face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Alma morta

Cada dia estou mais dentro de mim,
me absorvendo cada vez mais,
o mundo agora é muito vazio,
os rostos que vejo são somente meu rosto em poças...


Voltando à escrita mais natural e primitiva,
tempos em que não tinha tantas rimas,
muito menos artifícios,
ossos do ofício que ressurgem depois de tantos sentimentos.


Se não é minha vida em ciclos...


Os amigos me arrancam sorrisos,
dias nojentos corridos,
sedentos e eu aqui podre de cansaço,
moendo... morrendo.


Sei...
voltei a vomitar palavras,
confesso que não tenho muito orgulho das mesmas,
mas elas são assim...
sujam e borram toda mesa e enebriam mesmo o escritor.


E nesse ardor fica a vontade de ter vida.
Sentir a energia...
Sinto falta de gente,
pois no que sou obrigado pende ao tédio,
labuta...
suor...
Poucos prazeres,
vou recolhendo todos no pó...


Preciso de mais
DE MAIS...
Saciar essa bruta sede voraz que me resseca,
enquanto o tempo defeca seus meses em minhas costas,
quase me assustando, mas não consegue...
pois nem mesmo à essa reação o corpo cede...
Esquece do instinto e fica só o pobre garoto.
Cheio de tanto desgosto...


Até seu instinto está sendo desvencilhado,
jogado aos navegantes do mundo de um homem só.

Deus existe,
mas não o sinto...
ele vive,
mas não no limbo.
Triste fico,
e finco minhas estacas,
a noite será longa,
mas terei que aguentar.
Será tempo de cavar?
E vamos à cova.

...Antes fosse deste corpo...


David Weydson

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