face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Sagração do Solstício


Negou o teu sorriso,
teus olhos de bondade,
vendeu-se por outros ditos,
frutos da modernidade...
Transou contigo mesmo sem ter mais vontade,
te disse abrupto mas já não tinha volta.

Teu olhar baixo já não mais reparava,
e os assuntos criados já mais não tinham forma,
já foi a mui tempo,
o abandono teve hora,
lugar e momento que te mandou embora...

Perdido fica,
cuido de teus pensamentos,
fortalece teu corpo,
pra criar outros rebentos,
amores novos,
são criados e ciumentos,
é tempo é hora,
de entregar-te em novas camas...

Sei que não acreditas,
mas a luxúria te faz parte,
esconde a lágrima e mete com vontade,
esquece de tudo,
passado e bons momentos...

Tua cova é essa,
tumba de pensamentos.


Apolo Eros Afrodite Circe Zeus Priapus

Canto Expulso

Quero teu corpo, quero teu cheiro,
mas não saber de teus desejos,
quero a boca,
o gozo que me escorre,
mas não me importa se a tristeza te acolhe....

Quero e meto,
balanço o teu corpo,
sinto o calor da pele me acasalando...
cala-te pois não sei inda teu nome,
goza e some jogando-te na vala.

Vai

O quarto já foi pago


Apolo

Cantos Brandos I

Constrói-te com marfim de presas mortas
A mente ainda é viciada,
mas sei correr por essa estrada,
e minha inauguração está por vir.


Apolo

Pústula

Venda teu corpo pelo líquido que escorre quando estimulado,
leitoso, branco e guardado,
escorraçado pelo corpo que lhe acolher...

Viste?
Os dias foram bons para contigo,
é tempo de praticar o desapego,
que o amado cativo se esqueça do que um dia criou...

É tempo de libertinagem,
corra o corpo,
verta as taças,
beba e encanta-te com as brasas...
esqueça que um dia foste carinho,
abandone tudo e viva nesse louco rodopio...
Rode até tudo se transformar em riscas,
corra para o braço das egípcias,
Seth traga-te as bênçãos divinas enquanto traga-te.


Apolo

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Pressão

Morre maldito se não lhe ouvem os gritos,
tecem nos sinos a melodia das horas,
de que vale o brilho se o agora é ofuscado,
os dias dourados se eles passam opacos...

Morre maldito se não te acorda o corpo,
sabendo do choro não lhe seca o olho,
morre cretino que me amarra em uma âncora,
larga-me no profundo azul marinho manto...


D. . .

Olho de Peixe

Vem a chuva e lembra-me que tenho corpo aquoso
e a alma me verte por nascentes salinas...
Formam-se poças que me ancoram ao rochedo em que desprendo meus pés a mui custo.

O cais tem que mover

deixando toda vida pra traz,
mas profunda beleza há nas ostras e corais recém tirados, 
vivos e bem cuidados, 
agora andarilhos livres sem espaço, 
castigados pelos jatos de sal e areia.

No vagar coral é polido, 

no incômodo pérola é criada,
tantas belezas nessa estrada nunca cobiçada,
belezas pouco percebidas
Abençoados sejam os olhos treinados.


D . . .

Corvo


Acostumado à facilidade que a vida lhe proporcionara ele lembrava de sorrisos,
detalhes perdidos no passado,
lágrimas escondidas de sonhos marcados...
O corpo ainda pende lamentando o fim.

Um ano antes eram tempos de sorrisos,
novidades em livros,
antes de me tornar obsoleto.

Esforço-me em meu último sorriso,
pra desejar-lhe o bem,
realizações e felicidades,
longe de mim pois minha estrada agora não tem isso.

Já percebem em meu semblante,
voltei àquele borbulhar grosso,
afundando pouco-a-pouco,
em minha depressão movediça.


D. . .

domingo, 6 de dezembro de 2015

Estou ansioso por saber qual será o próximo cheiro de amor,
o novo traço em meu tronco...
as novas manias...
Mas agora a vida é diferente,
presente...
Sorrio contente...
Espero...
De certo vou encontrar.

Prece

O agradecimento pode vir tarde,
mas não póstumo,
agradeço aos deuses pela generosidade para comigo,
guiando meu destino,
dando-me o necessário para viver,
para chegar no amanhã banhando-me em paz.

É minha prece de hoje

sábado, 5 de dezembro de 2015

Parece que senti enlace,
a chuva veio comigo comemorar,
trazendo outro filho de vento,
com cheiro de um canto por mim querido,
desconhecido, desejado, contido...

Um silvo que me arrepia os pelos da espinha,
tocando meus chakras acariciando-me a face,
de toque suave,
sorriso leve nos lábios,
de quem sempre soube o seu caminho.

Criado envolto em tanto misticismo,
tal como fui encubado,
alimentado com ambrosia que me era desejada...

Sinta o cheiro da chuva no vento