face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Sagração do Solstício


Negou o teu sorriso,
teus olhos de bondade,
vendeu-se por outros ditos,
frutos da modernidade...
Transou contigo mesmo sem ter mais vontade,
te disse abrupto mas já não tinha volta.

Teu olhar baixo já não mais reparava,
e os assuntos criados já mais não tinham forma,
já foi a mui tempo,
o abandono teve hora,
lugar e momento que te mandou embora...

Perdido fica,
cuido de teus pensamentos,
fortalece teu corpo,
pra criar outros rebentos,
amores novos,
são criados e ciumentos,
é tempo é hora,
de entregar-te em novas camas...

Sei que não acreditas,
mas a luxúria te faz parte,
esconde a lágrima e mete com vontade,
esquece de tudo,
passado e bons momentos...

Tua cova é essa,
tumba de pensamentos.


Apolo Eros Afrodite Circe Zeus Priapus

Canto Expulso

Quero teu corpo, quero teu cheiro,
mas não saber de teus desejos,
quero a boca,
o gozo que me escorre,
mas não me importa se a tristeza te acolhe....

Quero e meto,
balanço o teu corpo,
sinto o calor da pele me acasalando...
cala-te pois não sei inda teu nome,
goza e some jogando-te na vala.

Vai

O quarto já foi pago


Apolo

Cantos Brandos I

Constrói-te com marfim de presas mortas
A mente ainda é viciada,
mas sei correr por essa estrada,
e minha inauguração está por vir.


Apolo

Pústula

Venda teu corpo pelo líquido que escorre quando estimulado,
leitoso, branco e guardado,
escorraçado pelo corpo que lhe acolher...

Viste?
Os dias foram bons para contigo,
é tempo de praticar o desapego,
que o amado cativo se esqueça do que um dia criou...

É tempo de libertinagem,
corra o corpo,
verta as taças,
beba e encanta-te com as brasas...
esqueça que um dia foste carinho,
abandone tudo e viva nesse louco rodopio...
Rode até tudo se transformar em riscas,
corra para o braço das egípcias,
Seth traga-te as bênçãos divinas enquanto traga-te.


Apolo

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Pressão

Morre maldito se não lhe ouvem os gritos,
tecem nos sinos a melodia das horas,
de que vale o brilho se o agora é ofuscado,
os dias dourados se eles passam opacos...

Morre maldito se não te acorda o corpo,
sabendo do choro não lhe seca o olho,
morre cretino que me amarra em uma âncora,
larga-me no profundo azul marinho manto...


D. . .

Olho de Peixe

Vem a chuva e lembra-me que tenho corpo aquoso
e a alma me verte por nascentes salinas...
Formam-se poças que me ancoram ao rochedo em que desprendo meus pés a mui custo.

O cais tem que mover

deixando toda vida pra traz,
mas profunda beleza há nas ostras e corais recém tirados, 
vivos e bem cuidados, 
agora andarilhos livres sem espaço, 
castigados pelos jatos de sal e areia.

No vagar coral é polido, 

no incômodo pérola é criada,
tantas belezas nessa estrada nunca cobiçada,
belezas pouco percebidas
Abençoados sejam os olhos treinados.


D . . .

Corvo


Acostumado à facilidade que a vida lhe proporcionara ele lembrava de sorrisos,
detalhes perdidos no passado,
lágrimas escondidas de sonhos marcados...
O corpo ainda pende lamentando o fim.

Um ano antes eram tempos de sorrisos,
novidades em livros,
antes de me tornar obsoleto.

Esforço-me em meu último sorriso,
pra desejar-lhe o bem,
realizações e felicidades,
longe de mim pois minha estrada agora não tem isso.

Já percebem em meu semblante,
voltei àquele borbulhar grosso,
afundando pouco-a-pouco,
em minha depressão movediça.


D. . .

domingo, 6 de dezembro de 2015

Estou ansioso por saber qual será o próximo cheiro de amor,
o novo traço em meu tronco...
as novas manias...
Mas agora a vida é diferente,
presente...
Sorrio contente...
Espero...
De certo vou encontrar.

Prece

O agradecimento pode vir tarde,
mas não póstumo,
agradeço aos deuses pela generosidade para comigo,
guiando meu destino,
dando-me o necessário para viver,
para chegar no amanhã banhando-me em paz.

É minha prece de hoje

sábado, 5 de dezembro de 2015

Parece que senti enlace,
a chuva veio comigo comemorar,
trazendo outro filho de vento,
com cheiro de um canto por mim querido,
desconhecido, desejado, contido...

Um silvo que me arrepia os pelos da espinha,
tocando meus chakras acariciando-me a face,
de toque suave,
sorriso leve nos lábios,
de quem sempre soube o seu caminho.

Criado envolto em tanto misticismo,
tal como fui encubado,
alimentado com ambrosia que me era desejada...

Sinta o cheiro da chuva no vento

domingo, 29 de novembro de 2015

Molhado






















Fiz parte de sonhos que hoje parecem recém acordados,
estive junto nisso,
me entreguei...
Cada parte eram juntos,
mas ninguém é perfeito mesmo,
ninguém.

Hoje senti saudade,
a chuva me deixa assim,
gota a gota lembra-me do que dói em mim.

Meu sorriso já não é mais o mesmo,
as noites estão frias e vazias,
falta presença...
em mim não tenho mais espaço pra ninguém...

Ninguém...
é o que me sobrou,

A solidão é assim mesmo,
aquela paz absurda que mata a gente de tanto ali estar,
mas eu vivo pra outro dia conseguir amar.

Aquele filme meio sem graça que amava comentar o quão sem graça era,
hoje não tem significado algum,
séries já não tem graça,
jogos são desperdício,
suspiro...

Invejo a mim mesmo,
aquele primeiro começo,
de andar rápido e comer acelerado,
encantava-me e cuidava-te pela primeira vez,
e não me lembro da última...
mas ela já foi

Me prostituo cuidando de pessoas sem face,
um dia é o meu preço,
depois sumo sem fazer alarde,
volto ao meu covil de tarde...

Mais uma semana se passou,
uns com mais e outros com menos dor,
mas o pierrot está bem nutrido.


David Weydson

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Ele se vestiu de sol,
o astro inatingível voltou ao seu pico do meio dia,
castigando a terra e nutrindo as árvores com seu alimento...
Além do firmamento,
de olhos fitos distante,
queima constante as peles,
seca o que é quase morto...

domingo, 22 de novembro de 2015

Ítaca


Aos poucos o barco vai distanciando e na face não mora mais a salmoura das lágrimas,
o cheiro agora é novo de sargaço,
vou aos poucos cortando a água,
de domingo a domingo os dias são menos sentidos...

A lembrança não dá mais tanto espaço,
e a terra firme já é longe no horizonte quase todo azul,
só é diferente quando vejo,
mas depois do pensamento logo esqueço...

Os peixes passam,
ao alcance do toque,
quem sabe com sorte eu fique amigo de alguns...

Nesse berço azul durmo ao relento,
e no barco,
bem no centro o vento empurra também a mim.

É um vagar constante,
longínquo,
sempre procuram me esquecer,
como que por maldição...

Como um assunto enfadonho,
uma conversa marcada,
estampada na face de uma viúva,
perguntando sabendo da negativa,
se ela está bem...

Melhor assim,
melhor está...
Melhor esquecer,
melhor velejar.


Apolo Castro

domingo, 15 de novembro de 2015

Ferida Aberta

Meus problemas são tão pequenos,
me importo com a falta que você me faz,
mas você nem existe mais...
Me importo com os trabalhos a entregar,
estão todos em dia...

O mundo me trouxe muita dor,
tanta coisa me atingiu como adagas,
falta tanto amor,
tanto cuidado com o próximo...
Mariana,
Síria,
França...

Sofro pelo meu povo,
não era assim antes,
e nem sei se é bom ser assim depois...
Não posso fazer muito...

Acenderei uma vela,
orarei...
e espero que isso valha de algo.

Força aos que precisam,
força


David

terça-feira, 10 de novembro de 2015

1 dia

Minha face é mesmo essa seca,
de olhar distante,
tirando do chão o olhar que ele varre...

Os suspiros longos,
tentando sorver o final do cheiro que já não aparece mais,
olhos secos e ossos moles...

Olhem para mim,
vejam o quanto estou perdido,
meus pensamentos são distantes...
vivo outro mundo.

Encosto na lápide desse amor,
e agora sem rumo só vejo o sol caminhar pelo céu que já não tem tantas estrelas,
as árvores se compadecem e me cobrem com suas sombras,
o vento me acaricia o rosto por carinho...

Sou um bichinho ferido,
no meu jardim secreto,
cada dia mais nele e longe do que não é discreto,
vivo sem teto,
mergulhando no esquecimento nu,
sem hesitar aceitando meu destino...

Minha mente aos poucos faz por mim,
eu pedi um dia pra respirar,
sair do que me trazia agonia,
é o fim de meu dia...
É hora dela voltar...


Alguém que esqueceu o próprio nome

domingo, 1 de novembro de 2015

Desconstrução Etapa I

É estranho acordar sempre sozinho,
o nó da garganta é constante,
sempre digo estar bem,
mas o peito é sempre prestes a desmoronar...
Lágrimas que limpariam minha alma nunca vêm,
e a agonia só continua,
é estranho não acordar mais com um sorriso despertando,
quando a porta do meu quarto é aberta de forma discreta.

O fim dos ciclos são sempre estranhos,
por mais que a mente saiba se comportar o coração é medroso,
os passos não se firmam no futuro,
o passado é mais palpável.

Mas eu lembro claramente que maior dor,
é não amar...
agradeço a dor de hoje,
pois tive coragem...
me desarmei e me armo agora,
como meu primeiro poema...

Eu sinto dor aos poucos,
por que no início não acredito,
aos poucos a realidade mostra sua face,
e os dias cor-de-rosa vão se esvaindo...

Estou por minha conta novamente,
me acostumei em andar em par,
mas a vida é assim mesmo,
vou me acostumar...

A gente fica mal acostumado,
pela vida se tornar mais fácil,
pelos dias serem doces,
mas sempre sei,
que o normal deles é amargo.



Davi...d

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Epifania

Impera o silêncio,
não esqueça que a lei é a desistência,
esqueça de tudo que incomoda,
aceite...

deixe
Sorva,
beba o gole que te entorpece,
troque a vida pelo veneno,
risadas efêmeras vagantes,
o volume do silêncio aumenta,
é constante...
O amante se faz distante,
desconhecido e errante...

Não importa,
é hora de mais um copo...
Receba o sopro da morte e da vida,
do fim de ciclos e recomece

É bom sentir os passos,
melhor seria menos espaço,
com muito terreno eu broto,
e não há lugar para outro de mim.

Apolo... apressa-te! Corre!
É hora...
Chegou a hora de me pilotar!

Apago os olhos,
acendo os dourados,
e que eu seja onde me levar.


Claro minha criança,
é hora...
me cubra,
me abrace,
me tome,
me sorva,
me viva,
me sinta,
me respire.


Mate

Deveria ter conversado quando pedi meu mate,
mas o passado é túmulo,
permeamos esse mundo,
vamos para nosso picadeiro.


Apolo Castro
Sempre constante e errante querido Pierrot,
enquanto tantos morrem você caminha para o infinito...

Vou ter contigo um bocadinho,
sabe... no fundo
a gente é mesmo sozinho


David Vilela

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

As profecias já não me atingem mais,
o amanhã não importa,
vivo hoje para as horas passarem,
e tomara que corram pois quero dormir,
único canto em que sou liberto,
e posso voar.

Leito Seco

A fonte que brota da terra de água salina não existe mais,
se foi com tantos tremores de terra que sacudiram-lhe a existência,
ela secou e deixou em seu leito as pedras,
que esquentam, e que o sal consome,
desejando água novamente para ter um pouco de alívio,
mas esses tempos já não existem,
por maiores que sejam os motivos,
ela desistiu de existir.

Assim eu também pouco-a-pouco desisto de mim,
mas isso não muda nada...


Prometheus

Cada um paga o preço de sua existência,
e o meu é deveras pesado...

Sou um garoto de alma velha e cansada...
Devo ter dado a chama da vida aos homens,
ou ter sido castigado por isso.

O acúmulo de diversas existências pesa-me os ombros...
quis muitas vezes desistir,
mas não funciona assim...

Vejo-me em uma passagem apertada,
que só se projeta para frente,
ar escaço...

Sentenciado afasto-me de todos,
de gostos distintos crio meu mundo,
vazio... frio...

Falta tanto que me angustio,
minha alma sedenta que só bebe em gotas...
rasas... amargas...

Seria fácil viver pelo amanhã,
se ele não fosse igual a hoje.


David

domingo, 4 de outubro de 2015

Síria

Num súbito ele foi tirado,
sua casa não existe mais,
foi em direção ao desconhecido,
com outros malditos.

Seu lema de vida era diferente,
gravado de dor e descrença,
não mais se sentava à mesa,
nem brincava no colchão.

O ar cheirava a pólvora,
desgaste de pedras rebeldes,
leve ele entrava no mar.

E ao fim antecipado da jornada,
as sereias cobravam o seu preço,
os músculos davam suas últimas remadas,
e a sua casa agora é outra.

Codex

Hoje engoli dor escrita,
segredo de minha mente mirabolante,
distante do conforto rotineiro,
prevejo um dia frio.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Solidão novamente,
puxe sua cadeira e se faça presente,
me atormente com seus sussurros...
soam tão familiares
nada reconfortantes,
ainda nada distingo mas me esforço,
como quem força esquecer sua própria voz...

"Como sempre outros tomaram seu lugar,
todos são substituíveis aprenda"
-Cala-te!

"A roda está cada dia mais baixa,
sinta o cheiro da terra,
da sujeira..."

"Você é só,
outros tomaram seu lugar,
mas você ainda se vê feliz por ver em outros um pouco de felicidade,
isola-te
esconde-te...
morre aos poucos em teu lamento.
Silêncio,"

O pouco que escapa é muito escondido.

"Suma,
vire o mundo,
as esquinas e ruas cinzas,
as arvores inertes,
morra..."

"Vire a poeira soprada,
fecha os olhos e volte ao vento,
a vida é fria mesmo,
sabia que você nunca tinha esquecido disso...
você é um garoto esperto..."

"Assumo?"

Ainda não Apolo, ainda não...



David

sábado, 11 de julho de 2015

O tempo é breve se arrastando por dias perpétuos
Fechou os olhos e mergulhou em si,
mais profundamente possível,
sentiu a pressão cobrando seu preço,
e deixou o que era conhecido pra trás.

Desprendeu-se da superfície,
e os superficiais não lhe serviam mais de nada,
em si encontrou o seu mundo,
e por absorver tudo foi tragado por si mesmo.

Sabia de suas necessidades,
mas tinha que aprender onde buscar,
vendeu sua alma a quem comprasse,
por acreditar que ela não lhe valia de nada.

Ele se conectou ao universo,
deixou de ser gente e virou pedaço de estrela,
e com seus olhos de cometa entendia o desprendimento presente.


David

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Há algo acontecendo, e isso é muito bom,
novamente ouço os sons da mutação, dessa vez sendo bem recebida, uma antiga amiga que me acompanha a tanto tempo.

Tudo o que comi se transformam nas cores de minhas asas, as mesmas que me farão voar, e a limitação terrena não mais me obriga a aqui ficar.
Posso voar.

sábado, 13 de junho de 2015

Curioso Pierrot, creio que serás bem alimentado por esses dias,
mas não sinônimo que estarei mal, mas sim em busca de iluminação.

Tenho aqui meu espelho reverso,
dos quais acentuam minhas piores facetas,
minhas dúvidas transformando-se em inconformismos distintos.

Gostaria de responder o que me importuna,
saber o motivo de ser o que sou,
ter tamanha garra e me afogar na mesma faltando-me recursos,
fundado em gula e na sede dos homens.

Ele absorvia o mundo em profundos goles,
sentindo bem fundo descendo o amor de todos,
ele sentia a vida...
mas não como vivida,
e sim assistida e somente por ele aplaudida,
como o bobo que puxa as palmas sem eco dos outros,
escondendo rápido sua vergonha.

Ele veio do céu,
dalém das nuvens e do firmamento estrelado,
nasceu na espuma do mar e dos ventos salgados,
surgiu de uma brisa fria,
de uma onda quente.


David Weydson

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O Ciclo

Tenho medo como muitos na vida já vieram,
tenho cuidado de meus medos externar,
eles já me sacodem o corpo de maneira violenta,
já vi outros não aguentarem,
crendo conseguir vi fragmentarem,
pouco a pouco ruírem,
sem nada poder fazer,
concentrando-me e voltando-me a mim,
para não sumir.

Fechado
Os olhos vêem o futuro.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Estrela Cadente


 
Ele veio da outra banda do mundo, se é que do mundo ele é habitante, veio distante de uma terra ilusória onde outros o encontram em sonhos e mandam sorrisos por borboletas.
Ele é mulato de cor, tem outro nome e some por vezes sem rumo. Em sumo, ele tem uma certa beleza que o deixa com cara de gente comum.
Sua alma é leve como as serpentes aladas que ele acena e destaca como fazedoras de nuvens, o mundo não sabe, mas nesse impasse de gente ou de Santo, num canto ele explica outra definição, mais perto de anjo e de doce, de como as crianças são.

Mesmo em toda beleza, o mundo se queixa da falta que ele lhe faz, mas de um jeito estranho, meio que sem acreditar na pele, eles o cortam, dissecam e o ferem, pra ver se é mesmo real. Ele tudo sente, mas não entende o motivo do mundo ser assim.
E vê que no começo, no primeiro arremesso essa estaca foi plantada, e sempre copiada, fazendo da terra um plano só de dor.
Sendo tão cando,  e sendo meio anjo, não entende a falta de bondade para alguns. E o mundo tenta o contaminar, mostrando que nem em terra nem em ar, deve haver paz, bondade ou amor.
Aprenderam que tudo é nada, a dor é presumida, e toda essa sina se repete por padrão.
Arrancam-lhes as asas, dizendo-lhe necessário, justificando desespero por amor.
Mas nem tudo é sentido, nem tudo existe e nem tudo tem tino, o mundo é fruto daquilo que disseram ser o mundo.

Ele se apaixonou pelo mundo, e o mundo foi deveras clemente, mas nem sempre o mundo deixa de o maltratar.

Ele é bom, pois acredita que o mundo precisa de bondade, precisa de amor e de caridade, não importando com quem.

Mas sendo ele um vagante, de um mundo distante, nunca vão lhe entender.



Apolo



domingo, 3 de maio de 2015

O cenário que me foi posto foi mais lindo que meus olhos aguentariam,
o mundo era uma coisa nunca antes vista, olhada como um pedestre que muito já fui...

A minha sede é tanta que se fracionada muitos morreriam.
Midas tem sede de beber,
Jesus teve sede,
sua água virou vinagre após minha maldição lá aparecer.
Os poços são contaminados sem querer,
água salobra do dia a dia.

Não vi mais do que as linhas de metrô chegam,
ou que os ônibus andam...
Não fui além do que se faz com meio tanque de gasolina,
não vi mais do que posso parcelar sem dinheiro,
no mar só naveguei poucas vezes, tão abarrotado de gente que não consegui me encontrar,
não vi minha alma refletida nas ondas e além os peixes a nadar,
nunca voei com as nuvens que vejo,
nem perto das estrelas que amo e traço constelações.
Não vi o sol nascer pois não tenho horizonte,
ele me é roubado pelo urbano,
não durmo o bastante, não posso,
não sou ninguém relevante,
não sei o que posso por não me permitirem fazer,
não sei o que gosto,
não tenho mecanismos de me encontrar...

Talvez é por isso que gosto tanto de estações,
pessoas vem e vão,
me sinto ligada a elas e elas são os pés que nunca terei,
elas vão onde nunca irei...
Quando fui ao aeroporto nem pra cima olhei,
não me era permitido lá entrar...
Ouvia tantos países narrados, tantos sonhos,
todos proibidos a mim...

A adolescência chegou novamente,
onde não era bonito e nem desejável,
hoje sou mas não me impulsiona,
o que quero não é meu,
meu futuro é abstrato,
e minhas telas abstratas não vieram ainda...
Não tenho, não posso,
não vivo...
Não gosto.
E sumo,
cada
dia,
ia,
não
vou.

sábado, 28 de março de 2015

Tragédia Grega

Meus olhos se acendem e da boca verte o futuro,
em forma cantada os vapores de além contaminam minhas palavras,
falo de forma que não entendem,
a alma se prepara.

"E um santeiro milagreiro prevê a dor de terceiros,
dizendo que a vida é feita de ilusão"

"Que não largo o cigarro e dirijo meu carro, correndo chegando no mesmo lugar (...) E a razão porque vivo esses dias banais, é porque ando triste, ando triste demais."

Exteriorizo minha dor,
pelo menos em um único endereço,
pois esse mundo faz parte de mim,
não falo... engulo,
e se preciso dizer enigmatizo,
a ponto de que só venha eu a sofrer de forma plena.

Mas é a vida...
Isso é o meu novo mantra

O dia acordou com ar de Stravinsky,
tanta confusão me acalma,
me sinto no meio do mundo...
ou de minha própria cabeça.

Espero não precisar me confessar,
mas sinto o cheiro da hóstia,
do vinho do sangue macerado pelos pés,
Sinto um problema maior do que eu chegando a mim,
prevejo,
não quero, mas o sinto,
como amaldiçoado me conduzo ao abate.


David

segunda-feira, 23 de março de 2015

O chão se desestabiliza,
por mais que conheça esse sentimento nunca vou me acostumar com ele,
nunca vou me acostumar com a vida ruindo e as esperanças dando lugar aos medos...

Me perguntam se eu lido bem com mudanças...
na verdade não,
mudanças são complexas, tiram a gente de lugares confortáveis, de camas quente e nos jogam em outro mundo, um mundo sem conforto.
Procuramos com os olhos desesperados um lugar conhecido,
nos acuamos...

David, muitos querem te ajudar,
mas no fundo você está sozinho

Eu te ajudo

Ass: Apolo

segunda-feira, 2 de março de 2015

Mastigai

Está silencioso por aqui não?
Acho que é necessário algumas mudanças,
tal como um lobo longe de sua matilha,
preso por correntes esquecidas,
esperando que a fome o tome de vez...
Mas isso não vai acontecer.

Não preciso da pata que está presa,
ou pelo menos consigo sustentar tal pensamento mais tempo,
arrancarei-a...
mastigarei...
saciarei a fome e me verei livre
a custo de uma pata...

É um preço baixo para tanta coisa alcançada,
mas é preciso sangrar toda estrada,
até que consiga estancar logo isso,
que outros lobos me aceitem,
e vejam que ainda sem uma pata,
regenerarei e serei melhor,
e os guiarei para um novo Êxodo.

Mastigai


David Weydson

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Lete

Olho cenas de um passado nunca vivido,
não por mim...
se é possível ter alzeimer de forma seletiva tenho,
mas quem dita as regras é um eu que não possuo contato,
um entediado responsável pela repartição do esquecimento.
Muito competente, tenho dito!

Melhores amigos, com rostos conhecidos em uma memória tão longínqua,
tão nublada que meus pensamentos tem mais corpo que minha lembrança,
histórias para mim contadas e imaginadas tem mais aparência,
são mais palpáveis daqueles que um dia me chamaram "amigo".

E tudo mudou tanto, mas a essência sempre é a mesma,
porém chegar nela é mui custoso...
requer passeio por caminhos novos e devera assustadores para os acostumados com os brotos que haviam em mim...
a floresta está monumental,
meu conhecimento aflorado prestes a dar frutos.
Frutos de árvores cansadas de tanto crescer...

Não tenha medo,
ele gosta de assustar os outros,
é uma boa pessoa eu sei,
na verdade, é mais que isso...
são muitas pessoas boas e más em um corpo.

Acreditava que ele não ia longe,
me enganei,
seus olhos cansados escondem garra cozida em fogo baixo de uma paciência maldita que o queimava lentamente.

(Isso vai longe)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Incrustado

Em meio às minhas linhas me perco,
se tivesse menos dose de maldade em mim,
quem sabe assim seria mais fácil esquecer,
parar de desejar a dor como coisa normal...

Sou um leviatã,
não deveria encontrar tantos humanos,
fazer pouco caso de tantas pessoas que necessitam de mim,
achar isso por puro ego.

Se ao menos me encaixasse em algo levantaria uma bandeira de uma religião,
talvez pagã, mas estou sozinho nessa,
não me entendem, e se vêem observam como um tigre em uma jaula,
queria ser lido, mas dessa maneira estranha me reprimo e fico sozinho em minhas linhas,
escrevo ao destino esperando olhos que nunca virão.

Gostaria de ser menos,
ter menos matéria negra em mim,
ser menos vórtice que engole mundos sem me importar,
queria ser mais criação,
mais bondade pura no coração.

Queria ser crente, católico ou budista,
ser menos artista e mais normal,
mais comum e não me cobrar tanto,
pois mínguo a cada pensamento,
a cada reação do corpo eu desfaleço.

Queria ser salvo,
mas se contar tudo que se passa em minha cabeça enlouqueço,
quero muito...
tenho só essa certeza no mundo.

Muito me seduz a solidão,
mas sou feito de carne e paixão,
queimo como sacrifício,
como um deus egípcio esquecido por seu povo e encarnado,
filho do sol que queima a pele,
que arde após sua passagem,
que desidrata,
judia, castiga e seca a terra...
Sinto falta disso...
E ainda não sei o porquê.

Vejo meu lado sombrio,
ruim e frio,
preciso dos outros,
para mirar seus espelhos e com a luz de mim emanada,
descongelar esse indivíduo.


David Castro

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Hídrico

É um gotejar constante, adiante outros mares te esperam, mas por enquanto nasces na nascente, e é de onde viestes, tu tem alma terrosa, mas é ventilado como se um dia tivesse vindo do céu, em teus veios passa a terra, o chão por ti é levado à outros, alimenta à tantos, e supre outros mais, por mais que não seja teu foco. Por onde passa cria vida, enxurradas que dão lugares à outras vidas, que agora desfrutam do paraíso criado por ti através do caos que ainda é presente.

Calma... controla teu ímpeto e acalma tuas águas, não são tempos de agito, feche os olhos, evita conflito contigo... Contido permanece de olhar sereno com alma aquosa, desgostosa é a vida pela terra seca, mas é penetrando nela que te satisfaz.


O menino sereno e impetuoso é feito de água.



Apolo Castro