face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sábado, 31 de dezembro de 2011

Brotar



Tenho olhos grandes,
uma boca minuscula,
ouvidos atentos.

Sinceramente não entendo os dogmas da sociedade,
melhor seria o pragmatismo,
mais prático e arejado.

Tantos desejos,
tantos atos ordenados,
uma regência da qual não faço questão de estar,
sinceramente...
preferia dela não participar.

Acho inútil...
algo não usual...
mas ainda sim cobrado,
obrigado até.

Festas...
Sim Festas...
Todos gastando,
se atolando em coisas que não podem...
"Parem suas vidas e sintam o calor humano",
o calor da bebida,
a carga dos costumes,
as frases pagãs em coro.

Imagens publicitárias,
felicidade felicidade e mais felicidade...
não passa de ilusão...
se todos vissem que felicidade é passageira,
que o estado natural da carne é o neutro...

Uns choram,
outros lamentam,
uns se divertem,
outros pedem para o dia logo passar...
para o tempo levar logo todo esse manto de hipocrisia...

Ainda sim me inebrio com tempos de paz,
...felicidade forçada,
ela chega a parecer real...

Não amo coletivamente,
amo no singular...
amo o leitor,
o amigo...
o autor.

Desejo o melhor para o "Eu",
sempre desejei...
Que o tempo seja bom para contigo,
que a dor te ensine logo para que cesse,
ou no mínimo venha a brotar,
sua melhor flor,
a que há mais sacrificio no desabrochar,
e que dure mais,
a mais significativa...

Que ela dance no vento e no tempo,


David Weydson

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Doce Singular

Sensação de conforto e paz...
andar pela cidade sozinho,
multidão a passar...
doce solidão.

Vozes apagadas por outras que escolhi,
olhos escondidos ofuscando o dia,
tirando o foco de minha razão.

O vento me trás carícias,
... tão incertas.
O cheiro verde de grama cortada,
e o céu florindo algodão.

Uma nuvem parece uma tartaruga navegando no azul do céu,
outra um avião...
como é doce a solidão *-*


David Weydson

Bolsa de Valores

"Quando o dinheiro te corrompeu,
tuas veias pulsaram petróleo,
seu sorriso de criança foi esmagado,
sua vida foi trocada por ouro."

A sede de querer mais o fez não assumir a ganância,
e as lembranças...
tudo trocado por libras.

Seu orgulho não lhe permite devaneios,
não deu atenção aos filhos,
a mulher o trocou...

E só veio o desgosto,
a sequidão...
como o rei Midas,
tudo duro, frio e seco se tornou.

O pecado te levou,
a cobiça te ceifou,
a morte o embalou,
e ceifou em tua semente discórdia.


David Weydson

Mimado pelo Vento

Diariamente recebia suas carícias,
e se divertia em minha pele.
Era segredo que só o vento sabia,
...sua alma é feita de folhas de outono,
de dunas dançando,
e dias flutuando,
tempo levitando...
... vento soprando
e fazendo do momento total oceano.

Ócio

Corpo ébrio,
aquecido e entediado.
Olho pra pessoas,
escarro...
Não tenho paciencia para elas...

Tudo pelo dinheiro,
comentários alheios,
sorrisos falsos.

Tanto tempo de tortura por plástico e papéis,.
Depois volto para os níqueis...
fica o desdém.

Adquiro conhecimento,
moldo minhas engrenágens,
às limpo e refino,
desprezo...
me faço cego...
para não dar mais do que preciso,
já que não quero...
mas ainda vou.


David Weydson

Segredo Intimo

Não creio que amor seja estado de benção,
ou de graça...
Sei só dos conhecimentos da carne,
do desejo da boca que me priva as palavras,
Da pele que pede o toque e o arrepio.
A boca implora outra sem luxo,
anseia o fluxo do outro alguém.

Paixão é só reação do corpo,
é meio sentimento torto,
mistura de cheiro, suor e gosto.

Amor é uma troca de fluídos,
libído que consome toda pele,
e no rosto o desejo vira feição.

Apreço...
contato e cheiro...
uma neblina sem razão.
Amor virou sinônimo de paixão

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Refeito

Tantos últimos dias ultimamente,
o tempo tende a brincar e me pregar peças,
e nessas voltas da vida a gente vai se perdendo.
Sedento, chega a mais um final...

Recomeço algo velho,
feito por outros e refeito por mim.
Assim tudo é feito,
nada triunfal.
Ouvindo música banal,
implorando "O fortuna"

As pessoas não entendem o estado neutro da feição,
não conhecem o rosto da razão,
por isso se assustam e perguntam o por quê de não sorrir.

... sorrir não é natural...


David Weydson

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sem Título [?]

A tensão ja passou do limite dos músculos,
(que por sinal estão todos amarrados),
não durmo bem,
quando durmo é pouco,
passo o dia cansado...
sufoco...

Creio que esse seja o peso de mim sem minhas fugas,
de vicios sou feito...
sou mesmo!

Fecho os olhos e outros olhos acendem...
de uma maneira pior que abertos,
quando sonho são pensamentos concretos,
pesadelos e acordo exausto da vida.

Isso não é motivo de escrita,
mas se vivo é porque escrevo,
é um de meus refugios...
fujam desse texto inútil e levem em conta os que prestam,
so precisava falar um pouco...


David Weydson

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

01:52 A.M

Todos Façam silêncio,
ouçam a noite entrando janela adentro...
e se focando bem no centro,
deixando a luz do poste acender parcela da parede.

Os ventos cantam, mas não ouço nada...
a noite está vazia,
nem fria nem escura...

Nublada e avermelhada,
contaminada pela cidade...

E como é de praxe...
deixarei como está

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Nascimento

No momento de alívio foi consumado,
e foi expulso como que num escarro,
nasceu e chorou por lamentar tal feito...

Ja não bastava seus pais saberem da dor de viver,
da colher de agonia tomada todo dia,
ainda fizeram mais um rebento para rebentar nesse dia cinzento...

É toda dor guardada cá dentro,
toda facada no peito até que vire armadura,
que venha logo a amargura,
e que traga o desespero da separação...

Agora é sozinho...
Não há mais o conforto do ninho...
É aguentar a chuva na cara,
a expressão gasta de cara dorida.

Fazer um "X" em cada dia que passou,
esperando que tudo acabe,
e que mesmo assim tenha a maldição...
... o medo de morrer.

A dor só é dor quando se sente...
e se convive com esse tumor.


David Weydson

sábado, 19 de novembro de 2011

Sede de Mim



"...mas agora eu só choro por ver meu pedaços sozinhos nos cantos"

Quando ele nasceu algo divino o olhou,
sorriu e falou:
"Agora nasce um de alma quebrada...
que vôe aos ventos e cantos,
que se escondam em cidades e oceanos,
que seus dedos virem instrumentos,
e que ele chore por não os ter para que um dia sedento,
um a um os encontrar,
os tocar com todo eros,
todo prazer corporal alí...
e todos ouvirem sua música...

...e poucos saberem que é a sua voz"

Os anos correm,
os olhos fecham...
o coração aperta...
as lágrimas escorrem.

Ai que vontade de ser eu...
mas um eu diferente...
um eu por completo,
parar de ser esse pedaço de gente,
esse meio contente,
ser o todo completo e rente...




David Weydson

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Maldição Purpura


Derramo sobre esse nascido a maldição extrema,
e tudo que for vistoso perderá a cor,
toda vontade não será saciada,
e o tédio o consumirá.
Essa é minha praga,
minha maldição imposta e decretada,
dela não escapará e nem portas achará...
Sua fé será frustrada,
sua vida será vivida no amanhã,
e se contradirá por crer que o amanhã pertence a Deus...

As ações se tornarão lentas,
e quando eram pra ser ligeiras demorarão vidas,
seu semblante em um dia gastará as feições da vida inteira.
Segundos depois de sair das pessoas voltará a ser mineral duro e patético...
Suas vozes te ensurdecerão,
e sua piedade te torturará...
Suas lágrimas farei secar,
e sua garganta travar.
Da pele das pessoas não vai partilhar,
viverá de engrenagens a girar.

Essa é minha maldição,
e que prossigam os dias rápidos em sua vida lenta.
Que os músculos travem de tensão,
e que seus olhos se apaguem antes da morte.


David Weydson

21:45

Cada dia vai e volta nas rachaduras da vida,
e por ter gastado todos os rostos que tinha só me resta o estado duro...

Ja fui urbano,
ja fui bucólico,
agora sou só um pedaço de carne andando por aí,
com chamas pretas nos olhos,
enquanto uns crepitam por sentimentos,
crepito desejos...

domingo, 6 de novembro de 2011

23:47 LMD

Não entendo...
eu sou simpático,
sorrio fácil,
mas não passa de costume.
educação...
sei ser engraçado mas ainda sim não passa de educação
"Seja bom pras pessoas filho"
Meu estado mais confortável é o sozinho...
quando eu sento comigo mesmo,
uma cadeira rangendo e um sofá marcado no assento....
mesinha marcada do mesmo copo,
olhar longe...
comentários inúteis...
fora as conversas filosóficas e pensamentos um tanto perdidos por dois iguais falarem.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ártico e Asfalto


São seis meses de escuridão,
só as temperaturas apostando corrida,
quem é a mais baixa,
e que mais faz sofrer aos que tem vida...

Aos poucos o tempo aquece,
e se esquece de todo frio,
mas logo por um fio
a felicidade se esvai...

Desejo mais atos do que pessoas,
a vida pode ser boa em um universo paralelo...

Muitos que aqui passam vem com sede,
de ler o que nunca leram em busca das mesmas respostas que procuro.
(não estou em condições de me organizar)

Lêem páginas e páginas da minha vida,
e depois saem,
seguem suas rotinas,
e eu fico usada,
molestada em uma estrada...
mas é assim mesmo.

Forço um sorriso,
bebo licor de cassis...
quem sabe em uma curva de vida saiba o que é ser feliz...

Deixe de me privar,
deixe de me ignorar...
e volte ao primitivo,
e que não seja furtivo.
Só viva...

Faz frio aqui,
água não me falta,
sol e um deserto de imensidão absurda,
preferia a vegetação da tundra...
preferiria outro algo...
um menos amargo.


David Weydson

domingo, 9 de outubro de 2011

Sem titulo criativo

Morte...
um tema que escrevo muito e que pouco conheço,
é onde a curva da realidade existe,
onde há buracos de minhoca*
onde as dimensões são seladas...

Uma eterna utopia,
mas onde ela acontece,
muitos sabem muito,
quase todos a temem...
de fato a dor é real quando o corpo é inerte.

Dói aos corpos que não são fixos,
seu pai pode virar um jarro,
e depois de tempos voltar a sua família.

Reencarnação...
engraçado...
sua mãe pode reencarnar num alface,
em uma beterraba,
e a lágrima que uma vez correu dos seus olhos,
pode cair sobre você em alguma curva da vida quando chove.

Quando eu morrer não quero nada com meu corpo...
doem só meus orgãos para aqueles que se agarram com forças a vida,
quem sabe com tal tempo eles possam ver que não há o que temer.

Que seja um eterno sonho consciente,
e brinque feito um demente,
que nunca cesse minha doce insanidade...
E que mesmo assim brinque de ser racional.


David Weydson

sábado, 24 de setembro de 2011

Tedio [?]

Ultimamente as palavras estão todas reunidas em outros lugares,
elas me boicotaram e nomearam a operação de operação tédio...
as poucas que estão aqui... são as que mais tive intimidade,
tiveram dó de meu estado deprimente,
dos meus olhos mortos e meus dedos parados...

O nó na garganta,
o desânimo perante as coisas que estão por vir,
o tempo vago que me enjoa...

Preciso de algo...
e não me venham com conversas otimistas,
pois nasci e sempre serei realista,
a vida não é só felicidade,
e pra que haja contraste...
há a tristeza e a morbidez,
e em meio a escacez vem o alívio,
pois qualquer coisa que vir é bem vindo...
e qualquer texto que surgir,
escrito...
E qualquer um que ler...
não ligo.

Eufemismo que se dane!

Religião,
cor,
não interessa...
Jesus teve seus longos anos cortados na carpintaria,
viveu tanto para apenas uns dias...
estou seguindo a fórmula...
e espero que no final valha a pena.

.-.

domingo, 18 de setembro de 2011

Efêmero


O céu parece tão distante...
as estrelas não são constantes,
a lua é minguante,
e a noite é congelante...

Parece que cada dedo está trancado,
escrever é uma coisa inalcançável,
pois da palavra não entende,
e é tempo de silêncio.

Braços rijos,
mente longe das estrelas,
nos olhos pontos brancos,
brilham centelhas.

A mente acende,
mas a luz não é de todo proveito,
é invertida,
cria sombras absurdas...

Apreciem a Efemeridade da noite,
do vento e do frio,
e quando sentir o arrepio...
não reclame,
feche os olhos...


David Weydson

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Antiquario


Minha alma é velha,
e tudo é muito cheio de pó...
não que me encomode...

Eu fico em silencio,
ouço o ranger da cadeira de balanço,
acaricio a poltrona,
e vejo fotos velhas...

Pensar envelhece...
uns falam que amadurece,
mas antes fosse o mel,
doce e nunca estragar,
agora sou só uma casca a embolorar,
mas até o bolor tem sua beleza,
leveza e delicadeza...

Cochilo sem medo e vou,
passando os anos e vendo a luz que entra pela janela,
deixando aquele faixo de luz centrado,
aquele cheiro amadeirado e pesado,
a janela embassada que me encanta a vista,
e minha roda grande encostada junto ao diário...
uniforme da marinha,
lenço e minha bengala,
meu monoculo,
e a cartola furada...

Era tudo tão vivo...
meu bandoneon patético,
meu gramofone e o disco riscado,
ouço passos...
mas sempre ouço...

Minha mente...
abusei tanto dela que agora ela me prega peças,
e sua alegria está na minha nostalgia sombria e deveras tardia,
ja não posso fazer nada e o café esfria...
Lembro quando não o bebia,
mas agora é só a lembrança da via láctea que vi.
E a lágrima que umideceu meu carvalho que canta nas frestas...

É só mais uma festa regada a champanhe 1917,
ano que penei pra comprar,
nunca reparti com ninguém,
nem nunca vou compartilhar...

Só eu e minha taça,
pois foi o tempo em que bebia da garrafa,
e que dela era escrava,
depois o charuto e o cachimbo...

Agora só resta o domingo...
todo dia é tão igual...

Minha alma ja é velha,
tudo é muito cheio de pó...
não que eu me encomode...

...

É tudo tão velho...

Não que eu me encomode,
mas...
o pó me faz tossir,
de maneira a sacodir os ossos velhos,
e encomodar a respiração de modo velho,
e não mais lembro do que ia falar...

Ahh...
O café...
amargo...


David Weydson

terça-feira, 6 de setembro de 2011

6 de Setembro

As mesmas paredes,
mesmas vozes e mesmo cheiro meu pesado...

Penso tanto pra concluir pouco,
acho que essa é minha sina,
os dias vão gotejando,
e essa maldita piscina que me da até agonia de tão cheia atura cada gota e mais se satura...

Preciso de um deserto para enxergar as estrelas...

Meus móveis rangem no mesmo tom de sempre,
a paisagem parece até uma foto...
quero uma solidão mais solta,
pois isso ja está se tornando uma cadeia.

Talvez quero tanto por não me conformar com o atual estado...
a música patética de circo embala minha vida,
meus olhos pesam e ardem,
o sono é constante... assim como o tédio.

Ja desisti de morrer.


David Weydson

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Adios Nonino

Seria um Pecado não colocar esse video...
Impossível não sentir a alma dela

Só uma frase...

sabe o que me dói?
...é chegar na clarineta e ver que minha alma não é mais aquilo
toco pq sei... não pq sou

não mais...
ja fui feliz como uma clarineta, agora sou refinado, amargo e preciso.


David Weydson

domingo, 28 de agosto de 2011

Linhas Passadas


Lembra quando tudo era simples e você não se preocupava com o amanhã?
Quando você só queria brincar e se encolhia na blusa quando tinha frio,
Quando ria tomando chuva,
abria a boca para engolir as gotas...
bebia água do chuveiro por que era quentinha.

Lembra quando por nada você sorria?
E seus dentes de leite caiam?
E quando sua boca era vazia?
só janelas... janelinhas...

Lembra quando você não tinha medo do futuro?
Só tinha do escuro e uma lâmpada resolvia...
Lembra quando você não dormia e assistia televisão?

Lembranças que iluminam a visão...
Arrancam lágrimas em plena solidão que ja não dói,
Sigo e medito no que é passado...

O passado que muitas vezes matei, hoje o revivo...
Um grito de esperança ecoa no infinito...


David Weydson

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sem motivo aparente as nuvens encobrem o sol e a lua,
os mesmos sabem que se elas se movem são por um vento que eles não vêem,
nem sentem...
nem nunca cheiraram...

Quem sabe todo esse impedimento tenha algum propósito...
agora eu não entendo nada...

Estou muito entediado e mal humorado pra continuar,
mas vou forçar...
quem sabe saia algo disso daqui...

Nem o brigadeiro fez efeito,
ainda bem que ouvir Janis Joplin me ameniza...

Sem imagem...
sem título pensado,
só palavras jogadas num estrado,
nesse estrago de vida...

Uns comemoram com álcool,
outros com cigarros...
creio que nem isso me sacie...

Sou viciado em querer viver...
mas essa abstinencia não tem solução,
ja que vida é algo raro...

Uns a extraem de aventuras,
outros de amores...
eu to pouco me fodendo...
sou entediado demais pra seguir passos gastos.

Sou um preguiçoso nato,
que só quér ver nuvens de dia,
e estrelas...


David Weydson

sábado, 13 de agosto de 2011

Atlas


Na curva das minhas costas está o julgamento dos anos,
acima delas oceanos,
humanos e depois o céu...

A dor antes era constante,
condenado por um destino qualquer,
e agora vivo por viver,
levando meu peso por te nascido com tal martírio que nem lembro mais de quem era atrás...

Nem da sede me livro pois no maldito Olimpo me condenaram,
a água que seguro é salgada...
A comida é escaça...

E com os braços doridos,
só faço um pedido...

Me chamem de Atlas...
E não de gravidade.


David Weydson

domingo, 7 de agosto de 2011

Oculto


A fome...
a sede que some mas só para outros,
outros que podem beber e comer
enquanto fico aqui com meus lábios colados
implorando para que não veja um prato
e não venha a cobiçá-lo.

As horas correm e o sono não vem,
sozinho...

Eu e meus fantasmas fazendo paradas por simplismente fazer...

O vermelho faz o contraste no preto & branco...
antes nunca tivesse aparecido,
se a cada dia que fecho os olhos perante o sol tal cor não aparecesse...
e a noite os sonhos não trouxessem à memória o que quero esquecer...
...clichê...

Fome...
sede...
vermelho do sangue na pele branca
cabelo preto...
olhar duro e faminto
porém discreto de tão sofrido.

Predador que da presa nunca comeu e viveu por viver,
sua boca é preta
seu fruto branco...

De outra a rotina é vermelha,
o sangue que lateja
na presa...

A fome...
A sede...
o vermelho...
a cobiça e o desejo...

No meu cárcere permaneço,
a noite anoiteço,
e morro a cada dia sem nascer
por falta de cerejas pra comer.


David Weydson

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ambrosia


O tempo corre e em meio ao Caos* do universo
onde fragmentos formam futuramente ventos perante a Névoa Primordial*...
O cosmos cintilava suas cores e suas estrelas, seu abraço rarefeito
compactando e encubando cada pedaço que de Caos escapava...

A noite nasceu e o que não tinha forma começou a aparecer,
de um jeito ja existia mas de outro ainda era criado...
tudo era seco e molhado enquanto do outro lado Eros*
com sua aparição caprichada, porém tardia fazia tudo de um jeito diferente.

A desordem tem sua beleza,
por mais escura que seja,
exemplo vivo é Nix* com sua beleza rara,
sumindo graciosamente usando um suave véu sobre a cabeça para assistir ao universo,
e quando sumia perante o que era sua trilha ficavam as estrelas...

Seus olhos profundos como galáxias anunciavam o futuro,
e eu... sublimemente lhe soprava os cabelos para lhe arrepiar a nuca enquanto suas palpebras crepitavam perante a luz do amanhã...

Um fio de cabelo voou...

Deslizando sobre o vento seu fio caindo foi,
passando pelos fios das Moiras*,
que teciam fios de ouro para um dia usar.

Cloto*... a mais dedicada,
antes de o tédio lhe afetar...
fiava e fiava fazendo tantos nascerem enquanto Láquesis* com suas unhas cor de esmeralda as sorteava com seus passos por mim vistos...
Átropos* ainda despertava...

E o fio corria pelo vento,
e eu soprava os anos...

Depois de muito viajar sua melena de noite repousou no Lete*,
que em suas águas deixava toda memória gravada,
e a alma lavava trazendo os curiosos para as dúvidas e mente vazia...
Mal sabia que era recanto também de deuses...

Com toda sua carga,
todo peso da vingança medida a sangue,
Nêmesis* lá estaria...
colhendo com sua espada uma gota do rio,
misturando com uma lágrima e bebendo do fio que lhe entorpecera,
e a fazia dormir perante as estrelas do firmamento...


David Weydson



Caos: O mais velho dos deses gregos... tinha seus filhos a partir de pedaços seus que "soltava, quebravam, raxavam etc".
Nevoa Primordial:citação à Calígena, que seria a contra-parte feminina de Caos
Eros: Filho de Caos, através da união dos elementos acabou com o caos (por assim dizer)
Nix: deusa grega personificação da noite
Moiras: As 3 irmãs que delimitavam nascimento, destino e morte das pessoas.
Cloto: Uma das moiras, a que fiava e responsavel pelos nascimentos.
Láquesis: A que enrolava o fio no tecido, responsável pelo destino
Átropos: A que cortava o fio, responsavel pela morte
Lete: Rio do Esquecimento.
Nêmesis: deusa da vingança criada pelas moiras junto com Têmis (deusa da justiça)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Recanto das Moiras


Perante seus anos esqueceu que ja não é mais criança,
responsabilidade em uma tacada abrupta...
Ri como bobo ouvindo a outros,
mas é fato que do copo da amargura ja provou.

Batem à porta...
São as idéias a gritar que mesmo com o tempo a lhe importunar,
o coração é seco,
é idade de namorar...

É seco...
É pedra que nunca cheirou chuva.

A chibata estala e o medo do futuro aparece de terno escuro,
lhe entrega a bengala,
o paletó e a cartola...
"Pendure"...
Preparo um chá...
sei que por mais que tenha medo,
e ainda sim um pouco de desconforto terei de lidar.

Ele agora é um hospede até tal momento.

A fumaça de seu charuto mostra voltas belas em um ar parado,
desenha sonhos e pensamentos longe...

"Tem que dar certo... Tem que dar certo!"

A madeira range e a xicara tilinta no pires e ecoa pela mente que vaga,
os olhos amadeirados se tornam secos...

E o âmago cintila.
O tempo passa e tudo fica...
O silêncio constrangedor é afogado pelos pensamentos...
Os olhos se apagam e as madeiras da casa rangem...

A chaleira esfria,
a luz que alumia é trocada pela escuridão da noite,
velas se acendem...
a parafina acaba,
e o escuro vem.


David Weydson

domingo, 24 de julho de 2011

Polar


Oi...
O inverno chegou,
trazendo aquela doce lembrança de chás fumegantes,
de praticamente ser um fumante...
a cada palavra e respiração,
sou o deus das nuvens,
sou um dragão!

corbertores coloridos,
corpo vivo...
arrepios cortando a pele,
e corpo vibrando em cada brisa não esperada e não preparada que passa pela roupa fina.

As estrelas e a lua brilham mais,
mais distante o calor se torna,
o corpo chora suor,
olhos ficam mais vivos e envidraçados se perdendo nos vidros embassados...

E o Pierrot caminha pelo vento,
dessa vez, deixou a máscara em casa e se transformou...

Por ter mudado tanto, mudou...

Em sua casa há calor,
e aprecia a nudez...
uma pilastra e ao chão um cobertor xadrez...

foi só o tempo da foto tirar,
para logo se agasalhar e ir preparar o seu chá...

As árvores são lindas enquanto dormem no inverno,
sem folhas e maciças...
entortam os galhos como artistas,
os passos dos que passam são rápidos para esquentar.

Vontade de logo chegar ao lar,
repousar...
aquecer e apreciar.


David Weydson

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Até que chegue o fim...


Sonharei até que anoiteça,
fecharei meus olhos e sonharei,
rirei logo quando despertar,
terei motivos para rir,
assim como tenho para chorar.

Deixarei a chuva alisar minha pele,
até que ela se torne toda chuva,
mergulharei na neblina,
e sentirei calafrios a cada rajada de vento.

Sentirei o sal do mar,
e seu sopro a me encantar,
o som a rugir,
continuarei até partir.

Olharei as nuvens,
o céu e as estrelas,
a lua e serei insistente,
ainda verei um eclipse perfeito sem reclamar das nuvens a tapar minha visão.

Sorrindo ou não vou seguir...

Amar intensamente quando amo,
ser sério quando só,
sorrir com amigos,
insistir em ser velho como o pó.

De pijama,
de que tiver para seguir a vida,
sorrindo e sendo feliz...

beberei aniz...

No fundo de cada saquinho de pessoa,
há fragmentos dourados de felicidade,
olharei e os espalharei pelo ar,
até que não possa mais enxergar a sua trajetória.

Eliminarei o passado e farei uma nova história...
onde sempre o protagonista sou eu.


David Weydson

sábado, 2 de julho de 2011

Máscaras de um Pierrot



É nessa vidraça de igreja que sempre escrevo,
olhando esse palhaço do qual nunca cumprimentei,
vendo a maquiagem de minh´alma,
e seguindo sob a chuva meu caminho torpe...

Alimento meus Peixes que nadam em nuvens,
vejo se há novos comentários,
penso em postar algo,
mas nem sempre a inspiração me dá seu ar.

Olho minhas estatísticas,
nem sei direito o que escrevo,
só monto um quadro e coloco aqui,
observe...

Digo o que nunca disse a ninguém para vocês,
pessoas das quais não vejo a face,
(não muito diferente de outras)

Talvez com suas lágrimas trancafiadas,
seus sorrisos e dó pelos que vivem escrevendo nos becos,
sentados no chão mais sujo e olhando a cidade como se fosse a ultima vez,
com sua métrica tão torta como um caminho mal feito,
e com suas rimas irônicas.

Sempre no mesmo quarto,
olhando o mesmo quadro a minha frente,
imaginando como seria estar em londres,
Notebook no colo,
criado mudo bagunçado,
uma bíblia,
dicionário,
mais um quadro... espelhos refletindo o nada,
garrafas d´água e uma máquina de escrever que sou eu...

Abro a janela e tomo vento...

... Deixo que ele leve a ar velho que tenho
... tenho medo...
Medo de um dia sair da paz e controle,
prefiro o marasmo da solidão,
conversas descartáveis e uma fração de tristeza,
para que meus olhos cristalizem e enxerguem tudo P&B...
E que a realidade seja seca, dura e crua...
Do jeito que só ela sabe ser.

Perguntam-me se não amo,
-NÃO!
Mais uma de minhas mentiras...
mentira que está virando realidade
seco... endureço e empedro a cada dia.
Não vivo em agonia...
só calculos sem números...
Reticências e um vácuo eterno...

Amém

David Weydson

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Rotina Envelhecida


Na cama só dorme a esperança, os olhos são fixos no espaço vago entre os corpos deitados no colchão enquanto pensamentos amedrontam as pobres mentes.
De começo ainda reclamava a luz acesa quando queria dormir, agora procura evitar... É questão de tempo para a desligar, aproveito e penso na situação.
Não há mais razão de tudo isso... O tempo do amor foi tomado pelo alcool e pelo cigarro maldito, ditando um vicio preciso para a maldita vida (Ja que nela nada mais tinha tanto brilho).
Era tudo uma cor velha e empoeirada, nada remonta ao belo como as cabanas antigas ou a sépia... Berço de amores de verão... Era tudo mentira de Hollywood.

A cama cada dia era mais fria, morta, inerte e mofada, era deprimente,(Não tanto quanto a depressão de vênus). As parreiras eram mais secas que mármore bruto, eram tristes subindo pela parede como se numa escada.
Os Jantares não tinham mais velas, nem gosto, nem nada. Reinava o silêncio e as garfadas.
Mesmo ato... Levantava, colocava o prato na pia. Lavava as panelas e assistia o seu jornal de cada dia, (Aquela desgraça de vida).

Mesmos móveis, só a poeira a lhes transformar, ela tirava o pó ja desanimada de sua longa estrada. Andar tanto para agora ficar parada, para arrumar a cama desmanchada e se deu o luxo de chorar.

A vida é tão ingrata, veio o pensamento de separação... Vieram os papeis, tudo aceito de ambas as partes e sem saber o porquê chorava sozinha depois.
Talvez fosse o alívio, não conhecia mais o cheiro da liberdade, nem tal ausencia de peso.

Começou a cuidar das flores do jardim, (Jardim tão simplório que faria emocionar a todos). Conversava com suas plantas, e sorria pela manhã.

Agora ela tricotava e criava um gato. Sapeca ele se enrolava entre os novelos e roçava em suas pernas enquanto ela tecia uma mantinha para seu pequeno companheirinho.
Comia feliz agora, fazia bolos e sempre dava um pires de leite para novelo, (Sim, ela conseguiu nomeá-lo). Um pires de leite para o gato, frutas para os passaros e cuidado para suas plantas. Comidas novas em seus armários... ria comendo leite-condensado e comendo salgadinhos com brindes descartáveis.

A vida seguiu e provou...
Sim...
A felicidade ainda existe.


David Weydson

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Poema Ruim que precisava escrever

Me fecho,
me aquieto e vou...

Vou envelhecendo,
vou crescendo e vou morrendo a cada dia...

Cada dia menos um dia,
menos um dia de agonia...

Vou e vou...

Dizem que o amor aparece quando não se quér,
sigo tantos dias pela esperança de um dia o encontrar...

Chega de paixão a me iludir,
me ludibriar...

De dois em dois o texto é feito,
e de todos os medos a gente se esconde.

um novo horizonte,
um novo parecer...

Viver
Crecer
Morrer.


David Weydson

Tédio...Fumaça e pó

Fim de sexta... 24 de Junho, para ele não importava... Era quinta, era sexta, era todo dia a mesma coisa naquele tédio regado por tédio e seu asco por ele, pela situação. Ele era inconformado e nem sabia o porquê.
Tudo bem... vamos aos fatos...
18 anos, vida comum de garoto de parecer estranho, orgulhoso e esperto.

Hum... Interessante...

-O que vamos fazer agora? Posso sugerir algo?
-Pois não... diga...
-Mais tédio... vamos ver até onde ele vai?
-Pode ser, eu acho bem peculiar seu rosto de tédio

-Que tal um cheiro de fumaça invadindo suavemente seu quarto?
-Pode ser...
-Seu cachorro a latir, ele tem que o ver... de pensar que ele é tão entediado que até o cachorro, entra, se anima, fica perto e depois volta para onde reclamou de sair

-Olha... ele saiu do seu quarto... procurou as estrelas e não achou, procurou uma música boa também não achou, tentou entender o que falavam... foi em vão... achou o foco do fogo, incrivel... pensou em jogar água e o apagar, mas lembrou que era São João, "festa típica brasileira que serve pra pobres pularem, mas bem que tem doces gostosos"
-Viu?! Viu!!! É isso que eu gosto nos seus pensamentos, são tão cobertos de nojo e tédio...

"Quem sabe em algum lugar tenha alguém discutindo, pensando ou estrategiando o que fazer da minha vida? E se ouvem... me dêem novidades boas? Se gostam do meu tédio que vejam a gravação... tédio é chato!"

-Será que ele nos descobriu senhor?
-Não!
-Como pode ter tanta certeza?
-Pois foi ele que nos criou.


David Entedson

Prece do Insano


Corto minha alma em pequenos pedaços,
eles com o tempo se regeneram,
planto em corações feridos...

Um dia há de crescer
com as lágrimas derramadas a regar,
com a sujeira a poluir o ar,
com o tanto de concreto que te passa pelo olhar.

Sabe...
as vezes nem se sabe se cortou muito,
cortou pouco,
se ainda tem para distribuir.
É aquela coisa que não tem mais importancia,
que ja nem se saliva mais
e a tempos não se apaixona...

Dou a distintos e dou a estranhos
Para que eu viva também em você.
E que ajude nessa loucura de vida,
que vençamos juntos e comemoremos a vitória.

E ébrios vamos sorrir para os muros,
paredes e ao céu.
Que tudo vire infinito,
e que corram os dias.

Amém


David Weydson

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Choro de Palhaço


O sangue coagula de uma maneira dentro de mim,
e vem cristalizando,
cortando e furando cada parte fazendo marfim esculpido,
fazendo uma dor como de a morte de um ente querido por motivo desconhecido
sem abrigo um mendigo na minh´alma vai vagando
como num vazio oceano de uma trupe abandonada.

...(suspiro)...

E suspiro desespero sem medida
morte de todas as malditas que acabaram com famílias pelas quais ninguém chora
até que acabe o ar e que os pulmões sintam falta de algo,
essa falta é meu atual estado.


David Weydson

domingo, 12 de junho de 2011

Diário de Apollo

Você pode até não acreditar...
...mas...
estou feliz!

Hoje eu me senti humano,
tive vontade de matar uma unica pessoa antipatica sem sorrir na frente de crianças brincando,
fui rude igual e consegui o que queria...

Vi aviões passar,
sentei com a família na grama e vi crianças dançarem,
comi muita canjica...
fiquei feliz em ver várias outras felizes.
Recebi belos concelhos,
como se a luz aparecesse...
...estou feliz.

Sabe...
ultimamente procurei meu coração,
mas só achei uma bomba de sangue no lugar,
durante um dia isso acabou...
como se tudo tivesse sumido.

Chorei ao fim do dia...

Estou feliz,
realizado e com uma certa dorzinha perto do pulmão,
não era amor, mas sim felicidade e carinho,
paz e vivi um dia por dia.

Que o dia seja belo,
que os dias sejam cópias unicas desse mesmo,
como um carimbo.
que sejam diferentes e únicos.
Felizes e também diurnos.


David Weydson

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Esperanças para o Futuro

Ser poeta por maldição,
um louco pela paixão que emana das letras sentidas e vagantes,
errantes de seus textos originais,
textos mais antigos que a propria fala humana...

Sem medida,
podem contar as palavras,
versos e sílabas,
mas o que sinto é algo tão longínquo quanto o espaço...

E nesse embaraço com minha simplicidade teço minha teia de marasmo,
um dia querendo ser mais do que realmente sou,
e tudo transcender.


David Weydson

terça-feira, 31 de maio de 2011

Minha alma em notas I

Decidi postar as músicas que ouço também e me inspiram...
Eleanor Rigby dos Beatles...
ouço todo dia... música perfeita, letra perfeita, arranjo muito bom


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Emblema da Confusão


Sobre essas linhas fica minha promessa...
serei melhor do que sou hoje,
basta um pouco de tempo,
empenho e cura,
pois esse desânimo é minha tortura,
ficar parado é meu estado de graça...
não faça...
deixe que mudarei sozinho...

Não sou tão bom,
nem tão complexo,
sou simples e honesto,
ainda tenho meus versos,
as vezes um tanto repetidos,
aqueles que gritam inumeras vezes em minha cabeça,
viram amigos forçados...
à mesa puxam cigarros,
e desse barro faz-se meus jarros,
e perante o chaparro eu vejo meu fogo...
minha lenha precisa...

E quem sabe na mente de algum louco,
minha poesia seja cubista...
pois em minha mente toma forma e vida,
que os três pontos não matam...


David Weydson

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Madeira, Apenas Madeira


Corto a talhos longos meu passado,
quase não lembro da infância,
e o resto foi só rotina...

Passam rostos,
passam cores e pinto tudo dum cinza bem bobo.
Sigo esquecendo que um dia foi colorido,
e o resto minha perca de memória ja faz...
aquilo que está incrustado,
é verdade...

Uns me cobram,
olho com um certo repúdio...
"Quem será esse estranho?"

Com minhas profecias digo os que não me lembrarei,
os que ficarão e outros que nem existiram...
vivo de maneira que vivo...
exclusivo e frio como um banco de praça,
vejo pessoas,
elas me aquecem,
mas sempre esquecem,
que só foram mais uma.


David Weydson

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Versos Intimos


Queria saber onde foi parar aquela criança pura que era eu,
aquele menino que sorria e nem sabia que o melhor era seu,
que tinha dentes de leite e janelinhas,
porta... campaínha...

Os que me procuram não vão achar,
estou perdido em meus pensamentos,
em meus devaneios e temendo meu futuro
( pra variar )

Estou sem ninguém para me importar,
todos a me importunar...
raiva...
desprezo...
vontade de matar...

Matando o passado...
o que era pano agora é trapo,
e não tem mais valor...
vamos supor que um dia existiu,
e agora?

Loucos se afogando,
sorrisos maus desabrochando,
medo de ser o que estou a me tornar...
medo de um dia sair do ar,
deixar de escrever,
de sentir e de ver o mundo em que vivo...

Sabe...
De verdade...
as vezes nem sei por que escrevo...
talvez seja para me entender melhor,
colocar pra fora meu veneno diário...
E fica aqui o meu escarro.

Sigam...


David Weydson

terça-feira, 17 de maio de 2011

Terça-Feira Fria

É no frio que o corpo fala que é vivo,
e com seus gritos se arrepia por inteiro...
É no frio que os olhos lacrimejam,
e colhe as lágrimas que nem sabia mais que existiam...
É no frio que o corpo bate mostrando que os músculos ainda estão ali....
É no frio que as estrelas brilham mais...


David Weydson

sábado, 14 de maio de 2011

Sem Título [3]

Não conheço nem Deus nem o diabo,
só quero um pedaço de trapo para jogar na brisa,
e fazer com que minha sina vire melodia,
e em meus dias vagos,
veja minha visão distorcida nos carros,
e que meus gritos se transformem em buzinas...
que me seduzam as ondinas com seus cantos aguados,
e que eu fique acuado até que me roubem um beijo...
um beijo e a vida,
pois é nessas armadilhas que mora o perigo de gostar do proibido,
é no espelho de Narciso que deposito minhas juras,
e que ele nunca se esqueça,
lembre sempre e obedeça aos meus dias ordenados...
Fique nua num estrado,
numa praia Caribenha...
e nessas rimas estranhas,
teça uma música porteña...

E que tudo acabe no vinho...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sede de Têmis


É um misto de vingança...
ódio e desgosto...
uma vontade de justiça,
tão grande que não vejo outra razão do meu sangue pulsar...

Ele permanece em silêncio...
isso é só meu controle,
pois não se pode fazer o que se quér...
e o que quero e posso pra mim não tem gosto...
...é chato...

O que eu mais queria era fazer do seu sonho pesadelo,
da roupa quente um novelo,
queria te matar por maldade...

Mas ao mesmo tempo tenho misericórdia,
mesmo tu sendo uma escória,
engulo seco e sigo a vida,
vida que sem minha permissão tu me deu,
vida que por pouco não viro ateu,
e me mergulhasse na frieza que agora é só minha,
e nessa rinha de bem e de mal estou eu,
queria as vezes ser nazista,
outras vezes ser judeu...
Mas felinfelizmente sou eu,
esse poço de incompreensão,
esse bolo de razão,
dor e solidão...

Sou Têmis em pessoa,
corpo e profissão...
e ainda procuro um jeito de te macerar,
dilacerar...
mas sendo cego...
é dificil esse sonho realizar.
Esquive!
Até que eu venha a te encontrar,
ou que apareça uma parede...

Aí sim a justiça dessa porra de mundo vai me escutar.
E minha existencia enfim será de serventia.
Te cuspirei minha agonia,
e lancinarei a dor que convivo a cada dia,
te farei minha obra prima...
assim como tu me matasse ainda jovem...
Ainda criança e com sentimentos nobres...

Agora sou só nojo,
dor,
sede e sangue.


David Weydson

quinta-feira, 5 de maio de 2011

As Rimas do Silêncio


Estou a simplismente olhar o mundo com o silêncio,
peço que respeite esse tempo,
e desse unguento aprecie,
e que ele silencie os seus gritos de dor...

Que tudo passe de forma que não machuque,
e com ciúmes o tempo se faça intacto...
que venha a paz,
que a ausencia das palavras seja um pacto.

Quando estiver em seus momentos de solidão,
que aprecie a música a te contagiar,
a tristeza cético te deixar,
e a dor te faça calar...

Que nada venha a afetar,
e que esse momento seja eterno,
eterno tédio até sua surpresa extrema,
até que acabe sua novena insana...

Que ore,
que reze...
que tenha suas teses...
e que o seu mundo seja uma casca,
e em suas asas possa voar...

Sonhe...
pois nunca mais irá acordar.


David Weydson

domingo, 24 de abril de 2011

Cansado


Estou cansado de tudo,
de todos,
de tudo que há de vir,
de falar errado,
de falar certo,
de respirar,
de ficar momentos sem rir,
de rir também...

Estou cansado demais de branco
saturado do preto,
azul... roxo...
cansado das minhas incognitas,
cansado de minhas respostas.

Cansado da Guerrinha de Deus e o Diabo,
cansado de ora ser seda e ora ser trapo,
cansado de viver em extremos,
em picos e buracos,
cansado de mover músculos...
de fazer preces idiotas e inuteis.

Cansado de olhar pra uma folha de papel,
procurar escrever,
e ver ela ainda sim em branco,
cansado de pensar no primeiro veneno como amianto,
e que é com ele que também fazem telhas brasilit...

cansado Cansado Cansado...

Se você chegou até aqui lendo...
não precisa ir adiante... pois só seguirei pra me martirizar,
fazer desse tédio um cansaço maior e maior,
de ver esse texto ridiculo,
idiota e infantil...

nem infantil,
pois as crianças ainda merecem admiração...
( nem todas... )
cansado de pensar que pessoas são boas,
caladas...

Cansado de procurar algo pra fazer e sair andando pela cidade,
nem chocolate mais da gosto...
que saco
que ódio
que bosta
que inferno...

Nunca fui la...
mas ja desejei que pelo menos um terço das pessoas que eu vi fossem pra lá...

Deu vontade de chupar limão...

Ja li tanta coisa ruim na vida,
que isso daqui é só mais uma que vai pra lista,
e se quiser entrar nesse tédio comigo,
siga de um lado,
que eu sigo do outro,
e nesse estorvo de vida nós vamos...

Chocando esse maldito ovo chamado vida,
que mesmo podre,
nós ficamos horas cuidando...


Preciso de novidades...
¬¬


Autor: ( Um idiota qualquer entediado num fim de domingo )



PS: Cansado dos meus erros de ortografia,
e minha ironia idiota

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ego


A Orgia máxima de si,
onde tudo que se encontra são corpos entrelaçados,
e tudo que vem é o máximo...
o extase...

Quando o corpo retorce,
na alma o deboche...
tanto poder aos meus pés...
Tantas escolhas...

Quando é só a luxuria,
e fica ébrio nessa loucura...
tão doce que depois vem amargura,
escarro em ruas...
nuas e formosas
ninfas e gruas...
formando mais andares dessa Babel que sou eu.


David Weydson

sábado, 16 de abril de 2011

Homem de Sonhos


Quando se está em constante mudança ha o medo de os sonhos morrerem,
e não mais os ver,
e não mais os sentir...

Para um ser caleidoscópico isso é comum,
digo que é a rotina torturante,
talvez errante,
por talvez rumar caminhos ardilosos...

Atualmente tudo odeio,
o que escrevo não postaria,
mas por minha rotina colocarei pra que leiam...

E mais uma vez me condenem,
e de longe para minh´alma acenem,
com medo de tocar-la.


David Weydson

sábado, 9 de abril de 2011

Sem Titulo II

Me falaram que eu tinha o direito de gritar...
então eu grito...
Todos podem se privar de ouvir...
então se preferirem tapem os ouvidos...
só escrevo meus pensamentos bizarros,
que de alguma maneira são encaixados...
e dizem ser poesia...
ou coisa do tipo...

Sou só um louco,
fanático, lunático e bandido das palavras perdidas,
que em minha vida reprimida grito...

...

Comecei a escrever,
para as idéias deixarem rolar,
pra não enlouquecer,
e pra minhas lágrimas guiar...

Escrevo agora pois não sei mais como falar,
como me abrir,
escraxar e assim vou a me explorar entre as letras,
entre as mesas de minha biblioteca de 3 livros,
e com absinto rego meu livro do Louco...

Pierrot por essência,
vida em decadência,
mas sigo com a pouca clemência que me resta...

...Não tenho mais nada a escrever...


David Weydson


PS: Não agora...

Pão de Ontem


Aos que não querem ler...
simplesmente virem o rosto,
fechem suas páginas,
e me deixem com o desgosto...

A vida não é justa,
prazerosa ou importante,
por mais que tenha Deus é irritante,
seus dias vagamente disperdiçados...

Como alguém que diz não ter fome,
sente algo sem nome,
e some a carne em seu corpo...

Como um tempo em que o tédio dome,
e some o que te mantém...
procura em vãos,
mas não o retem...

Se ora os dias ainda passam,
se chora eles ainda continuam,
se tem seus cinco minutos de felicidade,
foram horas de morbidez pra chegar,
e outras tantas para fazer esquecer.

Não consigo saber os dias,
nem os meses...
e assim levo à anos...

Planos...
só o que tenho,
para me render outros cinco minutos futuros,
e oro para que quando infectado haja mercúrio,
para doer sabendo que vai melhorar...
Mas que seja da parte boa que esteja falando,
pois dor maior não há...
do que nada mais esperar,
de Deus.

Minha Graça te basta... meu basta te basta


David Weydson

domingo, 3 de abril de 2011

Relento Bruma e Vento


Sou isso...
Só isso!
Sou pontos e exclamações,
nas minhas páginas não existem virgulas,
por mais que as queira...
Não!

Sou rispido,
um velho de 18 anos,
um velho que ainda tem planos,
sonha e brinca no serrano.

São poucos os que me arrancam risadas,
depois do momento,
mais nada...
volto a minha timidez retraída,
que está nascendo,
mas ainda tem medida.

Nada passa de calculismo exacerbado...
notado por aqueles que te cercam,
e ninam a alma até que ela durma,
e suma com suas mágoas,
que te ofereçam o frio pra que lembres que é vivo.
E trinco os dentes no arrepio,
com ondas quentes o corpo responde con brio
Esse sou quem sou hoje...
fragmento do mundo e falta de mim,
um jornal usado que vira novo com festim.

Assim sigo a vida de maneira calma,
com minha xicara de chá,
meus passos pela cidade,
olhando pessoas para medir a vaidade,
objetos e momentos...
crianças.

Tenho meus momentos de caos gigante,
mas ainda tenho esperança.
A morte resolve,
mas o futuro propõe uma aliança,
seja ela de latão, ouro ou cetim,
só coloco-a e vejo onde vai dar,
sorrio e vejo as fitas dançarem ao ar,
bate o vento,
fecho os olhos,
e sinto a carícia...

Não desperdiça,
vive de brisa,
pois é a brisa que te tira do tino,
te lembra que és vivo,
e faz do momento sofrido,
sublime sofrimento,

relento bruma e vento.


David Weydson

Eros


Sussurro...
faz a espinha arrepiar,
no ouvido a levar,
palavras misturadas com vento,
e tento...
tento me controlar...
mas perante mágica tal não há como escapar...
é o arrepio a falar,
a orelha a esquentar,
na nuca a talhar...

Lábios lentamente se movendo,
nesse tempo lento,
onde cada segundo é vital,
onde o que distancia um corpo do outro é o mal,
que a luxuria abusa.

Me usa,
iluda,
faça dos seus sonhos os meus,
essa é a terra dos Romeus,

Que vague os pensamentos,
e que venha o climax poetico,
que a pele faça-se viva,
e os pelos gritem.
Eros...


David Weydson

Piano Subto


A distancia e o silêncio,
entre as estrelas só o vacuo,
na multidão sozinho vaga,
um pobre humano sem alma.

As vezes o silêncio predomina,
toma a alma do artista,
da pena seca a tinta,
das palavras tiram as letras.

Há só o tempo de olhar,
sentir e caminhar,
ver as árvores e sentir o ar,
uma noite a sonhar.

Ou então simplismente existir,
e deixar fluir,
seus momentos de quietude,
paz que relume.


David Weydson

*PS: Perdão... estou escrevendo pouco, acho que o poema explicou o que estou passando e sentindo... convido todos a fazerem o mesmo, viverem à esmo...
depois voltar quando o tempo denovo o ceifar. Fazer do nada rimar, e deixar um sorriso singelo escapar de tua face que antes era infertil.

sábado, 26 de março de 2011

Pra não deixar de falar

Tudo que escrevo rasgo,
como cópia de escarro fica jogado no papel,
e no outono vejo o marco das folhas caídas,
sofridas pelos anos.

A noite chega cansada,
marcada pela rotina,
e sobre essa latrina de vida eu...
...eu simplesmente vivo.

Sem tino,
sem nada,
vago por essa estrada,
cravejada do brilho das constelações...
E riscada no chão pelas linhas,
que um dia algum artista perdeu o seu freio e a vida.

Marina...
O mar a se enrolar perante as rochas,
e tochas a se acender após o luar,
pesar... nem sei o motivo de certo,
e teto é o que não tenho mais.

Num cisco,
eu vivo a minha memória,
dorida,
lembrando de alguma ferida.
O circo...
do palhaço manco, bêbado e calvo...
O teatro que está em ruínas.


David Weydson


PS: Sem imagem porque as vezes pensamentos são pretos e vazios.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Velado


As vezes a palavra some e não tem nome o que se sente,
e chora por não saber como falar,
treme e geme querendo explicar...
Mas tem algo que entende.

Se nada disso valesse a pena,
por que a terra ainda suportaria,
e cada dia o sol ainda nasce?

Vontade tenho de ser mais capaz,
querer e fazer,
mas agora só posso esperar,
oro pra que os dias sejam menos crueis,
ou pelo menos que a crueldade não me atinja,
e finja que tudo é belo.
Olho pra o céu,
compro um caramelo,
e velo pelos meus sonhos,
pois eles tem dono,
mas ainda não tem tempo.


David Weydson

sexta-feira, 11 de março de 2011

Conselho dos Elementos


Aos que não tem mais planos,
só restam os danos de uma vida amargurada...
Esses podem ser os Fabianos,
Adrianos... não tem nome ao certo,
Gilbertos bebendo na estrada.

"Desalmada, me largou pra ficar com outro,
logo eu que tanto a amei,
eu que a ensinei tudo que sabe,
se não fosse essa vaidade sem medida,
se não fosse essa vadia reprimida,
só porque ele é mais novo do que eu.
Fui eu! EU!!! que a levei ao coliseu,
e é assim que ela me retribui..."

Pobres humanos...
tentam justificar suas vidas,
atos de outros e armadilhas,
dizem que a vida é bandida,
mas cruel mesmo são os seus atos.

Se ao menos olhassem ao céu,
tivessem fé e fizesse suas preces,
se ao menos cressem e prezassem ideais,
a vida seria diferente...

Mas preferem ao alcool,
à luxuria do que a Deus...
do que as estrelas...

O vento não tem mais importância...
e por meio dessa aliança,
cresce o caos urbano,
tempestades nos oceanos,
ventanias,
furacões fazem sinfonias...

Ouçam logo a verdade,
e façam da vida arte...

A arte de viver.


David Weydson

domingo, 6 de março de 2011

Caixinha de Botão


Ela era uma pobre senhora,
não tinha nada,
tricotava simplesmente com seu novelo simplório...
Fazia suas roupinhas,
e dava graças a Deus pela cura do Parkinson.

Ela tomava seu chá de maneira modesta,
economizava a erva para depois fazer mais,
gostava dele forte,
reutilizava a canela,
deixava-a num pote junto com o cravo.

Ela colecionava lágrimas,
colocava-as em outro pote,
pois cria que os anjos um dia iriam levar,
agradecia o cravo de cada dia,
para seu chá...
sua unica companhia...

Aquele chá fazia um bem,
a aquecia no frio,
fazia queimar a boca para lembrar que era viva,
lembrava que ainda existia por causa do chá.

...Quando terminada sua mais nova roupinha,
abriu seu baú precioso e tirou seus botões preferidos...
costurou com sua melhor linha...
Eles eram diferentes,
mas ela gostava assim,
dizia estar na moda.
Usou sua roupa recem terminada e dançou,
viajou em seus sonhos,
cantou...

Passado esse dia,
sua xicara de porcelana continuou no mesmo móvel,
sua chaleira nunca mais esquentou,
e depois que seu corpo esfriou,
vieram anjos e suas lágrimas levou.

E seus botões viraram ouro.


David Weydson

quarta-feira, 2 de março de 2011

Marcas da Vida


O tempo passa e o tempo brinca,
com a face marcada de tanta sina,
menina...
que corria pra pegar peteca,
antes sapeca agora é vellhinha...

Menino que antes brincava de barco,
agora em seu naufrágio de dores navega,
as costas,
coluna,
lombar...
Correr antes para brincar no ar,
brincar de pegar borboleta,
brincar de fubeca,
brincar de boneca e agora tem netos...

As histórias ficam nas marcas,
e as marcas deixam nos anos,
e no fim da vida sem planos,
o que há e o recomeço...
velhos ninam pequenos no berço,
passando a benção do tempo.


David Weydson

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Origem da Dor


Há tanta sede de sangue reprimida,
escrevo intimidando mas no fundo é a rotina,
é a repetição de um dia do jornal,
da cacetada de um pau,
a fratura e o sangue a tingir a madeira ceifada de sua madre verde inocente.

Veio a vingança prometida,
a dor ardida da bala atingida rasgando a pele,
a derme, o músculo...
o ferro que arrancado foi,
sem perguntas nem carinho,
foi explodido, moído, fundido...
sofrido e fez sofrer.

Ainda vem dizer que protegem seus filhos dessa loucura,
e na sepultura jogam sua pureza por um desenho mais violento,
a falta de tento é o prevalece,
e cresce o que era pra diminuir.

As guerras,
os roubos,
as brigas...
nessa orgia segue a sede de sangue,
seja a reclamação exaltada,
a divida cobrada...

O mundo prega o amor que não mais existe.
bando de patifes,
dão chocolates com veneno,
oferecem a um pequeno,
e esse logo devora,
depois de outrora vira mal,
cobra o pau que o sangrou,
derruba a arvore e lancinou,



David Weydson

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Café e Cigarro


Dias fazendo rotina,
mais um dia de pão amanhecido,
café preto no copo,
um cigarro pra parar de tremer.

Ainda em transe entra no onibus,
ainda sonhando vê seus amantes de olhos fechados,
o travesseiro ainda amassado,
a cama por fazer,
o sono a entorpecer o corpo moído do cansaço,
em busca do salário e do pão que chega novo,
quando todo o dia passa,
e todo o tempo desata em dores nos músculos,
sonhos fajutos ao ver comerciais em sua televisão.

Assiste o jornal,
depois a novela,
sonha no comercial,
conta moeda pra o onibus de amanhã...
o pão ainda ta fresco,
come assistindo vidrado,
toma um banho merecido,
e lembra do marisco que comeu na praia,
no fim do ano...

"A vida podia ser de sol e mar,
pena que é só pra gente rica..."

Fecha o olho e dorme...
E tudo se repete.


David Weydson

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sem Título


E veio o silêncio,
fez-se perceptível os batimentos do coração,
o corpo chacoalhava como uma pedra na lata,
e no escuro apareceu...

Não era um escuro como os outros conhecidos,
ele era molhado,
encharcado de água salubre...

Arregalei os olhos,
o vento não apareceu,
e tudo o que era vivo morreu,
e veio o mausoléu,
sobre a terra e sobre o céu,
veio a dor com o cinzel,
na pele foi gravada o que ainda não se sabia,
e como os antigos cunhavam,
a pele virou argila.

O conhecimento o alcançou.


David Weydson

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Areias do Deserto


Lar de tantos deuses,
tanta história e tanto empenho,
berço da civilisação,
acolheu tantos com carinho,
outros com ingratidão.

O Nilo mergulhava em sua brincadeira juvenil,
e seu papiro crescia livre,
Nos encantos de Ísis mergulhou de sabedoria,
surgiu seus mundos de pensamentos intocados.

Osiris muitos levou,
muitos que um dia amou,
e outros que queriam ficar,
a fé bastou,
mumificou,
um dia eles vão retornar.

Rá...
e o sol clariou...

Depois de tantos anos,
o vento sacudiu as areias do tempo,
e na ampulheta houve revolta.

Não aguentavam mais a tirania,
foram com orgulho dos embalsamados,
e seus anos dourados,
estão para reaparecer.

Por mais que tenham causado dor,
tiveram ódio e furor,
mas passou e agora querem paz.

Sobre as Piramides repousa a justiça do passado,
e em sua ponta a ascensão de mais um dia de vitória,
não importa o tamanho da derrota,
a fé deles continuará.


David Weydson

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Hadouken


Nos tempos de dor amigos se tornam mais chegados que irmãos,
e não importa quanto a distancia importune,
sei que todos os minutos...
nada foi em vão.

Uns não acreditam em Deus,
acreditam que tudo não passa de destino,
coincidências...
antes eu até podia me deixar levar,
mas o tempo passou e provou que amigos não tem como selecionar,
não é algo aleatório,
e algo que julgava notório se mostrou que não,
que as pessoas são o que são,
tacou coisas na minha cara pra eu acreditar,
sair da minha ilusão...
ver o mundo e não uma invenção.
ver que há pessoas que vivem em vão.

Amigos são contados em uma mão,
e neles é descontado suas dores,
felicidades, descobertas e amores...
é compartilhado tudo de bom e de ruim também,
é a esperança em você...
mesmo quando você mesmo não a tenha.

Amigos nos aproximam de Deus,
mostram que nem todos estão condenados,
ainda há suas exceções.

É aquele que você chama de irmão com a maior naturalidade,
fala do futuro e zoa a idade...
Parabéns Ancião.
xD


David Weydson para Lucas Rodrigues

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Diário de um Psicopata


Quantas vezes não ja ansiei uma faca a cortar,
minhas mãos à guiar a lâmina precisa e a pele a acolher-la,
a pele chorando sangue,
fazendo do momento da dor alheia extremo prazer...
Eles sempre fazer por merecer,
afinal... são humanos.
Estou somente fazendo um bem ao mundo,
à humanidade...

Quantas lágrimas ja vi escorrer misturadas com o sangue,
observava atento,
aos músculos contraindo,
sendo quebrados e ainda sim reagindo...

Asfixia,
envenenamento,
overdose,
tortura...

Tantas coisas para fazer,
aproveito bem os meus escolhidos...
tenho um quadro escrito de sangue...
cada palavra uma pessoa diferente.
E rio...

Danço na chuva de ferro líquido vermelho,
Vejo o limite dos meus maxilares mordendo a carne acolhedora,
ouço a música dos ossos à quebrar.
Vejo o mundo rodar,
e eu a descartar mais um corpo inútil...
Vulgar...

Ja escrevi muito...
um beijo aos que ficam,
Agora vou matar.
Pintar com sangue,
e minha arte terminar.
A arte de mais um dia de sangue,
memórias a esquecer e almas ceifar.

PS: Sou totalmente são...
Não sou louco, só tenho um olhar refinado do mundo.


David Weydson

O Ato da Ira


Raiva...
Ódio...
é o que faz o sangue borbulhar.
Faz do inferno qualquer lugar,
e de qualquer pessoa um alvo.

As veias fervem, suam...
o coração bombeia muito mais rápido,
e as veias saltam,
o vulcão explode,
mas manda avisos antes...
"Corram seus idiotas... ou todos morrem!"

Ele anseia a morte de todos...

Escrevo o que sinto...
pode ser clichê...
mas foda-se o clichê...
e viva as sinfonias da vida,
A raiva, a agonia...
Viva ser vivo e transformar isso em letras...

Viva a morte que faz tudo ficar mais belo,
mais certo e de certo,
da sua chave de ouro.


David Weydson

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nightlife


Há um silêncio profundo entre as estrelas,
o brilho é ofuscado pela luz da cidade,
o céu não é mais negro,
é dourado... e triste.

Pela minha janela entra o ar frio da madrugada,
fecho os olhos e aprecio o momento,
deixo a música tocando,
repetidas vezes...

Me perguntam por quê gosto tanto da noite,
tolos...
não apreciam dela o prazer...
tão bela e inspiradora,
prepara o melhor momento para o amanhecer.

No relógio o tempo passa rápido,
mas... ao mesmo tempo é tão lento,
olho duas... cinco... sete vezes...
ainda são 5:07.

Meu espelho refletindo o mesmo ato,
a luz que entra e se esparrama na parede é a mesma,
coloquei um quadro novo perante mim,
ele é mais belo à noite.
Vira um portal,
meus olhos procuram por imagens,
mas a claridade do notebook me incandeia...
e quando as luzes são enfim desligadas,
o sol começa a amanhecer.

Noite adentro jogo minhas preces,
de maneira a pedir por pessoas que gosto,
por nomes desconhecidos que vêem à minha mente,
por Josés que procuram seus pentes,
para que possam ir trabalhar.
Por prostitutas e por meninas ingênuas,
que choram quietinhas,
se deixam suas lágrimas timidas a borrar suas faces.
Oro pelos que dormem,
pelos que morrem para que sintam menos dor.
Oro para que reacenda a vida,
nos que desistiram do amor.

Essa é minha vida,
muitos julgam outras coisas,
mas ela é só isso mesmo.


David Weydson

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Do Escritor




Eis que os gemidos ja são ouvidos por milhares,
o que eram pra ser lágrimas sozinhas virou um palco,
e o pierrot sorriu timidamente,
enxugando suas lágrimas,
assoando seu nariz...
Quem diria que momentos assim poderiam,
fariam ele mais feliz...

A plateia jogou tinta em sua cara,
sua lágrima foi borrada,
a peruca caiu,
a dor sumiu...

... obrigado leitores por acompanhar minhas dores,
sorrir com meus amores,
acompanhar meus rumores correndo por minhas máscaras...
Obrigado atores por de minhas poesias participar,
obrigado senhores que observei para me inspirar.

Obrigado Vida...
Por ter me dado lápis papel e circunstâncias,
pela minha miscelânia.
Obrigado aos que me inspiraram...
Obrigado à lua a invadir minhas noites para que venha a escrever.


Pierrot Weydson

domingo, 30 de janeiro de 2011

4:57 AM


Os dias vão passando,
trens indo e vindo,
nas estações parando,
pessoas vagando para seus destinos incertos.

É mais um domingo,
mais uma madrugada acordada,
me comparo à cidade,
ela nunca dorme...
só sonha quando possível.

Hoje vi que mortes são reais,
inevitáveis,
e entre seus agáves,
só resta sujeira.
É rotineiro...

Cada faixa riscada,
pintada e delimitada da rua,
os bêbados brincam nelas e fazem firulas,
suas passadas incertas e baques na estrada,
suas garrafas de pinga,
sua lucidez espalhada.
Não há nada...

Os fios continuam inertes,
os parques e os bosques se enchem de orvalho,
se no brasil tivessem carvalhos também estariam,
mas agora os carvalhos dormem...
outros trabalham.

E nesse pomar urbano vemos pereiras,
arrudas e oliveiras,
e na rotina verdadeira,
vão e vem com o vento da vida,
o vento dos tempos.

Vão para seus trabalhos,
botecos e mercados,
vivem ora secos ora molhados,
e outros mortos estirados no asfalto...

É a rotina,
as vezes por doces na cabeça,
outras por pular corda,
só que nessa brincadeira,
o vento continua e a arvore vem a tombar,
continua a cidade a correr,
o vento a soprar,
só um a menos que se comparado a outros muitos,
não vai faltar,
arvores nascem todos os dias,
e não importa se na colheita há ou não magia,
é feito poesia e o tempo a ceifa.


David Weydson

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ultima chama da Amarga Esperança


Ja chorei pela humanidade,
foi em vão...
fiz preces para que a cultura fosse menos vulgar,
foi em vão...
ja fiz tentativas para que pudesse salvar alguém da ignorancia suprema,
foi... em... vão.

De tanto pensar procuro levar o ar aos que nunca respiraram,
levar fardos de dúvidas e depositar em suas costas,
vale a pena esse penar,
Para poder um dia crescer e ajudar outros.

Por mais que eu seja pessimista,
procuro trazer a luz ao que está na escuridão,
mas infelizmente olho em volta e vejo só o breu,
pessoas de cabeça baixa,
com suas correntes de ignorância,
oculos escuros da manipulação,
e em suas veias sangue-sugas tirando sua vitalidade.
Elas não falam,
não tem força para tal,
é só respirar,
e aos poucos "viver"...

Viver...
A maior das suas mentiras.

E é aí que o ódio me consome,
tento gritar,
estouro timpanos mas a reação das múmias é a mesma,
deixam-se levar...
INUTEIS!!!
Será que não vê que sua vida é que está em jogo?
A vida é simples.
( Outra mentira )

Dizem que eu me importo muito...
É que eu ainda me importo com todos.

Por isso quero que tudo isso acabe,
que venham as catástrofes,
que venham os maremotos,
terremotos,
furações,
erupções,
e venham os meteoros agitar nossa terra.

Me chamam de insano...
talvez eu seja mesmo,
mas ja que querem desistir da vida,
que venha o ponto final.


David Weydson

sábado, 22 de janeiro de 2011

Instenso


O excesso de sorrisos era nada mais que o transbordar de alegrias,
o pulsar empenhado do coração,
e vida, amor e paixão...
tudo fazia brotarem borboletas no meu estômago.

Sorria ao dia,
para o sol,
sorria para cara ironia,
e depois que tudo passou economizo eles,
pois senão a felicidade não dura,
e mergulha logo na tristeza,
na vontade profunda de morrer...
na solidão e amargura.

Olha...
Muitos...
muitos mesmo não entendem o que é ser intenso,
julgam engraçado...
fútil muitas vezes,
mas não é...
É todo calor depositado de uma vez,
é como o gelo seco virando logo vapor,
é o petroleo virando logo isopor.
Depois fica o vazio que ja se acostumou.
O silêncio e longe a dor...
Mas isso é um mero detalhe.

Ser intenso é uma maldição,
é bom enquanto é intenso,
depois... não!

É aquela dor constante,
massacrante,
mas você ja está tão acostumado que ninguém mais acredita,
e leva sua sina,
até o destino te impressionar,
e a outra onda levar,
de intensidade,
vida e vaidade.


David Weydson

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Ato Impossível de Pensar


O que um humano pode ser?
Alcançar?

Faço essa pergunta observando as estrelas e o mar,
será capaz de um pouco do brilho delas roubar?
ou contar quantas gotas nele há?

Muitos dizem que Deus não existe...

Aos humanos são determinadas coisas,
escolhas e planos,
limites e linhas imaginárias.
Será capaz ultrapassar?
NÃO!

Cheguem ao fim do infinito em um só passo na escuridão do espaço sideral.
Façam o mar caber em sua palma da mão...
Há algo maior,
eu sei que há...

Aos humanos são permitidos os sentidos táteis,
mas à alma e o espírito são incrustados de fé.
Fé de algo que não se pode ver,
mas que com o tempo vira realidade,
fé que impulsiona pessoas,
atos e castidade.
Fé que muitas vezes é preciso para viver em tempos de escuridão,
profunda dor e falta de amor,
falta de paixão...
Fé que faz Deus nos altos céus,
vir à terra e virar Irmão.

Quem é superior que creia,
quem é limitado que duvide e apodreça em sua vã filosofia.


David Weydson

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Xerox P&B


Perante meus dias iguais consumo meu tédio,
minhas trocas de roupa foram substituídas,
virei um ser noturno,
o diurno me incomoda.

Quando batem abro a porta,
os mesmos a bater,
não mais me incomoda,
leva muita energia para me incomodar...

Quero dias diferentes,
talvez os invente,
as vezes penso como seria voar livre,
sozinho num parapente.

E fico eu e minha poesia,
vivendo dias de morbidez,
outros de solidão...
pouco importa...
pela vida ainda tenho paixão.
Mas a morte mesmo é minha amante.
Errante,
vagante...


David Weydson

domingo, 16 de janeiro de 2011

Mochileiro


Quem sabe todos esperamos a vida sorrir,
sentados ou deitados em nossos aposentos,
sorrindo e por dentro sofrendo,
ou então sedento por algo novo,
irreal.

Vagamos em nossas cidades,
andamos por ruas,
por vales,
desde a antiguidade,
e agora repetimos e seguimos esse embate chamado vida.

Nós corremos com nossas dores,
vivemos com casos procurando amores,
e esperando que o amanhã seja melhor...

O que temos que fazer,
é simplesmente dos patamares descer,
colocar os sonhos na mochila,
e fazer acontecer.

Ver no horizonte despontar o amanhecer.


David Weydson

sábado, 15 de janeiro de 2011

Humanos


Humanos...
pobres humanos,
com suas crenças tolas esquecem da verdade,
e com suas parafernálias procuram a solução.

Humanos...
pobres humanos,
vivem à favor de relógios,
trabalham em máquinas,
e são escravos de Tókio.

Quanto aprenderão que o tempo pode ser diferente?
Que o controle está no leme,
e a vida toma cor de repente?

Humanos...
Pobres humanos.


David Weydson

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Suicidio Rotineiro


A cada dia tiro minha vida,
sem fugir da rotina coloco-me a lancinar minha dor,
deixo de ver o sol nascer,
ou ver ele se pôr,
deixo de acontecer,
e fico no supor,
vivo limitando,
anulando meus passos.

Tiro a oportunidade de fazer o momento,
de agir,
correr e abster-me do alcool,
tiro a vontade de viver,
para trocar por morbidez...
e nesse momento de insensatez,
matei mais uma vez...

Abrir mão de tanto,
de tudo para generalizar,
abrir mão de falar,
pensar,
gritar.
Abro mão de ver o mar,
com medo de no caminho me entediar,
abro mão dos anseios,
por querer agradar.

Tudo isso vai acabar...
quem sabe até o eu que conheço,
prometo...
tirarei proveito da vida,
dos sonhos e quem sabe do que julgo pecado.
Vou fazer o que ninguém mas fez,
vou viver sem um dia lamentar minha morte dorida.
E nem da chacina que faço de "eus".


David Weydson