face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

domingo, 3 de maio de 2015

O cenário que me foi posto foi mais lindo que meus olhos aguentariam,
o mundo era uma coisa nunca antes vista, olhada como um pedestre que muito já fui...

A minha sede é tanta que se fracionada muitos morreriam.
Midas tem sede de beber,
Jesus teve sede,
sua água virou vinagre após minha maldição lá aparecer.
Os poços são contaminados sem querer,
água salobra do dia a dia.

Não vi mais do que as linhas de metrô chegam,
ou que os ônibus andam...
Não fui além do que se faz com meio tanque de gasolina,
não vi mais do que posso parcelar sem dinheiro,
no mar só naveguei poucas vezes, tão abarrotado de gente que não consegui me encontrar,
não vi minha alma refletida nas ondas e além os peixes a nadar,
nunca voei com as nuvens que vejo,
nem perto das estrelas que amo e traço constelações.
Não vi o sol nascer pois não tenho horizonte,
ele me é roubado pelo urbano,
não durmo o bastante, não posso,
não sou ninguém relevante,
não sei o que posso por não me permitirem fazer,
não sei o que gosto,
não tenho mecanismos de me encontrar...

Talvez é por isso que gosto tanto de estações,
pessoas vem e vão,
me sinto ligada a elas e elas são os pés que nunca terei,
elas vão onde nunca irei...
Quando fui ao aeroporto nem pra cima olhei,
não me era permitido lá entrar...
Ouvia tantos países narrados, tantos sonhos,
todos proibidos a mim...

A adolescência chegou novamente,
onde não era bonito e nem desejável,
hoje sou mas não me impulsiona,
o que quero não é meu,
meu futuro é abstrato,
e minhas telas abstratas não vieram ainda...
Não tenho, não posso,
não vivo...
Não gosto.
E sumo,
cada
dia,
ia,
não
vou.

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