face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Procura do canto raro



Estou confuso, não sei por onde começar... decidi então começar explicando minha confusão, assim quem sabe consiga me organizar...
Estava num estado neutro, sozinho e sem expectativas, semeando à torto e a direito mas não esperando colher... esperando sim pássaros exóticos virem se alimentar... mas como esperado atraí também pardais... como alimento tinha em abundância deixei que se alimentassem, um dia seria o suficiente... eles não estão acostumados à tamanha iguaria, sementes embebidas em mel e aromatizadas... realmente, foi uma grande algazarra...
Os pombos eu espantava, melhor... ignorava... jogava pouco, mas não o suficiente para matar a fome, e logo eles iam, ou eu mesmo seguia andando.

As sementes por mim jogadas eram específicas para um tipo de pássaro, mas a iguaria é apreciada por muitos, porém procuro somente um... Encontrei um semelhante... mas ele ainda não estava pronto à cantar, queria tanto ouvir seu doce canto mas falta-lhe algo... algo que não quero julgar, não sinto a garganta do mesmo... É um passarinho deveras feliz, e me alegra grandemente... mas seu jeitinho pequenino as vezes deixa a desejar, olho adiante, mas sinto novamente ele aos meus pés pular... Já pensei em prosseguir, as vezes ele tenta mostrar seu canto, mas sua voz quebra... as vezes é saliente demais... até gosto, mas nem sempre ele me pega contente, as vezes é em excesso... falta algo...
...falta passarinho...
Falta canto, falta pena e falta ninho...
Queria te cuidar passarinho, mas não sei se posso desistir do que espero, pequenino.
As vezes demonstras um apear desajeitado, falta certa elegância as vezes.
Mas falta mesmo canto.
canto pra a mente repousar nas notas entoadas,
canto pra a mente repousar nas notas perfumadas,
falta o coelho e não a lebre...

Preciso chegar mais adiante, me pergunto se o caminho que tomei é certo ou errante...
Parei o meu passo constante por respeito e empenho ao passarinho, não sei se é hora de ficar ou de partir,
não sei se o certo é o que me faz as vezes sorrir, quero algo constante... sair dessa vida errante e amar ao máximo até me dopar. Mas pelos meus cálculos és outro tipo de ser, e o que és hoje não me deixa completo... vivo faltando algumas partes, e estou a procurar... Em vez de ir para o prado penso em rumar ao mar... quem sabe o pássaro que procure tenha melenas salgadas...

Sinto falta de ouvir meu coração cantar... esse canto estranho e seleto que tanto atrapalha minha vida... Agrado Gregos e Troianos, porém desejo apenas o oceano do canto a me fazer flutuar, ao longe... Cabelos assentados num colo quente, um sorriso bobo e demente, olhos fechados e contente... Como aquele que já tive... mas constante.



Caos

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