face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Poema Verginiano


Como lembrei,
agora tenho que fazer,
caso esquecer,
a obra já está feita...

Lugar reservado em meu poço de sangue já tens,
sorrisos ganha à granel,
sou feliz demais por tua amizade...
ela me aproxima do céu...

Pessoas parecidas,
rumos quase iguais...
fazer o que ama,
chegar ao céu,
tirando isso, nada mais...

É nos momentos de raiva que me entende,
no momento de silencio se aquieta,
no momento de brincadeira é só festa...

Acredito que Deus manda pessoas ao mundo,
pessoas que anjos são,
anjos com memória apagada...
ajuda mesmo sem saber outros humanos,
ou outros meio-anjos,
ou faz alguns humanos quase angelicais...

Confesso que não entendo muito Deus,
mas de uma coisa eu sei,
uma benção enorme foi,
a de tu aparecer...

Falar da noite,
da brisa e do céu...
mergulhar na palavra escrita,
na palavra falada,
e comigo dar rizadas...
viver sem ter medo...

Muitas coisas são à escrever,
não sei ao certo o que falar...
só tenho a agradecer,
por me ajudar no caminhar...
Ajudando quando meus paços são um pouco confusos,
concordando com minha indignação,
sendo mais que amigo...
sendo irmão.


David Weydson para Mayara Verginio ^^

sábado, 24 de julho de 2010

Destino... Nostalgia


Tem gente que diz que ele está traçado,
acho que gostaria que os traços fossem reais...
já vi minha vida em tantas curvas,
quem sabe em uma dela não está o final?

Final feliz...
final normal,
o que espero é fazer o que é certo,
com vontade estou de descansar,
sentar...
ficar...
me fazer inerte.

Minha esperança está liquida,
a fé é de vapor...
posso ter em quantidade,
mas a pressão está normal...

Sou previsível pra mim,
rascunhei os meus paços,
emoções preví,
sei de todos meus laços...

Admito... assumo o que sou,
humano... sou real,
forte as vezes...
esse não é o meu estado atual.

Estou Preto e Branco,
racional e aliaz...
estou com fome de algo,
fome voraz...
nada consigo concluir...
estou pela metade,
isso me traz raiva...
não me permito mudar tanto?

Respostas agora são raras,
quem sabe algum dia...
esqueça de tudo isso,
me inunde a alegria.


David Weydson

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ultimamente...

Ultimamente me desliguei de mim,
estou aprendendo mais...
Observando mais o que é desapercebido,
larguei o espelho de Narciso,
o mundo me atraíu...

Tenho sido mais humano,
mais real...
é o sonho se solidificando,
me edificando...

O que era feio agora mostro que é belo,
faço mudanças brutais,
reforço meus elos...

Sentindo,
gritando,
correndo,
vagando...

Fazendo o ex-norte virar sul,
o que era quase preto pra mim é azul.

Gritando sem som,
falando sem boca,
converso sozinho...
não tem fim...
tentei concluir.
(Não deu...)


David Weydson

Nós, mundo...

Todos reunidos,
a partida começou,
o destino é o mesmo,
mesmo juntos é só o "eu"...

Tantos olhares,
até mesmo o contato,
mas há algo maior,
isola a todos...

Me perco em tantos olhares,
uns bons,
outros nem tanto...
todos sozinhos,
Deus por todos...

Mesmo na sincronia,
a vida tomando as mesmas curvas,
o que lhe digo?
(Não falo... penso em silêncio.)

Transmitir algo real,
melhor... vital.
O mundo poderia ser mais 3ª pessoa,
mais plural.


David Weydson

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fome

A fome é a pior morte...
a tortura sem sangue,
o pedaço de pessoas te servindo de alimento,
e outros mandando ou deixando tudo isso...

Tenho meu Armani,
meu foi a gras,
de que me importa que eles comam seus proprios filhos?
de que me interessa se eles tem sede?

Danço em corpos secos,
não me importo...
tenho água engarrafada,
tenho comida estocada...

Eles são de raça impura,
raça destinada a mendigar,
viver com fome,
sem jamais se confortar.

Meu celular quebrou,
meu mp4 não quer pegar,
esse mundo é um lixo,
como vou viver sem meu Apple?
Sem meu tênis de marca?

Depois me perguntam por que eu sou mal com humanos,
não me conformo com a desumanidade,
raça nojenta,
mergulhada na vaidade...

Sou humano?
Sou...
faço tudo para fugir disso,
não escolhi assim ser,
mas posso esse estado ultrapassar.

Prefiro a morte,
ela vem e tudo acaba,
não tem a dor,
agora é só alma vagando...
e não como humanos,
humanos que insistem em pisar em humanos...
Capitalismo...

Me contentei em assim ser,
vivo... vivo por viver...
Afinal, tenho que minha marca deixar,
pelo menos um pão a alguém eu vou dar...

Água aos que tem sede...
orações aos que tem Aids...
E a morte aos que imploram por ela.


David Weydson

Fragmento de Pergaminho

É engraçado,
procuro meus pedaços,
uns acho na cidade,
outros na natureza,
simplicidade...

Pessoa de ollhar,
pessoa singular,
achou e depois acolheu,
geralmente é ficção,
ou colocam num vilão,
coisa tarjada de mau.

Mal sabem eles que meu pedaço de armadura é vital,
crucial,
letal,
fatal...

O que tenho a escrever?
Mais nada!
minha alma foi revelada.


David Weydson

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Máscara Fracionada

Quando os gritos se tornam evidentes,
muitos se assustam,
são minhas partes em contradição...

Elas quebram o silêncio,
minh´ alma canta,
e sem vacílo dança,
dança as ordens que lhe são feitas...

Para, vai,
fica, some,
cala, grita...
E na confusão mergulho...
sou assim mesmo...

Guerra em mim é o que fica evidente,
tantos doentes,
não domam a si?
e ainda me chamam de demente...

Rio de escárnio,
rio com nojo impregnado,
nem percebem...

Sou caras distintas,
e isso me faz artista,
artista da vida e das palavras,
raras... elas são por mim gritadas,
vivenciadas...

E fico no preto branco,
muitas vezes na solidão em meio à tantos,
e não tenho espanto...
Sou gente.
sou carne,
sou poeta.

David Weydson

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Poema Humanitário


Na palavra eu vejo recanto,
em veneno penso amianto,
Cortar eu penso em espada,
mais nada...

Sou cru,
sou simples,
só sou...

Me encanto quando vejo a neblina,
tenho uma ligação com a lua,
ando cortando a rua,
eu escrevo a palavra nua.

De um jeito ou de outro tento te ajudar,
entender um pouco mais a vida...
respirar o teu ar,
Sinceramente, não sei por que faço isso,
acho que é uma missão,
com a palavra tenho um compromisso,
insisto. Desistir?
Não!

Com o tempo acho respostas,
Eu tambem acredito em Anjos,
Espirito é o que tenho que tocar,
Escrevendo...

Me realizo com uma lágrima derramada,
perante as minhas outras mil enjauladas,
há lágrimas em palavras...

Mostro o cotidiano,
mostro o real...
Quero fazer do mundo
um pouco mais humano,
menos letal...
Dar alimento à almas famintas,
e viver minha vida de artista.
Sem glamour, sem nada mais,
quero te trazer paz.

David Weydson

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Carolina Carmim

Ando só,
corto a cidade,
passo como o vento,
vou na simplicidade...

Cada passo e vários outros contra mim,
passo, simplesmente passo...
outros tentam me empurrar,
este não é o meu fim.

Atravesso a rua,
ando e os pombos voam,
mendigos cortam-me com olhares,
olhares...

Desprezo me corta,
já me acostumei,
olhares sedentos também...

Eu trabalho,
muitos dizem ser errado,
eu digo que é meu alimento.

Não posso correr,
tenho que desfilar,
no frio exponho meu corpo,
para com ele ganhar.
Apanho?
Sim apanho...
afinal... tenho que comer.

Se gritam comigo,
me defendo...
assim que tem que ser.

Atraz do meu brilho babilônico há dor,
lágrimas escondo atraz de maquiágem,
não me permito ter amor.

Oportunidades me foram tiradas,
vida tirana...
correr para me afogar na lama.

Eu ouvi falar de alguém que poderia me tirar dessa vida de escrava,
mas como vou comer?
tenho que me vender,
afinal... tenho que terminar de viver.

Vida de cigano,
afogo-me no oceano...
oceano das noivas que já escurracei,
não fiz por mal,
sou assim...
Me visto do letal,
pois tenho medo...
medo do destino...

Vendo pernas,
peitos,
não importa,
me compre...
pois não encontro uma porta,
essa é a saída,
rotina.


David Weydson