face de david- michelangelo

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A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Picadeiro Brasileiro

A solidão é por toda completa,
e há pouca platéia pra muito picadeiro,
vejo os palhaços,
aceno para conhecidos,
e de boca selada eu sigo vendo os movimentos banais.

O leão aparece voraz,
mas o vi na jaula chorar,
o elefante todo triunfante,
com seus truques brilhantes,
apanha para no palco sorrir.

A equilibrista vive de corda em corda,
chorando pelas quedas mas sempre está bamba com sua sombrinha,
pois não só sua cara ardia...
e sim suas pernas.

Um circo tão banal, procuram risos dos artistas falidos,
mas só há cheiro de alcool e rostos encardidos de maquiagem velha,
a assistente com doença venérea,
escorrega no aborto e atira o filho,
o canhão com um arroto arranca os fios que prendem as marionetes,
e caem no bege da serragem também velha.

Sorrio com o mais patético domador,
que manda somente em leões dopados,
o engolidor de facas não mais engole acusado de plágio...
mas são todos iguais...

Entre os animais e os bichos já não existe mais diferenças,
e todas suas crenças são infundadas,
quanto à pouca platéia logo se irrita,
e sai dessa sina, só vai por que é preciso.

E o dono do circo é que se encanta,
pois enquanto os escravos trabalham ele que esbanja,
e some por um mundo sem circos,
assumindo seus riscos,
vivendo numa terra de eus.


David Weydson

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