face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

domingo, 27 de junho de 2010

Inconstante

E mais uma vez escureci...
Me comparo ao dia,
hora quente hora frio,
um dia cinza.

Estou Mórbido,
inerte e sombrio...
nos meus mergulhos dentro da alma,
mergulho no profundo rio...

Não quero nada,
me deixem...
esse sou eu,
quero sossego,
silêncio...
como um corpo que adormeceu.

E fico quieto,
fico até ouvir a lua se mecher,
as estrelas brilharem,
e eu vir a renascer.

Sou assim...
ora feliz ora triste...
ou é 8 ou 80,
calendoscópico ou não...
Sou uma lenda.

David Weydson

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Personalidade Vestida

Já vi várias caras de desgosto,
já olhei pessoas,
tomei chuva para entender as plantas,
me imaginei em miséria total...

Só há um jeito de entender,
o que há com outro alguém,
sendo ele...
vivendo sem ter mais desdém.

É fato...
o mundo está se transformando,
ideáis que as vezes grito,
são considerados bobos...
tolos...

Prefiro voltar ao meu recanto,
visto minhas roupas,
muitos julgam-nas feias,
são elas que me protegem de todos.
Coloquei meu desprezo,
meu par de cinismo,
me perfumei com ceticismo,
um pouco de sarcasmo,
sempre uso sinceridade... todos sabem.
Estou Pronto!

Esse talvez seja eu
Ou uma parte das minhas caras...

David Weydson

Mimo da Palavra

A vezes a palavra é mimada,
brinca...
Escreve, sai correndo,
rima...

A palavra brinca com outras amigas,
elas são vivas...
elas são vivas!

Muitas vezes elas tecem,
tecem longos tecidos,
bordam... costuram,
e queimam-o depois sem mais...

Se digo que sei por que é minto,
colocarei-me em seu lugar,
busco sempre a perfeição,
isso é o que eu vou achar!

David Weydson

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ordem Desordada

Sem pé nem cabeça não se faz corpo,
nem sentido...
fala que é sentido tambem,
audição... tato...

Eu sei,
sei sem saber ao certo,
se sei o sentido correto...

As vezes o sentido não precisa ter ordem,
pois a ordem é um pedaço de quebra-cabeça montado...
ainda sim está quebrado...

Pois prefiro o som,
o grito,
o paradoxo da vida de nada,
de mistério,
do escuro..
até dizer que o preto é preto...
preto é cor sim!
não é a ausencia...
se é eu tambem a sou.

David Weydson

Insistência

E da robustez fez-se manto,
caricia formou...
e de toda pedra,
o carinho d´água fragmentou.

Toda tez do mar,
parece calma... suave...
E com sua suavidade cava,
reparte...

A suavidade é plena,
macia e mágica...
areia que bebe água salgada,
areia que me cava.

Tira pouco a pouco um pouco que só é meu,
faz daquilo coisa macia,
bela e não como eu era.

Antes o que era duro agora é escrevível,
se torna papel dos amantes,
e acomoda o amor faíscante...

E sou pisada...
sim, sou
mais de que importa,
sou melhor... sim, sou.
Sou pegada do passado explicito,
o tempo me deu esse dom.

David Weydson

domingo, 20 de junho de 2010

A Poeira do Anjo

Vou voando...
Nasci assim,
falaram-me que sabia voar,
testei-me,
não sei se sim...

Muitas vezes vou mais alto,
alto... alto...
E desmorono...
Nuvens passam por mim,
me cortam,
me embalam para a terra...

Quando caio é um som seco,
a poeira levanta,
forma cratera...

Não sei se fico ou se levanto,
vejo um manto... minha roupa suja...

Olho as nuvens,
lembro do céu acima delas,
recobro a consiência,
Vôo novamente esperando não cair.

David Weydson

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Lamento do Cupido

Quantas vezes agi por impulso,
cultivei uma semente queimada,
corri na rua da vida,
e sabia que não levava a nada...

Quantos sonhos cultivei,
e com lágrimas banhei,
palavras defendi...
me levou a algum lugar?

Isso me faz ver,
que pensamentos assim não são bons,
eles usam a lógica,
transformam meus sonhos em crepom...

E um enfeite porco virou,
o que antes era minha vida,
minha flecha de cristal,
agora não passa de uma rima...

Confesso, as vezes queria ser mais simples,
vejo tanta simplicidade,
não consigo imitar-la...

E se sento ou se ando,
não sei o que fazer,
voltarei às minhas nuvens,
esperando o entardecer.


David Weydson

A outra face da Moeda

Hoje tentei aprender...
entender a desgraça...
o abandono...
o vício...

Em uma garrafa é afogada tantas mágoas,
afoga a fome,
o frio...
os filhos, mulheres...
lágrimas destiladas...

No cinza, na carroça estão as escolhas,
ou a falta delas...
Bebe... bebe pra esquentar,
pra logo te matar
E te tirar,
dessa desgraça de Vida.

Atraz de um cachimbo,
há uma vida que sonha atravez de mecanismos,
mecanismo que suga...
deixa ela preta,
magra...
ela não quer mais sonhar...

É tarde demais,
a morte chegou.


David Weydson

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Distinta Palavra

Falo coisas sem sentido,
sem olhar, sem falar...
algo distinto,
falo por falar,
pela simples vontade de ver palavras soltas...
palavras... crianças que correm,
acolhem,
retorcem,
gritam...

Falo para que corram,
saiam livres a brincar,
sejam livres e mais livres,
tracem seu caminhar,
andar,
sonhar.

Com outras se juntar,
formar uma família,
palavras distintas,
palavras malditas,
parasitas,
artistas,
solistas.

Palavras...
palavras...
simplesmente elas mesmas...
vivendo seus gostos e desejos,
retratando meu inconciente.

David Weydson

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O Tédio da Mesmice

A mesmice afoga a sensibilidade,
acaba tudo que era belo,
as flores não valem mais,
a lua está lá...
E daí?

Procuro logo,
muito rápido um jeito de fugir,
correr...
se não o fazer vou ruir.

Não quero mais ficar assim,
querer não é poder...
Então o que vai ser?
Implorar mudança.

Mesmice... a lança que te fere,
caso tire morrerá,
fique com ela,
espere cicatrizar.

Eu creio...
Tudo Vai melhorar
=/

David Weydson

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Meus Fragmentos

Tem tanto que me é descartável...
Temo e respeito tais,
sou agrecivo com sonhos...
Não sabia disso...
Assim que concluo,
procuro outro como um leão faminto que procura o que comer,
comer antes que a morte me tome.

Penso tanto,
será que tem sentido?
Aceitar o que sou,
sim... é o que digo.

Faz parte sonhar,
sonhar vivamente,
correr para o mar,
fechar os olhos no ar,
no vento...
É tudo parte minha,
Corrida, escorrida, despedaçada por aí,
quando às acho as pego,
monto como o que há de mais significativo.
Como o santo sudário para muitos.

Não importa se é real ou não,
isso me ajuda a ver,
nem que abra mão de muito,
seguirei tal sim!
Viver,
Viver tambem pra mim.

David Weydson

terça-feira, 1 de junho de 2010

Vida de Poeta

O molde do poeta é algo diferente,
como rubi que corta rubi,
é uma dor lancinante,
é a escolha de sí por sí sem dó...
sem ré...

A forma do poeta é marcada,
é vincada,
amassada,
rachada...
Tem tanto que se torna bonito,
se torna único, e até arte.
Arte bela da dor.

E tudo posso,
e vejo todos,
pensei...
refinei minhas personalidades,
gritei com elas,
deixei umas sobressairem.

Com o Sonho fiz a vida,
com as lágrimas um castelo,
não choro mais pois já foi minha cota,
e nada nem ninguem mais me sufoca.

Eu agora cultivo a primeira pessoa,
vivo cada dia olhando as outras,
absorvo segunda pessoa...
E escrevo por ti,
e sonho por ti,
mostro o futuro mais rápido,
desenho seus passos simples e previsiveis.

Vejo na natureza o que tenho que aprender,
vejo nos humanos o que tenho que fazer,
sonhar com outros dias?
Pode ser...
Viver...
Viver em fé,
pois é isso que para o poeta,
não é possivel calcular,
desenhar...
falar...

É isso que o faz...
ir além das palavras,
sentir a paz,
quando ela é irreal.

David Weydson