face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

domingo, 22 de novembro de 2015

Ítaca


Aos poucos o barco vai distanciando e na face não mora mais a salmoura das lágrimas,
o cheiro agora é novo de sargaço,
vou aos poucos cortando a água,
de domingo a domingo os dias são menos sentidos...

A lembrança não dá mais tanto espaço,
e a terra firme já é longe no horizonte quase todo azul,
só é diferente quando vejo,
mas depois do pensamento logo esqueço...

Os peixes passam,
ao alcance do toque,
quem sabe com sorte eu fique amigo de alguns...

Nesse berço azul durmo ao relento,
e no barco,
bem no centro o vento empurra também a mim.

É um vagar constante,
longínquo,
sempre procuram me esquecer,
como que por maldição...

Como um assunto enfadonho,
uma conversa marcada,
estampada na face de uma viúva,
perguntando sabendo da negativa,
se ela está bem...

Melhor assim,
melhor está...
Melhor esquecer,
melhor velejar.


Apolo Castro

Nenhum comentário:

Postar um comentário