face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

domingo, 28 de novembro de 2010

Mímico


Seus dias eram iguais...
a mesma canseira para acordar,
mal levantava e ja sentia seu corpo adormecer,
não importava se fazia chuva ou sol.

Seus movimentos eram patéticos,
todos simplificados,
suas primeiras palavras tardavam a aparecer,
seu caminhar era ligeiro, porém mole.

Seus sorrisos cópias de outros ja dados,
escolhia ser chato e falar pouco,
ou então fingir simpatia...
tentava fugir da nostalgia,
ela lhe agredia...

Seus medos não existiam,
seus sonhos viraram acaso,
suas roupas não mais valiam,
ele simplesmente vivia.

Suas horas não lhe importavam,
as vezes torturava seu corpo por raiva,
fingia ter calma,
até que ela o domava.

Criticava muito,
pois não tinha muito o que fazer,
pensava e respostas tinha a oferecer.
Muitas vezes machucavam...
Ele não se importava porque não tinha coração.

Ele escrevia no passado,
nem ele mesmo sabe o porque,
escrevia freneticamente,
como se fosse para viver...

Escrever era a unica maneira de lhe fazer pulsar,
ainda fala sozinho,
solta palavras no ar...
se observa na água,
olha as nuvens...

Vive instintivamente,
os costumes não tem poder sobre ele,
ele cresceu e mudou tudo,
ele viveu,
se satisfez...
muitas vezes se refez...

Ele amou,
iludiu e salubrizou,
ele fez o que muitos não tiveram coragem,
ele foi a essência da arte.
foi ao Apogeu.
Viveu...
Ele sim viveu.


David Weydson

Exaltação as Artes


E viva o teatro,
e viva toda forma de arte viva,
ser chamado de artista,
se mover,
retratar,
fazer e pensar...
Viva ser um ser a pulsar.

E viva as artes,
E viva Apolo,
e viva os pincéis,
microfones,
telas,
instrumentos,
maquiagens,
figurinos,
almas e gritos...

Papel...
viva o papel

E viva o viva que é maneira de exaltação,
E viva meu texto pobre que nem isso é senão uma saudação escrita,
aplausos a todos dariam no mesmo.
E viva viver.


David Weydson

sábado, 27 de novembro de 2010

Vivace


Ele voltou a tocar,
lembrou da pessoa que ele antes matara,
matara a si mesmo e a seu passado,
seus olhos ficaram em tom de sépia,
o passado correu sobre seus vidros...

Sua boca ja não era a mesma,
seus dedos agora tinham outra função...
passava horas aperfeiçoando seu som.

O cenário era lindo,
seu quarto escuro,
o som enchendo a casa vazia,
e o luar alumia as chaves de seu outro braço...
A cor era linda...
Ele sentiu vontade de chorar,
lembrou dos aplausos,
da luz quente a lhe iluminar,
dos movimentos do corpo junto a musica,
eram como ondas...

Ele voltou a vida...
Ele sentiu o arrepio e seus olhos se encheram de lágrimas...
Ele sentiu o seu folego de vida voltar...
O elemento que ele tanto usa,
o ar...
...O ar fez musica denovo...

E ele começou de maneira insana a explodir,
no alge de sua inspiração...
vamos todos ao seu movimento Vivace...
Mergulhem no Fortissimo...
Vamos Vamos...
FFF

Silencio Subto
quero ouvir as lágrimas caírem...
quero ouvir o ar correr sem falar,

E ele renasceu...
Lembrou do Renascimento,
lembrou de Brahms,
de Stravinsky,
Lembrou que ele ainda Existe...
E que ele é parte disso...
Não mais terá tédio,
pois ele terá música.
E tudo acabou em Dali.
( Explodi )


David Weydson

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pub


Sim,
foi inusitado,
mas são momentos marcantes que fazem a vida,
e quando o coração palpita não há dúvidas...

Foi com sentimento que o sorriso dei,
medi minhas palavras,
treinei-as, mas todas fugiram,
( elas me pagam! )
Fui com a cara e a coragem,
e uma taça de Martini,
duas cerejas,
como ela gostava.

Observei-a por dias,
sei que parece maníaco,
mas isso me fazia bem,
me sentia vivo,
via que agora estava.

Naquele bar,
quinta a noite ela bebia suas lágrimas misturadas com alcool,
duas cerejas,
esse era seu capricho...
me vi obrigado a acolher-la,
dar aconchego,
cheguei,
nada perguntei,
simplesmente falei o que sentia,
que sonhava ser sua compania,
nem que fosse para ouvir o seu silêncio.
...Ela me olhou,
foi o olhar mais vívido que vi,
seus olhos cristalinos,
suas lágrimas prateadas...
Ela me pediu um abraço,
senti suas lágrimas quentes sob meu pescoço,
ela me poxou para o banheiro,
não queria mais incomodar,
nem percebeu que os que observavam a cena,
começaram a chorar.

Abri a porta do banheiro,
entrei junto a ela,
me tranquei e sentei junto a ela no chão,
sua cabeça reclinou sob meu ombro,
sentia sua respiração,
olhei-a com olhos de ternura,
seus olhos fixaram aos meus,
E disse: " Prazer, Helena...
ja sentiu que a felicidade está perto demais?
Hoje finalmente senti paz,
coisa que você me traz,
sou sorriso me acalma."

Os olhos se entrelaçaram,
suas bocas ansiaram,
um cobiçou o outro,
o lugar ja não importava...

E houve o encontro,
beijos loucamente desesperados,
era tudo em tom de vermelho,
eram lindo os atos,
as mãos seguravam um corpo regado,
absurdamente molhado.
E foi o fim da agonia.


David Weydson

domingo, 21 de novembro de 2010

Vazio Op. 1

Preciso fazer algo para que a vida valha a pena,
que ela pulse e não simplesmente aconteça,
antes que minha carne apodreça,
não quero minhas moedas para caronte...

Pode ser falta de algo,
ou necessidade de vento,
solidão ja virou um vicio,
isso é fato...

Tantos querem minha presença,
até brigam e lançam inumeros convites,
não atraz de não...
estou me matando.


David Weydson

sábado, 13 de novembro de 2010

A queda de um Titan

Indiferença...
Hoje vi uma árvore inchada,
um tanto mal-tratada tentando se reerguer,
tentando ser,
talvez não morrer.

Ironia...
Morrer rima com viver,
quem sabe um seja espelhado no outro,
um espelho morto,
uma sombra refletida,
sombra viva...

Mergulho em faces no escuro,
venho a ouvir os burbúrios do silêncio,
vazio astúto.
Talvez seu nome seja João,
quem sabe um alberto.
Não sei se tem teto,
não o quero sentir de perto.

Será que tem algum sonho?
Será que respira?
Faz parte da paisagem...
beleza maligna?

Uns anceiam respostas,
outros doses de conhaque,
uns fazem a vida,
outros revelam a arte.

David Weydson

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

É... o resto do pão de ontem.

Sabe quando você ja está cansado da propria voz,
voz essa que está dizendo coisas que você mesmo ja ouviu,
que ja doeu...
que ja fez o que tinha de fazer...

Sabe aquela dor,
aquela que você nem sabia que existia,
aquele tédio e melancolia,
que toma conta... que contagia?

Sabe aquela coisa de falar só,
de do nada pensar em um esquimó,
em talvez pensar no frio mais frio que você se tornou...

Caramba... pensar não é mas bom como era,
é perigoso...
tudo agora é muito vital,
posso pensar algo pra mim mortal.

A luta de mim comigo mesmo e mais outros meus por aí,
um é o bem,
outro o mal,
outro o tédio,
outro o brutal,
outro o chato,
outro o arrogante,
o insipido,
o marcante...
são tantos...
talvez isso me faça inconstante.


David Weydson

domingo, 7 de novembro de 2010

Carência

Como eu não percebi,
foi tão óbvio,
me isolei,
nada passa de um grau de carência...
É tédio da solidão...

Fazem anos que não choro,
escolhi secar...
fizeram-me assim,
me tranquei e não intervi.

Digo Não a todos,
me privo de todo e qualquer lugar,
quero ficar quieto,
quero descançar.
Cansado sempre estou,
o enfado, o peso chegou...

Quero continuar a falar,
mas não vou,
a tristeza e o cansaço me privou.


David Weydson

sábado, 6 de novembro de 2010

Tempo Parado Maldito Corrido

Sinto sede de algo que ainda não tem nome,
As vezes sinto que a felicidade some,
Sinto fome...

As horas não passam,
e correm os dias,
sempre os mesmos...
sempre iguais...
Ah... não faz importância,
Ou faz?

Viver para o desgaste rotineiro,
ser sempre batido,
amassado e dobrado pelo ferreiro.
Indo no relojoeiro e chorando as horas perdidas,
Culpando a vida bandida,
cultivo minhas mentiras,
narcisa...
Ouço Maísa.

Meus gritos no gutural,
encontro na música... metal,
o orgulho de um narcisista,
o toque de um arista,
encontro no ritmo portenho...
no tango.
sou mistura de santo,
santo e carnal,
quero o bem e quero o mal.
E que isso que eu sinto...
Seja um tanto menos brutal.


David Weydson

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Chuva

Enquanto tantos corriam eu andava,
sentia a chuva acariciar o meu rosto,
meu corpo foi banhado,
e os olhos me cortavam como loucos,
pensando que louco era eu por não fugir do que podia me lavar,
algo molhado que purifica o ar,
que enche o mar,
enche os olhos...

De minha face escorriam lágrimas que não eram minhas,
pedaços e restos de andorinhas,
ancestrais e dinossauros dissolvidos...

E ainda correm,
se escondem e não acolhem,
o milagre da chuva.


David Weydson

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Maldição de Midas

Ultimamente ando com sede,
toda água que vou beber fica amarga,
sou obrigado dela engolir,
e ficar quieto sob a dor...


Cada sonho compartilhado é uma pedrada,
talvez esteja me moldado à ser gente,
não confiar em nada nem ninguém,
e a ti ser indiferente.


Não tenho muito a responder,
só que infelizmente minha alma está em pranto,
queria tanto escrever coisas belas,
mas o que toco vira cinzas,
e sinto a maldição de midas,
só que comigo tudo se dissolve...


Espero algum mortal ajudar,
com essas palavras jogadas à terra,
e que ela venha a rachar,
mostrar suas ranhuras e suas pedras...
Espero que eu consiga mostrar que tu não é sozinho,
se tu tens dor eu também ja tive,
espero que isso te ajude,
te ative...
pois a morte d´alma chega logo,
só que dela temos que fugir,
buscar forças de um elixir profundo,
elixir ilusório.




David Weydson