face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Carolina Carmim

Ando só,
corto a cidade,
passo como o vento,
vou na simplicidade...

Cada passo e vários outros contra mim,
passo, simplesmente passo...
outros tentam me empurrar,
este não é o meu fim.

Atravesso a rua,
ando e os pombos voam,
mendigos cortam-me com olhares,
olhares...

Desprezo me corta,
já me acostumei,
olhares sedentos também...

Eu trabalho,
muitos dizem ser errado,
eu digo que é meu alimento.

Não posso correr,
tenho que desfilar,
no frio exponho meu corpo,
para com ele ganhar.
Apanho?
Sim apanho...
afinal... tenho que comer.

Se gritam comigo,
me defendo...
assim que tem que ser.

Atraz do meu brilho babilônico há dor,
lágrimas escondo atraz de maquiágem,
não me permito ter amor.

Oportunidades me foram tiradas,
vida tirana...
correr para me afogar na lama.

Eu ouvi falar de alguém que poderia me tirar dessa vida de escrava,
mas como vou comer?
tenho que me vender,
afinal... tenho que terminar de viver.

Vida de cigano,
afogo-me no oceano...
oceano das noivas que já escurracei,
não fiz por mal,
sou assim...
Me visto do letal,
pois tenho medo...
medo do destino...

Vendo pernas,
peitos,
não importa,
me compre...
pois não encontro uma porta,
essa é a saída,
rotina.


David Weydson

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