face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É hora... é hora... é hora é hora é hora...

A ampulheta rodou mais uma vez,
e se desfez um ciclo de tempo,
e os ventos agora são outros,
frios por causa dos lagos e dos montes.

A neblina cobre o vale,
e não cabe mais nos meus fios de tempo,
nem em meus sinos de vento,
muito menos nos meus potes.

O tempo virou e agora é outra sina,
ceifo algo que passou e tomo uma dose de velhice,

Essa crendice de experiência...

peço clemência ao tempo...
que seja bom comigo e que a areia não pause,
pois sua corrida faz parte de minha virada de vida.

Se o vidro vir a quebrar não ligo,
escorrerei para o desconhecido,
e o tempo não mais importará,
o vento será diferente lá.

E se aqui ficar,
irei olhando tudo,
e sem murmúrio ver o que tem a me reservar.

Rir da vida,
chorar do nó na garganta,
vivendo sendo essa eterna criança pura...
e mesmo que a vida seja dura,
terei como dela aproveitar,
ganhar rajadas do vento,
ficar no relento,
e engolir pingos de chuva.
Observar a Lua a me espiar da janela,
acender uma vela pelo luto dos grãos que se foram.
E no outono ser feliz com o vento,
no Inverno crepitar os olhos,
primavera sentir o perfume do ar,
e o verão a me fazer suar e odiar.

Essa é minha vida,
minha rotina e desejos...
que continue o realejo,
e que eu viva no meio tempo do papel e do bico do futuro.


David Weydson

Nenhum comentário:

Postar um comentário