face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

História do Tempo


O dia era claro, bonito...
as nuvens eram macias e brancas,
o vento trazia o frescor das folhas novas das árvores,
era primavera...
O sol começava a penetrar nas rachaduras da casa colonial...

"-Oi... Vamo brinca?
-Vamo... De que?
-De esconde-esconde...
-Tá... mas ta com você.
-1...2...3...7...4...3...9...5...10... Lá vou Eu!"

Ele não sabia contar ainda,
foi quando comecei a observar-lo,
tinha os dentes de leite,
pureza extrema de criança...
mal sabia ele que seus atos eram de extrema importância...
Os anos correram,
as luas subiram e desceram, e houve o trágico.
Agora em seus 9 anos...

"-Onde tá minha mãe Papai?
-Filho... ela está viajando.
-E quando ela volta?
-Amanhã filho... amanhã."

O Amanhã nunca veio,
seu choro sempre foi simples,
Seu pai logo arranjou uma "mãe" para ele... e ocorreu...

"-Quem é você? -Sou sua nova mãe...
-Você não é minha mãe... Pai... a mamãe vai voltar não vai?
Silêncio...
-Eu odeio você e essa mulher que você arrumou..."

Corri com ele ao seu quarto,
coloquei mão com mão e fechei a porta...
vi ele chorar e rezar,
de forma triste e se sentindo traído...
Era o primeiro vestígio de sua amargura.

Corri mais uma vez...

Ele se conformou com o tempo,
os dias dele se igualaram com os meus,
eram todos iguais...
apostava corrida com ele nos seus 15 anos,
16... 17... 20 Anos.

Ele comia indiferente num lugar que gostava,
estava acompanhado de um livro e sua música de costume,
quando sentiu uma mão ao seu ombro,
tirou os fones e olhou com indiferença...

"Oi vamos brincar de esconde-esconde?"

Parei de respirar nesse momento...
tudo parou e fiz minha mágica das lembranças e da sépia...
Lembrou de sua infância, sorriu.

"-Posso me sentar?
-Claro que pode... (Levantou-se um tanto desajeitado tropeçando e puxou a cadeira)
A moça achou fofo a cena...
-Você cresceu... está tão bonito
(Ele ao ouvir suas palavras quase engasgou e engoliu)
(Ela sorriu)
-Obrigado...você...você está linda...
-Então eu não era bonita antes?
-Não...era... mas é que... agora está mais.

Eles riram com o mesmo jeito de criança que antes eu vira,
derrepente o olhar penetrou,
fixou e ficou,
olhos nos olhos...

o corpo pediu,
vagarosamente agiu...
sentiu o arrepio,
lembrou de quando a beijou...

Era uma tarde de setembro...
brincavam nas folhas e rolavam,
ele cansou e deitou no amontoado,
a pequena sentia algo que não sabia o que era,
era um misto de vergonha e desejo...
um sentimento coeso.
As boquinhas se encontraram...
Tinham seus 11 anos...
Fiz questão dessa história não apagar,
deixei gravado nas memórias,
noites e noites a recordar.

Agora era a realidade,
a boca encontrou o que procurava,
o sentimento novamente desaflorou,
o coração pulsou e depois vieram palavras de amor.
Pegou e lhe entregou uma flor,
e o sonho continuou,
e não mais acompanhei,
a missão estava completa.
Terminou


David Weydson

2 comentários:

  1. Tocante e sublime.
    Adorei!!
    Edilene

    http://devaneiopulsante.blogspot.com

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  2. Adorei!!!
    Emocionante d+.

    Saudades desse blog, ihuu novas historias pra mim ler ;D

    Nivea Cullen

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