face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sábado, 5 de outubro de 2013

Morte do Pierrot



Enfim esse maldito morreu,
já tinha cansado de suas piadas fadadas ao fracasso,
e não tinha mais paciência para as suas lágrimas...

CHEGA...

Ele se foi...
e tomara que nunca volte,

A lembrança de um pierrot,
que se desmaqueou e voltou a ser criança.


David Weydson

domingo, 18 de agosto de 2013

Viagem


Agora vejo o tamanho da maldição que me foi lançada.
As palavras zumbindo aos ouvidos,
me deixando surdo de tanto pensar.

Tantas idéias,
tenho noção de tudo que me rodeia,
sei dos meus defeitos,
dos erros...
mas e agora?

Sei o que preciso melhorar,
mas não melhoro,
vivo manipulando,
mas não me satisfaço.
Sofro calado...
morro engasgado.

É muita dor guardada.
É muita coisa entalada.

Queria ser normal,
fútil e burro...
seria mais fácil.

Tudo aquilo que tenho busquei,
e o que não tenho preciso,
mas parece que necrosei,
e por tentar agir sozinho me espanto.
quebro um pouco aqui e acolá,
para ver se um pouco consigo saciar,
mas em vez de água brotam dúvidas,
dúvidas infindáveis.

Os meus espelhos estão esfumaçando,
e eu estou mais e mais amargando,
morrendo sozinho.

Já não me basto e o que consigo não me ajuda,
só me encaminho mais e mais aos problemas.
Não sei mais me definir.

E antes isso fosse o único problema.
O corpo é cansado,
mas a mente não o deixa repousar,
As palavras não se calam...
ficam a me torturar.

Sou mais vasto do que me imaginei e me perdi em mim,
mais e mais me retraí.
A fé me foi tirada,
a confiança me foi levada.
Nunca estive tão perto do Hades.

A inveja me veste,
a cobiça me atiça,
a luxúria me perfuma,
a gula me apruma,
a preguiça me contém,
a avareza me isola,
e a ira me corrói.

Nunca fui tanto...

Tão absorto em meus pensamentos,
são pensamentos com cheiro de suicídio,
mas esse é figurado,
pois o literal passou à tempos.

Preciso me ocupar!
Preciso me ocupar!!!

Calar minha mente que é viva,
fazer logo um abrigo,
antes que o casulo ecloda.

Estou entre santo e demoníaco.
As linhas estão bem finas.
Deus me ajude...
como vem a me ajudar.
Mas peço mesmo é força para lutar.

Os ossos rangem e são tão frágeis,
é tanto peso para eles aguentarem,
ouço-os trincar,
e a dor fina marca minha face.

É muito peso para pouco corpo,
sou um campo de batalha santo.
Deus e o cão.
Ou sim ou não.

Tanta confusão...

E essa fonte só emana mais e mais,
Dor...
A terra é seca e infértil.
Olho tantos a se deliciar com frutos sadios,
Moldo o pouco de barro que resta,
junto pedra e tento comer,
cuspo e engasgo até quase morrer.
Dói ver tudo seco.

É uma dor diferente,
ela é constante,
não arranca mais lágrimas,
nem nada.
Nasci sem possibilidade de frutificar.

Sou terra seca cheia de pedras preciosas,
mas na hora que a fome assola,
elas não servem de nada...

Tão jovem e tão destruído,
Lembro de Israel,
os profetas choravam,
eu os matava e estou em meio à ossos secos,
esperando insano seu levantar.
Com saudade do mar,
mas é só direcionamento de vontades,
sinto saudade de outra coisa,
de não saber...
confiar e não pensar.
De não invejar.

Invejo a ignorância,
a profunda burrice.
Gente medíocre que vive para ter filhos,
gente que vive pra nada.
Vive bem e na doce ignorância da felicidade.
Se achando livres,
chorando e crendo em qualquer coisa,
chegando no céu mais rápido que eu,
que nem forçando consigo ser simples...

Um entediado de músculos cansados que não tem mais reação,
se sim ou se não pouco importa...
Se espero ou se apresso...
Não tenho pressa.

Acho que no decorrer da vida estraguei,
quem sabe se pudesse repetir,
o conhecimento liberta,
mas faz a mente escrava de si.

Tão sistemático,
analítico...
o mundo não perdeu o seu brilho,
mas pela beleza já ser conhecida se torna acompanhamento,
não é mais audível...

O olhar cai e a mente grita,
mas o rosto permanece,
as máscaras manipulam,
e não sei se ainda sou eu...

Deus se faz presente,
mas ainda sim de seu jeito ausente,
mas ainda sim onipotente,
onipresente...
mas por ter livre arbítrio não faz.

Não questiono mais,
minha cota já deu,
basta de perguntas,
acumularam e elas não movem mais nada.
Não me levam a nenhuma estrada.

Está entardecendo,
esfriando.
A luz vai pouco-a-pouco minguando.

Fico parado,
olhos procurando ver,
mas não vejo.
Procuro sentir mas não sinto,
é um desconhecido que não havia,
mas agora me sorveu,
trevas...

Deus está fazendo sua parte,
sei que está!
Mas será o suficiente para me salvar?

Procurei preencher o vazio,
momentaneamente consegui,
não me valeu.

Ser tão egoísta é nojento,
sou vida de outros à mim investidas também,
Sofro calado para não magoar,
para não matar a vida que fiz nascer,
para não fazer sangrar o que já estanquei,
que tudo se concentre em mim,
pois creio que esse é meu calvário.

Agradeço pelos momentos de alívio e por ver olhares que me ajudaram,
Aos que carregaram minha cruz quando não mais conseguia prosseguir.
Fui crucificado por amor,
muita dor mas o fim valeu à pena.

Morri para que tivesse vida,
e vida em abundância.

Peço perdão pela ousadia,
mas quando disse isso a misericórdia me cobria,
e em meio a dor meus olhos abriam.
E o dia amanhecia.


David Weydson

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Doença de Apolo




















E tudo foi secando pouco-a-pouco,
o orgulho afastando dia-a-dia um do outro,
o sorriso que antes pendia deu lugar ao rosto neutro.
Os tempos antes tão apaixonados trocados pelo lento pensar.

Medir os passos,
medir a vida e ver que nasceste para viver sozinho,
o vazio que te encontrava foi sanado,
era falta de corpo,
de desejo e acúmulo de juras.

Como em uma ejaculação tudo eliminei,
as melhores palavras,
os melhores beijos e as melhores mordidas,
tudo se foi em alguns minutos intensos e agora o corpo pende relaxado,
um corpo pesado...
pós-orgasmo.

...

Tudo foi tão bem dosado,
para ver como era,
mas a vontade havia,
um desejo ardia que parece já suprido.

Após sentido separam-se almas gêmeas,
para procurar outras a quem amar,
outras à desistir por ser tão inconstante,
se namorado ou se amante,
não importa...
sendo tão inconstante sou feito de pedra.
Mas consegui aquecer o que queria,
sentir que ainda há pulso.

Agora... de volta meus dias,
pausados,
regados à chá quente,
conforto caseiro,
voltar à tocar,
a sorrir e torcer para que dentro de mim,
ainda exista fé.

Viver como sempre vivi,
mas mudando aqui e ali para ser minha obra prima.
Viver minha sina.

Sozinho.


David Weydson

domingo, 28 de julho de 2013

Para Marcar o que já foi meu cabeçalho

Aos que correm sem saber por onde ir, e os que deixam suas melenas ao relento... aos que apreciam a lua e vivem no vento.

Bem vindos ao circo do Pierrot
do autor um sorriso e uma flor.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Ícor

Há sempre aquela súbita vontade de falar ao mundo,
de deixar expresso mesmo sabendo que não irão ler...
mas é um capricho meu...

Uma escrita totalmente íntima que não busca retratar nada além de mim,
mas o mais engraçado é que assim consigo achar outras pessoas,
abracei o mundo e seus odores,
e mesmo dentro de mim retrato outros mil amores.

Retrato pessoas que vivem para morrer,
as vezes algumas que buscam liberdade,
mas mesmo assim...
escrever não me traz saciedade.

Antes bastava algumas linhas para me suprir,
mas agora nem assim eu consigo me realizar...
Falta...
Falta...

Linhas de pensamentos meus condensados,
linhas vivas de outros...

Minha escrita tem muita forma...
Falta corpo.


David Weydson

Sucinto

É tanto à escrever,
mas a vista embaralha...
foram acrescentadas outras cores visíveis,
como vêem as abelhas...
Não há como definir,
pois somente eu vejo.

Não é possível imaginar,
e tanto aconteceu que minha escrita virou um diário,
escrito mentalmente por falta de papel,
por falta de tinta no bico da pena.
Os olhos desfocam e vai surgindo...

A mente perturba tanto,
tenho logo que ela ocupar...
pois agora o que ignoro,
é para continuar a levar...
à fazer o que me é estranho,
mas necessário...

A curiosidade humana e a busca de preencher suas lacunas...
fazemos tanto por isso...
Mas e se nascemos para sermos incompletos?
Estarei eu tentando ir contra a criação?

Pensamentos sublimando de maneira tão rápida e efêmera,
que fique pelo ar mesmo...
pois escrever muito não dá...
Por mais que sinta muito.

Estou sem palavras,
todas parecem se acotovelar,
e nada sai da boca,
dos dedos...
E cristaliza a intenção...
Um grande cristal de nada.
Bonito mas sem nenhuma utilidade.

É tudo vaidade.


David Weydson

quarta-feira, 12 de junho de 2013

So weak, poor child



Achava estar vedado,
intocável...
era assim que ele se intitulava...
mas sua mania de grandeza o sorveu...
e de repente apresentou-lhe outra face de seu eu.

Uma face rosada aflorou de uma faceta cinza,
uma que pulsa e de pensamentos nada duradouros,
curtos como lufadas de brisa marinha...

É até milagroso tudo isso organizar...
vamos Hermes...
mensageiro dos deuses...
terá que me ajudar.

Certamente os paradigmas foram quebrados
e agora o que brota é uma florzinha singela bem determinada,
toda empenhada em florescer nessa terra de asfalto.

Sinto o frescor de seu orvalho,
mas ainda não é tempo minha cara...
sufocar-te-ei...
não é tempo de nascer ou embelezar algo,
não são tempos de orvalho...
tudo aqui é muito regrado...
são tempos tempestuosos e a poeira da construção ainda sobe...
não são tempos de jardim...
as coisas são assim minha cara...
são sim...

Mas no seu ultimo suspiro lembre...
um dia essa construção terá fim.

Se tudo valeu ou não a pena eu agora não posso dizer,
acredito no que vejo e agora não consigo discernir muito as formas,
os cômodos ou coisas do tipo...
só vejo a fundação...

Guarde sua semente,
ache que a mesma está seca,
minta até acreditar...
até novamente ela brotar,
e te forçar à ignora-la,
até não mais aguentar e dela brotar um mar de verde,
de colorido...
e ver o azevinho e o visgo dando razão às datas festivas.

Hoje não.


David Weydson e Mayara Vergínio


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dissecação de Eros

Instruções para leitura: Deixe a música carregar... beba um pouco dessa incrível música e leia seguindo seu ritmo. A música deve dar até o fim do Roxo



Indigo será com a música seguinte. E quando o texto acabar deixe a música te embalar até o fim.




=====Vermelho=====


As coisas estão diferentes entre nós...
Antes era só dor,
tristeza, cansaço e angústia.
Agora eu tenho ânimo para continuar.

Levanto e ando mais,
me visto com uma finalidade,
escolho detalhes e o olhar se iluminou.

Mas logicamente vejo o erro...

O desejo,
o amparo,
a carne acorda e arrepia,
enrijece, amortece,
a mente entorpece.
Mas isso é errado.
E por não errar estou empolgado,
Sinto falta de viver.

Encontrei outros braços,
físicos...
O subjetivo satura,
procuro e encontrei...

Não tem conhecimento que dê a sensação de minhas borboletas...
que me estampe o sorriso e a cor no rosto.

Quero muito me aproximar,
pois aquela coisa de "que tu me completa",
infelizmente é uma mentira muitas vezes contada.
É jargão.

Vou correr pela primeira vez atrás da felicidade,
e parar de embelezar a dor que é feia.
Era tudo que eu tinha...
não mais.

Quero o toque da pele,
os fluídos,
as promessas e o arrepio.
O medo gostoso de fazer algo escondido,
e mostrar os pontos fracos.

Estou sendo egoísta...
matando outros em meu benefício...
Já fui muito muito,
mereço alívio disso!



=====Roxo=====


Quero te encontrar urgente,
mostrar meu desespero pelo corpo,
fingir dor com tesão,
para ver se saio logo da solidão.

Se sentirei algo.
se o significado de tudo encontrarei,
se sexo é prazer ou desespero,
e delimitar a diferença dos mesmos.

Se o proibido vale mesmo a pena,
quando a dor não é pequena...

Um dia...

Procuro agora a loucura,
pois a sanidade não me vale de nada,
minhas amarras matam-me dia-a-dia...
Quero ver se teu gosto tira minha agonia.

Ela é maior que eu...

Vi que não acredita no calor pois o que vive é o frio da madrugada,
enquanto me engano buscas a verdade,
entramos em consentimento quanto à vaidade.
Quanto ao desejo do corpo,
quanto à dor e as curiosidades.

Vamos seguir entre dor e futilidade,
quero me testar e te usarei,
amei... mas por ser covarde deixei...

Sentimentos necessários para a vida,
tempera um pouco e segue...
uma dose de mentira e mistério...
Embala pra viagem?

...

Tudo tão fútil e tão clichê,
mas se à minha carne não ceder
a vida não terá muita importância.
Já nasci pra nada e busquei não errar,
mas creio que isso foi maior que errar.

Não preciso de muito,
diversão e irresponsabilidade...
comida insossa com pimenta,
a boca arde mas não a refresco.
Chega dessa vida de tédio.

=====Índigo=====



Tudo acontece tão rápido,
o desejo, a mentira e o escarro.
O imaculado corrompido,
A fuga do amargo.

Tudo pareceu tão tentador,
a juventude parecia certa,
mas o que era foi o desejo reprimido,
preso, encarcerado íntimo,
me deu o ar da vida
e como a brisa evaporou...

Alguns dias sem ar,
outros jurando mundos,
mas pouco a pouco fui voltando ao que sempre fui.

O rosto desiluminando,
o sorriso se esvaindo,
o coração compassando...

...

O molusco retornará à sua concha,
pois sempre que tenta sair se assusta com o mundo,
continuará a cultivar suas pérolas no conforto de si mesmo,
vai levando...
filtrando... lembrando,
até novamente se esquecer,
e do esquecimento sorver.
Fazendo-o virar paisagem.

O sorriso frio aparece,
o olhar distante e baixo...

O sol se foi,
as nuvens estão laranjas...
vermelhas...
roxas...

Anoiteceu




David Weydson

terça-feira, 7 de maio de 2013

Conflito


















Há momentos em que o chão some,
e tudo se consome em dúvidas infindaveis.
Onde não se sabe a que polo pertence o bem e o mal,
Pois tudo aprendido agora se torna banal.

Os polos se invertem,

o corpo adverte com tremores,
ardores... que tudo isso é de importância vital...

Nem devia ser mexido,
mas, uma vez movido é difícil reajustar.

O justo partilha a sombra do injusto,
o misericordioso ceia com o antipático,
e por trás de cortinas finas eu só vejo silhuetas...
... não há distinção

Não sei o que é certo e o que não,
Se é Deus ou o cão,
se é transferência de poderes ou criação.
Tudo parece vir do mesmo caminho.

É como o recital de uma vida,
as luzes à me ofuscar,
e depois dos aplausos calorosos,
A festa dá espaço ao velório,
e vejo todos mortos com o fedor à contaminar o ar.

O brilho dá lugar ao espanto,
a festa ao luto.
A sanidade não passa de um mero detalhe agora
Por que fazes isso?
Por maldade ou vaidade?
Não socorres por que?

Nada me faltará?!
Pois que me venham as respostas então!
Pedi Pedi, dar-se-vos-à?
E se já for tarde,
e nada mais importar?

Parece as vezes que o tempo passado por mim não interessa muito.
Para quem brinca com os milênios isso não deve ser muita coisa mesmo...
Esqueces que sou tão temporário que um ano conta muito?

Subitamente a distância do trono e dos camponeses parece tão distante,
algo tão acessível se tornou tão austero.

As orações são como gritos triturados pela rouquidão...
Abafados e sem paixão,
só rezo o que foi decorado,
o que é de praxe.

Os dias parecem não ter tua interferência,
o vento sopra, mas não te sinto.
E lembro do salmista a te procurar.
Tu não estavas no vento,
na chuva,
no mar...
Simplismente não estava nos dias de aflição.
Lembro quando abandonaste Jesus...
Será uma prática?

Atiro minha dor em ti,
pois quero que também a sinta.
A sofra...
Se estou mutilado pois que perca também,
um membro,
um braço...
E entenda que as coisas não são fáceis pra mim.

Não gostaria de ter chegado a tal vertente,
de duvidas de minha fé...
mas sem motivos para acreditar,
a lógica vem a me torturar,
e tudo faz sentido...

Não tenho argumentos para contestar,
mas quem sabe há de haver alguma prova...
mas não há.

Tudo são histórias,
o que para ti são memórias,
não é tão fácil assim acreditar.

Mas vou seguindo do unico jeito que sei,
e um dia talvez tudo venha mudar.

Ou meu alicerce ruir,
e será culpa minha,
pois dessa responsabilidade se excusa,
e atira-a para que eu possa levar.
Quando a cruz pesa e eu caio há poucos que me à ajudam levar.

E ironicamente parece que cobra a dívida antiga,
como se também a precisasse saldar.

O massacrado mutou,
carrasco virou.
E tudo por minha culpa.
Sempre.


David Weydson

domingo, 31 de março de 2013

Cíclico


Você sabia tudo o que era,
agora olha pra essa vastidão e se assusta,
o corpo virou um mundo
onde você vive várias vezes a mesma vida.


Não sabe mais se definir,
encontra tantos rótulos em pessoas,
e você não é nada...
não se encaixa mais em nada,
é só uma vastidão vazia.

Com milhares mas sozinho,
porque todos são eu...
E as paisagens são estranhas,
e no fundo das entranhas...
ele se perdeu.

Uns vivem por sexo,
outros por dinheiro,
procuro viver porque tem que viver,
e não acho razão pra levantar totalmente feliz.

Tenho o básico,
e um pouco além...
tenho coisas que muitos nunca terão,
mas o conhecimento me seca a cada dia...

É belo,
sim... concordo,
mas mesmo assim,
a ignorância não parece de todo ruim.

O significado de tudo é tão lógico que chega a ser vergonhoso,
vivem para amar,
depois vivem por ter que manter o que o amor deu,
logo mais amariam não ter o fruto do amor,
e amam amar outro...
amariam não amar...

E eu sou neutro,
penso com  meus botões,
rio de coisas simples e sou simples,
mas por ser tão sucinto não me encontro,
em nada e nenhum recinto.

Tudo falta parte de mim,
e não me empenho para ser naquilo completo,
sou tudo e repleto,
simples, abstrato e de certo,
a personificação de justo, moral e reto?

Vivendo em meu mundo o que vem de fora não dita as regras.

Anoiteço sem o relógio correr,
grito sem ter que sofrer,
e fico sem ter que parar.

Sentido não há,
em pensamentos soltos e uma vida sem muita definição,
não tem sim e não tem não,
olho pra um tino e continuo seguindo,
doentiamente,
um dia atrás do outro e chorando sentindo saudade do mar,
mas sem nenhuma gota plantar em minha face seca,
pois parcela do mar foi minha...

É tanto a escrever,
é tanto guardado cá dentro,
o peito encolhe,
a garganta amarga,
mas a plateia só grita:
"Engole"

Segue que amanhã é dia de repetir o ciclo,
e seguir o mesmo ritmo das músicas que você odeia,
mas essa sinfonia azeda ainda vai tocar,
até que chegue o futuro de que tanto ouvi falar...
e que depositei a minha fé quase toda,
meio louca já fiquei,
mas já voltei à minha sensatez...

Os filhos que pari mudaram todo meu mundo,
mas bem no fundo...
são todos eu que fiz,
todos ainda estão dentro de mim,
e nos fim eu vou me acabando.

Procurando e procurando,
sentido da vida e da escrita,
mas que se foda a vida,
e vou me fodendo dia a dia mesmo...

Fazer o que?
Coisas da vida...

quarta-feira, 13 de março de 2013

Sempre Viva



Em minhas linhas secas escoo,
tão seco pra ser humano,
sinto o sangue das minhas veias secarem,
minha pele rachar e meus olhos perderem o fogo.

É tanta vida desperdiçada que sinto falta do desperdício,
é aquele maldito nó na garganta que nunca sai pois não tenho mais lágrimas,
e a tristeza tomando um nível muitas vezes mais profundo.

O que sou vem a pesar,
e ser tão específico dói os ombros,
o fardo levado é árduo...

Se fosse gramas mais comum acho que aguentaria melhor,
mas sendo o que sou é a cada dia a dor de uma morte,
vivo e morro a cada dia,
e já cansei de isso acontecer,
vivo sem florescer,
pois essa flor demora a nascer.

Até que seca...
Mas é eterna


David Weydson

sábado, 9 de março de 2013

Pensamentos Soltos

Quando era criança via os adultos irem trabalhar,
falando que iam trabalhar e achava um máximo,
como se fossem salvar o mundo ou fazer as coisas mais espetaculares da terra...

Quando pensava e expressava meus pensamentos,
já de maneira bem lógica,
e não infantil quanto meu corpo era,
falavam que eu só entenderia mais futuramente,
me excluíam de seu meio por não trabalhar ainda.
Não ter idade...
E julgavam assim não entender...

Não é preciso idade para pensar,
e trabalho nem sempre requer muito intelecto.
Uns fazem a mesma função até se robotizar,
outros ficam trancados em cubículos trocando dinheiro,
mercadorias e seus pensamentos longe...
semblante cansado...

Entrei para o trabalho achando que ia mudar o mundo,
que ia virar um herói...
mas vi logo que só era mais uma máquina que outros mantinham a manutenção com algumas cifras.

Decidi ser humano...
se faço algo serei gente,
pois no fundo não trabalho,
faço o que preciso mas ainda sou eu,
mesmo que não totalmente,
ou ainda de maneira mais clara...

...

Agora vejo atos,
e por ser velho no pensar opino,
mas para alguns ainda sou uma criança...
por não ter sentido a pele não sou digno de razão mas sou todo cérebro,
e isso me basta por enquanto...

...

Adultos são animalescos,
muitas vezes infantis...
falam coisas que em seu meio soa bonito,
coisas para manter seu palco unido.

Para última luz continuar a acender.

Escondem profundamente suas vontades mais íntimas,
e condenam o que são no fundo e o que pedem todo o dia...

O clamor social pede a morte por justiça,
e o matar por um único é injusto...

Procuram uma liberdade tão mentirosa quanto lhe imaginam real,
mas se lhes mostra é um total idiota...

Por medo de pensar julgam como uma massa putrefata nojenta,
e quando o fresco se perde do meio de sua homogeneidade,
ele se torna matéria estranha...
pois todos tem que ser iguais.
E ele é condenado por ser refinado,
por ter seus conceitos bem marcados,
por ser um diamante em meio à rocha.

Por tanto se dedicar ele é melhor,
outros tantos são inferiores e dignos da inferioridade que lhes sorve.

Ainda é possível ir além,
mas é tanto clichê pra pouca ação,
mas vou na fonte e procuro a pureza,
com presteza evoluo do lixo,
do bicho me distinguo e firo sua lei.

Não perdendo minha razão,
seu respeito?
Não quero não...
Degraus são como chão,
servem somente para serem pisados,
e quando passados...
foram em vão.


David Weydson

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Alfa Centauri



Há tanta gente no mundo que por ser tão urbano esqueço,
há outro mundo além das linhas de ônibus que posso pegar,
dos mapas que posso com o meu cursor passar...

Esqueço que há vida e beleza em outros cantos remotos,
pretos e brancos com toda sorte de comidas,
todos seguindo suas sinas,
e eu por ser miseravelmente narcisista,
esqueço que nas rodas caipiras também há artistas.

Sabe...

Invejo as estrelas...
pois elas lá de cima viram e iluminaram a humanidade,
seguiram dia e noite a passagem de tantas vidas,
da simplicidade extrema e absoluta,
até à arrogância totalmente bruta.

Viram paz e viram guerra,
nascimentos e mortes...

E continuaram a nos iluminar...
uns eram totalmente apaixonados por seu brilho,
outros que nunca o viram...

E aqui está um que escreve e fala como se elas fossem vivas...

Creio numa vida além...
uma vida em etapas,
animais são todos explícitos,
correm e gritam suas existências...
Estrelas e a terra respiram, mas poucos reparam em seus movimentos,

Mas os sussurros do celeste eu sinto,
e não minto...
as invejo.

Parece que depois de tanto observar,
milênios passando vocês se cansaram,
e umas brilham só tédio que é totalmente captado por mim...
mas quem sabe assim,
em meus momentos de iluminação,
seja mais estrela que humano,
mais divino que ariano ou africano,
eu prefiro ser o limo de seus pensamentos que pararam de correr.

Alvorecer,
entardecer,
amanhecer,
anoitecer...

Para as estrelas não importam...
só adivinham brincam de percorrer com o olhar o vento,
contar as ondas do dia...

E quem sabe... alguma esteja soprando sua brisa fria à entrar por minha janela,
pois dita meus pensamentos nesse ar que tanto gosto e tanto é frio.

As nuvens cobrem mas elas me sentem,
e transcendem suas bençãos cristalizadas,
seu brilho de opala,
e seu sorriso de alma...

Em meus olhos há um pouco de estrelas,
mas logo me é cobrado,
a vida vem e cobra seu valor,
levando meu vento e calor,
e volto novamente à ser estrela.


David Weydson

sábado, 19 de janeiro de 2013

Prece


















Aquele momento em que você se torna fraco,
e desesperado pensa em procurar conselhos de alguém...
... de qualquer alguém...
pois todas as respostas você já tem,
e só gostaria de ouvir suas vozes em outras bocas...

Umas mais despreparadas que outras,
outras sem muito pensar,
outras ainda comentando a vida como se fosse algo tão simples e dizem:
"Ahh... deixa tudo acontecer, deixa rolar"

A vida não é isso,
minha vida não é isso,
em um monastério onde as paredes tem a elegância do líquen,
e a água corre perto fresca,
várias faces minhas fazem uma reunião de emergência,
e falam tudo que no fundo eu já sabia...

O lago não mexia até um pedra nele jogar,
e agora as ondas o atordoam o fazendo mudar.
Os que estão em prontidão sabem que o certo é esperar,
mas perante o penhasco,
só há o desejo de se jogar.
Sentir o abraço da morte,
e quem sabe com sorte viver depois da morte prevista,
mas tal morte é muito além...

Morte completa assinada e protocolada,
uma requisição formal e bem grafada,
linhas renunciando a pureza e a paz,
procurando somente o tremor, o arrepio e o voraz...

...

Mas antes era sinônimo de paz,
e todas pessoas são minhas pois todas criei,
absorvi porque observei,
e agora tenho que o escuro olhar,
sentir somente o vento e orar...
que tudo leve,
e eu fique sem essa febre,
mas tudo me foi avisado...
e os passos estão bem calculados.

É fato,
a vida ou a morte do ato,
mas as pedras ainda são atiradas quando o lago entra em calmaria,
então faça as preces antes que haja avarias...
pois cada hora é um dia esperado de vitória,
mesmo que a prece seja insana,
muitas vezes alcanço o nirvana,
mas tudo é tão repentino,
e tomo logo o tino,
volta toda prece novamente.
É como uma serpente,
que move o chocalho quando a esqueço,
e enquanto juntamente adormeço,
ela me vigia sem parar,
seus olhos fixos a me encantar,
e pensar em entrar na fresta de sua pupila até o desconhecido chegar...

Há o medo de ser sorvido por si,
seu maior inimigo dentro de mim,
as piores vozes também...

Além de perder os que amo por culpa de mim.

Livrai-me de mim
Amém


David Weydson