face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

No espelho eu retiro,
minha maquiagem...
meu sorriso e vejo minha cara real...

"Hoje o David está feliz!"

Caprichei no traço e sombreei,
ele ficou mais intenso,
forçado e vivo...
mas sou cativo de minhas correntes da cara,
que me levam à verdade sem demora.

O Rosto tem memória...
e tudo volta a ser como era no começo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Âmbar

Quando o peito encomodar,
e o sorriso deixar a face,
faz de conta que tudo é de mentira,
e nessa ironia segue,
segue a vida antes que ela te amargue,
pois com ela não existe bondade,
é tudo conquistado com sangue, tempo e suor
E se procuras o prestígio,
depois de anos acharão os vestígios de uma vida acabada,
cheia de promessas marcadas,
riscadas pela desistencia...
pode ser antes do que tu pensas,
mas no fim só fica a vontade de ficar.
e com medo procura o ar que te era abundante,
nem um sopro insignificante pra seus pulmões denovo inflar,
é o fim...
é o fim...

mais uma vida virou lembrança sofrida,
de uma sofrida corrida atrás de nada.

humanos pulando,
tentando se agarrar em seus planos,
sofrendo os danos,
e sendo ceifados.

Quem sabe com os anos,
tudo vire âmbar,
e seja âmago cristalino,
sorrisos vertidos,
sofridos...
pendurados em um pescoço fútil,
para a maldição continuar...


David Weydson

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ácido

O mal de pensar muito é que toda virgula vira o silêncio de um ponto final,
e o que antes não era visível,
se torna possível por tanto pensar.

Espero que tudo seja menos racional...
para não me levar a cristalizar,
não ter estalactites em minhas faces pesar...

Com o tempo e bem lento tudo se ajeita,
mas ainda no fundo se queixa do não considerar...

Palavras são facas,
é o jeito que eu sei cortar,
de resto não adianta,
mata e lança feitiços no ar...

Só no encanto vejo amianto que faz minha rigidez envenenar,
somente com o tempo, silêncio, que tudo vai voltar ao lugar.

Sou extremo,
maldito e cuspido,
sem tino vou a noite a atravessar...

Malditas palavras,
que são ditas largas,
pra machucar.

Se falo e lamento é porque da dor também provei,
e sofrendo terei que sorrir e mentir,
pra prezar algo que da firmeza não sei.


David Weydson

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É hora... é hora... é hora é hora é hora...

A ampulheta rodou mais uma vez,
e se desfez um ciclo de tempo,
e os ventos agora são outros,
frios por causa dos lagos e dos montes.

A neblina cobre o vale,
e não cabe mais nos meus fios de tempo,
nem em meus sinos de vento,
muito menos nos meus potes.

O tempo virou e agora é outra sina,
ceifo algo que passou e tomo uma dose de velhice,

Essa crendice de experiência...

peço clemência ao tempo...
que seja bom comigo e que a areia não pause,
pois sua corrida faz parte de minha virada de vida.

Se o vidro vir a quebrar não ligo,
escorrerei para o desconhecido,
e o tempo não mais importará,
o vento será diferente lá.

E se aqui ficar,
irei olhando tudo,
e sem murmúrio ver o que tem a me reservar.

Rir da vida,
chorar do nó na garganta,
vivendo sendo essa eterna criança pura...
e mesmo que a vida seja dura,
terei como dela aproveitar,
ganhar rajadas do vento,
ficar no relento,
e engolir pingos de chuva.
Observar a Lua a me espiar da janela,
acender uma vela pelo luto dos grãos que se foram.
E no outono ser feliz com o vento,
no Inverno crepitar os olhos,
primavera sentir o perfume do ar,
e o verão a me fazer suar e odiar.

Essa é minha vida,
minha rotina e desejos...
que continue o realejo,
e que eu viva no meio tempo do papel e do bico do futuro.


David Weydson

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Impr&vist0

Entre os pontos de uma reticência surge uma palavra inesperada,
tirando toda ordem de sua pontuação.
A regra que seus avós seguiram em vão,
o lamento e a tris,teza surgem por cau!sa do desconh?ecido..estranho.

Tudo é bem !novo,
nada tem um che:iro de conhecido,
se fa..z. ou ñãõ senti,do pouco im.porta.
Desde que aconteça,
e seja travessa mudando o hábitual...
ser anormal enquanto sou calculista.
"Seu tremendo artista"
Ri por contrariar um velho...
que depois de muito lero,
consegue os pontos cravar...


David Weydso.n

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

23%

A inibição foi embora,
o corpo cuspiu o que me devora,
e a visão brincou de pular,
no estômago tudo se revirou,
e acordei com o amargor da vida na boca,
e como uma louca me pus a sorrir,
falar e vagar.

O corpo adormece,
dedos entorpecem,
o rosto é vermelho,
os olhos brilham na noite...

Passos são mais largos,
andar é todo vago,
as idéias pulam da boca,
e na mosca me acertou.

Depois de um tempo o sorriso,
depois do álcool e do visco,
dormi num suspiro de cansaço de tudo.

Da vida,
de ser enganado pelo tempo,
das pessoas a rodear minha solidão.
Álcool, sal e limão.


David Weydson