face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sábado, 24 de setembro de 2011

Tedio [?]

Ultimamente as palavras estão todas reunidas em outros lugares,
elas me boicotaram e nomearam a operação de operação tédio...
as poucas que estão aqui... são as que mais tive intimidade,
tiveram dó de meu estado deprimente,
dos meus olhos mortos e meus dedos parados...

O nó na garganta,
o desânimo perante as coisas que estão por vir,
o tempo vago que me enjoa...

Preciso de algo...
e não me venham com conversas otimistas,
pois nasci e sempre serei realista,
a vida não é só felicidade,
e pra que haja contraste...
há a tristeza e a morbidez,
e em meio a escacez vem o alívio,
pois qualquer coisa que vir é bem vindo...
e qualquer texto que surgir,
escrito...
E qualquer um que ler...
não ligo.

Eufemismo que se dane!

Religião,
cor,
não interessa...
Jesus teve seus longos anos cortados na carpintaria,
viveu tanto para apenas uns dias...
estou seguindo a fórmula...
e espero que no final valha a pena.

.-.

domingo, 18 de setembro de 2011

Efêmero


O céu parece tão distante...
as estrelas não são constantes,
a lua é minguante,
e a noite é congelante...

Parece que cada dedo está trancado,
escrever é uma coisa inalcançável,
pois da palavra não entende,
e é tempo de silêncio.

Braços rijos,
mente longe das estrelas,
nos olhos pontos brancos,
brilham centelhas.

A mente acende,
mas a luz não é de todo proveito,
é invertida,
cria sombras absurdas...

Apreciem a Efemeridade da noite,
do vento e do frio,
e quando sentir o arrepio...
não reclame,
feche os olhos...


David Weydson

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Antiquario


Minha alma é velha,
e tudo é muito cheio de pó...
não que me encomode...

Eu fico em silencio,
ouço o ranger da cadeira de balanço,
acaricio a poltrona,
e vejo fotos velhas...

Pensar envelhece...
uns falam que amadurece,
mas antes fosse o mel,
doce e nunca estragar,
agora sou só uma casca a embolorar,
mas até o bolor tem sua beleza,
leveza e delicadeza...

Cochilo sem medo e vou,
passando os anos e vendo a luz que entra pela janela,
deixando aquele faixo de luz centrado,
aquele cheiro amadeirado e pesado,
a janela embassada que me encanta a vista,
e minha roda grande encostada junto ao diário...
uniforme da marinha,
lenço e minha bengala,
meu monoculo,
e a cartola furada...

Era tudo tão vivo...
meu bandoneon patético,
meu gramofone e o disco riscado,
ouço passos...
mas sempre ouço...

Minha mente...
abusei tanto dela que agora ela me prega peças,
e sua alegria está na minha nostalgia sombria e deveras tardia,
ja não posso fazer nada e o café esfria...
Lembro quando não o bebia,
mas agora é só a lembrança da via láctea que vi.
E a lágrima que umideceu meu carvalho que canta nas frestas...

É só mais uma festa regada a champanhe 1917,
ano que penei pra comprar,
nunca reparti com ninguém,
nem nunca vou compartilhar...

Só eu e minha taça,
pois foi o tempo em que bebia da garrafa,
e que dela era escrava,
depois o charuto e o cachimbo...

Agora só resta o domingo...
todo dia é tão igual...

Minha alma ja é velha,
tudo é muito cheio de pó...
não que eu me encomode...

...

É tudo tão velho...

Não que eu me encomode,
mas...
o pó me faz tossir,
de maneira a sacodir os ossos velhos,
e encomodar a respiração de modo velho,
e não mais lembro do que ia falar...

Ahh...
O café...
amargo...


David Weydson

terça-feira, 6 de setembro de 2011

6 de Setembro

As mesmas paredes,
mesmas vozes e mesmo cheiro meu pesado...

Penso tanto pra concluir pouco,
acho que essa é minha sina,
os dias vão gotejando,
e essa maldita piscina que me da até agonia de tão cheia atura cada gota e mais se satura...

Preciso de um deserto para enxergar as estrelas...

Meus móveis rangem no mesmo tom de sempre,
a paisagem parece até uma foto...
quero uma solidão mais solta,
pois isso ja está se tornando uma cadeia.

Talvez quero tanto por não me conformar com o atual estado...
a música patética de circo embala minha vida,
meus olhos pesam e ardem,
o sono é constante... assim como o tédio.

Ja desisti de morrer.


David Weydson