face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ao Amor

Os olhos do passado num relampejo voltam,
e o corpo goteja por todos os cantos,
as gotas salgadas escorrem pelo vidro,
o fim dolorido do nosso recanto.

Frágil olhei ao subir a escada,
a cena de guerra,
encontrar a casa toda revirada,
a gente não escolhe onde fixa lar 
e ali fiz minha morada
entre braços quentes e vista dourada.

Depois observar tudo qual papel seco,
subi para o meu aconchego desaguar meu mar reprimido,
tanto sentimento contido larguei esperando a última entrada...

Em tão pouco tempo ensaiei tua chegada,
ansiei seu beijo, abraço e presença marcada,
teu cheiro colado em meu corpo,
teu perfume engolido pela minha camiseta,
eu te amo,
te amei,
não esqueça...

As memórias da nossa pequena mesa,
como eu amo ver você comer feliz,
foi minha primeira impressão,
te nutrir de amor,
alimento e agora solidão...

Tive tanto medo de errar,
que a gente erra mesmo sem querer,
mas o bem que você me faz,
não encontro com ninguém

Palavras jogadas a tantos cantos,
cuido de pessoas perdidas entre conversas sem rumo,
ainda direciono minha vida para você,
ainda vivo você...

Seu cheiro... sentia tanta falta,
seu sorriso e seus lábios macios,
mas vai construir a sua estrada meu pequenininho,
vai fazer tua morada.


David

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

22 de Janeiro 09:37a.m

O que sou senão veneno dosado expulsado,
que ao passar dos teus olhos contamina tua alma?

Deixa-me...
uma cobra é imune ao seu próprio veneno,
poetizo a dor
trabalho-a até que vire flor,
amargos-perfeitos...
é como batizaria rsrs

Esquece-me,
me deixe sozinha


Dolores

A estrada


Aos sete cantos o vento sopra
alma aerada do desencanto
fazendo pipa meu corpo frágil
vertendo bica de desencantos.

Cobra teu preço pela estrada,
queijos tomates vem com desconto,
os mercadores me jogam charme
enquanto sopro pra mais um pouco

Minha estrada barrou o passo
por outras tantas fiz meu descanso
parti dali sem fazer casa
e agora sou de todo santo

Sopro no mundo as faces frias
aqueço aqueles de rostos quentes
enquanto vivo tão de repente
deixando orvalho fresco ao sedente


David

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Acalanto

Aos poucos meu jovem, o tempo vai passando,
esses problemas que parecem enormes vão se dissipando,
muito vai sendo esquecido e a vida sendo escrita...
Você vai amar de novo,
vai trabalhar muito,
lembra quando você achava que nunca ia conseguir amarrar os sapatos?
Eu lembro muito bem,
seus dedos pequenos com pouca coordenação,
enrolando e puxando os cadarços sem efeito,
emburrado desistiu e pegou o de velcro enquanto sorri...

O tempo é sábio meu jovem,
eu mesmo já amei,
e amei muito...
O cheiro da pele dela,
a maciez...
mas isso o tempo também leva,
só não levam suas memórias,
e se levam fica em algum canto guardada tua história...

Calma filho calma...
você está indo bem,
é tempo de sorrir... tudo está entrando nos eixos,
o possível você está a fazer,
mas é preciso tempo...

Tempo meu filho...
tempo.


Apovid

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Especiarias

Tua pele acanelada banhada de sol,
exalando amêndoas doces,
olhos de cravos e pimentas do reino,
piladas por devaneios.

Quando os lábios descolam sopram respiros do tempero,
deixando acentuado o ardido beijo,
lembrando a alma seu macio desejo,
arqueando a essência vertendo-a em lampejos.

A gota cai em abismo,
limão espremido,
folha colhida de sálvia macia...
alecrim e tomilho,
manjericão de estrada...

Flores brancas,
cheiro morno e abelhas dançando,
espera no teu canto,
é chegada a hora.

As borbulhas extrapolam o limite antes tido,
o frescor das folhas ascende o cheiro num grito sentido,
rasgando o ar ungindo as mãos,
o vapor lhe beija a face,
numa mexida final e dosada,
o sal acertado e a boca sedenta.

O gosto é antes provado aos cheiros,
a concha margeia o mar temperado,
resgata o que era fumaça futura,
antecede o pleno um breve trago.



David Weydson

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Novo horizonte


Com a troca de ciclo,
renovei também a mim,
fechando um velho destino,
pondo nele agora um fim.

Construo-me,
meu corpo é meu templo,
minha mente meu horizonte,
minha astúcia e sedução me levarão longe.

Sou alma crescida,
madura marcada,
tronco erguido,
fruta lavada...
novo destino,
carta marcada,
pilar erguido,
sou estrada.

Folha nova,
páginas queimadas,
o futuro antigo foi largado pela estrada,
o sorriso esquecido,
calor do abraço também,
passado já não visto.

O futuro agora vem


David e Apolo