face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Pense num turbilhão que roda mais rápido que os olhos podem acompanhar,
tudo desfragmenta,
o núcleo está mais e mais rápido,
não acompanho mais nada,
não sei o que é mais,
está fora de controle!

É preciso desligar a energia.

(escuro)
(e uma vela acesa)
(e uma lembrança)
(olhos fraquejam, joelhos também)
(desmaio)



Esses dias

Estou cansado,
só tenho um rumo a seguir,
a vida é feita um dia por vez,
tenho medo...
então corro,
as paredes são escuras,
como de cavernas,
irregulares,
corro e me aperto,
vou do jeito que dá,
cortam-me de um lado,
cortam-me de outro,
mas não sei o que querem com meu sangue,
corro para a unica luz que tenho,
o único calor da vida,
as coisas que antes eram certas não são mais,
corro...
tenho ira,
tenho fome e muitos desejos,
mas continuo correndo...
não aguento,
preciso de um pouco de sorte,
a luz que me visita é quente,
tenho que me esquentar,
corro...
chegarei lá...
os fantasmas passam por mim,
negações e derrota me gritam aos ouvidos,
o que dá pra errar erra,
como num filme corro,
e morro...
e vivo e crio dentro de mim o futuro,
e ele brilha.


Apolo Castro

terça-feira, 29 de julho de 2014

A noite vem vindo como se fosse uma doce curiosa e espiã, admiradora de amantes... Não olhando unicamente o entrosamento de corpos... ela procura outra coisa, as almas se encontram e nessa dança de sorrisos ela fica a se deleitar. O vento suavemente respira e beija levemente os rostos que estão distantes...
O som da noite abrange não mais os humanos, mas se concentra apenas nos corações... no cerne do amor que é pouco-a-pouco moldado. Divino como só ele pode ser e como numa disputa feliz de quem ama mais, entram num consenso que estão em perfeita harmonia.
Os deuses dão o seu aval, Afrodite sorri e Eros aprova... desviam os olhos e deixam que os corpos gerem seu próprio aroma... exalem seu próprio bálsamo em forma de história.

Os olhos sempre sorriem, e a beleza se concentra unicamente em dois seres, como se toda força vital fosse tomada para um bem maior, sem mal...

Tudo parece incompleto pois não é possível concluir algo que borbulha em construção...
Termino aqui pois o resto são juras, e não serão ouvidas por ti,
serão plantadas por mim, afim de iluminar o sol de um novo dia.


Apolo e Jacinto

sábado, 19 de julho de 2014

Falta coragem pra o medo que vem e a dor grande necessita de cuidados imediatos, suture o ferimento, dê-lhe sangue para que viva mais um pouco, seu próprio corpo o está matando.
Ele não responde à medicação... não seria bom que estivesse lúcido agora... mas agora é preciso operar.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sabe a dor da perda? Ela é pior quando é definitiva... mas mirando bem o que foi feito realmente foi melhor,
me deixou tão confuso... Desconcertado...
a escrita agora é assim... esmiuçada,


depois junto tudo e faço algo que preste

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Mosaico





Tenho tanto dentro de mim agora que não sou capaz nem de organizar minhas palavras... saiam as que tiverem de sair, construam o seu mundo através de minhas mãos, saiam por minha boca...

são o meu sangue afinal... de forma incerta e teatral brincam...
Corram



Inquieto, necessitado de mais!
Não...
Isso não me completa... minha vida não é completa de nada...
cabe muito mais


A agonia da noite me consome de pensamentos turbulentos, preciso do sol para dissipar minhas trevas...
Livra-me... Livra-me do dia em que não aguentar mais, conduze-me à tua proteção... acarinha-me enquanto outros não o fazem... que a tua luz me siga, me guie e me arranque do mal.


...




Os raios da verdade me iluminaram, e vi a poeira flutuando pelo ar parado...
Não tenho mundo nem tenho credo, não sei ao certo se tenho o nada...
Filho dos ventos e dos raios celestes trago o meu brilho...

à vidas simplórias basta, mas não basta a mim mesmo...


estou inerte tentando rumar essa estrada.
Sinto que os dias podem ser melhores com você... mas se te conhecesse já me ajudaria...

Tenho medo de me entregar... sabe... sinto-te há muitos dias, conheço seu jeito Jacinto, sinto a dor de sua maldição...
Se pudesse concertar as coisas com Eros tudo seria mais fácil, a felicidade mais repleta, mais sossego e seu ego acalentado... mas como fazer isso?

Não sei te agradar Apolo







Dave

Tenho tanto dentro de mim agora que não sou capaz nem de organizar minhas palavras... saiam as que tiverem de sair...
Estou inquieto, preciso de mais, PRECISO DE MAIS...
muito mais...

Não... isso não me completa, minha vida não é completa de nada...
cabe muito mais
A agonia da noite me consome de pensamentos turbulentos, preciso do sol em minha vida para dissipar minhas trevas...
Livra-me... Livra-me do dia em que não aguentar mais, conduze-me à tua proteção... acarinha-me enquanto outros não o fazem... que a tua luz me siga, me guie e me dissipe do meu mal.

Os raios da verdade me iluminaram, e vi a poeira flutuando pelo ar parado...
Não tenho mundo nem tenho credo, não sei ao certo se tenho o nada...
Filho dos ventos e dos raios celestes trago o meu brilho à vidas simplórias, mas não basta a mim mesmo...
estou inerte rumando essa estrada.
Sinto que os dias podem ser melhores com você... Mas tenho medo de me entregar... sabe... não fui criado com tal concepção, mas sinto-te há muitos dias, sabia seu jeito e já te conhecia, seu nome já usava e sinto a dor de sua maldição...
Se pudesse concertar as coisas com Eros tudo seria mais fácil, a felicidade mais repleta e seu ego acalentado... mas como fazer isso?

Não sei te agradar Apolo

sábado, 12 de julho de 2014

O Sol


Fecho os olhos, cerro o maxilar, respiro fundo e acalmo a veia que salta de minha testa...
Meu orgulho...

Sou item principal, não acessório...
estou prestes a isso mostrar, com a imensa dose de dor que lhe irei causar... a minha falta pesa muito, disso sei e sempre me orgulhei...
Me sinto provocado...
não só por ti mas pelo mundo.

Sou princípio, tenho corpo e sou fim,
não rodapé ou um mero complemento.

...

Respiro...
acalmo minha revolta, procuro a ajuda de Poseidon para meus tremores e minha fúria acalmar... é uma fúria contida, como aquela das ondas que carregam mundos...
Não quero fazer tudo acabar,
mas estou prestes...
Eris estendeu sua maçã dourada, e estou prestes a aceitar, sei que está envenenada mas é antídoto para muito do que sinto e do que estou...

Eu sou.
Filho de Zeus e Leto, a luz da verdade e inspiração dos homens;
o temido dos deuses; Deus da cura, das doenças e da morte súbita.

Apolo

Cativeiro



Você faz a função da vida, me obriga a ter um espera que não é minha...
ousado és... quem diria que um dia alguém tentaria conter o fogo de queimar com tamanha naturalidade...
garanto que tentando prender assim o vento és ingênuo... como colocando-o em uma caixinha... abrindo ela e sentindo a brisa acariciar o rosto quando lhe for cômodo...
Não perguntas ao vento o que ele sente...
Fúria por tamanha afronta...
Mas sei que sua coragem é motivada por algumas amarras, mas em grande parte pela ignorância do que fazes ao vento...
E na caixa ele se espreme, vira brisa e vira tormenta, furacão e arranha com suas lâminas o interior de seu cativeiro....

Caixas tem nome?
Sim... essa tem...
Amor


David Castro

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Falta

Nunca mais leste minha alma... Sabes já o caminho, mas esqueces de me conhecer... Ouve só as palavras doces e esqueces das amargas, mas solidão não é palavra... É meu resumo no final.


¿Apolo?

Jacinto

"Amo seus olhos, seu sorriso e sinto muito sua falta"


Apolo

Procura do canto raro



Estou confuso, não sei por onde começar... decidi então começar explicando minha confusão, assim quem sabe consiga me organizar...
Estava num estado neutro, sozinho e sem expectativas, semeando à torto e a direito mas não esperando colher... esperando sim pássaros exóticos virem se alimentar... mas como esperado atraí também pardais... como alimento tinha em abundância deixei que se alimentassem, um dia seria o suficiente... eles não estão acostumados à tamanha iguaria, sementes embebidas em mel e aromatizadas... realmente, foi uma grande algazarra...
Os pombos eu espantava, melhor... ignorava... jogava pouco, mas não o suficiente para matar a fome, e logo eles iam, ou eu mesmo seguia andando.

As sementes por mim jogadas eram específicas para um tipo de pássaro, mas a iguaria é apreciada por muitos, porém procuro somente um... Encontrei um semelhante... mas ele ainda não estava pronto à cantar, queria tanto ouvir seu doce canto mas falta-lhe algo... algo que não quero julgar, não sinto a garganta do mesmo... É um passarinho deveras feliz, e me alegra grandemente... mas seu jeitinho pequenino as vezes deixa a desejar, olho adiante, mas sinto novamente ele aos meus pés pular... Já pensei em prosseguir, as vezes ele tenta mostrar seu canto, mas sua voz quebra... as vezes é saliente demais... até gosto, mas nem sempre ele me pega contente, as vezes é em excesso... falta algo...
...falta passarinho...
Falta canto, falta pena e falta ninho...
Queria te cuidar passarinho, mas não sei se posso desistir do que espero, pequenino.
As vezes demonstras um apear desajeitado, falta certa elegância as vezes.
Mas falta mesmo canto.
canto pra a mente repousar nas notas entoadas,
canto pra a mente repousar nas notas perfumadas,
falta o coelho e não a lebre...

Preciso chegar mais adiante, me pergunto se o caminho que tomei é certo ou errante...
Parei o meu passo constante por respeito e empenho ao passarinho, não sei se é hora de ficar ou de partir,
não sei se o certo é o que me faz as vezes sorrir, quero algo constante... sair dessa vida errante e amar ao máximo até me dopar. Mas pelos meus cálculos és outro tipo de ser, e o que és hoje não me deixa completo... vivo faltando algumas partes, e estou a procurar... Em vez de ir para o prado penso em rumar ao mar... quem sabe o pássaro que procure tenha melenas salgadas...

Sinto falta de ouvir meu coração cantar... esse canto estranho e seleto que tanto atrapalha minha vida... Agrado Gregos e Troianos, porém desejo apenas o oceano do canto a me fazer flutuar, ao longe... Cabelos assentados num colo quente, um sorriso bobo e demente, olhos fechados e contente... Como aquele que já tive... mas constante.



Caos

domingo, 6 de julho de 2014

Solstício de Inverno


Geralmente não gosto da temática de minha escrita, mas hoje o foco é outro,
Meus olhos começam com o acobreado dos fios de sua barba, das marcas de seu sorriso e com a pureza que consegui enxergar o mundo mesmo sem saber que ele era diferente...

Estava completamente abraçado pelo mundo, acalentado pelas árvores que me rodeavam, iluminado pelos sorrisos que despontavam em nossos rostos, nossas vozes fazendo um dueto como foram feitas para fazer tamanha dupla. As brincadeiras com minha ingenuidade e com minhas travadas... Os toques rápidos das mãos e o corpo ligeiramente inclinado, os pés farfalhavam pelas pedras e pelas folhas acariciando a terra que se tornava mais abençoada à cada passo.


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A efemeridade da vida... teve que passar e passou...
obrigado pelo domingo de junho, do qual não me lembro a data e após outros dias não lembrarei o nome, e aos poucos não lembrarei o dia...
só lembrarei de um detalhe...
os fios coloridos de sua barba.



Apolo Castro

Descompasso

Os olhos se abrem devagar,
aos poucos vou sendo arrebatado das brumas do sono, o cérebro se ativa e as perguntas aparecem timidamente...

Eros já fez sua parte?
Estou selado?

Não sei...
Ainda falta-me tanto,
a dose do corpo,
a quantidade da fala,
a mistura está completa ou está sendo acrescida?
Preciso me sentir completo,
ainda tenho lugares de inveja, raiva e cobiça...
ódio ainda revira em minhas tripas,
não só amor.

Use-me
Mude-me

...Se puder.


David Weydson

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Diálogo do tempo e do vento

Olhos secos, mãos fracas e trêmulas, tendo que levar tanto com movimentos tão minguados, curtos, fracos e pobres...

Eu: "O que é isso?
Estou envelhecendo?
Quem toma meu corpo agora?"

(Depois de um longo silêncio)

Tempo: "O tempo... (sobe os olhos)
o mesmo que seca as pétalas vívidas das flores,
que apaga o sol e que traz a sequidão à terra"

Eu: "Por que me visitas?"

Tempo: "Chegou sua aula de paciência"

 Eu: "Mas... mas eu quero amar rápido, intensamente"

 Tempo: "Mas ainda não é tempo... é tempo de espera, de cozinhar tudo em fogo brando, por dias"

 Eu: "Que assim seja"
(respiração longa, olhos caem, ombros pra frente, curvos, sentado em uma cadeira)

 Tempo: "E assim será"


????????????




Murmúrio de um Velho

Olá meu jovem... você sabe onde deixei meu remédio para memória?
Qual foi a última vez que o tomei?
(revirando caixas com as mãos frágeis)
Droga... maldita velhice
(sorriso fraco)

Já não me bastasse os ossos doendo tenho que esquecer de coisas importantes... lembro quando era jovem... ahhh... que boa lembrança, disso não preciso de remédios para lembrar
Como as coisas eram fáceis...
Mas quando a gente envelhece queremos muitas coisas e nada podemos, sair, amar...
ficamos cativos em nossas memórias e reclusos em nossas gaiolas.

Paciência meu jovem...
é o fim.


???????

domingo, 29 de junho de 2014

O Parque


Respiros da alma fazem a vida crescer e correr por aí...
decidi sair de meus moldes dessa vez,
e realmente me fez bem.
A escrita agora é introdutória, como sempre de meu feitio escrevo apenas sobre mim, e quando apaixonado tudo fica mais melado, uma nova fonte é aplicada e alguns detalhes frios somem (assim prefiro também).


O mundo sumiu e tudo era tão intenso, banhados em um azul escuro da noite, as poucas estrelas que apareciam eu não as vi, estava ofuscado demais com seu sorriso e seus olhos encantadores.
Não tenho muito a dizer, parece que as palavras brincam de fugir quando me apaixono, fico vago, saio do mundo de especificar.
Portanto aguce os sentidos e me siga.
O calor da pele exalando seu cheiro em ti impregnado que ao seu lado me fez viajar. As pessoas sumiam e o alcance de tua boca se tornou possível.

Primeiro houve a espera, um tanto cansada da vida que era triste e sofrida, maquinando formas de voltar à tempo caso tudo desse errado, pois a vida gosta de me contrariar, mas houve o encontro.
Já tinha varrido muitos olhares, muitas pessoas mas os olhos não se fixavam, e quando enfim te encontraram as pernas começaram um caminhar lento e veio o encontro, e veio o beijo. Foi um beijo rápido, tímido porém esperado, as mãos se entrelaçaram e os passos harmonizaram, o mundo sumiu pela primeira vez em tanto tempo.
Houve uma segurança grande, um aconchego que antes se fazia distante, realmente estava... mas trouxe-o consigo.
Mesmo perdido já tinha achado o que encontrava, por mais que levassem algo o mais precioso não conheciam e não podiam levar, era a esperança e a felicidade que me enchia.

Me dê a mão, vamos sair correndo pelos campos urbanos construídos, o trigo substituído pela fiação, os girassóis agora duros são postes mas o vento é o mesmo, e aos poucos o coração acelera, como uma paixão forçada mas melhor que sozinha, agora minha vida é acompanhada.


David Weydson e Apolo Castro

terça-feira, 17 de junho de 2014

É tarde...

Tenho pressa e sede do toque,
mas se fosse só ele me bastaria alguns instantes,
mas tenho mais sede...

Sorvo, bebo e não me sacio,
o fio de água é ínfimo,
preciso de mais...
Sei que sendo constante um dia me saciará,
mas parece que com a sede que tenho logo me matará.

Tenho sede e tenho agora,
não sou tão longânimo assim...
A luxúria me queima a pele mas tenho regras a seguir,
e estou prestes a manda-las todas se foderem...
quem sabe assim me divirta logo.

Sim sim...
estou completo e repleto de inveja,
luxúria,
gula...

Sou lenha, sou gasolina e falta de ignição...
somente isso.


Apolo Castro

sábado, 7 de junho de 2014

Semeador


Sabe... no fundo eu sou bom, e isso conforta o meu coração...
uma coisa que tenho é a pureza de acreditar no instinto, falta-me a malícia dos homens...
Não... eu não espero a maldade, por mais que seja de sua natureza não espero, pois a bondade ilumina os olhos e dissipa as trevas.
Eu acredito quando me dizem mentiras, pois enquanto verdades não pesam em mim, e quando a mentira é revelada continua sendo verdade, só que mudada.

Eu acredito que o amanhã será melhor, por que por mais que ele seja duro pouco-a-pouco cresço e me estabeleço no mundo. Passamos por diversas pessoas e damos chance delas partilharem de nossos mundos, uns querem ficar, outros querem ir... deixem que partam, pois consigo levam parte de mim.

Tudo é maior do que parece, e mais amplo que se imagina. E com essa dose pequena de bondade que semeio, colho mais bondade, esperança e felicidade.


David Weydson

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Invídia

(falta editar)


(Toc Toc)

Olá, se não tenho o infeliz desprazer de te receber novamente dona inveja...
Já me acostumei com sua presença,
Entra, sei que você ia entrar de qualquer forma...
Puxe uma cadeira e se sente comigo...

Nossa, tinha esquecido de como você é feia,
magricela... parece frágil,
mas não morre tão cedo né sua maldita?!

E com esse seu jeito de pedinte,
arrancas piedade de tantos,
mas abrindo sua maldita boca contamina o ambiente,
como a serpente que contaminou a terra e o jardim,
assim tu maculastes a mim.

Maldita!
MALDITA!

Sim...
Ouvirei o que tens de falar,
sei que minhas opções são poucas.

(Depois de todo falatório da visita faço minhas considerações)

Você só diz isso porque não vê a bondade do mundo...
As pessoas merecem seus momentos de alívio,
pois tentam fazer a vida uma das outras melhor...
São bons ouvintes,
aprendem com aqueles que vivem apenas de ensinar e sentem compaixão,
curam chagas dos seus,
medicam uns aos outros para prolongar a vida,
eles acreditam que todos merecem viver.

Ao invés de me fazer sofrer,
deverias tu me fazer amar,
apresentar ao que ainda não conheço,
que venham a gostar do meu jeito,
e me fazer mudar...

Mudar pra feliz,
pra amado,
e que uma vez empenhado assim venha a continuar.
Sinto falta de mentes das quais venha provar,
sinto falta de mim,
e assim...
ainda fico a te esperar...

Quem és ainda não sei...
só sei que chegarás...

Um dia.


Apolo Castro


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Seca



O teu calvário é tua vida,
e mesmo que a dor não possa ser medida,
é necessário continuar.

O sangue derramado hoje rega a terra em que amanhã se colhe,
e os frutos um dia serão doces ao paladar,
a terra é boa e deseja saciar...

Por mais que existam calos,
e o suor lhe brote a pele,
nada impede de continuar a enxadar,
pois um dia tudo isso rende,
e essa semente torna-se tantas outras...

Deixa de comer para ter um dia,
por enquanto segue-se em agonia...
Pois é como dá pra levar

Fecho os olhos e espero a poeira baixar,
o sol parar de arder,
e os olhos voltarem a sonhar.


Apolo

domingo, 18 de maio de 2014

Confessionário

Sou a síntese do ódio,
desgosto e cansaço...
Sou desgraças compiladas,
e nesse fim de domingo eu vou me exaurindo...

Pensando em viver,
me confessando entre padres anônimos,
qualquer um momentaneamente sem ao menos se importar,
só ouçam...
é rápido o que tenho a falar...

...

Mas não sai...


David Weydson

Empoeirado
















Enfim em casa novamente,
(móveis cobertos, pouca esperança que ainda funcione a válvula antiga de gás)

Os raios iluminam justamente onde devem iluminar,
formando colunas de luz que cortam o ar saturado de memórias,
era tempo de voltar...
aqui penso...
aqui é meu lugar.

Garanto que você nunca decorou o número de minha casa,
e lamenta por isso...
outros batem em minha porta,
mas não querem entrar...
...tudo bem...
com calma tudo isso vou arrumar.

A cobiça e o alívio me trouxeram aqui,
assumirei ambos,
queria mais espaço,
vivia bem sem esse vazio.

Só não quero mais ele preenchido com você,
não por falta de bondade,
mas por falta de mim.


David Weydson

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Renascimento do Fingido


Uma nota do autor:
Sinceramente não sei por onde começar... onde olho é só ruína, mas estranhamente tudo isso me cheira casa...
cheira café recém passado,
cheiro de gás antes da ignição,
Meus olhos são outros...

Frios e cansados,
e com a escrita bem feita,
disso me orgulho, mas é sinal de desfeita,
pois falta empenho com outros,
não comigo.

Aprendi e destravei,
provei viver para outros,
não consegui isso manter,
a areia corre por minhas mãos como uma ampulheta que não para.
O tempo corre e tudo escorre,
não retenho nada.

[...]

Sim, isso é apenas um mergulho na alma,
e no meu pierrot que se fez de morto,
maldito fingido!
deveria suspeitar,
se não fosse tão torto desconfiaria,
e quem diria que ele estava à encenar.

Aqui estou eu,
eu e meus olhares,
escolherei a determinação e com ela ficarei,
doses doentias de esforço me aplicarei...
overdose de mim e assim,
quem sabe assim venha me saciar,
e se mesmo todo esforço não adiantar,
descubro um jeito de me vingar,
de mim...

É assim mesmo,
uma guerra de múltiplos reinos,
brigando por terra,
a terra que lhes calça os pés,
a terra que lhes bebe o sangue.


David Weydson