face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 7 de maio de 2013

Conflito


















Há momentos em que o chão some,
e tudo se consome em dúvidas infindaveis.
Onde não se sabe a que polo pertence o bem e o mal,
Pois tudo aprendido agora se torna banal.

Os polos se invertem,

o corpo adverte com tremores,
ardores... que tudo isso é de importância vital...

Nem devia ser mexido,
mas, uma vez movido é difícil reajustar.

O justo partilha a sombra do injusto,
o misericordioso ceia com o antipático,
e por trás de cortinas finas eu só vejo silhuetas...
... não há distinção

Não sei o que é certo e o que não,
Se é Deus ou o cão,
se é transferência de poderes ou criação.
Tudo parece vir do mesmo caminho.

É como o recital de uma vida,
as luzes à me ofuscar,
e depois dos aplausos calorosos,
A festa dá espaço ao velório,
e vejo todos mortos com o fedor à contaminar o ar.

O brilho dá lugar ao espanto,
a festa ao luto.
A sanidade não passa de um mero detalhe agora
Por que fazes isso?
Por maldade ou vaidade?
Não socorres por que?

Nada me faltará?!
Pois que me venham as respostas então!
Pedi Pedi, dar-se-vos-à?
E se já for tarde,
e nada mais importar?

Parece as vezes que o tempo passado por mim não interessa muito.
Para quem brinca com os milênios isso não deve ser muita coisa mesmo...
Esqueces que sou tão temporário que um ano conta muito?

Subitamente a distância do trono e dos camponeses parece tão distante,
algo tão acessível se tornou tão austero.

As orações são como gritos triturados pela rouquidão...
Abafados e sem paixão,
só rezo o que foi decorado,
o que é de praxe.

Os dias parecem não ter tua interferência,
o vento sopra, mas não te sinto.
E lembro do salmista a te procurar.
Tu não estavas no vento,
na chuva,
no mar...
Simplismente não estava nos dias de aflição.
Lembro quando abandonaste Jesus...
Será uma prática?

Atiro minha dor em ti,
pois quero que também a sinta.
A sofra...
Se estou mutilado pois que perca também,
um membro,
um braço...
E entenda que as coisas não são fáceis pra mim.

Não gostaria de ter chegado a tal vertente,
de duvidas de minha fé...
mas sem motivos para acreditar,
a lógica vem a me torturar,
e tudo faz sentido...

Não tenho argumentos para contestar,
mas quem sabe há de haver alguma prova...
mas não há.

Tudo são histórias,
o que para ti são memórias,
não é tão fácil assim acreditar.

Mas vou seguindo do unico jeito que sei,
e um dia talvez tudo venha mudar.

Ou meu alicerce ruir,
e será culpa minha,
pois dessa responsabilidade se excusa,
e atira-a para que eu possa levar.
Quando a cruz pesa e eu caio há poucos que me à ajudam levar.

E ironicamente parece que cobra a dívida antiga,
como se também a precisasse saldar.

O massacrado mutou,
carrasco virou.
E tudo por minha culpa.
Sempre.


David Weydson

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