face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

domingo, 30 de janeiro de 2011

4:57 AM


Os dias vão passando,
trens indo e vindo,
nas estações parando,
pessoas vagando para seus destinos incertos.

É mais um domingo,
mais uma madrugada acordada,
me comparo à cidade,
ela nunca dorme...
só sonha quando possível.

Hoje vi que mortes são reais,
inevitáveis,
e entre seus agáves,
só resta sujeira.
É rotineiro...

Cada faixa riscada,
pintada e delimitada da rua,
os bêbados brincam nelas e fazem firulas,
suas passadas incertas e baques na estrada,
suas garrafas de pinga,
sua lucidez espalhada.
Não há nada...

Os fios continuam inertes,
os parques e os bosques se enchem de orvalho,
se no brasil tivessem carvalhos também estariam,
mas agora os carvalhos dormem...
outros trabalham.

E nesse pomar urbano vemos pereiras,
arrudas e oliveiras,
e na rotina verdadeira,
vão e vem com o vento da vida,
o vento dos tempos.

Vão para seus trabalhos,
botecos e mercados,
vivem ora secos ora molhados,
e outros mortos estirados no asfalto...

É a rotina,
as vezes por doces na cabeça,
outras por pular corda,
só que nessa brincadeira,
o vento continua e a arvore vem a tombar,
continua a cidade a correr,
o vento a soprar,
só um a menos que se comparado a outros muitos,
não vai faltar,
arvores nascem todos os dias,
e não importa se na colheita há ou não magia,
é feito poesia e o tempo a ceifa.


David Weydson

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