face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Epifania

Impera o silêncio,
não esqueça que a lei é a desistência,
esqueça de tudo que incomoda,
aceite...

deixe
Sorva,
beba o gole que te entorpece,
troque a vida pelo veneno,
risadas efêmeras vagantes,
o volume do silêncio aumenta,
é constante...
O amante se faz distante,
desconhecido e errante...

Não importa,
é hora de mais um copo...
Receba o sopro da morte e da vida,
do fim de ciclos e recomece

É bom sentir os passos,
melhor seria menos espaço,
com muito terreno eu broto,
e não há lugar para outro de mim.

Apolo... apressa-te! Corre!
É hora...
Chegou a hora de me pilotar!

Apago os olhos,
acendo os dourados,
e que eu seja onde me levar.


Claro minha criança,
é hora...
me cubra,
me abrace,
me tome,
me sorva,
me viva,
me sinta,
me respire.


Mate

Deveria ter conversado quando pedi meu mate,
mas o passado é túmulo,
permeamos esse mundo,
vamos para nosso picadeiro.


Apolo Castro
Sempre constante e errante querido Pierrot,
enquanto tantos morrem você caminha para o infinito...

Vou ter contigo um bocadinho,
sabe... no fundo
a gente é mesmo sozinho


David Vilela

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

As profecias já não me atingem mais,
o amanhã não importa,
vivo hoje para as horas passarem,
e tomara que corram pois quero dormir,
único canto em que sou liberto,
e posso voar.

Leito Seco

A fonte que brota da terra de água salina não existe mais,
se foi com tantos tremores de terra que sacudiram-lhe a existência,
ela secou e deixou em seu leito as pedras,
que esquentam, e que o sal consome,
desejando água novamente para ter um pouco de alívio,
mas esses tempos já não existem,
por maiores que sejam os motivos,
ela desistiu de existir.

Assim eu também pouco-a-pouco desisto de mim,
mas isso não muda nada...


Prometheus

Cada um paga o preço de sua existência,
e o meu é deveras pesado...

Sou um garoto de alma velha e cansada...
Devo ter dado a chama da vida aos homens,
ou ter sido castigado por isso.

O acúmulo de diversas existências pesa-me os ombros...
quis muitas vezes desistir,
mas não funciona assim...

Vejo-me em uma passagem apertada,
que só se projeta para frente,
ar escaço...

Sentenciado afasto-me de todos,
de gostos distintos crio meu mundo,
vazio... frio...

Falta tanto que me angustio,
minha alma sedenta que só bebe em gotas...
rasas... amargas...

Seria fácil viver pelo amanhã,
se ele não fosse igual a hoje.


David

domingo, 4 de outubro de 2015

Síria

Num súbito ele foi tirado,
sua casa não existe mais,
foi em direção ao desconhecido,
com outros malditos.

Seu lema de vida era diferente,
gravado de dor e descrença,
não mais se sentava à mesa,
nem brincava no colchão.

O ar cheirava a pólvora,
desgaste de pedras rebeldes,
leve ele entrava no mar.

E ao fim antecipado da jornada,
as sereias cobravam o seu preço,
os músculos davam suas últimas remadas,
e a sua casa agora é outra.

Codex

Hoje engoli dor escrita,
segredo de minha mente mirabolante,
distante do conforto rotineiro,
prevejo um dia frio.