face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Espírito Urbano


Com meus olhos contemplo a cidade...
Suas luzes de vapor de sódio,
deixa tudo dourado,
e a distancia forma meu céu as avessas...
Roubei o brilho das estrelas,
na terra usei,
mas agora pouco importa...
e mais que uma natureza morta,
são os vidros brilhando no escuro...
E eu aqui catatonico...

Tantos passam,
tantos carros fazendo o cenário ficar branco e vermelho,
tudo brilhante,
a marginal espelha,
e as ruas refletem seu povo,
sua alma sobre a penumbra...
As arvores são inertes,
seus espiritos são eternos perante o carbono tossido por velhos,
admirado por crianças...

Ao correr do relógio tudo vai se desfazendo,
desmanchando...
e o som fica característico,
ouço o ultimo trem passando ao longe,
uma freiada ou outra.

Risadas passando,
garrafas quebrando,
as ruas cortando,
vejo as coitadas,
vendem o pouco que lhes resta,
seu corpo tão usado e maltrapilho,
faço de meu chão sua passarela...
Aos bebados ofereço meu travesseiro,
que durmam,
que durmam...
a vida é dura,
mais que minhas veias,
meu coração pulsa,
enquanto muitos me acusam...

O semáforo abriu,
o carro correu,
passou e não viu nada,
não encherga o meu eu,
só converso com poetas.

Minha respiração,
pulsar e caminhar,
faço das multidões minhas hemáceas,
e que me façam viver.


David Weydson

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Delirio do Menino


Vi que o mundo está tão sozinho,
em meio a uma multidão ouvi meu silêncio,
tocaram-me e pediram desculpas,
Acenei com a cabeça calado...

Cheguei em casa,
mesmos movimentos gravados,
conversei mudo,
ri aparentemente sozinho,
ouvi música...

Isso foi parcela do dia,
estou em nostalgia,
e o tempo corria...

O menino deitado,
calado sorria,
e em sua fantasia...
fazia milagre.

pensava que podia voar,
e de tento pensar...
ele conseguia.
Contemplo sua alegria...

Acreditava em heróis,
só que sabia que não eram de revistinha,
eram aqueles que em sua agonia lhe davam aconchego...

Ouvia música de olhos fechados,
ou no escuro de olhos abertos,
até que conseguia ver vultos de seus devaneios.


David Weydson

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Frenesi


Sinceramente não entendo o frenesi de minha vida,
não estou habituado a nada muito formal,
muito menos à pose.
Tenho meus caprichos e luxos,
quem não tem?

Minhas vontades são diferentes,
porém não muito estranhas,
vontade de escrever com sangue sobre papiro,
beber absinto como bom poeta.

Vontade de pular de bungee jump,
só para sentir a sensação do suicídio,
me torturar,
andar até inchar.
ja fiz isso e foi irresponsável...

Saudades tenho do mar,
olhar as estrelas e o luar,
morrer de maneira distinta,
uma morte nova inventada pra mim.
Vontade de conhecer o sem fim,
ou um fim de todos os fins,
a morte.


David Weydson

Martírio Escrito


E em minhas mágoas mergulho,
tentei fugir mas não deu,
sou a lágrima do vagabundo,
a tristeza de Clarice.

...

A tristeza escolhe a dedo os artisticos,
como combustível para sua chama que não se apaga,
Tortura...
Tortura até que lamba o papel de agonia,
Me atira nostalgia...
minha cabeça doi.

Me elogiam por esse martírio,
minha dor é bela.
minha escrita é bela.


David Weydson

Prece de um Desgraçado


Deus... a fé que me resta é questão de tempo,
os meus olhos estão sem tento,
estou cansado,
impossibilita-me... não sento.
E morro lento,
esticar-me tento,
De onde virá o meu sustento?
O meu sustento vem do senhor...
Parece-me que estás desatento.

Enquanto morro... grito,
parece que me ouve como algo erudito,
e perante meus gemidos aumenta o som.

Senhor... sendo sincero,
quando eu tiver voz eu berro,
e viver é o que espero,
acho que estas querendo me matar.

Dizem que ninguém conhece o teu plano,
mas perante a dor pede-me piano?
Ainda sou humano...

Sem dúvida agora sei,
a pior tortura...
é a tortura divina.

Perdoe meus pecados,
minhas perguntas perante os teus planos,
mas agora em um ovo há um oceano,
e não consigo conter...
A unica coisa que ainda consigo dizer é
Misericórdia... deixe-me ao menos respirar,
e se for para o ceifar,
que me leve logo.
Não mais opto com ou sem dor,
E se me ouve...
Prove.

Amém.


David Weydson

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

hupokrisis


Feliz Natal é Prospero ano novo,
que você continue a não se importar com a fome mundial,
nem com o desespero de mães que não tem o que fazer,
simplesmente vendem seus filhos...

Feliz falta de água,
que sua família pereça reunida...
todos sentados à mesa...
...ahhhh é verdade,
nem mesa vocês tem.

Desejo muita indiferença e muitos sorrisos falsos,
ja que você está na sua frente vou te desejar felicidades...
"QUE MORRA MALDITO!"

Feliz dia de se endividar,
e depois lamentar tantas parcelas,
feliz dia do peru,
feliz dia do gordo mediocre,
um idiota vermelho que nem passa pelas bandas dos que precisam...
Finge que não viu,
e ainda pede para as renas irem mais rápido.

Feliz dia dos Hipocritas


David Weydson

Comida Aos que tem Fome



Não Me negue alimento,
pois dele preciso para viver,
não sei até onde minha providência vai dar,
creio que não muito longe vou estar,
tenho medo de morrer...
morrer no espiritual...

Dentro de meus átrios vejo uma imensidão de perguntas,
todas as portas eu jogo respostas...
nem tudo é pra ser respondido,
mas mesmo assim questiono tudo e passo por cima disso,
e de todos os avisos jogo fora.

Quero ver o poder,
poder ancestral,
aqueles que li e sei que é real
( ainda tenho fé... )

Tudo poderia resolver,
mudar minha rotina e sina...
Só quero ver um milagre,
e que nada seja explicado...
nada além disso...

Enquanto isso vou vagar,
orar e minhas preces moribundas rogar,
viver com a intenção de entender,
para que um dia eu venha denovo a voar...
voar...



David Weydson

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Chafariz e o Aniz



No Silêncio corre o pranto,
ninguém vê...
lamenta por não ser igual a todos,
e por ninguém,
ninguém sequer o ver.

A pureza é prontamente estranhada,
entra a malícia tentando tudo mudar,
fazendo o branco negro ficar,
impregnado,
sujo e arruinado.
Leva ao alcool...
ao excesso.

Ainda acredito que dentro de todos ha uma criança sufocada,
ouço seus gritos quietinhos...
seus soluços juvenis...

Ela ainda sorri,
ainda se vê feliz,
ou pelo menos acredita que pode ser feliz.
Ao Chafariz rí ao brincar com aniz,
e o riso mantém,
a té ele sumir e no rosto ficar a sombra,
a sobra de felicidade...


David Weydson

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Queda e a Redenção


O Orgulho o corrompeu,
queria ser mais que Deus...
Ter Os Atributos da Divindade,
encheu-se de vaidade e foi arremessado.

A estrela da manhã veio sobre o mar,
as outras estrelas ficaram a observar,
viram que a devastação iria começar...

Foi cortando o vento,
o cosmo,
sabe-se la de onde veio...
caiu...
demorou para levantar,
observou,
por vingança começou a devastar...

"Ensinarei os homens o mal,
farei o odio brotar,
ja sei...
depois do pecado um irmão irá matar."

Há um que viu tudo,
sabia de tudo antes de o criar,
mas mesmo assim o fez,
o motivo não sei,
se soubesse não ia revelar...

Talvez um gosto...
escolhas colocou à mesa,
o fruto proibido degustado,
fez uma revolução na cabeça...

"Vão agora plantar colher e cansar,
não querem vida fácil, agora vão sentir o pesar...
dores no parto..."

E quando achei que Deus seria farto,
baixinho chorei,
ele me acolheu,
e la fiquei...
"Perdão Papai... novamente pequei"

E ainda nasceu o sol,
e a aurora ainda brilhou,
fielmente fez-se o amor.


David Weydson

Jardim Amante


Tentei durmir,
não deu...
vi pela fresta da janela um clarão...
abri e vi a lua,
vi um jardim intocado...

Ja tinha passado o dia,
era grande a concentração de pessoas,
insetos...
mas de noite era só ele e a lua,
acordava cedo para ver o orvalho...
e vi como agora se depositava,
parecia um tanto molhado,
sabia que não podia sair de meu quarto,
"Carpe Diem"...

A janela deixei escancarada,
deixei a neblina entrar no meu quarto,
olhei de minha pequena sacada as estrelas,
meu amigo carvalho...
Mas preferi os braços da cerejeira...

Deslizei a mão sobre a maçaneta gelada,
o som parecia mais limpo,
era só eu e a sinfonia da noite...
fui descalço pelo chão de madeira,
passo após passo sem me importar com o frio...
Frio me lembra que sou vivo...
desperta o arrepio...
o calor me atordoa.

A madeira rangia...
parecia falar comigo,
dizendo pra continuar,
me senti tão místico ao andar...
saí da minha toca de concreto...
corri ao encontro do jardim,
belo jardim que me chamava...
corri sorrindo,
girei e caí...

Tão macio o jardim a me aconchegar,
sendo cama para meus devaneios levar,
caí perto de uma cerejeira,
a mesma que eu vi...

Contei estrelas,
comi uns morangos selvagens que estavam a me presentear,
vi as nuvens e o céu a me iluminar,
como era estrelado...
Tentei as estrelas contar,
e durmi com o cheiro da relva distante,
o clima confortante,
e o jardim a me abraçar.


David Weydson e Mayara Verginio

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Devaneio Medieval


E houve silêncio na torre escura e fria quando os cavalos e cavaleiros se moviam...
Sob a torre jaziam corpos que ninguém se importava...
não se sabiam a cor,
nomes...
mal distinguia-lhes as cruzes de metal fundido chulamente,
como se feito por doação,
foi dado ao morto e ele fez da terra cochão...
durmiu até sonhar com a vasta imensidão do céu estrelado que lhe cobria.

David Weydson

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mar de Pensamentos


Quem é esse menino estranho que escreve sem ter hora ou lugar?
Quem é esse que escreve freneticamente, como quem procura pelo ar?
Quem é esse que não tem nada a falar...
não sabe responder sinceramente uma pergunta de " tudo bem, posso ajudar? "

Quem é essa bolha de confusão?
Esse ser emergindo da escuridão?
Quem é o poeta da solidão?
O artista em transição...

Como pode superar as lágrimas...
ele ja tem olhos secos...
a rotina é um zumbi,
ninguém percebe...

Quem é o menino que anda na chuva sem se importar?
Aquele louco que escreve como procurando pelo ar...
Aquele pobre a lamentar,
o amante louco querendo amar...
o insâno vivendo se afogando no seu mar...


David Weydson

. . . Op IV


Dói cada mentira encarcerada,
minhas máscaras estão me sustentando...
nem sei ao certo o que faço,
pois só estou passando...

Falam-me de seus amores,
cada beijo me é uma dor profunda,
vejo amores com inveja,
pois para o que escreve de amor...
... lhe foi impedido de amar.

Me questionam por que de minha solidão,
esquivo com astúcia,
por dentro arde a dor,
uma dor profunda...

Amargura ao invez de candura,
solidão ao invez de compania,
alcool ao invez de promessas de amor,
tristeza no lugar de fervor...
Sou um maldito Pierrot.


David Weydson

... Op III


Os racionais sofrem...
pois a cada pensamento há uma chibatada,
os pensantes sofrem...
pois conceitos são mudados...

É como se o chão fosse fragmentado,
e você luta para não cair...
caí...
e pensa freneticamente até achar outro,
até ele ruir.

Acostuma-se com a queda,
e vai até sentir o chão,
quase te mata,
o que fazer então?

Não tenho respostas...
só perguntas mais que pendentes,
tenho sede de verdades,
ou vontade do alívio...
não quero ser tão racional,
mas isso é uma maldição?
Queria viver mais no irreal...

ja foi minha fase de ser um vagante,
agora meus pensamentos são constantes,
isso me faz incompreendido,
sendo que o que tento é achar minhas respostas.


David Weydson

domingo, 12 de dezembro de 2010

. . . Op II


Errei querendo acertar,
fiz coisas que não sou capaz de falar,
e tenho vergonha de ter vontade de fazer inumeras outras...

Queria simplesmente cessar,
esquecer... ja que não dava pra tirar,
o que me matava a cada dia,
Morro e Nasço...

Deixo de pensar por acreditar em algo a mais,
deixo de viver coisas por esperar outras,
tenho medo de não acertar querendo acertar...
ja aconteceu uma vez,
agora vêm a me condenar...

Poxa...
nesses momentos tu podia me ajudar,
mas mesmo assim fico calado,
ja chorei o que tinha pra chorar,
meus olhos são secos,
minha garganta só há ecos...

E triste eu me nego.


David Weydson

. . . Op I


As vozes gritam aos meus ouvidos,
com tantas frequências,
um audível inaldível...

As respostas,
questionamentos e memórias...
calculos de tudo querendo acertar.
Seria mais facil se não fosse a dor a me acompanhar...

Digo pois ora sou anjo,
ora tenho espanto,
ando de canto em canto,
meu feroz abrando...

Não sei mais como respiro,
faço tudo por costume,
meu olho não mais relume,
não me importa mais o perfume...

Queria deixar de estar assim...
queria tantas coisas...
acho que só o alcool mesmo para me domar,
me tirar dos pensamentos,
e que eu deixe num mar...
o mar do esquecimento de minha alma esquecida,
que venha a sair da sina,
ou pelo menos...
me esquecer dela.


David Weydson

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Morte da Santa de Areia


( Li um texto que me inspirou a escrever esse, pensei numa vida pacata, vida que se repete de pessoas em pessoas até o seu fim monumental. )

O tempo não corria em um lugar que ninguém se importa. Onde o sol sempre aparecia forte e entediado, onde o céu era no fim de tarde dourado.
Nenhuma beleza dispunha a casa tranquila rodeada por plantas simples que uma senhora cultivava. Era seu passatempo cuidar de suas rosas, trocar o seu pratinho de porcelana com água fresca para ver os passarinhos se banhando.
Sentava em sua cadeira que rangia, como se lhe falasse do passado a cada ruído amadeirado.
Sua xicara ja manchada pelo café, café esse que parecia ser parte sua... café amargo e cachimbo com fumo de corda.
Não conhecia bebidas refinadas, sempre tinha uma garrafa de conhaque, sua velha amiga.
Ela fazia tudo como num ato religioso, em seus momentos mais tristes bebia juntamente com chá para tentar fugir da mesmice. As datas não faziam mais importância ja que todos os dias eram iguais.
Seus atos eram tão rotineiros que ela nem lembrava mais do que fazia.
Seu mesmo terço... seu rosário pendurado no quadro de sua santinha que tanto admirava, ela era branca... admirava sua candura, parecia nunca ter visto o sol... diferente dela queimada por ele, pele caramelada.
Decidiu pegar seu véu... tirou seu rosário e passou um pouco de pó de arroz, tentou imitar a imagem que tanto admirara.
Sorria no Espelho... Brincava de ser santa. Um milagre decidiu criar... decidiu inovar. Muito não fazia, mas era preciso para fazer-la sorrir.
Fez queijadinha, lembrou de quando sua mãe fazia... sorria... a primeira fornada queimou, ela gargalhou... até chorou de felicidade, foi à praça...
Agora lembrou de seus namorados, lembrou quando paquerava, lembrou com olhos mareados, sentia falta do passado, mas também sentia orgulho... tudo tinha ido e ela sorria com fantasmas em seus olhos. Comprou algodão doce.
Assim que voltou para casa, acendeu suas velas, ja era noite. As janelas estavam abertas, soprou a brisa que moveu seu véu... Carinho fez em seu rosto marcado, suas mãos trêmulas foram de encontro com seu rosto que agora fez-se coberto. Fazia tempo em que não sentia algo do tipo.
Saiu para olhar o céu, como era lindo o luar, deitou vagarosamente sob o chão, começou a cantarolar músicas de época. Não se importou onde foi deitar, tentou contar as estrelas... eram mais que os grãos de areia no mar. Lembrou que morava perto ao mar...
Suas pernas trêmulas cambalearam e ela andou querendo chegar ao mar, o caminho parecia distante, mas não lhe impediu de chegar...
Soltou seus cabelos presos e eles voaram com a brisa salgada. Deitou na areia macia, ouvia o som das ondas... fechou os olhos.
Deixou o cachimbo aceso e o café a esfriar... Durmiu para nunca mais voltar.


David Weydson