face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Incrustado

Em meio às minhas linhas me perco,
se tivesse menos dose de maldade em mim,
quem sabe assim seria mais fácil esquecer,
parar de desejar a dor como coisa normal...

Sou um leviatã,
não deveria encontrar tantos humanos,
fazer pouco caso de tantas pessoas que necessitam de mim,
achar isso por puro ego.

Se ao menos me encaixasse em algo levantaria uma bandeira de uma religião,
talvez pagã, mas estou sozinho nessa,
não me entendem, e se vêem observam como um tigre em uma jaula,
queria ser lido, mas dessa maneira estranha me reprimo e fico sozinho em minhas linhas,
escrevo ao destino esperando olhos que nunca virão.

Gostaria de ser menos,
ter menos matéria negra em mim,
ser menos vórtice que engole mundos sem me importar,
queria ser mais criação,
mais bondade pura no coração.

Queria ser crente, católico ou budista,
ser menos artista e mais normal,
mais comum e não me cobrar tanto,
pois mínguo a cada pensamento,
a cada reação do corpo eu desfaleço.

Queria ser salvo,
mas se contar tudo que se passa em minha cabeça enlouqueço,
quero muito...
tenho só essa certeza no mundo.

Muito me seduz a solidão,
mas sou feito de carne e paixão,
queimo como sacrifício,
como um deus egípcio esquecido por seu povo e encarnado,
filho do sol que queima a pele,
que arde após sua passagem,
que desidrata,
judia, castiga e seca a terra...
Sinto falta disso...
E ainda não sei o porquê.

Vejo meu lado sombrio,
ruim e frio,
preciso dos outros,
para mirar seus espelhos e com a luz de mim emanada,
descongelar esse indivíduo.


David Castro

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