face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

domingo, 29 de novembro de 2015

Molhado






















Fiz parte de sonhos que hoje parecem recém acordados,
estive junto nisso,
me entreguei...
Cada parte eram juntos,
mas ninguém é perfeito mesmo,
ninguém.

Hoje senti saudade,
a chuva me deixa assim,
gota a gota lembra-me do que dói em mim.

Meu sorriso já não é mais o mesmo,
as noites estão frias e vazias,
falta presença...
em mim não tenho mais espaço pra ninguém...

Ninguém...
é o que me sobrou,

A solidão é assim mesmo,
aquela paz absurda que mata a gente de tanto ali estar,
mas eu vivo pra outro dia conseguir amar.

Aquele filme meio sem graça que amava comentar o quão sem graça era,
hoje não tem significado algum,
séries já não tem graça,
jogos são desperdício,
suspiro...

Invejo a mim mesmo,
aquele primeiro começo,
de andar rápido e comer acelerado,
encantava-me e cuidava-te pela primeira vez,
e não me lembro da última...
mas ela já foi

Me prostituo cuidando de pessoas sem face,
um dia é o meu preço,
depois sumo sem fazer alarde,
volto ao meu covil de tarde...

Mais uma semana se passou,
uns com mais e outros com menos dor,
mas o pierrot está bem nutrido.


David Weydson

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Ele se vestiu de sol,
o astro inatingível voltou ao seu pico do meio dia,
castigando a terra e nutrindo as árvores com seu alimento...
Além do firmamento,
de olhos fitos distante,
queima constante as peles,
seca o que é quase morto...

domingo, 22 de novembro de 2015

Ítaca


Aos poucos o barco vai distanciando e na face não mora mais a salmoura das lágrimas,
o cheiro agora é novo de sargaço,
vou aos poucos cortando a água,
de domingo a domingo os dias são menos sentidos...

A lembrança não dá mais tanto espaço,
e a terra firme já é longe no horizonte quase todo azul,
só é diferente quando vejo,
mas depois do pensamento logo esqueço...

Os peixes passam,
ao alcance do toque,
quem sabe com sorte eu fique amigo de alguns...

Nesse berço azul durmo ao relento,
e no barco,
bem no centro o vento empurra também a mim.

É um vagar constante,
longínquo,
sempre procuram me esquecer,
como que por maldição...

Como um assunto enfadonho,
uma conversa marcada,
estampada na face de uma viúva,
perguntando sabendo da negativa,
se ela está bem...

Melhor assim,
melhor está...
Melhor esquecer,
melhor velejar.


Apolo Castro

domingo, 15 de novembro de 2015

Ferida Aberta

Meus problemas são tão pequenos,
me importo com a falta que você me faz,
mas você nem existe mais...
Me importo com os trabalhos a entregar,
estão todos em dia...

O mundo me trouxe muita dor,
tanta coisa me atingiu como adagas,
falta tanto amor,
tanto cuidado com o próximo...
Mariana,
Síria,
França...

Sofro pelo meu povo,
não era assim antes,
e nem sei se é bom ser assim depois...
Não posso fazer muito...

Acenderei uma vela,
orarei...
e espero que isso valha de algo.

Força aos que precisam,
força


David

terça-feira, 10 de novembro de 2015

1 dia

Minha face é mesmo essa seca,
de olhar distante,
tirando do chão o olhar que ele varre...

Os suspiros longos,
tentando sorver o final do cheiro que já não aparece mais,
olhos secos e ossos moles...

Olhem para mim,
vejam o quanto estou perdido,
meus pensamentos são distantes...
vivo outro mundo.

Encosto na lápide desse amor,
e agora sem rumo só vejo o sol caminhar pelo céu que já não tem tantas estrelas,
as árvores se compadecem e me cobrem com suas sombras,
o vento me acaricia o rosto por carinho...

Sou um bichinho ferido,
no meu jardim secreto,
cada dia mais nele e longe do que não é discreto,
vivo sem teto,
mergulhando no esquecimento nu,
sem hesitar aceitando meu destino...

Minha mente aos poucos faz por mim,
eu pedi um dia pra respirar,
sair do que me trazia agonia,
é o fim de meu dia...
É hora dela voltar...


Alguém que esqueceu o próprio nome

domingo, 1 de novembro de 2015

Desconstrução Etapa I

É estranho acordar sempre sozinho,
o nó da garganta é constante,
sempre digo estar bem,
mas o peito é sempre prestes a desmoronar...
Lágrimas que limpariam minha alma nunca vêm,
e a agonia só continua,
é estranho não acordar mais com um sorriso despertando,
quando a porta do meu quarto é aberta de forma discreta.

O fim dos ciclos são sempre estranhos,
por mais que a mente saiba se comportar o coração é medroso,
os passos não se firmam no futuro,
o passado é mais palpável.

Mas eu lembro claramente que maior dor,
é não amar...
agradeço a dor de hoje,
pois tive coragem...
me desarmei e me armo agora,
como meu primeiro poema...

Eu sinto dor aos poucos,
por que no início não acredito,
aos poucos a realidade mostra sua face,
e os dias cor-de-rosa vão se esvaindo...

Estou por minha conta novamente,
me acostumei em andar em par,
mas a vida é assim mesmo,
vou me acostumar...

A gente fica mal acostumado,
pela vida se tornar mais fácil,
pelos dias serem doces,
mas sempre sei,
que o normal deles é amargo.



Davi...d