face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Veleiro

Há momentos em que o tempo não passa de tiques descompassados,
martelados em mente,
e onde o corpo pende doente e latente segue de sorriso no rosto por costume,
talvez também por sintoma...

Começo ditando-lhe o verso-a-verso nesses tempos distantes e sedentos,
sei que pouco a pouco vais entendendo,
e no centro, na cerne da escrita mergulhando,
sendo submerso nesse oceano de histórias de ninguém.
De partes de um escritor que reflete outro alguém inventado,
encontrado em suas entrelinhas,
mas que no profundo de suas rimas encontra a si mesmo,
por tanto procurar.

Da escrita é cativo,
e por tanto, ser ventríloco...
tem olhos paralisados,
distantes e macabros,
inexpressivos por tantos gritos em seus pensamentos longínquos.

Ele é um poço de razão...
e por desconhecer o toque segue puro,
mas ainda sim pouco corrompido,
peca sozinho mas peca...
come, anda e sofre consigo,
sendo digno de grande platéia.

Seus gestos são tão ínfimos,
que lhe estimula a alma,
quando perceberes os olhos estarão a fitar a visão sem foco,
cansados e mortos...

Fecha os olhos e vai descansar...
segue teu mar de sonhos,
pois nele tu ainda pode brincar.
Vai respirar o teu ar,
são poucos os lugares respiráveis na vida...
e lida essa frase fico a pensar...

"O que será de mim sem o mar a me salgar?"


David Weydson

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