face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sem Tino

Tão inconstante para seguir um padrão,
ora sim ora não,
vezes pomba,
outros cão,
vou pairando em meio à silêncio e multidão,
oscilando entre sorrisos e a face nua,
nem minha,
nem sua...
Ela é somente máscara crua que alimenta o pudor.

Silêncio...
entre seus esquecimentos esqueço a mim também,
quando me procuras, mesmo que por vaidade,
colocas combustível na vela e a porta encostada sem tramela,
escancara a ela e a janela,
fazendo todo vento novamente soprar,
e eu fico a rezar pedindo novamente que a feche,
meu estado principal é o escuro,
pois é nele que encontro a luz,
E assim me livro do que queima,
e a seiva escorre de maneira igual e contínua...

Inconstância assídua,
vem sem deixar e vai sem fim lembranças,
e tudo vai se fragmentando e aos poucos arruinando,
mas logo se recompõe,
e entra nesse momento cíclico amaldiçoado,
onde a taça sempre quebra,
sempre assusto,
sempre o mesmo corte,
o sangue sempre sugo,
e tudo se repete ao gosto do ferro...

Eu erro todas as vezes pela taça estourar,
e lamento sempre, por ter bebido à ponto de não consegui-la segurar.
Mas é tarde e a noite corre...


David Weydson





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Picadeiro Brasileiro

A solidão é por toda completa,
e há pouca platéia pra muito picadeiro,
vejo os palhaços,
aceno para conhecidos,
e de boca selada eu sigo vendo os movimentos banais.

O leão aparece voraz,
mas o vi na jaula chorar,
o elefante todo triunfante,
com seus truques brilhantes,
apanha para no palco sorrir.

A equilibrista vive de corda em corda,
chorando pelas quedas mas sempre está bamba com sua sombrinha,
pois não só sua cara ardia...
e sim suas pernas.

Um circo tão banal, procuram risos dos artistas falidos,
mas só há cheiro de alcool e rostos encardidos de maquiagem velha,
a assistente com doença venérea,
escorrega no aborto e atira o filho,
o canhão com um arroto arranca os fios que prendem as marionetes,
e caem no bege da serragem também velha.

Sorrio com o mais patético domador,
que manda somente em leões dopados,
o engolidor de facas não mais engole acusado de plágio...
mas são todos iguais...

Entre os animais e os bichos já não existe mais diferenças,
e todas suas crenças são infundadas,
quanto à pouca platéia logo se irrita,
e sai dessa sina, só vai por que é preciso.

E o dono do circo é que se encanta,
pois enquanto os escravos trabalham ele que esbanja,
e some por um mundo sem circos,
assumindo seus riscos,
vivendo numa terra de eus.


David Weydson

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Uns tem seu coração entregue à pessoas,
lascívias...
mas o meu sempre foi diferente...

Encontrava sua batida no compasso do metrônomo

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Dopado

Pego meu relógio,
com as bolsas dos olhos cansados,
a mão trêmula abro o tampo,
e vejo que mais um dia começou.

É tudo denovo,
ponteiro correndo pelo mesmo encontro,
correndo para logo voltar,
e logo me ceifar mais um dia de paz.

Segue em ciclos malditos,
volta a ferida sarada,
cansada de tanto ferir...
e vem os desejos,
anseios e almejos...
de tudo ruir.

Quem sabe assim a minha sede cesse,
mas para isso outras preces terei de fazer,
desatar os meus laços e procurar minhas correntes,
deixar o paraíso e beijar a serpente.

Vontade de seguir para meu antro de paz,
mas esse demonio voraz não me deixa sumir...
quem sabe assim nessa fúria fulgaz,
embora eu seja capaz outro faça por mim.
E mostre assim...
Que justiça é divina.

E tal maravilha só é possível ao celeste,
que não possa igualar.
Porque o futuro à preço de sangue estou a pagar,
e a terra o sorve de todo completo,
o que nas veias era repleto...
agora há só veneno que se espalhou.

Peçonha destinada à pessoa,
atoa fico a programar investidas,
e a cada gole engulo minha morfina,
dopando a vida...
para nada fazer.


David Weydson

domingo, 21 de outubro de 2012

A Sagração do Sacrifício

Há pessoas que são necessárias,
que são levadas ao sacrificio para que o amor ainda exista,
e que ainda haja ternura nos olhares apaixonados,
outros totalmente rechaçados são esquecidos,
banidos de tal sentimento.

Respeite-os...
eles sofrem por não amar,
e lamentam por pouco tocar,
e privar-se dos beijos,
abraços e não entendem sentimentos coletivos,
se privam do recíproco,
pois vivem por si sós...
sendo apunhalados a cada dia pela inveja,
que já é rotina...
vontade repentina do toque...

Elas exalam algo diferente,
uma seiva vermelha de paladar apurado,
gosto enferrujado e cheiro igualmente ferroso,
mas que alimenta e lubrifica por completo o coração,
e a sede de toda luxúria do mundo.

Aos que cedem o sangue,
secam a carne e tudo que bate é só sequidão,
pois o amor no mundo é tudo,
oriundo  da mais refinada pureza,
e tal proeza é destinada a poucos errantes...
com diferenças gritantes seguem olhando os cantos,
revirando... vasculhando estantes,
folheando e procurando traços em comum para ver se é mesmo gente...
Mas se engana,
pois é quase anjo...
só que meio gente...
é de quase todo, Santo.


David Weydson

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A Maldição de Eros

De toda sua beleza,
todo seu ego inflamado,
por Eros foi miseravelmente amaldiçoado...

"Podes ser belo, inteligente e sedutor,
mas não fugirás das torturas do amor...
Basta duas flechas para lhe condenar,
e toda glória tua a mim irão entregar.
Uma flexa de ouro te condena ao amor,
outra de chumbo que o repele.

Por tanto controle preciso,
agindo com tanta minucia,
opitando somente pelas riquezas,
deixando de lado a beleza da carne.
Condeno-te à vagar pela terra,
procurando te saciar,
mas não será possível,
pois o amor de ti irá escapar.

O coração acelera,
a respiração muda,
mas Dafne nunca será tua,
porque assim não pode ser...
estás marcado à sofrer,
para pagar os seus pecados...
por não sucumbir aos seus pecados...
e ser tentado pela dúvida de ser um deus."

Quem sabe sendo eu um réles mortal,
nada disso seria preciso,
mas sendo eu imortal,
tenho que seguir com minha divindade,
e vestindo toda veste de vaidade,
temperada com timidez,
seguir para que talvez,
essa maldita flexa suma.


David Weydson

Cravos

Dentro de minhas fôrmas usadas,
amassadas e queimadas estarei aqui à escrever...
seguindo minhas mesmas rimas,
manias de escrita,
pensamento decrépito.

As negações martelam meus pregos,
e me unem mais à cruz,
mas o mundo me puxa para fora,
a sede do mundo,
a quebra da rotina,
pois no meio de minha sina houve outros batimentos...

Meus moldes contorcidos e repletos de travas,
e de pensar em quebrar alguns grilhões,
mas o domado uma vez liberto só volta a ser cativo após a morte...

E o perigo...
perigo na morte do juizo,
e do individuo que cansou de ser racional...
parte para o lado do mal,
mergulha em espinhos para o corpo coçar...
sangue vertendo sem cessar.

Ossos secos...
e órbitas distantes,
do pecado amante...

A pele arrepia,
os lábios se contorcem,
o corpo responde...
pende para o alívio,
mas ainda tenho que aguentar,
por mais que não sinta vontade de me libertar,
há a curiosidade,
a vontade de que o tédio venha a cessar.

Chora,
canta,
ora,
implora...

Que Deus venha agora,
antes da luz perder...
e me verter por caminhos vergonhosos,
malévolos e cavernosos.

A morte é refrigério aos que vão,
lamento aos que ficam,
mas sou mesmo egoísta...
me deixe ir...


David Weydson

sábado, 8 de setembro de 2012

Progredindo com Coragem


O menino que tinha o coração seco e oco,
apontado por não ter as mesmas fôrmas de absurdamente iguais,
andando chutando pedras, envolto em seu vazio sem ouvir nada além de solidão.

Um programa de final de semana com pessoas que ele ama foi muito além do esperado,
numa tentativa de fugir da escuridão de si mesmo,
ouviu pela primeira vez a voz do seu coração.

E o oco ressoou e atravessou seu corpo como o vento sem parada,
como uma lufada de fogo a cada batida
a secura de seu coração foi encontrada no couro,
nos bachis o membro que lhe faltava
e seu sangue era agora suor.

As emoções explodiam para todos,
mas estava sozinho, estava consigo mesmo...
ouvindo o mundo...
e da solidão veio uma luz forte,
aflorando todas lembranças boas da terra,
crianças nascendo...
sementes brotando...

Logo em seguida viro um oceano,
tudo azul ao som de pássaros numa manhã tenra,
vento, água e vida...
as raízes das árvores a me envolver...

Sou o mundo e sinto os pés em minha pele.

E o mundo passa denovo pelo oco,
pelo couro,
e agora é tudo vindo de mim...
e assim nascem outros corações em outras vidas.
Contidas até verter o novo suor e o sangue correr entre as cordas,
e o couro viver,
o okedo e o shime criarem vida com o Odaiko.


David Weydson

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Paternal

Oi...
bem vindo ao mundo,
gostaria que ele fosse um lugar melhor,
e te recebesse sorrindo,
mas saiba que durante muitos anos,
eu serei o seu mundo.
Te ensinarei tudo o que sei,
ou pelo menos o que você quiser aprender...


Falar, correr, brincar...
farei o possível para te proteger.
Sei que muitas vezes não poderei estar junto a ti,
mas saiba que em ti sempre vivo.
Querido filho...


Virão dias em que ficarei preocupado com sua chegada,
e você me esquecerá,
e depois muito tarde chegará com cara de arrependido,
mas o que me domina é o alívio de ver meu filho em paz.


Sabe...
a vida vai ensinar o que não quero falar,
a dor é ruim mas gostaria dela te privar.
Contarei os dias escuros e vazios que tive,
para quem sabe te motivar,
mas para tí será apenas um sermão chato,
monotono e repetitivo,
pois seu pai ja é de idade,
esquece com frequência muitas coisas...


Depois ficarei um pouco mais lento,
enquanto o mundo todo mudar,
eu já ficarei mais e mais esquecido,
deixado de lado, quando se entregar às paixões adolecentes...

Depois irei embora,
para um lugar que ainda não conheço onde é,
só conheço a dor da perca,
e infelizmente isso é passado por eras.

Você ficará mais homem,
mais seco e sem razão para continuar
até um doce e meigo filho lhe brotar,
e fazer renascer o sorriso no rosto,
viverá só para o ver crescer,
e essa benção repetir,
seguir e consumar.


Abraços do seu Papai e velho amigo.
Minha ultima lembrança foi contigo,
sorrindo...


E a alma foi indo...
fugindo pra outro lugar.




David Weydson

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Alma morta

Cada dia estou mais dentro de mim,
me absorvendo cada vez mais,
o mundo agora é muito vazio,
os rostos que vejo são somente meu rosto em poças...


Voltando à escrita mais natural e primitiva,
tempos em que não tinha tantas rimas,
muito menos artifícios,
ossos do ofício que ressurgem depois de tantos sentimentos.


Se não é minha vida em ciclos...


Os amigos me arrancam sorrisos,
dias nojentos corridos,
sedentos e eu aqui podre de cansaço,
moendo... morrendo.


Sei...
voltei a vomitar palavras,
confesso que não tenho muito orgulho das mesmas,
mas elas são assim...
sujam e borram toda mesa e enebriam mesmo o escritor.


E nesse ardor fica a vontade de ter vida.
Sentir a energia...
Sinto falta de gente,
pois no que sou obrigado pende ao tédio,
labuta...
suor...
Poucos prazeres,
vou recolhendo todos no pó...


Preciso de mais
DE MAIS...
Saciar essa bruta sede voraz que me resseca,
enquanto o tempo defeca seus meses em minhas costas,
quase me assustando, mas não consegue...
pois nem mesmo à essa reação o corpo cede...
Esquece do instinto e fica só o pobre garoto.
Cheio de tanto desgosto...


Até seu instinto está sendo desvencilhado,
jogado aos navegantes do mundo de um homem só.

Deus existe,
mas não o sinto...
ele vive,
mas não no limbo.
Triste fico,
e finco minhas estacas,
a noite será longa,
mas terei que aguentar.
Será tempo de cavar?
E vamos à cova.

...Antes fosse deste corpo...


David Weydson

domingo, 20 de maio de 2012

Semeando esperança

Depois de muito tempo escrevo com lágrimas vertendo de meus olhos,
tais vitrais espelhados crepitando pelo frio e pelo coração...
a esperança está se fazendo presente...
mostra também por presságio que coisas boas virão.
A vida ainda sim será bela.

David

sábado, 12 de maio de 2012

O Maior Segredo do Mundo

Há pessoas que são necessárias,
que são levadas ao sacrificio para que o amor ainda exista,
e que ainda haja ternura nos olhares apaixonados,
outros totalmente rechaçados são esquecidos,
banidos de tal sentimento.

Respeite-os...
eles sofrem por não amar,
e lamentam por pouco tocar,
e privar-se dos beijos,
abraços e não entendem sentimentos coletivos,
se privam do recíproco,
pois vivem por si sós...
sendo apunhalados a cada dia pela inveja,
que já é rotina...
vontade repentina do toque...

Elas exalam algo diferente,
uma seiva vermelha de paladar apurado,
gosto enferrujado e cheiro igualmente ferroso,
mas que alimenta e lubrifica por completo o coração,
e a sede de toda luxúria do mundo.

Aos que cedem o sangue,
secam a carne e tudo que bate é só sequidão,
pois o amor no mundo é tudo,
oriundo  da mais refinada pureza,
e tal proeza é destinada a poucos errantes...
com diferenças gritantes seguem olhando os cantos,
revirando... vasculhando estantes,
folheando e procurando traços em comum para ver se é mesmo gente...
Mas se engana,
pois é quase anjo...
só que meio gente...
é de quase todo, Santo.


David Weydson

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Veleiro

Há momentos em que o tempo não passa de tiques descompassados,
martelados em mente,
e onde o corpo pende doente e latente segue de sorriso no rosto por costume,
talvez também por sintoma...

Começo ditando-lhe o verso-a-verso nesses tempos distantes e sedentos,
sei que pouco a pouco vais entendendo,
e no centro, na cerne da escrita mergulhando,
sendo submerso nesse oceano de histórias de ninguém.
De partes de um escritor que reflete outro alguém inventado,
encontrado em suas entrelinhas,
mas que no profundo de suas rimas encontra a si mesmo,
por tanto procurar.

Da escrita é cativo,
e por tanto, ser ventríloco...
tem olhos paralisados,
distantes e macabros,
inexpressivos por tantos gritos em seus pensamentos longínquos.

Ele é um poço de razão...
e por desconhecer o toque segue puro,
mas ainda sim pouco corrompido,
peca sozinho mas peca...
come, anda e sofre consigo,
sendo digno de grande platéia.

Seus gestos são tão ínfimos,
que lhe estimula a alma,
quando perceberes os olhos estarão a fitar a visão sem foco,
cansados e mortos...

Fecha os olhos e vai descansar...
segue teu mar de sonhos,
pois nele tu ainda pode brincar.
Vai respirar o teu ar,
são poucos os lugares respiráveis na vida...
e lida essa frase fico a pensar...

"O que será de mim sem o mar a me salgar?"


David Weydson

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pena de Cinzas

Acaba que no fim de uma vida,
você espera renascer...
é aquela fenix maldida,
envolta novamente em suas cinzas,
esperando o amanhecer.

Pode durar anos,
pois pouco a pouco vai voltando a ser pó,
e já nem tem forças para preces pedir,
nem pra sorrir,
pois o sofrimento lhe pesa a face.

Segue esse ciclo pedindo renovo,
e como o ovo de Clarice,
a vida é tudo ovo.
Mas o inicio não vem.

Agora só espero o milagre,
volto à minha frase batida,
mantida pelo tédio e pelo empenho das mesmas por mim...
quem sabe assim algo mude.

Sabe aquela puta vontade de viver?
De sentir o corpo todo arder,
mas as regras não podem ser quebradas,
e nessa cadeia selada você segue sua estrada,
como ave calada,
que vê as outras voando,
araras, gralhas e maritacas cantar...
malvadas por tanto me torturar...

Voar...
Só tenho prazer de gastar,
sem muito motivo andar,
comer...
dormir...
algumas palavras vomitar...

Que elas digam meu lamento,
e levem isso à Deus...
e que ele venha a se importar,
venha a agir e não deixe a fé falhar...

Só resta Esperar...


David Weydson

domingo, 8 de abril de 2012

Medo cedo

Quando quase todo passo da vida passar,
tenho medo de me encontrar sozinho...
me arrepender do que fiz e ser rodiado somente por minha dor,
minhas leis, livros e solidão...

Acho que os dias não terão mais tanto futuro,
e isso brecará minha vida de maneira brusca,
pois tudo que sonhava ou poderia fazer já foi feito,
e minha lista está prestes a acabar...

São tantas vidas vividas dentro de uma...
umas melhores e outras piores,
mas qual será que permanecerá?

Será que terei a oportunidade de amar?
Ou vou ser um pobre velho que jura por tudo que é mais certo que o amor não existe somente para rumo à sua vida dar?

Farei sexo por fazer?
beber e viver?
Fumar pra bonito sofrer?

Como será a vida?

É tanta amargura que a garganta até trava,
tanta desventura...
não sei até onde tu atura.

Maldito pessimista,
cético e artista que acredita em milagres...

Sua crença o frustra...
e inunda sua cabeça do proibido...
libido vira loucura e com qualquer rachadura vira uma revolução...
Sendo Ateu e sendo Cristão...
Até que o tédio julgue o justo,
e o juiz escolha o vencedor...
Vou queimando esse ardor.
E me esvaindo com minhas cinzas.


David Weydson

quarta-feira, 21 de março de 2012

Whitechapel 1888

É tanta sede no meu peito,
aquela dor seca bem de dentro,
pedindo para sair,
emergir do meu ser algo que não possui resistência,
mas as consequências seriam devastadoras...

É instinto,
é impreciso e maligno,
mas eu sinto e de tudo me aguça...
Tanto me acusa,
gostaria de um dia tal maldição saciar...
Mas como prevejo,
depois disso seria um penar,
o mar vermelho literal...
Escorrendo entre os labios carnudos,
as mãos e o rosto por completo satisfeito.

Mas uma vez consumado,
quase impossível de ser desfeito,
e isso me levaria à insensatez.
Mas quem sabe talvez...
eu fosse realizado.

Ver nos olhos o que é mais secreto,
observar a vida dando tchau,
os músculos contraíndo pra nunca mais,
e o relaxamento total ganhar...

A artéria não para de pulsar...

O Alívio contamina o ar... o ar...

Agora os pensamentos tomam minha mente,
e deixo de lado as letras.

Que saudade de uma mulher...
procurarei às ruas uma...
que ela seja a mais imunda,
para esse mundo ajudar a curar.


David Weydson

domingo, 4 de março de 2012

Uma Criança com seus hábitos infantis...

De suas roupas coloridas coloque o terno sem medida precisa,
todo preto,
arrume a gravata com precisão,
tire os brinquedos da mochila,
coloque tudo que precisa,
e siga para a estrada da solidão...

Abra mão de amores,
sexo e paixão...
Para satisfazer suas regras,
sua religião...

...

O som do alarido das vozes em sua cabeça te faz surdo de nascença...

A mente não mais pensa,
só vive e vaga,
da obrigação sou escrava...
nem sei mais o que sou.


David Weydson

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

No espelho eu retiro,
minha maquiagem...
meu sorriso e vejo minha cara real...

"Hoje o David está feliz!"

Caprichei no traço e sombreei,
ele ficou mais intenso,
forçado e vivo...
mas sou cativo de minhas correntes da cara,
que me levam à verdade sem demora.

O Rosto tem memória...
e tudo volta a ser como era no começo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Âmbar

Quando o peito encomodar,
e o sorriso deixar a face,
faz de conta que tudo é de mentira,
e nessa ironia segue,
segue a vida antes que ela te amargue,
pois com ela não existe bondade,
é tudo conquistado com sangue, tempo e suor
E se procuras o prestígio,
depois de anos acharão os vestígios de uma vida acabada,
cheia de promessas marcadas,
riscadas pela desistencia...
pode ser antes do que tu pensas,
mas no fim só fica a vontade de ficar.
e com medo procura o ar que te era abundante,
nem um sopro insignificante pra seus pulmões denovo inflar,
é o fim...
é o fim...

mais uma vida virou lembrança sofrida,
de uma sofrida corrida atrás de nada.

humanos pulando,
tentando se agarrar em seus planos,
sofrendo os danos,
e sendo ceifados.

Quem sabe com os anos,
tudo vire âmbar,
e seja âmago cristalino,
sorrisos vertidos,
sofridos...
pendurados em um pescoço fútil,
para a maldição continuar...


David Weydson

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ácido

O mal de pensar muito é que toda virgula vira o silêncio de um ponto final,
e o que antes não era visível,
se torna possível por tanto pensar.

Espero que tudo seja menos racional...
para não me levar a cristalizar,
não ter estalactites em minhas faces pesar...

Com o tempo e bem lento tudo se ajeita,
mas ainda no fundo se queixa do não considerar...

Palavras são facas,
é o jeito que eu sei cortar,
de resto não adianta,
mata e lança feitiços no ar...

Só no encanto vejo amianto que faz minha rigidez envenenar,
somente com o tempo, silêncio, que tudo vai voltar ao lugar.

Sou extremo,
maldito e cuspido,
sem tino vou a noite a atravessar...

Malditas palavras,
que são ditas largas,
pra machucar.

Se falo e lamento é porque da dor também provei,
e sofrendo terei que sorrir e mentir,
pra prezar algo que da firmeza não sei.


David Weydson

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É hora... é hora... é hora é hora é hora...

A ampulheta rodou mais uma vez,
e se desfez um ciclo de tempo,
e os ventos agora são outros,
frios por causa dos lagos e dos montes.

A neblina cobre o vale,
e não cabe mais nos meus fios de tempo,
nem em meus sinos de vento,
muito menos nos meus potes.

O tempo virou e agora é outra sina,
ceifo algo que passou e tomo uma dose de velhice,

Essa crendice de experiência...

peço clemência ao tempo...
que seja bom comigo e que a areia não pause,
pois sua corrida faz parte de minha virada de vida.

Se o vidro vir a quebrar não ligo,
escorrerei para o desconhecido,
e o tempo não mais importará,
o vento será diferente lá.

E se aqui ficar,
irei olhando tudo,
e sem murmúrio ver o que tem a me reservar.

Rir da vida,
chorar do nó na garganta,
vivendo sendo essa eterna criança pura...
e mesmo que a vida seja dura,
terei como dela aproveitar,
ganhar rajadas do vento,
ficar no relento,
e engolir pingos de chuva.
Observar a Lua a me espiar da janela,
acender uma vela pelo luto dos grãos que se foram.
E no outono ser feliz com o vento,
no Inverno crepitar os olhos,
primavera sentir o perfume do ar,
e o verão a me fazer suar e odiar.

Essa é minha vida,
minha rotina e desejos...
que continue o realejo,
e que eu viva no meio tempo do papel e do bico do futuro.


David Weydson

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Impr&vist0

Entre os pontos de uma reticência surge uma palavra inesperada,
tirando toda ordem de sua pontuação.
A regra que seus avós seguiram em vão,
o lamento e a tris,teza surgem por cau!sa do desconh?ecido..estranho.

Tudo é bem !novo,
nada tem um che:iro de conhecido,
se fa..z. ou ñãõ senti,do pouco im.porta.
Desde que aconteça,
e seja travessa mudando o hábitual...
ser anormal enquanto sou calculista.
"Seu tremendo artista"
Ri por contrariar um velho...
que depois de muito lero,
consegue os pontos cravar...


David Weydso.n

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

23%

A inibição foi embora,
o corpo cuspiu o que me devora,
e a visão brincou de pular,
no estômago tudo se revirou,
e acordei com o amargor da vida na boca,
e como uma louca me pus a sorrir,
falar e vagar.

O corpo adormece,
dedos entorpecem,
o rosto é vermelho,
os olhos brilham na noite...

Passos são mais largos,
andar é todo vago,
as idéias pulam da boca,
e na mosca me acertou.

Depois de um tempo o sorriso,
depois do álcool e do visco,
dormi num suspiro de cansaço de tudo.

Da vida,
de ser enganado pelo tempo,
das pessoas a rodear minha solidão.
Álcool, sal e limão.


David Weydson

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Querer da Inveja

De tudo quero,
e quero tudo,
tenho toda sede do mundo,
e nada me sacia,
quero logo toda magia dessa desgraça de vida,
o melhor amor,
tudo ao extremo,
A vida é muito para se ter pouco.

O melhor cargo terei,
se preciso... roubarei,
melhor romance,
comida...
terei...
prometo com um laço de sangue.

As cores do meu lado são tristes,
pois nada tenho a meu porte.
E na vida sigo,
me oprimo,

E terei tudo.
Serei todo mundo...
...E me consumirei.


David Weydson

Luxo, Lascívia, Língua... Luxúria

De um doce vermelho,
picante e provocante em cada gesto,
o fluído que sai da boca,
libido...

O provocar de todo corpo,
não me importa se a homens ou mulheres,
quando és sedento esqueces o pudor,
e cede a pele que é úmida,
a carícia,
manipulação Egipcia...

A boca pede,
o corpo implora,
que a Babilonia seja agora,
pois quero ao máximo me elevar,
exalar prazer,
inebriar o ar.

Quero sentir toda contração,
a boca a queimar,
ser desejado,
cobiçado por Apolo e Afrodite,
ir a todos meus limites.
Gozar de todo centro,
rir da Efemeridade,
acabar com laços...
... é arte.

Um brinde ao prazer,
para não dizer...
...
A mim!


Luxúria Weydson
Decisões me tiram o sono,
deve ser simbólico pela parcela de vida que me é tirada.
E outra criada,
deixando a saudade num homem de costumes bem ditados.

Sozinho na multidão enxergo perfeitamente meu rosto,
e logo é desfigurado pela necessidade de falar,
comunicar pois me é pago tal obrigação,
e com dedicação meu treino mostra perfeição.

Quando encontra os que te lêem deve-se ter atenção,
ser atento aos seus pedaços que só ele vê,
e aprender mais de si.

Estou cansado,
humor cansado...
mas isso é parcela do peso da vida.
Sina maldita que hei de seguir.


David Weydson

Steam

Em um frasco um sorriso insano,
contrastando,
repousando no ponteiro.
E a cada tique que bate,
o espelho do relógio acha tarde,
pois pouco a pouco o vidro afina,
e ao encontro do pontual cede.
E mais, e mais pede,
para que o tempo cesse,
pois ao ruir o frasco liberará algo primitivo,
cativo, doente e sem tino.
Mas na pontualidade corre a hora tarde,
e na memória fica o devaneio,
sem rodeios o vidro muda,
e outra leva vem astúta,
me deixando mais relógio.


David Weydson

Comunicado

Olá Leitores...
Estou escrevendo dessa vez como um aviso a mim mesmo
Farei uma série de textos inspirados nos pecados capitais...
Escrevi mais aqui pra ser uma promessa.

Luxúria
Gula
Avareza
Ira
Soberba
Vaidade
Preguiça

Não sei se seguirei a ordem... mas os proximos textos serão baseados nos mesmos...
E informo também que não postarei mais imagens, quero ter visitas pelo que escrevo e não por imagens bonitas, mesmo que não tenha visitas, sou pois escrevo e não porque copio e disponibilizo... com o tempo apagarei as passadas, talvez... depende do meu humor


Sem Mais...

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O vôo da Borboleta 10/10/10
Pub 24/11/10

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Centenário

Uma caixinha bem definida de gostos,
desejos e pecados,
tudo bem dosado...
forte e molhado pra lembrar de meu elemento.
E no centro do meu âmago há um peso,
que esqueço pagando meu preço pelo que me faz mais leve.

Ele não se esquece que é um homem que bebe só...

Tanto tempo corrido,
sofrido, marcado sem rugas,
Juntas doídas sem o físico,
ele é um velho maldito...
com pouco sorriso.

Escreve por olhar a solidão,
e dia a dia parece mais longe do caixão,
e isso faz tudo ser mais dificil doído,
seu descanso merecido é interrompido pela obrigação de viver.

Preciso logo deixar de ser,
pois o que sou me toma além de mim.


David Weydson

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

María de los Dolores Perpetua

Das faces corre o pior do desespero,
a angustia gritada por paz,
o som do vidro quebrando,
o pedido de socorro,
vergonha...
respiração desregulada de modo a querer,
sendo que mal consegue deter-se em pé...
Não enxerga mais nada pois as lágrimas são malvadas,
cortam a pele revelada e a dor excruciante.

E os olhos lançam lamento,
vergonha alheia e dó porca,
compaixão por lamentar a dor.
O mundo é torpe,
e nesse caminhar muitos ferem seu calcanhar,
choram até o caminho das lágrimas calcificar.

Chora... chora até o mundo acabar,
pois a paz ja se foi,
o amor ruiu,
a fé não existe,
a valeta se abriu...

Consome-te e vire pó para que fácil seja levada,
sua vida já é estragada...
o agora é sem vez,
quem sabe talvez...
a paz retorne.

Mas não abuse...
pois para alguns poucas coisas reluzem,
e tendo uma ja te basta,
não seja gasta pela esperança que nunca virá.


David Weydson

domingo, 15 de janeiro de 2012

Toque do Vento



Sonhei brincando no vento,
pois ventava no que era real,
acordei antes e dormi depois,
ventava...
ventava nos dois.

Tive vontade de vento virar,
pra quem sabe um dia acariciar o mar,
ser tudo de todo mundo,
mas não obedecer ninguém...

O mais perto de vento que chego é tudo que tenho dentro de mim,
sei que ele me entende...
personifico quase tudo,
e pra mim,
tudo é gente.

Converso com estrelas,
sou eterno amante da brisa,
sorrio para lua,
observo de modo humano a rua.

Brinco de ser louco,
e me perco na insanidade,
talvez brinque de ser são...
mas nada disso interferirá.

Não sei por que razão tu leitor me lê...
é curiosidade das minhas páginas de vida?
Será que me ama,
sem ao menos me ver?

Saiba que antes de me amar,
eu já te vi,
te levei pra cama,
te amei no mar,
te toquei onde nunca vais tocar.

Já me separei,
pois estou para acabar,
e deixei meu toque rápido em você,
pois soprei em você
meu ar.


David Weydson

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Alma Cinza


Olhe as juntas secas,
os movimentos limitados e mecanicos,
cheiro de pó e velharia...
o vinil ainda corria,
a agulha pulava...

O toque leve,
e segue a sensação que congela a face,
levam os olhos à cegueira do passado,
o ar pesado que molesta a alma.

Viver beirando a loucura a cada passo de solidão,
salivando e pedindo algo,
mas só tem o não...

Regras são dificeis de seguir,
é tudo muito cheio de não e sim,
nada de contradição...
Ser humano?
NÃO!

Amores,
mocidade,
devassiidão,
é para ser normal?
NÃO!

Sou como que feito em terra rachada,
algo imperfeito,
superficie marcada,
mas foi o que estava a meu alcance.

E antes do alvorecer já é velho,
pois a noite não perdoa.
Não sei se lamentarei isso,
sou meio imune arrependimentos.
Sou todo metades,
e procuro pelo mundo as outras partes...

Isso pode soar divertido,
mas garanto que não é!

Pois parece tudo ser incompleto,
e o mundo se torna repleto de incertezas.


David Weydson