face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sem Tino

Tão inconstante para seguir um padrão,
ora sim ora não,
vezes pomba,
outros cão,
vou pairando em meio à silêncio e multidão,
oscilando entre sorrisos e a face nua,
nem minha,
nem sua...
Ela é somente máscara crua que alimenta o pudor.

Silêncio...
entre seus esquecimentos esqueço a mim também,
quando me procuras, mesmo que por vaidade,
colocas combustível na vela e a porta encostada sem tramela,
escancara a ela e a janela,
fazendo todo vento novamente soprar,
e eu fico a rezar pedindo novamente que a feche,
meu estado principal é o escuro,
pois é nele que encontro a luz,
E assim me livro do que queima,
e a seiva escorre de maneira igual e contínua...

Inconstância assídua,
vem sem deixar e vai sem fim lembranças,
e tudo vai se fragmentando e aos poucos arruinando,
mas logo se recompõe,
e entra nesse momento cíclico amaldiçoado,
onde a taça sempre quebra,
sempre assusto,
sempre o mesmo corte,
o sangue sempre sugo,
e tudo se repete ao gosto do ferro...

Eu erro todas as vezes pela taça estourar,
e lamento sempre, por ter bebido à ponto de não consegui-la segurar.
Mas é tarde e a noite corre...


David Weydson





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Picadeiro Brasileiro

A solidão é por toda completa,
e há pouca platéia pra muito picadeiro,
vejo os palhaços,
aceno para conhecidos,
e de boca selada eu sigo vendo os movimentos banais.

O leão aparece voraz,
mas o vi na jaula chorar,
o elefante todo triunfante,
com seus truques brilhantes,
apanha para no palco sorrir.

A equilibrista vive de corda em corda,
chorando pelas quedas mas sempre está bamba com sua sombrinha,
pois não só sua cara ardia...
e sim suas pernas.

Um circo tão banal, procuram risos dos artistas falidos,
mas só há cheiro de alcool e rostos encardidos de maquiagem velha,
a assistente com doença venérea,
escorrega no aborto e atira o filho,
o canhão com um arroto arranca os fios que prendem as marionetes,
e caem no bege da serragem também velha.

Sorrio com o mais patético domador,
que manda somente em leões dopados,
o engolidor de facas não mais engole acusado de plágio...
mas são todos iguais...

Entre os animais e os bichos já não existe mais diferenças,
e todas suas crenças são infundadas,
quanto à pouca platéia logo se irrita,
e sai dessa sina, só vai por que é preciso.

E o dono do circo é que se encanta,
pois enquanto os escravos trabalham ele que esbanja,
e some por um mundo sem circos,
assumindo seus riscos,
vivendo numa terra de eus.


David Weydson