face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Invídia

(falta editar)


(Toc Toc)

Olá, se não tenho o infeliz desprazer de te receber novamente dona inveja...
Já me acostumei com sua presença,
Entra, sei que você ia entrar de qualquer forma...
Puxe uma cadeira e se sente comigo...

Nossa, tinha esquecido de como você é feia,
magricela... parece frágil,
mas não morre tão cedo né sua maldita?!

E com esse seu jeito de pedinte,
arrancas piedade de tantos,
mas abrindo sua maldita boca contamina o ambiente,
como a serpente que contaminou a terra e o jardim,
assim tu maculastes a mim.

Maldita!
MALDITA!

Sim...
Ouvirei o que tens de falar,
sei que minhas opções são poucas.

(Depois de todo falatório da visita faço minhas considerações)

Você só diz isso porque não vê a bondade do mundo...
As pessoas merecem seus momentos de alívio,
pois tentam fazer a vida uma das outras melhor...
São bons ouvintes,
aprendem com aqueles que vivem apenas de ensinar e sentem compaixão,
curam chagas dos seus,
medicam uns aos outros para prolongar a vida,
eles acreditam que todos merecem viver.

Ao invés de me fazer sofrer,
deverias tu me fazer amar,
apresentar ao que ainda não conheço,
que venham a gostar do meu jeito,
e me fazer mudar...

Mudar pra feliz,
pra amado,
e que uma vez empenhado assim venha a continuar.
Sinto falta de mentes das quais venha provar,
sinto falta de mim,
e assim...
ainda fico a te esperar...

Quem és ainda não sei...
só sei que chegarás...

Um dia.


Apolo Castro


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Seca



O teu calvário é tua vida,
e mesmo que a dor não possa ser medida,
é necessário continuar.

O sangue derramado hoje rega a terra em que amanhã se colhe,
e os frutos um dia serão doces ao paladar,
a terra é boa e deseja saciar...

Por mais que existam calos,
e o suor lhe brote a pele,
nada impede de continuar a enxadar,
pois um dia tudo isso rende,
e essa semente torna-se tantas outras...

Deixa de comer para ter um dia,
por enquanto segue-se em agonia...
Pois é como dá pra levar

Fecho os olhos e espero a poeira baixar,
o sol parar de arder,
e os olhos voltarem a sonhar.


Apolo

domingo, 18 de maio de 2014

Confessionário

Sou a síntese do ódio,
desgosto e cansaço...
Sou desgraças compiladas,
e nesse fim de domingo eu vou me exaurindo...

Pensando em viver,
me confessando entre padres anônimos,
qualquer um momentaneamente sem ao menos se importar,
só ouçam...
é rápido o que tenho a falar...

...

Mas não sai...


David Weydson

Empoeirado
















Enfim em casa novamente,
(móveis cobertos, pouca esperança que ainda funcione a válvula antiga de gás)

Os raios iluminam justamente onde devem iluminar,
formando colunas de luz que cortam o ar saturado de memórias,
era tempo de voltar...
aqui penso...
aqui é meu lugar.

Garanto que você nunca decorou o número de minha casa,
e lamenta por isso...
outros batem em minha porta,
mas não querem entrar...
...tudo bem...
com calma tudo isso vou arrumar.

A cobiça e o alívio me trouxeram aqui,
assumirei ambos,
queria mais espaço,
vivia bem sem esse vazio.

Só não quero mais ele preenchido com você,
não por falta de bondade,
mas por falta de mim.


David Weydson

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Renascimento do Fingido


Uma nota do autor:
Sinceramente não sei por onde começar... onde olho é só ruína, mas estranhamente tudo isso me cheira casa...
cheira café recém passado,
cheiro de gás antes da ignição,
Meus olhos são outros...

Frios e cansados,
e com a escrita bem feita,
disso me orgulho, mas é sinal de desfeita,
pois falta empenho com outros,
não comigo.

Aprendi e destravei,
provei viver para outros,
não consegui isso manter,
a areia corre por minhas mãos como uma ampulheta que não para.
O tempo corre e tudo escorre,
não retenho nada.

[...]

Sim, isso é apenas um mergulho na alma,
e no meu pierrot que se fez de morto,
maldito fingido!
deveria suspeitar,
se não fosse tão torto desconfiaria,
e quem diria que ele estava à encenar.

Aqui estou eu,
eu e meus olhares,
escolherei a determinação e com ela ficarei,
doses doentias de esforço me aplicarei...
overdose de mim e assim,
quem sabe assim venha me saciar,
e se mesmo todo esforço não adiantar,
descubro um jeito de me vingar,
de mim...

É assim mesmo,
uma guerra de múltiplos reinos,
brigando por terra,
a terra que lhes calça os pés,
a terra que lhes bebe o sangue.


David Weydson