face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 29 de julho de 2014

A noite vem vindo como se fosse uma doce curiosa e espiã, admiradora de amantes... Não olhando unicamente o entrosamento de corpos... ela procura outra coisa, as almas se encontram e nessa dança de sorrisos ela fica a se deleitar. O vento suavemente respira e beija levemente os rostos que estão distantes...
O som da noite abrange não mais os humanos, mas se concentra apenas nos corações... no cerne do amor que é pouco-a-pouco moldado. Divino como só ele pode ser e como numa disputa feliz de quem ama mais, entram num consenso que estão em perfeita harmonia.
Os deuses dão o seu aval, Afrodite sorri e Eros aprova... desviam os olhos e deixam que os corpos gerem seu próprio aroma... exalem seu próprio bálsamo em forma de história.

Os olhos sempre sorriem, e a beleza se concentra unicamente em dois seres, como se toda força vital fosse tomada para um bem maior, sem mal...

Tudo parece incompleto pois não é possível concluir algo que borbulha em construção...
Termino aqui pois o resto são juras, e não serão ouvidas por ti,
serão plantadas por mim, afim de iluminar o sol de um novo dia.


Apolo e Jacinto

sábado, 19 de julho de 2014

Falta coragem pra o medo que vem e a dor grande necessita de cuidados imediatos, suture o ferimento, dê-lhe sangue para que viva mais um pouco, seu próprio corpo o está matando.
Ele não responde à medicação... não seria bom que estivesse lúcido agora... mas agora é preciso operar.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sabe a dor da perda? Ela é pior quando é definitiva... mas mirando bem o que foi feito realmente foi melhor,
me deixou tão confuso... Desconcertado...
a escrita agora é assim... esmiuçada,


depois junto tudo e faço algo que preste

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Mosaico





Tenho tanto dentro de mim agora que não sou capaz nem de organizar minhas palavras... saiam as que tiverem de sair, construam o seu mundo através de minhas mãos, saiam por minha boca...

são o meu sangue afinal... de forma incerta e teatral brincam...
Corram



Inquieto, necessitado de mais!
Não...
Isso não me completa... minha vida não é completa de nada...
cabe muito mais


A agonia da noite me consome de pensamentos turbulentos, preciso do sol para dissipar minhas trevas...
Livra-me... Livra-me do dia em que não aguentar mais, conduze-me à tua proteção... acarinha-me enquanto outros não o fazem... que a tua luz me siga, me guie e me arranque do mal.


...




Os raios da verdade me iluminaram, e vi a poeira flutuando pelo ar parado...
Não tenho mundo nem tenho credo, não sei ao certo se tenho o nada...
Filho dos ventos e dos raios celestes trago o meu brilho...

à vidas simplórias basta, mas não basta a mim mesmo...


estou inerte tentando rumar essa estrada.
Sinto que os dias podem ser melhores com você... mas se te conhecesse já me ajudaria...

Tenho medo de me entregar... sabe... sinto-te há muitos dias, conheço seu jeito Jacinto, sinto a dor de sua maldição...
Se pudesse concertar as coisas com Eros tudo seria mais fácil, a felicidade mais repleta, mais sossego e seu ego acalentado... mas como fazer isso?

Não sei te agradar Apolo







Dave

Tenho tanto dentro de mim agora que não sou capaz nem de organizar minhas palavras... saiam as que tiverem de sair...
Estou inquieto, preciso de mais, PRECISO DE MAIS...
muito mais...

Não... isso não me completa, minha vida não é completa de nada...
cabe muito mais
A agonia da noite me consome de pensamentos turbulentos, preciso do sol em minha vida para dissipar minhas trevas...
Livra-me... Livra-me do dia em que não aguentar mais, conduze-me à tua proteção... acarinha-me enquanto outros não o fazem... que a tua luz me siga, me guie e me dissipe do meu mal.

Os raios da verdade me iluminaram, e vi a poeira flutuando pelo ar parado...
Não tenho mundo nem tenho credo, não sei ao certo se tenho o nada...
Filho dos ventos e dos raios celestes trago o meu brilho à vidas simplórias, mas não basta a mim mesmo...
estou inerte rumando essa estrada.
Sinto que os dias podem ser melhores com você... Mas tenho medo de me entregar... sabe... não fui criado com tal concepção, mas sinto-te há muitos dias, sabia seu jeito e já te conhecia, seu nome já usava e sinto a dor de sua maldição...
Se pudesse concertar as coisas com Eros tudo seria mais fácil, a felicidade mais repleta e seu ego acalentado... mas como fazer isso?

Não sei te agradar Apolo

sábado, 12 de julho de 2014

O Sol


Fecho os olhos, cerro o maxilar, respiro fundo e acalmo a veia que salta de minha testa...
Meu orgulho...

Sou item principal, não acessório...
estou prestes a isso mostrar, com a imensa dose de dor que lhe irei causar... a minha falta pesa muito, disso sei e sempre me orgulhei...
Me sinto provocado...
não só por ti mas pelo mundo.

Sou princípio, tenho corpo e sou fim,
não rodapé ou um mero complemento.

...

Respiro...
acalmo minha revolta, procuro a ajuda de Poseidon para meus tremores e minha fúria acalmar... é uma fúria contida, como aquela das ondas que carregam mundos...
Não quero fazer tudo acabar,
mas estou prestes...
Eris estendeu sua maçã dourada, e estou prestes a aceitar, sei que está envenenada mas é antídoto para muito do que sinto e do que estou...

Eu sou.
Filho de Zeus e Leto, a luz da verdade e inspiração dos homens;
o temido dos deuses; Deus da cura, das doenças e da morte súbita.

Apolo

Cativeiro



Você faz a função da vida, me obriga a ter um espera que não é minha...
ousado és... quem diria que um dia alguém tentaria conter o fogo de queimar com tamanha naturalidade...
garanto que tentando prender assim o vento és ingênuo... como colocando-o em uma caixinha... abrindo ela e sentindo a brisa acariciar o rosto quando lhe for cômodo...
Não perguntas ao vento o que ele sente...
Fúria por tamanha afronta...
Mas sei que sua coragem é motivada por algumas amarras, mas em grande parte pela ignorância do que fazes ao vento...
E na caixa ele se espreme, vira brisa e vira tormenta, furacão e arranha com suas lâminas o interior de seu cativeiro....

Caixas tem nome?
Sim... essa tem...
Amor


David Castro

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Falta

Nunca mais leste minha alma... Sabes já o caminho, mas esqueces de me conhecer... Ouve só as palavras doces e esqueces das amargas, mas solidão não é palavra... É meu resumo no final.


¿Apolo?

Jacinto

"Amo seus olhos, seu sorriso e sinto muito sua falta"


Apolo

Procura do canto raro



Estou confuso, não sei por onde começar... decidi então começar explicando minha confusão, assim quem sabe consiga me organizar...
Estava num estado neutro, sozinho e sem expectativas, semeando à torto e a direito mas não esperando colher... esperando sim pássaros exóticos virem se alimentar... mas como esperado atraí também pardais... como alimento tinha em abundância deixei que se alimentassem, um dia seria o suficiente... eles não estão acostumados à tamanha iguaria, sementes embebidas em mel e aromatizadas... realmente, foi uma grande algazarra...
Os pombos eu espantava, melhor... ignorava... jogava pouco, mas não o suficiente para matar a fome, e logo eles iam, ou eu mesmo seguia andando.

As sementes por mim jogadas eram específicas para um tipo de pássaro, mas a iguaria é apreciada por muitos, porém procuro somente um... Encontrei um semelhante... mas ele ainda não estava pronto à cantar, queria tanto ouvir seu doce canto mas falta-lhe algo... algo que não quero julgar, não sinto a garganta do mesmo... É um passarinho deveras feliz, e me alegra grandemente... mas seu jeitinho pequenino as vezes deixa a desejar, olho adiante, mas sinto novamente ele aos meus pés pular... Já pensei em prosseguir, as vezes ele tenta mostrar seu canto, mas sua voz quebra... as vezes é saliente demais... até gosto, mas nem sempre ele me pega contente, as vezes é em excesso... falta algo...
...falta passarinho...
Falta canto, falta pena e falta ninho...
Queria te cuidar passarinho, mas não sei se posso desistir do que espero, pequenino.
As vezes demonstras um apear desajeitado, falta certa elegância as vezes.
Mas falta mesmo canto.
canto pra a mente repousar nas notas entoadas,
canto pra a mente repousar nas notas perfumadas,
falta o coelho e não a lebre...

Preciso chegar mais adiante, me pergunto se o caminho que tomei é certo ou errante...
Parei o meu passo constante por respeito e empenho ao passarinho, não sei se é hora de ficar ou de partir,
não sei se o certo é o que me faz as vezes sorrir, quero algo constante... sair dessa vida errante e amar ao máximo até me dopar. Mas pelos meus cálculos és outro tipo de ser, e o que és hoje não me deixa completo... vivo faltando algumas partes, e estou a procurar... Em vez de ir para o prado penso em rumar ao mar... quem sabe o pássaro que procure tenha melenas salgadas...

Sinto falta de ouvir meu coração cantar... esse canto estranho e seleto que tanto atrapalha minha vida... Agrado Gregos e Troianos, porém desejo apenas o oceano do canto a me fazer flutuar, ao longe... Cabelos assentados num colo quente, um sorriso bobo e demente, olhos fechados e contente... Como aquele que já tive... mas constante.



Caos

domingo, 6 de julho de 2014

Solstício de Inverno


Geralmente não gosto da temática de minha escrita, mas hoje o foco é outro,
Meus olhos começam com o acobreado dos fios de sua barba, das marcas de seu sorriso e com a pureza que consegui enxergar o mundo mesmo sem saber que ele era diferente...

Estava completamente abraçado pelo mundo, acalentado pelas árvores que me rodeavam, iluminado pelos sorrisos que despontavam em nossos rostos, nossas vozes fazendo um dueto como foram feitas para fazer tamanha dupla. As brincadeiras com minha ingenuidade e com minhas travadas... Os toques rápidos das mãos e o corpo ligeiramente inclinado, os pés farfalhavam pelas pedras e pelas folhas acariciando a terra que se tornava mais abençoada à cada passo.


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A efemeridade da vida... teve que passar e passou...
obrigado pelo domingo de junho, do qual não me lembro a data e após outros dias não lembrarei o nome, e aos poucos não lembrarei o dia...
só lembrarei de um detalhe...
os fios coloridos de sua barba.



Apolo Castro

Descompasso

Os olhos se abrem devagar,
aos poucos vou sendo arrebatado das brumas do sono, o cérebro se ativa e as perguntas aparecem timidamente...

Eros já fez sua parte?
Estou selado?

Não sei...
Ainda falta-me tanto,
a dose do corpo,
a quantidade da fala,
a mistura está completa ou está sendo acrescida?
Preciso me sentir completo,
ainda tenho lugares de inveja, raiva e cobiça...
ódio ainda revira em minhas tripas,
não só amor.

Use-me
Mude-me

...Se puder.


David Weydson

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Diálogo do tempo e do vento

Olhos secos, mãos fracas e trêmulas, tendo que levar tanto com movimentos tão minguados, curtos, fracos e pobres...

Eu: "O que é isso?
Estou envelhecendo?
Quem toma meu corpo agora?"

(Depois de um longo silêncio)

Tempo: "O tempo... (sobe os olhos)
o mesmo que seca as pétalas vívidas das flores,
que apaga o sol e que traz a sequidão à terra"

Eu: "Por que me visitas?"

Tempo: "Chegou sua aula de paciência"

 Eu: "Mas... mas eu quero amar rápido, intensamente"

 Tempo: "Mas ainda não é tempo... é tempo de espera, de cozinhar tudo em fogo brando, por dias"

 Eu: "Que assim seja"
(respiração longa, olhos caem, ombros pra frente, curvos, sentado em uma cadeira)

 Tempo: "E assim será"


????????????




Murmúrio de um Velho

Olá meu jovem... você sabe onde deixei meu remédio para memória?
Qual foi a última vez que o tomei?
(revirando caixas com as mãos frágeis)
Droga... maldita velhice
(sorriso fraco)

Já não me bastasse os ossos doendo tenho que esquecer de coisas importantes... lembro quando era jovem... ahhh... que boa lembrança, disso não preciso de remédios para lembrar
Como as coisas eram fáceis...
Mas quando a gente envelhece queremos muitas coisas e nada podemos, sair, amar...
ficamos cativos em nossas memórias e reclusos em nossas gaiolas.

Paciência meu jovem...
é o fim.


???????