face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Cravos

Dentro de minhas fôrmas usadas,
amassadas e queimadas estarei aqui à escrever...
seguindo minhas mesmas rimas,
manias de escrita,
pensamento decrépito.

As negações martelam meus pregos,
e me unem mais à cruz,
mas o mundo me puxa para fora,
a sede do mundo,
a quebra da rotina,
pois no meio de minha sina houve outros batimentos...

Meus moldes contorcidos e repletos de travas,
e de pensar em quebrar alguns grilhões,
mas o domado uma vez liberto só volta a ser cativo após a morte...

E o perigo...
perigo na morte do juizo,
e do individuo que cansou de ser racional...
parte para o lado do mal,
mergulha em espinhos para o corpo coçar...
sangue vertendo sem cessar.

Ossos secos...
e órbitas distantes,
do pecado amante...

A pele arrepia,
os lábios se contorcem,
o corpo responde...
pende para o alívio,
mas ainda tenho que aguentar,
por mais que não sinta vontade de me libertar,
há a curiosidade,
a vontade de que o tédio venha a cessar.

Chora,
canta,
ora,
implora...

Que Deus venha agora,
antes da luz perder...
e me verter por caminhos vergonhosos,
malévolos e cavernosos.

A morte é refrigério aos que vão,
lamento aos que ficam,
mas sou mesmo egoísta...
me deixe ir...


David Weydson

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