face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Dopado

Pego meu relógio,
com as bolsas dos olhos cansados,
a mão trêmula abro o tampo,
e vejo que mais um dia começou.

É tudo denovo,
ponteiro correndo pelo mesmo encontro,
correndo para logo voltar,
e logo me ceifar mais um dia de paz.

Segue em ciclos malditos,
volta a ferida sarada,
cansada de tanto ferir...
e vem os desejos,
anseios e almejos...
de tudo ruir.

Quem sabe assim a minha sede cesse,
mas para isso outras preces terei de fazer,
desatar os meus laços e procurar minhas correntes,
deixar o paraíso e beijar a serpente.

Vontade de seguir para meu antro de paz,
mas esse demonio voraz não me deixa sumir...
quem sabe assim nessa fúria fulgaz,
embora eu seja capaz outro faça por mim.
E mostre assim...
Que justiça é divina.

E tal maravilha só é possível ao celeste,
que não possa igualar.
Porque o futuro à preço de sangue estou a pagar,
e a terra o sorve de todo completo,
o que nas veias era repleto...
agora há só veneno que se espalhou.

Peçonha destinada à pessoa,
atoa fico a programar investidas,
e a cada gole engulo minha morfina,
dopando a vida...
para nada fazer.


David Weydson

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