face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pó de Mim

Sob a nevoa densa penso,
sinto o meu penar,
ele me corta,
então é levado pelo ar.

Não!
quero desse estado sair,
quero correr,
sair desse lugar,
isso me é impossivel...

Talvez não nasci pra isso,
narciso...
cativo de sua beleza,
ficou prostrado à mesa,
mesa d´água com seu prato,
sua alma...
por dentro seu pranto,
por fora vaidade...
Essa foi sua realidade.

Não passo de crueldade,
Anseio que se afaste...
cansei do desgaste de ter outros a me amolar,
se preciso vou gritar...
Na insanidade mergulhar.

Vou moer o que em mim há,
e fazer de tudo um pó fino,
um pó de nuvem confusa,
serei medusa...

E assim guiarei,
me farei e serei,
serei defesa em pessoa,
orgulho à toa.


David Weydson

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ódio


Meu ódio não tem tamanho,
não tem medida conhecida,
não há um padrão...

Se tenho Ódio anseio sangue,
não há simplesmente uma raivinha,
quero logo estrangular,
criar agonia.

Parece que minha vista é vermelha,
e minha boca saliva mais,
tenho sede de mortes,
hajo como um predador voraz.

Chega de escrever...
As palavras não podem mais conter...

O Sacrifício

E quando o que te cria te amaldiçoa
e quando o que tens zelo te magoa,
o que fazer?

Quando tudo que quero é sumir,
se meu patamar é alto só quero cair,
quero te negar,
te fazer chorar...
sinta e respire minha mágoa no ar,
que ela seja como seu perfume de culpa...
sinta minha amargura.
Se lembre da minha candura,
da tua maldição,
das palavras que me levaram à perdição...

Queria meus dias finalizar...
fazer tu pensar em que me fizesse,
que agora teu dia anoitece,
e jamais terá o sol...

Queria te mostrar o quanto te quis bem,
e tu veio à mim, tirou do além,
palavras amargas e me fez engolir...
e com punhaladas ficou a sorrir...
mataste o teu filho querido,
nasceu um rebento partido,
um sorriso partido,
um martírio.

No sacrificio Ninguém interviu.


David Weydson

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Divihumano


As Vezes a carne se mistura com o Sangue,
não sei o que é maciço e o que é vital,
a sangue leva o alimento,
carne só o consome...

Uns dizem que sangue é carne liquida...
eu não acredito...
sei a verdade...
Carne é parcela de sangue só que mudada.

Dizem que cortando carne escorre sangue...
sim, ela está impregnada,
sem sangue sem carne,
sem sangue sem nada...

Sangue e carne só são diferenciados ao toque,
ou toca e sente o fluir ou sente a barreira,
ou molha ou impede,
até que o prove...
prefiro o ferro.


David Weydson

sábado, 23 de outubro de 2010

Indiferença

Minha música foi cortada...
algo longe começou a falar,
despertei e ouvi,
um pedinte a falar.

Mergulhei denovo em minha musica,
sem com ele me importar,
se sua história era mesmo verdadeira,
se lhe faltava dinheiro, vergonha ou ar...

Não me interessa...
não me importo com sua fome,
se morre desvio do corpo e passo,
tenho meus afazeres.

Passo apressado,
algo estendido ao chão,
é apenas um bêbado,
mais um acompanhado de um cão...

Se passa ao meu lado,
viro a cara,
finjo não ter medo...
sujeira andante...
parece mais um bicho!
Não me importo se é morto ou vivo...
Seria melhor sem isso...

Não importa se humano ou se bicho,
vivo para mim...
só espelho para narciso,
indiferente sou,
e sabe o que mais?
Saia... seja fugaz...
não quero te ver novamente,
JAMAIS.


David Weydson

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sede

Preciso satisfazer o meu Ego,
fazer alguma coisa divertida...
sair da minha rotina...

Preciso de algo que me atraia,
algo proibido,
quem sabe Absinto.

Preciso finalizar o meu ódio,
fazer meu grand finalle,
achei minha femme fatale.

Preciso de Algo Mais...
Estou com fome... sede...
Voraz.


David Weydson

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Isolado

É um misto de chuva com neve,
uma noite londrina,
a tristeza cativa,
olhos mareados.

Quando tudo que te resta,
é somente o seu pranto,
em meio ao silêncio está o meu recanto,
num canto eu canto.


David Weydson

domingo, 17 de outubro de 2010

Fragmento de Sombra Op 1

Minha palavra clareou um pouco,
talvez um feixe de luz...
agora escrevo de olhos fechados...
lacrados.

Tudo é tão perto,
o escuro é o contato ao meu olho,
mergulho num poço...

se muito me concentrar visões viram...
até meu corpo despertar,
despertar do devaneio.

Alguma coisa me diz,
outra me contradiz,
imperatriz do misterio profundo e corpulento,
corpo lento,
copo lento...


David Weydson

Pure

Tem algo diferente em seu rosto...
parece que está mais brilhante,
parece faíscar.

Sorrisos tem à esbanjar,
palavras puras,
não estás tão distante,
estás mais próximo.

És vivo...

Não ouço mais seus gritos,
gritos inaldíveis,
ensurdecedores...

Agora estás alvo,
não possui mais a maldade,
tudo é misericórdia...

És puro.


David Weydson

sábado, 16 de outubro de 2010

Procura Eterna

Te procurei no tempo,
no vento...
silêncio fiz para ver se ouvia,
não achei...
estava vazio,
algo em mim não concluia.

Procurei nas fendas,
nos campos,
experimentei de tudo um pouco,
até amianto...

Te procurei em meus sonhos,
memórias...
não me valeu...

(Foram minhas reticências mais tristes.)


David Weydson

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Devaneio Op. 1

Queria saber por que no frio as estrelas brilham mais,
quem sabe seja por elas quererem esquentar mais a terra,
ou pelo menos mostrar sua beleza cristalina...

Queria poder ser um pouco desse tudo,
tudo bonito e marcado,
ser um pouco de céu,
um pouco do borrado de Andrômeda.

Teria eu como imitar os sons que tanto admiro,
me fazer belo como uma flor, nuvem...
e não como narciso que apenas se iludiu...
ainda era pó.

Robusto era seu reflexo errante,
procurou a água de maneira frenética,
e quando beleza é perfeita,
a água que o procura em forma de orvalho...
É seu agradecimento.

Tenho muito a querer,
faço o que posso fazer,
deito em nuvens e como estrelas,
o resto são só lendas...


David Weydson

domingo, 10 de outubro de 2010

O Vôo da Borboleta


A borboleta enfim foi completamente formada,
saiu de seu casulo...
foi transformada...
um momento incapacibilitada,
depois do tempo e da mutação veio algo novo,
veio a Transformação...

Ela voou,
tão linda como só Deus pode fazer,
voou livre,
obstaculos tentaram-na impedir...
ela derrubou todas as folhas em sua frente...

Quando subiu à atmosfera,
a brisa a trouxe novamente para a terra...
foi lindo...
foi lindo...


David Weydson

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Suicidio

As Vezes anseio uma forca,
uma lâmina à minha jugular...
um pouco de veneno,
uma bala a me atravessar.

O tempo agora é torturante,
e peço constante...
que a morte chegue logo,
que venha e me encante.

Abra olhos,
feche outros...
não interessa...
quero algo mais.

As vezes penso que o melhor é mesmo a abraçar,
mas se ela não vem não vou me matar.
Suicidio é forçar a morte a trabalhar,
é para os fracos,
sem personalidade e otarios...
insetos...

Tenho que essa mentira ou verdade conservar...
é ela que me mantem vivo.
E que dela eu seja cativo,
até que a morte venha a me premiar.


Apollo Liz

Minha Palavra...

... meu espelho

Forte demais Para Titulo Algum

Hoje andei até onde o vento podia soprar,
fiz coisas que antes pareciam inatingiveis,
agi de forma exentrica...
insana...

Saí andando quando era para estar em outro lugar,
talvez me martirizando...
não tenho muitas respostas...

Andei...
chorei internamente,
nenhuma lágrima caiu,
mas uma coisa eu sei,
estou por um fio.

Não amei,
não sou feliz,
não sei porque falo a verdade,
agora não consigo mais dominar minha palavra,
ela toma vida...

De forma louca ele grita o que me é preciso,
de nada mais vale-lhe o ego,
nada mais importa...
ele quér mesmo ser pássaro e voar,
ele tem um sonho maior que todos,
ele quér amar...
quér deixar de ser um pouco racional...
fazer seus desejos,
ser um tanto mais feliz,
anis...

Segredos ele me diz,
aos poucos vou a revelar,
mas agora ele explodiu e comigo se abriu,
Tive de gritar...
Sou sua famosa palavra nua
sua lua,
vidente crua...
sua musa.



David Weydson e Palavra Nua

domingo, 3 de outubro de 2010

Papiro

Ultimamente nada tenho a passar para o papel,
como se ao invez da pena virei o papiro,
só que não posso ver o que me é escrito...

Tenho vontade de poder riscar,
marcar o pedaço meu em alguém,
mas o que me é possivel é diferente...

Queria saber pelo menos de que fibra sou feito,
se de papiro do nilo ou de alguma prefeitura,
queria saber por que me molhas,
e não simplesmente faz logo tua escritura.

Era verde...
agora seco estou,
sempre tive minha parte morta,
mas agora toda ela sou.

Será que custa muito me queimar?
Ouvi dizer que cinzas voam livremente pelo ar...
aqui estou preso,
aqui será que vou ficar?
Antes pendia para onde o vento soprava,
agora não tenho nem ar...

Papiro a vácuo,
não sei se muito mais vou aguentar,
quero logo uma coisa,
sair desse estado,
sair desse lugar.

Quem sabe um papiro mergulhando no azul do mar,
ou estalando numa fogueira,
quero mesmo é...
mudança...
mudança ligeira.


Papiro Weydson

Hiptonico

Não estou ligado a nada nem ninguem,
nem ao céu e nem à terra...
estou automático...
tanto faz...
nada mais me satisfaz.

Escrever...
nenhuma palavra mais.
É esse meu estado...
Tédio.

As palavras se misturam,
se fundem com a cidade,
os rostos são irreconheciveis,
assuntos inaudíveis...

O silêncio é a resposta mais abrangente,
os olhos são perolados,
perpetuos...

Estão procurando o infinito longiquo...

Estão mergulhando no seu proprio limbo...


David Weydson...

David Weydson