face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Saudade quilometrada

Te quero,
te espero,
nas coisas pequenas dos dias...
sento vendo a vista,
as nuvens passarem lentas,
os pássaros a pular,
olho os carros,
procuro em pessoas...

Não estás...

É o que és,
sempre foi assim,
mas deixa de ser um pouco
e vem ter um pouco de mim...

O relógio nunca sai do mesmo ponteiro,
os outros eu faria tic-taquear,
já troquei-te as pilhas,
correram os dias
o que está a faltar?

Tenho pressa?
tenho fome,
apareces...
logo some.



David Vilela

domingo, 18 de dezembro de 2016

Meninos de rua

Esse lugar era sozinho,
nada havia senão a mim,
de repente frutificou tanto,
naquele canto que antes me faltava...

Meninos que se encontram ao cair da noite,
trocando figuras do que no dia encontraram,
em seu coração há algo rígido e molhado,
que lhe traz calor às faces.

Eles gostam de se olhar,
se beijam de tanto imaginar,
e num segundo suas bocas se encontram,
seus olhos se fecham,
as mãos agora apertam o novo,
desejo e arrepio...

É um sentimento mentolado,
cada um de um lado,
fizeram ali em seu esconderijo um lugar de experiência,
criaram e alimentaram culturas de amor,
desejo de adolescência.

Fogo,
torpor,
entrando úmido,
rijo...
Bem recebido,
respiro profundo,
sentiu o seu mundo se conectar ao dele...

Seus corpos colidiam,
os sons lhe envergonhavam,
mas a vontade os engolia,
marcava...

Anunciando o momento,
logo os dois ali tombariam,
sedentos meninos molhados



David Vilela

sábado, 19 de novembro de 2016

Contador de Histórias

Ele deita me olhando ler,
sorri até o olho fechar,
me ouve até escurecer,
e ele comigo sonhar.


David Vilela

Com Amor

Tento pegar em meu jardim de palavras,
as mais bonitas, crescidas e empenhadas para te dar,
para tentar dizer por um curto momento
o tanto que passa aqui pensando em você.

No começo você disse não demonstrar muito,
agora acabou de me chamar de: "coisa mais linda da minha vida",
juntos meu menino...
nós mudamos nossa sina.

As noites hoje são bem em abaladas em amor morno,
que aquece conforme as horas se passam,
envereda em meu corpo espasmos,
anunciando o que crias em mim

Meu corpo enverga,
a boca morde,
mãos ritmadas
num mesmo acorde.

Julgam música dos loucos,
mas nossos tomates crescem melhor com loucura,
imagino você em nossa casa,
minha boca unida à tua.

Jogamos pra eu perder,
me irrita pra me emburrar,
faço bico sem querer,
você vem ele morder,
me fazendo mais te amar.

Nossos corpos cobiçam um o outro,
mas no fim fica o calor daquele momento,
nosso sorriso e nosso beijo,
felicidade e contentamento.

A rotina a nos mostrar diferentes faces,
o carinho sempre presente,
quando eu te amei...
foi de repente...

Termino aqui num sonho compartilhado,
nós dois deitados,
vendo estrelas entrelaçados.


David Vilela

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Amarela Amarela

Hoje vejo que a vida é além,
é muito mais que tanta coisa,
que minha espera pelo ônibus,
que o barulho das rodas passando pelo asfalto molhado,
que não posso me dar ao luxo das lágrimas quando quero,
Não há tempo pro luto,
a cidade é frenética...
Encontros são breves,
beijos velados,
encontros molhados de lembranças,
as lágrimas vêm do céu
abençoadas pelas folhas das árvores,
Que embaçam as lentes de meu óculos,
me calo...
Passos curtos pro lado,
para abrigar os que fogem da chuva,
vivendo me é tolhido sonhos,
Desejos,
Lembranças...

É o fim...
É o fim...

Mas no fim há novos começos,
esqueço porque tenho,
não porque quero,
nem porque devo.

É cedo...
É cedo...

É mais do que a filosofia que leio,
sobram sorrisos que faltam no dia de hoje,
Chove tarde na cidade,
um beijo...
Efêmero...


David Vilela

domingo, 6 de novembro de 2016

Estou com saudade dele,
quando converso parece que vejo seu sorriso,
sinto sua pele,
seus olhos em mim,
o abraço...

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Não tem espaço pra nada nem ninguém,
não sobra nenhuma lacuna sem ser você,
tomou meus espaços,
me realinhou,
refez os meus traços,
me amou.

Da dor escorre
profunda beleza
qual detesto
pinga na mesa

Meus olhos opacos de futuro
só enxergam teu sorriso em tudo.

Garganta amarrada
mentira lavada
sou mais tu do que eu mesmo

Vejo mais seus olhos que os meus,
mais seu desejo me arrepiando a pele,
revele esse filme fechado.

Ainda escorre fresco
ainda guardo meus beijos
prum dia te dar



David Vilela

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Amor Pessimista

Cansei de procurar,
falar...
falar...
invisto em algo e...
sei lá...

Menino que não se doma,
encanto solto distante,
no toque se perde
avante...

Sorriso e gula,
cobiça e beijo,
mas quem eu almejo
galopa longe,
não vejo.

Frio penso,
igual ajo,
uso
vejo um intruso querendo adentrar,
pobre rapaz... não têm as chaves,
se tivesse não saberia-as usar

Engano...
faço pelo mar,
faço por tentar,
Sonha...
sorrio...
a mente não mente,
fracasso latente?!



David Vilela

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Amarras

Acúmulo de obrigações,
Limites impostos,
Raiva... desgosto...
Falta justiça aqui
Por fim não faço,
Existo num traço,
Extrapolo...
Fracasso

Sonho Vivo
Lembro Canto

Choro como santo,
Me faz meio anjo

Completo bobo talvez
Num mês eu logo acabo,
Exauro
Me trago
Me abalo
Mas no fim do mês
Renovo talvez,
O pouco que me resta
Vigio as arestas
Procurando encontrar
Um amor de mar
Que me leva e me traz
Que me ame demais
Prove meu amargor
Transforme em doçura
Rego seu peito com gotas de salmoura,
Cansa...
Dói
Mas não vejo onde sangra,
Sinto
Minto
Calo

Não acaba
É curto entre os soluços de alma,
Acalma
Respira
Crescia outro eu
Mas chega
Da troca
Quero minha mesma toca,
Um mantra
A paz

Dor não mais...
E durmo,
E sumo,
E entro,
No centro,
De mim...

Assim...
Nada mais alcança,
Brinco como criança,
Sozinho com meus pensamentos.

Do nada verte dor,
Falta...
Falta...
A rima não sai,
Tentativas no cais,
"vivo por mim"
Mentira
Não vivo
Mas tento
Re-tento
Lento sigo
As vezes vento


David Vilela

domingo, 16 de outubro de 2016

Sol e Lua

Meu anjo errante,
muitas léguas distante,
com corpos entrelaçados,
espíritos moldados
separados porque tinha que ser assim
Mas agradeço...

Sempre gostei do que não entendem,
e somos o que nem sabemos descrever,
na mão do destino sábio,
um em cada mão
nos falando por cartão
escrito, sorrindo
meu menino lindo

Que lê minha alma agora,
grava todo dia minha história,
minha lembrança escrita,
te faço uma lista das vontades que tive com você,
vendo agora a mesma lua,
amarela cheia nua,
nossos olhos se olhando
mirando o mesmo espelho

Sorrio...
não esqueço
meu menino do avesso,
tão presente tão distante,
meu anjo vagante,
levando meu coração viajante.


David Vilela

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Mármore quente de sol


Construindo o amor chegaste na pré-perfeição,
faltando apenas o fogo dos homens pra tudo aquilo se mover,
meu trabalho, obra prima concluí,
não quero outra peça esculpir.

As ranhuras do mármore desenharam suas veias,
toco suas mãos sinto elas quase quentes,
sua boca e olhos estão ali eternizados,
pra correr nos meus sonhos molhados.

Quando chove tenho certeza que choras,
teu peito eu fiz, sei tudo que tem dentro,
apaixonei-me por meu próprio rebento,
meu homem de marfim.

Meu canto é barulhento,
não quero ouvir tudo que dizem,
sumir fugir,
por um mundo feito nosso.

Correr correr...
até me arder o peito,
cair, sentar
aprendo com minhas feridas

Manca,
anda
mesmo com cãibra,
mesmo que não chegues a lugar nenhum,
o sol ainda brilha,
ainda beija minha face lisa,
me desperta um sorriso,
faço disso perfeição.



David Vilela

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

12 de Outubro

Desponta no céu novo horizonte,
céu fechado e clima morno,
a brisa vinda do interior se finda,
de sonhos secos frágeis de fuligem.

Desperta novo endereço,
felicidade em peso,
sorriso
começo,
deito em seu peito e adormeço

São tempos de calma rapaz,
tempos de glória,
beijos e paz

Felicidade nasce na cidade



David Vilela

domingo, 2 de outubro de 2016

Amarras invisíveis que te seguram o corpo,
sua mente já não anda mais,
o menino já se cobra de mais,
envolto em ansiedade e uma estranha paz.

É vontade de gritar ao mundo,
é vontade de não dizer pra ninguém,
lugares altos me estendem asas,
envolto em tontos pensamentos ando pra trás desnorteado

Quero fugir

sábado, 1 de outubro de 2016

Dito de Alguém

Pobre menino fadado a mais um amor de fracasso,
acredita ser o amor de sua vida,
tão novo de vida rapaz,
sorria...
tem mais!

Um amor tão distante,
vínculo preciso...
o menino pagou o que devia,
plantou e regou muito mais que podia,
fartura o acompanhará...

Sorri menino,
o agora contigo é bom,
sê feliz consigo,
muda teu tom.

És bom rapaz!
Sedutor e voraz,
um dia te saciarão...

Vive o hoje rapaz,
que o amanhã já chega,
é só dormir e acordar.


David Vilela

Sísmico

Hoje ele queima como madeira seca,
gravetos, palha, centelha maldita,
inveja...
Borbulha por debaixo da sua pele,
vomita tudo que come,
nada lhe satisfaz,
nada serve...

É um acessório bonito esse rapaz,
bom de pôr num chaveiro e expor...
serve a mim como bom servo,
mas nem sempre ele se permite

Roda da fortuna,
baixaste de novo?
Na tapeçaria ainda está sortida,
me puxa e desfaz o ponto,
marca do tear ainda fica,
quem vê duvida
que a vida volta pro lugar,
valorizar o que?
Se nada há...
Esforço tão grande pra que?

Deixemos isso de lado,
siga seu caminho,
ainda não tenho ninho,
nem lugar pra repousar...

Mas é tempo de migrar,
longe voa sem dormir,
queimam as asas mas inda vou,
voando voando voando...

Menino de linhas confusas,
te querem,
lhe usas...
como usam tua boca num beijo,
como usam teus sonhos num sorriso,
como usam teus meses num aviso...

Não consigo...
Não consigo...
Não consigo...
Não consigo...

Coração burro,
olha só como foste amar,
agora manco tenta caminhar,
batida frouxa,
segue como trouxa,
entrelaça tuas coxas,
define-te sem lhe completar...

Sou um acúmulo,
de amores,
de túmulos,
sonhos...
uma porrada de sonhos...
rascunhos largados...

Poeta sofre...
Quem me fez amar de mais?

Tenho placas tectônicas,
ruo sozinho,
não entendem



David Vilela

terça-feira, 19 de julho de 2016

Pelo caminho deixei um cavalo chamado biscoito,
quem sabe um dia ainda o tenha...
tava parecendo lenda mesmo,
cidade encantada onde se vai ser feliz...

Olha...
a realidade é mesmo fria,
eu ainda prefiro sonhar...

Os tomates comidos com açúcar,
nós experimentando sushi,
eu te dando na boca com hashi,
te dando o que tanto reservei...

Se você não fosse tão covarde,
se se importasse com o bem que te fiz,
ia me dar um abraço de gratidão

Mas não...
você simplesmente some,
vá longe!
e corra com pressa!

Já te envenenei...

O que é a vida senão um apunhado de sonhos reciclados,
remodelados...
amores reinventados,
apelidos reusados,
nesse mesmo coração marcado...

domingo, 17 de julho de 2016

O sorriso surge tão fácil,
como um pássaro que pousa fazendo ninho em meus galhos,
tudo é tão vivo...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Geleia de Cereja

De nada vale o coração sozinho sem reflexo
não importando o brilho efêmero que a beleza traz
ou o despontar da inteligência...
quem em toda sapiência não é capaz de amar

Vale... é cerejas crescendo livre no pomar,
vermelhas e frescas prestes a serem colhidas
pra nossa boca colorir e adoçar
pra tingir nossas panelas
pra brilhar no açúcar virando doce
Vida doce


David

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Olhos Caipiras

Minha alma nasceu livre
tomando vento nua nos campos,
nasceu da terra em meio a tomates,
bebendo água de nascentes e poços,
meus brinquedos desciam o morro
seguiam meus passos
dormindo embaixo de árvores avós
comendo frutas graúdas
olhando formigas saúvas recortando folhas,
tesouras sem ponta de infância.

O céu eu vi rodar
cheio de estrelas como um disco,
os peixes conheço por nome,
ouço a noite os sapos cantando em coro,
pássaros voam com minha liberdade
e a felicidade aumentou quando você brotou aqui,
veio comigo ser criança
correndo por distâncias
pra caber num abraço meu,
tuas lágrimas de alívio regam meu peito,
te tomo e te beijo
na fazenda que é nosso palco cheio de vida,
que acolhe nossos corpos ofegantes,
bebe nosso suor,
e a chuva vem nos batizar.


David Weydson

domingo, 10 de abril de 2016

Diante da lua nova
encontrou caminho trino
corpo
alma
espirito
decidindo qual seu tino


quinta-feira, 3 de março de 2016

Feito do fogo

Olhar impassível diante da chama
pequena de uma vela,
cheiro quente rápido e leve,
quem sabe me eleve
entre os tons azuis de quem me chama

Ardo

Doo meu aconchego aos que procuram,
fogo faz mesmo isso,
apago e ascendo em outro canto,
destruo seu recanto,
afino seus tambores,
junto sua família.

Flagelo
Mudo
Crio

Sopra meu respiro,
aquece teu peito
Derreta seu gelo
enquanto inda queimo

Mudo
Emudeço
Criando avesso
Trazendo essência de novo

Apago...
Memória de fogo ficou...
BRASAS, CINZAS

Chama
vê-la
leve,
E
leve
me
ama

Ar
dos
que
procuram...
isso
canto
re-canto...

amores
ilhas

Gelo
do
rio

Meu
peito
seu
imo

Ando
mudo
traz
de novo

Pago
Fico
Brazas



David Vilela



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Olhar fito,
impassível,
azul de céu,
cinza de cidade,
vida sem cor.


David Weydson

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Precoce

Me tome a vida,
me alce o peito,
leve meus anos,
faça-nos anjos,
frua em meu leito.
Pois te desejo,
te quero o corpo,
sentir-te o gosto,
desfrute o ensejo.


David

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

====URNA DO TEMPO====

Aqui será depositado memórias de um dia que não lembrarei,
de uma época que não me lembrarei também,
e quem sabe um dia sentirei falta,
mas garanto que o sorriso será presente.


Olá David do futuro,
aqui quem escreve é um menino com seus 23 anos, amolecendo os cabelos com açúcar em um creme, depois de seu segundo namoro, segundo estágio em direito e prestes a se formar... Hoje o tempo está em paz, o clima é verão, sempre chovendo bastante também. O ursinho está jogado no canto da cama, ao lado há um vade mecum, e alguns cadernos, inúmeros papeis que guardo achando que talvez um dia sejam importantes. Hoje é sexta feira, dia 26/02/2016 22:22, estou aqui como muitos outros dias deitado, sem muito o que fazer, remoendo o que quero fazer, o que tenho que fazer e o que de fato quero fazer.

Estou tentando passar em um concurso, e estou em dúvida entre a Polícia civil (Auxiliar de papiloscopista e papiloscopista) por achar que não sou tão inteligente ou capaz de passar em outra coisa; E outro extremo, Analista Judiciário do TRF, pelo menos é o que mais gostei, mas acho que o TRT é mais fácil, sinceramente não sei. Estou no 8º semestre de direito, pensando em fazer meu TCC sobre Garantias fundamentais suprimidas no Estado de Defesa e de Sítio. É um bom tema né?

Fico tentando adivinhar o futuro sabe? Queria fazer vários cursos, viajar para vários lugares, desbravar muitos cantos, e imagino que agora você já tenha feito isso. Valeu a pena passar por essa chatice toda? Continuo mimado? Vivo pelo amor sabe... Espero que tenha conseguido ter uma boa família, apoiado bem meus pais e ter construído algo de que me orgulhe, e algo que me faria chorar hoje de orgulho... mas... como não posso fazer muito agora, eu escrevo.

Bem... esse ano tenho como metas estudar poesia (na verdade já quero uma folga hoje kkkkk) para poder escrever bem futuramente e passar em um concurso. Estou com medo de me formar, parece que é meu prazo fatal, é onde meu futuro vai dar uma guinada no timão.
Mas vamos lá...

Esse ano eu fui num carnaval, fiquei com 10 caras kkkkkkk... engraçado né? Eu também achei... estava com a Thamy, que trabalhei na tim, bebemos e fomos dançar, e dançamos muuuuuito...
Foi uma felicidade boa, estava para superar o término com o Leonardo Martins... Espero que ele esteja bem, tenha virado um bom publicitário e além de tudo, tenha achado a felicidade, os caminhos que ele estava trilhando não eram tão claros assim... que deus o ajude.

O Pedro tem 5 anos, um encanto... os grilos cantam agora na Av. Pedro Américo nº 171, Vila Guarani, Santo André, São Paulo...
Nem imagino onde esteja morando agora. Pensei em tantos lugares... Fora do Brasil, dentro dele, em interior, em capital, na praia e no campo, só não pensei em Atlântida, mas agora penso.
Não farei formatura, quero viajar quando me formar, só não sei pra onde também...

Tudo hoje parece pela metade sabe?
Namoro? Que namoro? rsrs
Falo com um e com outro, procurando um pouco de atenção, perder um pouco de tempo também
Faculdade... indo como sempre
Concurso? Fracassando... mas na verdade, eu estou bem, falta só aprimorar matemática, estou indo muito muito bem, em breve terei bons resultados
Emprego? Já estou há alguns anos sem trabalho, acho que o segundo agora... quero trabalhar, mas não é tempo, agora mesmo não... mas depois não pararei.

Bem... acho que não tenho muito mais a falar...

Espero que quando apareçam seus primeiros cabelos brancos você esteja muito bem de vida viu? É uma meta!
Espero também que tudo isso tenha valido a pena, pois estou bem cansadinho sabe? Fazendo tudo isso por você aí do futuro. Espero que eu leia isso com gratidão, e emocionado.
Será que consegui um terreno para ver minhas árvores crescerem? *-*
Queria tanto isso... e praticar caiaquismo? Saiu do papel esse plano ou não?
Cerâmica? Curso de culinária?

Espero que você tenha encontrado o amor da sua vida, e tenha segurança nisso tudo, você merece ser cuidado, e bem cuidado... que os deuses sejam bons para comigo.

Um abraço apertado do jovem que te ama e pagou para ser você cada linha lida, matéria entendida e suor desprendido.
Um abraço apertado do passado.


David

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Me tome a mão,
e me leve por aí,
me mostre o mundo,
e escreverei o que tu és.


David Weydson

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Terceira rua à esquerda

Quando a companhia dá espaço à solidão escrevo,
molhado de chuva...
fim de fevereiro,
verão.

Inícios de universos devem ser assim,
entre o nada e a criação,
começo de escrita
antes da primeira ideia...
e tudo surge.

Dançamos bem hoje, não?!
Os pés se lembrarão da dança de almas iguais...

O encontro se deu de maneira fácil,
resgatando-me de Tróia antes de sua queda...
Lia sentindo muitos passarem por mim,
deixando o tempo correr na estação consolação,
quando tentei ler o relógio a luz não permitiu,
sorri...

Vida fervilhava enquanto a gente ria,
ia andando sem rumo pela avenida Paulista,
sombra dura de prédios espelhados.

Meus ombros contraindo antes de sorrir,
nunca repararam em tal sutileza
mas corpo é assim mesmo,
denuncia pensamentos abafados.

Komorebi nos salpicou hoje na Alameda Santos,
mostrei-te uma jabuticabeira pequena com raros frutos verdes,
caminhada pontilhada de inspirações profundas e piscares longos.

Uma sombra sempre à minha esquerda,
não acessório meu pois tinha sua própria existência,
seus toques distintos e levava seu guarda-chuva,
comentava,
me guiava,
confortável estava,
como que sozinho.

E no fim
a chuva...
corpos bem juntos,
passos marcados,
e vez ou outra braços se tocando,
de pequena carícia
verte encanto
é melhor ser santo
um dia sendo vivo.


Sabe leitor...
deveria ter nome para a luz vista através das gotas de chuva escorregando pelo vidro,
visão idêntica ao voltar pra casa de noite sem óculos enquanto gotejo.
Troia embaixo da blusa,
presa na cintura,
como minha espada...

Poeta de palavras modestas,
e muito amadas,
ponho-as pra dormir.




David Weydson

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Três em Três

Tenho um novo leitor,
que isso dure eras
e sufoquem as feras que há dentro de mim.

Venha mergulhar
em mim vasculhar
que construa lar.

E quando entrar
não há de reparar
que bagunça há

pois...

Mente de poeta
só acerta
de tanto errar

E ela captura fatos
existências, jarros
pra se acumular

Depois organiza o mundo
num bolso sem fundo
derrubando texto

Olhando para trás
vejo rastro deixado
por onde andei

É tarde para esconder tanto
respiro, me encanto
e puxo o meu manto estrelado de anoitecer.


David Weydson


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Bada Alada

A esperança se lança súbita do ninho,
procurando voar no ar como da primeira vez,
aquecendo o peito, acelerando o que era medo,
miríade de sonhos anil.

Temo dizer o que virá pela frente,
pois é semente o que já vejo floresta,
mui velejei e vejo agora terra farta
dança de almas iguais.

E sopro aqui o que não era pra ser canto,
e desse santo a prece lhe foi atendida,
desapercebida a viúva agora vibra,
em felicidade fugaz...
em felicidade fugaz...
em feliz cidade fugaz...
infelicidade fugaz...
infelicidade fugaz.


David Weydson

Pé d'água

Se atiram nas telhas
centelhas avessas,
brincando nos muros,
entrando em seus furos,
trazendo cheiro de terra,
pulando no tijolo,
estourando na contramão,
meus fogos molhados.

Criando seus laguinhos,
pedaços de céu copiados,
de cima seco
outro molhado,
unindo mundos no pingar,
fazendo copa de árvore,
que aposta corrida com seu par,
brincando de criar formas,
para crianças adivinhar.


David Weydson

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Mas é carnaval


E no batuque dos passos,
e no entornar da bebida,
é procurando espaço,
dançando o louco artista,
mirando olhos que aprovam,
desejam riem e não focam,
no tilintar das garrafas,
é onde faço meu bloco.

Sorrisos, molejos,
e os mais breves beijos,
de homens altos e baixos,
de caras brancos e pardos,
com olhar fixo te beijo,
vertendo em mim teus desejos,
e no balanço do corpo,
o bloco grita a vitória
e vou marcar na memória,
domingo de carnaval.


Pierrot David




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ao Amor

Os olhos do passado num relampejo voltam,
e o corpo goteja por todos os cantos,
as gotas salgadas escorrem pelo vidro,
o fim dolorido do nosso recanto.

Frágil olhei ao subir a escada,
a cena de guerra,
encontrar a casa toda revirada,
a gente não escolhe onde fixa lar 
e ali fiz minha morada
entre braços quentes e vista dourada.

Depois observar tudo qual papel seco,
subi para o meu aconchego desaguar meu mar reprimido,
tanto sentimento contido larguei esperando a última entrada...

Em tão pouco tempo ensaiei tua chegada,
ansiei seu beijo, abraço e presença marcada,
teu cheiro colado em meu corpo,
teu perfume engolido pela minha camiseta,
eu te amo,
te amei,
não esqueça...

As memórias da nossa pequena mesa,
como eu amo ver você comer feliz,
foi minha primeira impressão,
te nutrir de amor,
alimento e agora solidão...

Tive tanto medo de errar,
que a gente erra mesmo sem querer,
mas o bem que você me faz,
não encontro com ninguém

Palavras jogadas a tantos cantos,
cuido de pessoas perdidas entre conversas sem rumo,
ainda direciono minha vida para você,
ainda vivo você...

Seu cheiro... sentia tanta falta,
seu sorriso e seus lábios macios,
mas vai construir a sua estrada meu pequenininho,
vai fazer tua morada.


David

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

22 de Janeiro 09:37a.m

O que sou senão veneno dosado expulsado,
que ao passar dos teus olhos contamina tua alma?

Deixa-me...
uma cobra é imune ao seu próprio veneno,
poetizo a dor
trabalho-a até que vire flor,
amargos-perfeitos...
é como batizaria rsrs

Esquece-me,
me deixe sozinha


Dolores

A estrada


Aos sete cantos o vento sopra
alma aerada do desencanto
fazendo pipa meu corpo frágil
vertendo bica de desencantos.

Cobra teu preço pela estrada,
queijos tomates vem com desconto,
os mercadores me jogam charme
enquanto sopro pra mais um pouco

Minha estrada barrou o passo
por outras tantas fiz meu descanso
parti dali sem fazer casa
e agora sou de todo santo

Sopro no mundo as faces frias
aqueço aqueles de rostos quentes
enquanto vivo tão de repente
deixando orvalho fresco ao sedente


David

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Acalanto

Aos poucos meu jovem, o tempo vai passando,
esses problemas que parecem enormes vão se dissipando,
muito vai sendo esquecido e a vida sendo escrita...
Você vai amar de novo,
vai trabalhar muito,
lembra quando você achava que nunca ia conseguir amarrar os sapatos?
Eu lembro muito bem,
seus dedos pequenos com pouca coordenação,
enrolando e puxando os cadarços sem efeito,
emburrado desistiu e pegou o de velcro enquanto sorri...

O tempo é sábio meu jovem,
eu mesmo já amei,
e amei muito...
O cheiro da pele dela,
a maciez...
mas isso o tempo também leva,
só não levam suas memórias,
e se levam fica em algum canto guardada tua história...

Calma filho calma...
você está indo bem,
é tempo de sorrir... tudo está entrando nos eixos,
o possível você está a fazer,
mas é preciso tempo...

Tempo meu filho...
tempo.


Apovid

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Especiarias

Tua pele acanelada banhada de sol,
exalando amêndoas doces,
olhos de cravos e pimentas do reino,
piladas por devaneios.

Quando os lábios descolam sopram respiros do tempero,
deixando acentuado o ardido beijo,
lembrando a alma seu macio desejo,
arqueando a essência vertendo-a em lampejos.

A gota cai em abismo,
limão espremido,
folha colhida de sálvia macia...
alecrim e tomilho,
manjericão de estrada...

Flores brancas,
cheiro morno e abelhas dançando,
espera no teu canto,
é chegada a hora.

As borbulhas extrapolam o limite antes tido,
o frescor das folhas ascende o cheiro num grito sentido,
rasgando o ar ungindo as mãos,
o vapor lhe beija a face,
numa mexida final e dosada,
o sal acertado e a boca sedenta.

O gosto é antes provado aos cheiros,
a concha margeia o mar temperado,
resgata o que era fumaça futura,
antecede o pleno um breve trago.



David Weydson

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Novo horizonte


Com a troca de ciclo,
renovei também a mim,
fechando um velho destino,
pondo nele agora um fim.

Construo-me,
meu corpo é meu templo,
minha mente meu horizonte,
minha astúcia e sedução me levarão longe.

Sou alma crescida,
madura marcada,
tronco erguido,
fruta lavada...
novo destino,
carta marcada,
pilar erguido,
sou estrada.

Folha nova,
páginas queimadas,
o futuro antigo foi largado pela estrada,
o sorriso esquecido,
calor do abraço também,
passado já não visto.

O futuro agora vem


David e Apolo