face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Doença de Apolo




















E tudo foi secando pouco-a-pouco,
o orgulho afastando dia-a-dia um do outro,
o sorriso que antes pendia deu lugar ao rosto neutro.
Os tempos antes tão apaixonados trocados pelo lento pensar.

Medir os passos,
medir a vida e ver que nasceste para viver sozinho,
o vazio que te encontrava foi sanado,
era falta de corpo,
de desejo e acúmulo de juras.

Como em uma ejaculação tudo eliminei,
as melhores palavras,
os melhores beijos e as melhores mordidas,
tudo se foi em alguns minutos intensos e agora o corpo pende relaxado,
um corpo pesado...
pós-orgasmo.

...

Tudo foi tão bem dosado,
para ver como era,
mas a vontade havia,
um desejo ardia que parece já suprido.

Após sentido separam-se almas gêmeas,
para procurar outras a quem amar,
outras à desistir por ser tão inconstante,
se namorado ou se amante,
não importa...
sendo tão inconstante sou feito de pedra.
Mas consegui aquecer o que queria,
sentir que ainda há pulso.

Agora... de volta meus dias,
pausados,
regados à chá quente,
conforto caseiro,
voltar à tocar,
a sorrir e torcer para que dentro de mim,
ainda exista fé.

Viver como sempre vivi,
mas mudando aqui e ali para ser minha obra prima.
Viver minha sina.

Sozinho.


David Weydson

domingo, 28 de julho de 2013

Para Marcar o que já foi meu cabeçalho

Aos que correm sem saber por onde ir, e os que deixam suas melenas ao relento... aos que apreciam a lua e vivem no vento.

Bem vindos ao circo do Pierrot
do autor um sorriso e uma flor.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Ícor

Há sempre aquela súbita vontade de falar ao mundo,
de deixar expresso mesmo sabendo que não irão ler...
mas é um capricho meu...

Uma escrita totalmente íntima que não busca retratar nada além de mim,
mas o mais engraçado é que assim consigo achar outras pessoas,
abracei o mundo e seus odores,
e mesmo dentro de mim retrato outros mil amores.

Retrato pessoas que vivem para morrer,
as vezes algumas que buscam liberdade,
mas mesmo assim...
escrever não me traz saciedade.

Antes bastava algumas linhas para me suprir,
mas agora nem assim eu consigo me realizar...
Falta...
Falta...

Linhas de pensamentos meus condensados,
linhas vivas de outros...

Minha escrita tem muita forma...
Falta corpo.


David Weydson

Sucinto

É tanto à escrever,
mas a vista embaralha...
foram acrescentadas outras cores visíveis,
como vêem as abelhas...
Não há como definir,
pois somente eu vejo.

Não é possível imaginar,
e tanto aconteceu que minha escrita virou um diário,
escrito mentalmente por falta de papel,
por falta de tinta no bico da pena.
Os olhos desfocam e vai surgindo...

A mente perturba tanto,
tenho logo que ela ocupar...
pois agora o que ignoro,
é para continuar a levar...
à fazer o que me é estranho,
mas necessário...

A curiosidade humana e a busca de preencher suas lacunas...
fazemos tanto por isso...
Mas e se nascemos para sermos incompletos?
Estarei eu tentando ir contra a criação?

Pensamentos sublimando de maneira tão rápida e efêmera,
que fique pelo ar mesmo...
pois escrever muito não dá...
Por mais que sinta muito.

Estou sem palavras,
todas parecem se acotovelar,
e nada sai da boca,
dos dedos...
E cristaliza a intenção...
Um grande cristal de nada.
Bonito mas sem nenhuma utilidade.

É tudo vaidade.


David Weydson