face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Origem da Dor


Há tanta sede de sangue reprimida,
escrevo intimidando mas no fundo é a rotina,
é a repetição de um dia do jornal,
da cacetada de um pau,
a fratura e o sangue a tingir a madeira ceifada de sua madre verde inocente.

Veio a vingança prometida,
a dor ardida da bala atingida rasgando a pele,
a derme, o músculo...
o ferro que arrancado foi,
sem perguntas nem carinho,
foi explodido, moído, fundido...
sofrido e fez sofrer.

Ainda vem dizer que protegem seus filhos dessa loucura,
e na sepultura jogam sua pureza por um desenho mais violento,
a falta de tento é o prevalece,
e cresce o que era pra diminuir.

As guerras,
os roubos,
as brigas...
nessa orgia segue a sede de sangue,
seja a reclamação exaltada,
a divida cobrada...

O mundo prega o amor que não mais existe.
bando de patifes,
dão chocolates com veneno,
oferecem a um pequeno,
e esse logo devora,
depois de outrora vira mal,
cobra o pau que o sangrou,
derruba a arvore e lancinou,



David Weydson

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Café e Cigarro


Dias fazendo rotina,
mais um dia de pão amanhecido,
café preto no copo,
um cigarro pra parar de tremer.

Ainda em transe entra no onibus,
ainda sonhando vê seus amantes de olhos fechados,
o travesseiro ainda amassado,
a cama por fazer,
o sono a entorpecer o corpo moído do cansaço,
em busca do salário e do pão que chega novo,
quando todo o dia passa,
e todo o tempo desata em dores nos músculos,
sonhos fajutos ao ver comerciais em sua televisão.

Assiste o jornal,
depois a novela,
sonha no comercial,
conta moeda pra o onibus de amanhã...
o pão ainda ta fresco,
come assistindo vidrado,
toma um banho merecido,
e lembra do marisco que comeu na praia,
no fim do ano...

"A vida podia ser de sol e mar,
pena que é só pra gente rica..."

Fecha o olho e dorme...
E tudo se repete.


David Weydson

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sem Título


E veio o silêncio,
fez-se perceptível os batimentos do coração,
o corpo chacoalhava como uma pedra na lata,
e no escuro apareceu...

Não era um escuro como os outros conhecidos,
ele era molhado,
encharcado de água salubre...

Arregalei os olhos,
o vento não apareceu,
e tudo o que era vivo morreu,
e veio o mausoléu,
sobre a terra e sobre o céu,
veio a dor com o cinzel,
na pele foi gravada o que ainda não se sabia,
e como os antigos cunhavam,
a pele virou argila.

O conhecimento o alcançou.


David Weydson

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Areias do Deserto


Lar de tantos deuses,
tanta história e tanto empenho,
berço da civilisação,
acolheu tantos com carinho,
outros com ingratidão.

O Nilo mergulhava em sua brincadeira juvenil,
e seu papiro crescia livre,
Nos encantos de Ísis mergulhou de sabedoria,
surgiu seus mundos de pensamentos intocados.

Osiris muitos levou,
muitos que um dia amou,
e outros que queriam ficar,
a fé bastou,
mumificou,
um dia eles vão retornar.

Rá...
e o sol clariou...

Depois de tantos anos,
o vento sacudiu as areias do tempo,
e na ampulheta houve revolta.

Não aguentavam mais a tirania,
foram com orgulho dos embalsamados,
e seus anos dourados,
estão para reaparecer.

Por mais que tenham causado dor,
tiveram ódio e furor,
mas passou e agora querem paz.

Sobre as Piramides repousa a justiça do passado,
e em sua ponta a ascensão de mais um dia de vitória,
não importa o tamanho da derrota,
a fé deles continuará.


David Weydson

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Hadouken


Nos tempos de dor amigos se tornam mais chegados que irmãos,
e não importa quanto a distancia importune,
sei que todos os minutos...
nada foi em vão.

Uns não acreditam em Deus,
acreditam que tudo não passa de destino,
coincidências...
antes eu até podia me deixar levar,
mas o tempo passou e provou que amigos não tem como selecionar,
não é algo aleatório,
e algo que julgava notório se mostrou que não,
que as pessoas são o que são,
tacou coisas na minha cara pra eu acreditar,
sair da minha ilusão...
ver o mundo e não uma invenção.
ver que há pessoas que vivem em vão.

Amigos são contados em uma mão,
e neles é descontado suas dores,
felicidades, descobertas e amores...
é compartilhado tudo de bom e de ruim também,
é a esperança em você...
mesmo quando você mesmo não a tenha.

Amigos nos aproximam de Deus,
mostram que nem todos estão condenados,
ainda há suas exceções.

É aquele que você chama de irmão com a maior naturalidade,
fala do futuro e zoa a idade...
Parabéns Ancião.
xD


David Weydson para Lucas Rodrigues

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Diário de um Psicopata


Quantas vezes não ja ansiei uma faca a cortar,
minhas mãos à guiar a lâmina precisa e a pele a acolher-la,
a pele chorando sangue,
fazendo do momento da dor alheia extremo prazer...
Eles sempre fazer por merecer,
afinal... são humanos.
Estou somente fazendo um bem ao mundo,
à humanidade...

Quantas lágrimas ja vi escorrer misturadas com o sangue,
observava atento,
aos músculos contraindo,
sendo quebrados e ainda sim reagindo...

Asfixia,
envenenamento,
overdose,
tortura...

Tantas coisas para fazer,
aproveito bem os meus escolhidos...
tenho um quadro escrito de sangue...
cada palavra uma pessoa diferente.
E rio...

Danço na chuva de ferro líquido vermelho,
Vejo o limite dos meus maxilares mordendo a carne acolhedora,
ouço a música dos ossos à quebrar.
Vejo o mundo rodar,
e eu a descartar mais um corpo inútil...
Vulgar...

Ja escrevi muito...
um beijo aos que ficam,
Agora vou matar.
Pintar com sangue,
e minha arte terminar.
A arte de mais um dia de sangue,
memórias a esquecer e almas ceifar.

PS: Sou totalmente são...
Não sou louco, só tenho um olhar refinado do mundo.


David Weydson

O Ato da Ira


Raiva...
Ódio...
é o que faz o sangue borbulhar.
Faz do inferno qualquer lugar,
e de qualquer pessoa um alvo.

As veias fervem, suam...
o coração bombeia muito mais rápido,
e as veias saltam,
o vulcão explode,
mas manda avisos antes...
"Corram seus idiotas... ou todos morrem!"

Ele anseia a morte de todos...

Escrevo o que sinto...
pode ser clichê...
mas foda-se o clichê...
e viva as sinfonias da vida,
A raiva, a agonia...
Viva ser vivo e transformar isso em letras...

Viva a morte que faz tudo ficar mais belo,
mais certo e de certo,
da sua chave de ouro.


David Weydson

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nightlife


Há um silêncio profundo entre as estrelas,
o brilho é ofuscado pela luz da cidade,
o céu não é mais negro,
é dourado... e triste.

Pela minha janela entra o ar frio da madrugada,
fecho os olhos e aprecio o momento,
deixo a música tocando,
repetidas vezes...

Me perguntam por quê gosto tanto da noite,
tolos...
não apreciam dela o prazer...
tão bela e inspiradora,
prepara o melhor momento para o amanhecer.

No relógio o tempo passa rápido,
mas... ao mesmo tempo é tão lento,
olho duas... cinco... sete vezes...
ainda são 5:07.

Meu espelho refletindo o mesmo ato,
a luz que entra e se esparrama na parede é a mesma,
coloquei um quadro novo perante mim,
ele é mais belo à noite.
Vira um portal,
meus olhos procuram por imagens,
mas a claridade do notebook me incandeia...
e quando as luzes são enfim desligadas,
o sol começa a amanhecer.

Noite adentro jogo minhas preces,
de maneira a pedir por pessoas que gosto,
por nomes desconhecidos que vêem à minha mente,
por Josés que procuram seus pentes,
para que possam ir trabalhar.
Por prostitutas e por meninas ingênuas,
que choram quietinhas,
se deixam suas lágrimas timidas a borrar suas faces.
Oro pelos que dormem,
pelos que morrem para que sintam menos dor.
Oro para que reacenda a vida,
nos que desistiram do amor.

Essa é minha vida,
muitos julgam outras coisas,
mas ela é só isso mesmo.


David Weydson

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Do Escritor




Eis que os gemidos ja são ouvidos por milhares,
o que eram pra ser lágrimas sozinhas virou um palco,
e o pierrot sorriu timidamente,
enxugando suas lágrimas,
assoando seu nariz...
Quem diria que momentos assim poderiam,
fariam ele mais feliz...

A plateia jogou tinta em sua cara,
sua lágrima foi borrada,
a peruca caiu,
a dor sumiu...

... obrigado leitores por acompanhar minhas dores,
sorrir com meus amores,
acompanhar meus rumores correndo por minhas máscaras...
Obrigado atores por de minhas poesias participar,
obrigado senhores que observei para me inspirar.

Obrigado Vida...
Por ter me dado lápis papel e circunstâncias,
pela minha miscelânia.
Obrigado aos que me inspiraram...
Obrigado à lua a invadir minhas noites para que venha a escrever.


Pierrot Weydson