face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O Ciclo

Tenho medo como muitos na vida já vieram,
tenho cuidado de meus medos externar,
eles já me sacodem o corpo de maneira violenta,
já vi outros não aguentarem,
crendo conseguir vi fragmentarem,
pouco a pouco ruírem,
sem nada poder fazer,
concentrando-me e voltando-me a mim,
para não sumir.

Fechado
Os olhos vêem o futuro.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Estrela Cadente


 
Ele veio da outra banda do mundo, se é que do mundo ele é habitante, veio distante de uma terra ilusória onde outros o encontram em sonhos e mandam sorrisos por borboletas.
Ele é mulato de cor, tem outro nome e some por vezes sem rumo. Em sumo, ele tem uma certa beleza que o deixa com cara de gente comum.
Sua alma é leve como as serpentes aladas que ele acena e destaca como fazedoras de nuvens, o mundo não sabe, mas nesse impasse de gente ou de Santo, num canto ele explica outra definição, mais perto de anjo e de doce, de como as crianças são.

Mesmo em toda beleza, o mundo se queixa da falta que ele lhe faz, mas de um jeito estranho, meio que sem acreditar na pele, eles o cortam, dissecam e o ferem, pra ver se é mesmo real. Ele tudo sente, mas não entende o motivo do mundo ser assim.
E vê que no começo, no primeiro arremesso essa estaca foi plantada, e sempre copiada, fazendo da terra um plano só de dor.
Sendo tão cando,  e sendo meio anjo, não entende a falta de bondade para alguns. E o mundo tenta o contaminar, mostrando que nem em terra nem em ar, deve haver paz, bondade ou amor.
Aprenderam que tudo é nada, a dor é presumida, e toda essa sina se repete por padrão.
Arrancam-lhes as asas, dizendo-lhe necessário, justificando desespero por amor.
Mas nem tudo é sentido, nem tudo existe e nem tudo tem tino, o mundo é fruto daquilo que disseram ser o mundo.

Ele se apaixonou pelo mundo, e o mundo foi deveras clemente, mas nem sempre o mundo deixa de o maltratar.

Ele é bom, pois acredita que o mundo precisa de bondade, precisa de amor e de caridade, não importando com quem.

Mas sendo ele um vagante, de um mundo distante, nunca vão lhe entender.



Apolo



domingo, 3 de maio de 2015

O cenário que me foi posto foi mais lindo que meus olhos aguentariam,
o mundo era uma coisa nunca antes vista, olhada como um pedestre que muito já fui...

A minha sede é tanta que se fracionada muitos morreriam.
Midas tem sede de beber,
Jesus teve sede,
sua água virou vinagre após minha maldição lá aparecer.
Os poços são contaminados sem querer,
água salobra do dia a dia.

Não vi mais do que as linhas de metrô chegam,
ou que os ônibus andam...
Não fui além do que se faz com meio tanque de gasolina,
não vi mais do que posso parcelar sem dinheiro,
no mar só naveguei poucas vezes, tão abarrotado de gente que não consegui me encontrar,
não vi minha alma refletida nas ondas e além os peixes a nadar,
nunca voei com as nuvens que vejo,
nem perto das estrelas que amo e traço constelações.
Não vi o sol nascer pois não tenho horizonte,
ele me é roubado pelo urbano,
não durmo o bastante, não posso,
não sou ninguém relevante,
não sei o que posso por não me permitirem fazer,
não sei o que gosto,
não tenho mecanismos de me encontrar...

Talvez é por isso que gosto tanto de estações,
pessoas vem e vão,
me sinto ligada a elas e elas são os pés que nunca terei,
elas vão onde nunca irei...
Quando fui ao aeroporto nem pra cima olhei,
não me era permitido lá entrar...
Ouvia tantos países narrados, tantos sonhos,
todos proibidos a mim...

A adolescência chegou novamente,
onde não era bonito e nem desejável,
hoje sou mas não me impulsiona,
o que quero não é meu,
meu futuro é abstrato,
e minhas telas abstratas não vieram ainda...
Não tenho, não posso,
não vivo...
Não gosto.
E sumo,
cada
dia,
ia,
não
vou.