face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Adios Nonino

Seria um Pecado não colocar esse video...
Impossível não sentir a alma dela

Só uma frase...

sabe o que me dói?
...é chegar na clarineta e ver que minha alma não é mais aquilo
toco pq sei... não pq sou

não mais...
ja fui feliz como uma clarineta, agora sou refinado, amargo e preciso.


David Weydson

domingo, 28 de agosto de 2011

Linhas Passadas


Lembra quando tudo era simples e você não se preocupava com o amanhã?
Quando você só queria brincar e se encolhia na blusa quando tinha frio,
Quando ria tomando chuva,
abria a boca para engolir as gotas...
bebia água do chuveiro por que era quentinha.

Lembra quando por nada você sorria?
E seus dentes de leite caiam?
E quando sua boca era vazia?
só janelas... janelinhas...

Lembra quando você não tinha medo do futuro?
Só tinha do escuro e uma lâmpada resolvia...
Lembra quando você não dormia e assistia televisão?

Lembranças que iluminam a visão...
Arrancam lágrimas em plena solidão que ja não dói,
Sigo e medito no que é passado...

O passado que muitas vezes matei, hoje o revivo...
Um grito de esperança ecoa no infinito...


David Weydson

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sem motivo aparente as nuvens encobrem o sol e a lua,
os mesmos sabem que se elas se movem são por um vento que eles não vêem,
nem sentem...
nem nunca cheiraram...

Quem sabe todo esse impedimento tenha algum propósito...
agora eu não entendo nada...

Estou muito entediado e mal humorado pra continuar,
mas vou forçar...
quem sabe saia algo disso daqui...

Nem o brigadeiro fez efeito,
ainda bem que ouvir Janis Joplin me ameniza...

Sem imagem...
sem título pensado,
só palavras jogadas num estrado,
nesse estrago de vida...

Uns comemoram com álcool,
outros com cigarros...
creio que nem isso me sacie...

Sou viciado em querer viver...
mas essa abstinencia não tem solução,
ja que vida é algo raro...

Uns a extraem de aventuras,
outros de amores...
eu to pouco me fodendo...
sou entediado demais pra seguir passos gastos.

Sou um preguiçoso nato,
que só quér ver nuvens de dia,
e estrelas...


David Weydson

sábado, 13 de agosto de 2011

Atlas


Na curva das minhas costas está o julgamento dos anos,
acima delas oceanos,
humanos e depois o céu...

A dor antes era constante,
condenado por um destino qualquer,
e agora vivo por viver,
levando meu peso por te nascido com tal martírio que nem lembro mais de quem era atrás...

Nem da sede me livro pois no maldito Olimpo me condenaram,
a água que seguro é salgada...
A comida é escaça...

E com os braços doridos,
só faço um pedido...

Me chamem de Atlas...
E não de gravidade.


David Weydson

domingo, 7 de agosto de 2011

Oculto


A fome...
a sede que some mas só para outros,
outros que podem beber e comer
enquanto fico aqui com meus lábios colados
implorando para que não veja um prato
e não venha a cobiçá-lo.

As horas correm e o sono não vem,
sozinho...

Eu e meus fantasmas fazendo paradas por simplismente fazer...

O vermelho faz o contraste no preto & branco...
antes nunca tivesse aparecido,
se a cada dia que fecho os olhos perante o sol tal cor não aparecesse...
e a noite os sonhos não trouxessem à memória o que quero esquecer...
...clichê...

Fome...
sede...
vermelho do sangue na pele branca
cabelo preto...
olhar duro e faminto
porém discreto de tão sofrido.

Predador que da presa nunca comeu e viveu por viver,
sua boca é preta
seu fruto branco...

De outra a rotina é vermelha,
o sangue que lateja
na presa...

A fome...
A sede...
o vermelho...
a cobiça e o desejo...

No meu cárcere permaneço,
a noite anoiteço,
e morro a cada dia sem nascer
por falta de cerejas pra comer.


David Weydson

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ambrosia


O tempo corre e em meio ao Caos* do universo
onde fragmentos formam futuramente ventos perante a Névoa Primordial*...
O cosmos cintilava suas cores e suas estrelas, seu abraço rarefeito
compactando e encubando cada pedaço que de Caos escapava...

A noite nasceu e o que não tinha forma começou a aparecer,
de um jeito ja existia mas de outro ainda era criado...
tudo era seco e molhado enquanto do outro lado Eros*
com sua aparição caprichada, porém tardia fazia tudo de um jeito diferente.

A desordem tem sua beleza,
por mais escura que seja,
exemplo vivo é Nix* com sua beleza rara,
sumindo graciosamente usando um suave véu sobre a cabeça para assistir ao universo,
e quando sumia perante o que era sua trilha ficavam as estrelas...

Seus olhos profundos como galáxias anunciavam o futuro,
e eu... sublimemente lhe soprava os cabelos para lhe arrepiar a nuca enquanto suas palpebras crepitavam perante a luz do amanhã...

Um fio de cabelo voou...

Deslizando sobre o vento seu fio caindo foi,
passando pelos fios das Moiras*,
que teciam fios de ouro para um dia usar.

Cloto*... a mais dedicada,
antes de o tédio lhe afetar...
fiava e fiava fazendo tantos nascerem enquanto Láquesis* com suas unhas cor de esmeralda as sorteava com seus passos por mim vistos...
Átropos* ainda despertava...

E o fio corria pelo vento,
e eu soprava os anos...

Depois de muito viajar sua melena de noite repousou no Lete*,
que em suas águas deixava toda memória gravada,
e a alma lavava trazendo os curiosos para as dúvidas e mente vazia...
Mal sabia que era recanto também de deuses...

Com toda sua carga,
todo peso da vingança medida a sangue,
Nêmesis* lá estaria...
colhendo com sua espada uma gota do rio,
misturando com uma lágrima e bebendo do fio que lhe entorpecera,
e a fazia dormir perante as estrelas do firmamento...


David Weydson



Caos: O mais velho dos deses gregos... tinha seus filhos a partir de pedaços seus que "soltava, quebravam, raxavam etc".
Nevoa Primordial:citação à Calígena, que seria a contra-parte feminina de Caos
Eros: Filho de Caos, através da união dos elementos acabou com o caos (por assim dizer)
Nix: deusa grega personificação da noite
Moiras: As 3 irmãs que delimitavam nascimento, destino e morte das pessoas.
Cloto: Uma das moiras, a que fiava e responsavel pelos nascimentos.
Láquesis: A que enrolava o fio no tecido, responsável pelo destino
Átropos: A que cortava o fio, responsavel pela morte
Lete: Rio do Esquecimento.
Nêmesis: deusa da vingança criada pelas moiras junto com Têmis (deusa da justiça)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Recanto das Moiras


Perante seus anos esqueceu que ja não é mais criança,
responsabilidade em uma tacada abrupta...
Ri como bobo ouvindo a outros,
mas é fato que do copo da amargura ja provou.

Batem à porta...
São as idéias a gritar que mesmo com o tempo a lhe importunar,
o coração é seco,
é idade de namorar...

É seco...
É pedra que nunca cheirou chuva.

A chibata estala e o medo do futuro aparece de terno escuro,
lhe entrega a bengala,
o paletó e a cartola...
"Pendure"...
Preparo um chá...
sei que por mais que tenha medo,
e ainda sim um pouco de desconforto terei de lidar.

Ele agora é um hospede até tal momento.

A fumaça de seu charuto mostra voltas belas em um ar parado,
desenha sonhos e pensamentos longe...

"Tem que dar certo... Tem que dar certo!"

A madeira range e a xicara tilinta no pires e ecoa pela mente que vaga,
os olhos amadeirados se tornam secos...

E o âmago cintila.
O tempo passa e tudo fica...
O silêncio constrangedor é afogado pelos pensamentos...
Os olhos se apagam e as madeiras da casa rangem...

A chaleira esfria,
a luz que alumia é trocada pela escuridão da noite,
velas se acendem...
a parafina acaba,
e o escuro vem.


David Weydson