Eu tambem acredito em Anjos,
Espirito é o que tenho que tocar,
Escrevendo...

Me realizo com uma lágrima derramada,
perante as minhas outras mil enjauladas,
há lágrimas em palavras...

Mostro o cotidiano,
mostro o real...
Quero fazer do mundo
um pouco mais humano,
menos letal...
Dar alimento à almas famintas,
e viver minha vida de artista.
Sem glamour, sem nada mais,
quero te trazer paz.

David Weydson

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Carolina Carmim

Ando só,
corto a cidade,
passo como o vento,
vou na simplicidade...

Cada passo e vários outros contra mim,
passo, simplesmente passo...
outros tentam me empurrar,
este não é o meu fim.

Atravesso a rua,
ando e os pombos voam,
mendigos cortam-me com olhares,
olhares...

Desprezo me corta,
já me acostumei,
olhares sedentos também...

Eu trabalho,
muitos dizem ser errado,
eu digo que é meu alimento.

Não posso correr,
tenho que desfilar,
no frio exponho meu corpo,
para com ele ganhar.
Apanho?
Sim apanho...
afinal... tenho que comer.

Se gritam comigo,
me defendo...
assim que tem que ser.

Atraz do meu brilho babilônico há dor,
lágrimas escondo atraz de maquiágem,
não me permito ter amor.

Oportunidades me foram tiradas,
vida tirana...
correr para me afogar na lama.

Eu ouvi falar de alguém que poderia me tirar dessa vida de escrava,
mas como vou comer?
tenho que me vender,
afinal... tenho que terminar de viver.

Vida de cigano,
afogo-me no oceano...
oceano das noivas que já escurracei,
não fiz por mal,
sou assim...
Me visto do letal,
pois tenho medo...
medo do destino...

Vendo pernas,
peitos,
não importa,
me compre...
pois não encontro uma porta,
essa é a saída,
rotina.


David Weydson

domingo, 27 de junho de 2010

Inconstante

E mais uma vez escureci...
Me comparo ao dia,
hora quente hora frio,
um dia cinza.

Estou Mórbido,
inerte e sombrio...
nos meus mergulhos dentro da alma,
mergulho no profundo rio...

Não quero nada,
me deixem...
esse sou eu,
quero sossego,
silêncio...
como um corpo que adormeceu.

E fico quieto,
fico até ouvir a lua se mecher,
as estrelas brilharem,
e eu vir a renascer.

Sou assim...
ora feliz ora triste...
ou é 8 ou 80,
calendoscópico ou não...
Sou uma lenda.

David Weydson

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Personalidade Vestida

Já vi várias caras de desgosto,
já olhei pessoas,
tomei chuva para entender as plantas,
me imaginei em miséria total...

Só há um jeito de entender,
o que há com outro alguém,
sendo ele...
vivendo sem ter mais desdém.

É fato...
o mundo está se transformando,
ideáis que as vezes grito,
são considerados bobos...
tolos...

Prefiro voltar ao meu recanto,
visto minhas roupas,
muitos julgam-nas feias,
são elas que me protegem de todos.
Coloquei meu desprezo,
meu par de cinismo,
me perfumei com ceticismo,
um pouco de sarcasmo,
sempre uso sinceridade... todos sabem.
Estou Pronto!

Esse talvez seja eu
Ou uma parte das minhas caras...

David Weydson

Mimo da Palavra

A vezes a palavra é mimada,
brinca...
Escreve, sai correndo,
rima...

A palavra brinca com outras amigas,
elas são vivas...
elas são vivas!

Muitas vezes elas tecem,
tecem longos tecidos,
bordam... costuram,
e queimam-o depois sem mais...

Se digo que sei por que é minto,
colocarei-me em seu lugar,
busco sempre a perfeição,
isso é o que eu vou achar!

David Weydson

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ordem Desordada

Sem pé nem cabeça não se faz corpo,
nem sentido...
fala que é sentido tambem,
audição... tato...

Eu sei,
sei sem saber ao certo,
se sei o sentido correto...

As vezes o sentido não precisa ter ordem,
pois a ordem é um pedaço de quebra-cabeça montado...
ainda sim está quebrado...

Pois prefiro o som,
o grito,
o paradoxo da vida de nada,
de mistério,
do escuro..
até dizer que o preto é preto...
preto é cor sim!
não é a ausencia...
se é eu tambem a sou.

David Weydson

Insistência

E da robustez fez-se manto,
caricia formou...
e de toda pedra,
o carinho d´água fragmentou.

Toda tez do mar,
parece calma... suave...
E com sua suavidade cava,
reparte...

A suavidade é plena,
macia e mágica...
areia que bebe água salgada,
areia que me cava.

Tira pouco a pouco um pouco que só é meu,
faz daquilo coisa macia,
bela e não como eu era.

Antes o que era duro agora é escrevível,
se torna papel dos amantes,
e acomoda o amor faíscante...

E sou pisada...
sim, sou
mais de que importa,
sou melhor... sim, sou.
Sou pegada do passado explicito,
o tempo me deu esse dom.

David Weydson

domingo, 20 de junho de 2010

A Poeira do Anjo

Vou voando...
Nasci assim,
falaram-me que sabia voar,
testei-me,
não sei se sim...

Muitas vezes vou mais alto,
alto... alto...
E desmorono...
Nuvens passam por mim,
me cortam,
me embalam para a terra...

Quando caio é um som seco,
a poeira levanta,
forma cratera...

Não sei se fico ou se levanto,
vejo um manto... minha roupa suja...

Olho as nuvens,
lembro do céu acima delas,
recobro a consiência,
Vôo novamente esperando não cair.

David Weydson

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Lamento do Cupido

Quantas vezes agi por impulso,
cultivei uma semente queimada,
corri na rua da vida,
e sabia que não levava a nada...

Quantos sonhos cultivei,
e com lágrimas banhei,
palavras defendi...
me levou a algum lugar?

Isso me faz ver,
que pensamentos assim não são bons,
eles usam a lógica,
transformam meus sonhos em crepom...

E um enfeite porco virou,
o que antes era minha vida,
minha flecha de cristal,
agora não passa de uma rima...

Confesso, as vezes queria ser mais simples,
vejo tanta simplicidade,
não consigo imitar-la...

E se sento ou se ando,
não sei o que fazer,
voltarei às minhas nuvens,
esperando o entardecer.


David Weydson

A outra face da Moeda

Hoje tentei aprender...
entender a desgraça...
o abandono...
o vício...

Em uma garrafa é afogada tantas mágoas,
afoga a fome,
o frio...
os filhos, mulheres...
lágrimas destiladas...

No cinza, na carroça estão as escolhas,
ou a falta delas...
Bebe... bebe pra esquentar,
pra logo te matar
E te tirar,
dessa desgraça de Vida.

Atraz de um cachimbo,
há uma vida que sonha atravez de mecanismos,
mecanismo que suga...
deixa ela preta,
magra...
ela não quer mais sonhar...

É tarde demais,
a morte chegou.


David Weydson

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Distinta Palavra

Falo coisas sem sentido,
sem olhar, sem falar...
algo distinto,
falo por falar,
pela simples vontade de ver palavras soltas...
palavras... crianças que correm,
acolhem,
retorcem,
gritam...

Falo para que corram,
saiam livres a brincar,
sejam livres e mais livres,
tracem seu caminhar,
andar,
sonhar.

Com outras se juntar,
formar uma família,
palavras distintas,
palavras malditas,
parasitas,
artistas,
solistas.

Palavras...
palavras...
simplesmente elas mesmas...
vivendo seus gostos e desejos,
retratando meu inconciente.

David Weydson

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O Tédio da Mesmice

A mesmice afoga a sensibilidade,
acaba tudo que era belo,
as flores não valem mais,
a lua está lá...
E daí?

Procuro logo,
muito rápido um jeito de fugir,
correr...
se não o fazer vou ruir.

Não quero mais ficar assim,
querer não é poder...
Então o que vai ser?
Implorar mudança.

Mesmice... a lança que te fere,
caso tire morrerá,
fique com ela,
espere cicatrizar.

Eu creio...
Tudo Vai melhorar
=/

David Weydson

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Meus Fragmentos

Tem tanto que me é descartável...
Temo e respeito tais,
sou agrecivo com sonhos...
Não sabia disso...
Assim que concluo,
procuro outro como um leão faminto que procura o que comer,
comer antes que a morte me tome.

Penso tanto,
será que tem sentido?
Aceitar o que sou,
sim... é o que digo.

Faz parte sonhar,
sonhar vivamente,
correr para o mar,
fechar os olhos no ar,
no vento...
É tudo parte minha,
Corrida, escorrida, despedaçada por aí,
quando às acho as pego,
monto como o que há de mais significativo.
Como o santo sudário para muitos.

Não importa se é real ou não,
isso me ajuda a ver,
nem que abra mão de muito,
seguirei tal sim!
Viver,
Viver tambem pra mim.

David Weydson

terça-feira, 1 de junho de 2010

Vida de Poeta

O molde do poeta é algo diferente,
como rubi que corta rubi,
é uma dor lancinante,
é a escolha de sí por sí sem dó...
sem ré...

A forma do poeta é marcada,
é vincada,
amassada,
rachada...
Tem tanto que se torna bonito,
se torna único, e até arte.
Arte bela da dor.

E tudo posso,
e vejo todos,
pensei...
refinei minhas personalidades,
gritei com elas,
deixei umas sobressairem.

Com o Sonho fiz a vida,
com as lágrimas um castelo,
não choro mais pois já foi minha cota,
e nada nem ninguem mais me sufoca.

Eu agora cultivo a primeira pessoa,
vivo cada dia olhando as outras,
absorvo segunda pessoa...
E escrevo por ti,
e sonho por ti,
mostro o futuro mais rápido,
desenho seus passos simples e previsiveis.

Vejo na natureza o que tenho que aprender,
vejo nos humanos o que tenho que fazer,
sonhar com outros dias?
Pode ser...
Viver...
Viver em fé,
pois é isso que para o poeta,
não é possivel calcular,
desenhar...
falar...

É isso que o faz...
ir além das palavras,
sentir a paz,
quando ela é irreal.

David Weydson

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pierrot e Arlequim

Por que Pierrot e não Arlequim?

Colombina...
pobre desgraçada,
trocou um amor por um sorriso na cara,
sorriso idiota, mascarado...
Sorriso que nasceu da cara e incrustado está,
sorriso macabro fez ela me trocar.

E na ingenuidade mergulhei,
me deixei amar,
até mudei meu ar,
não respirava mais sem ser seu ar.

Traiu-me com a felicidade,
felicidade falsa...
não percebes o teatro?
Teatro te cegou...
a tal ponto de viver quem tu não és,
tu não és colombina,
colombina é tinta..
tinta que eu pintei em tua cara pálida.

Pois troque-me
lembrarei de ti
e pra ti sempre terei uma lágrima guardada,
Lágrima pura,
lágrima de amor,
de cristal,
de toda vida que me resta
tudo tu levaste,
me farei novo,
e enfim serei outro.

David Weydson

domingo, 30 de maio de 2010

Mistério

Mistério...
Algo esguio,
tem manto que voa ao vento...
Vive em fendas,
Noites chuvosas,
Noites Londrinas.

E tudo fica turvo,
quase cego,
neblina...
o vento canta entre a alma e o espírito.

E surge um vulto,
olhar fixo...
penetrante,
e tudo é suspensivo,
o passo é impreciso,
os olhos traem.

Fecho-os em sinal de respeito,
respeito ao que aparece às fendas,
ao enigma...
Me torno parte do escuro
E no feixo de luz apareço
e o corpo reage...
Então era você?
Num abraço mortal me absorve...
É assim que meu silêncio,
meu mistério ganha do meu explicito.

David Weydson

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Desprezo

Confesso que essa é uma das máscaras que mais prefiro... mesmo que erroneamente...
Enfim... Estou tentando tira-la da minha vida, ou tentando justifica-la.

Acredito que meu desprezo é espelho maximizado,
espelho moldado e feito no tempo,
que vive ao vento,
relento...

E todo gesto contra ele olhou,
prometeu a si... jurou
Refletiria o que lhe foi mostrado contra seu gosto.
E com Desgosto responderia.

Um espelho nunca pede,
nem sequer mede onde olhar,
olhou? Refletiu?
Pah!

Tapa na cara uns não gostam de levar,
muitos acham que pra quebrar o espelho basta apenas chutar...
força tambem é absorvida...

E ele ri com ironia,
e no fascinio de sua fantasia,
despreza a torto e a direito?

Faz tudo isso para o bem,
pois se olhar além,
quebra inteiro o pobre espelho...
Vive sempre defendendo,
refletindo e cozendo,
sua manta assacina.

David Weydson