face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Nascimento

No momento de alívio foi consumado,
e foi expulso como que num escarro,
nasceu e chorou por lamentar tal feito...

Ja não bastava seus pais saberem da dor de viver,
da colher de agonia tomada todo dia,
ainda fizeram mais um rebento para rebentar nesse dia cinzento...

É toda dor guardada cá dentro,
toda facada no peito até que vire armadura,
que venha logo a amargura,
e que traga o desespero da separação...

Agora é sozinho...
Não há mais o conforto do ninho...
É aguentar a chuva na cara,
a expressão gasta de cara dorida.

Fazer um "X" em cada dia que passou,
esperando que tudo acabe,
e que mesmo assim tenha a maldição...
... o medo de morrer.

A dor só é dor quando se sente...
e se convive com esse tumor.


David Weydson

sábado, 19 de novembro de 2011

Sede de Mim



"...mas agora eu só choro por ver meu pedaços sozinhos nos cantos"

Quando ele nasceu algo divino o olhou,
sorriu e falou:
"Agora nasce um de alma quebrada...
que vôe aos ventos e cantos,
que se escondam em cidades e oceanos,
que seus dedos virem instrumentos,
e que ele chore por não os ter para que um dia sedento,
um a um os encontrar,
os tocar com todo eros,
todo prazer corporal alí...
e todos ouvirem sua música...

...e poucos saberem que é a sua voz"

Os anos correm,
os olhos fecham...
o coração aperta...
as lágrimas escorrem.

Ai que vontade de ser eu...
mas um eu diferente...
um eu por completo,
parar de ser esse pedaço de gente,
esse meio contente,
ser o todo completo e rente...




David Weydson

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Maldição Purpura


Derramo sobre esse nascido a maldição extrema,
e tudo que for vistoso perderá a cor,
toda vontade não será saciada,
e o tédio o consumirá.
Essa é minha praga,
minha maldição imposta e decretada,
dela não escapará e nem portas achará...
Sua fé será frustrada,
sua vida será vivida no amanhã,
e se contradirá por crer que o amanhã pertence a Deus...

As ações se tornarão lentas,
e quando eram pra ser ligeiras demorarão vidas,
seu semblante em um dia gastará as feições da vida inteira.
Segundos depois de sair das pessoas voltará a ser mineral duro e patético...
Suas vozes te ensurdecerão,
e sua piedade te torturará...
Suas lágrimas farei secar,
e sua garganta travar.
Da pele das pessoas não vai partilhar,
viverá de engrenagens a girar.

Essa é minha maldição,
e que prossigam os dias rápidos em sua vida lenta.
Que os músculos travem de tensão,
e que seus olhos se apaguem antes da morte.


David Weydson

21:45

Cada dia vai e volta nas rachaduras da vida,
e por ter gastado todos os rostos que tinha só me resta o estado duro...

Ja fui urbano,
ja fui bucólico,
agora sou só um pedaço de carne andando por aí,
com chamas pretas nos olhos,
enquanto uns crepitam por sentimentos,
crepito desejos...

domingo, 6 de novembro de 2011

23:47 LMD

Não entendo...
eu sou simpático,
sorrio fácil,
mas não passa de costume.
educação...
sei ser engraçado mas ainda sim não passa de educação
"Seja bom pras pessoas filho"
Meu estado mais confortável é o sozinho...
quando eu sento comigo mesmo,
uma cadeira rangendo e um sofá marcado no assento....
mesinha marcada do mesmo copo,
olhar longe...
comentários inúteis...
fora as conversas filosóficas e pensamentos um tanto perdidos por dois iguais falarem.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ártico e Asfalto


São seis meses de escuridão,
só as temperaturas apostando corrida,
quem é a mais baixa,
e que mais faz sofrer aos que tem vida...

Aos poucos o tempo aquece,
e se esquece de todo frio,
mas logo por um fio
a felicidade se esvai...

Desejo mais atos do que pessoas,
a vida pode ser boa em um universo paralelo...

Muitos que aqui passam vem com sede,
de ler o que nunca leram em busca das mesmas respostas que procuro.
(não estou em condições de me organizar)

Lêem páginas e páginas da minha vida,
e depois saem,
seguem suas rotinas,
e eu fico usada,
molestada em uma estrada...
mas é assim mesmo.

Forço um sorriso,
bebo licor de cassis...
quem sabe em uma curva de vida saiba o que é ser feliz...

Deixe de me privar,
deixe de me ignorar...
e volte ao primitivo,
e que não seja furtivo.
Só viva...

Faz frio aqui,
água não me falta,
sol e um deserto de imensidão absurda,
preferia a vegetação da tundra...
preferiria outro algo...
um menos amargo.


David Weydson