face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Olhar fito,
impassível,
azul de céu,
cinza de cidade,
vida sem cor.


David Weydson

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Precoce

Me tome a vida,
me alce o peito,
leve meus anos,
faça-nos anjos,
frua em meu leito.
Pois te desejo,
te quero o corpo,
sentir-te o gosto,
desfrute o ensejo.


David

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

====URNA DO TEMPO====

Aqui será depositado memórias de um dia que não lembrarei,
de uma época que não me lembrarei também,
e quem sabe um dia sentirei falta,
mas garanto que o sorriso será presente.


Olá David do futuro,
aqui quem escreve é um menino com seus 23 anos, amolecendo os cabelos com açúcar em um creme, depois de seu segundo namoro, segundo estágio em direito e prestes a se formar... Hoje o tempo está em paz, o clima é verão, sempre chovendo bastante também. O ursinho está jogado no canto da cama, ao lado há um vade mecum, e alguns cadernos, inúmeros papeis que guardo achando que talvez um dia sejam importantes. Hoje é sexta feira, dia 26/02/2016 22:22, estou aqui como muitos outros dias deitado, sem muito o que fazer, remoendo o que quero fazer, o que tenho que fazer e o que de fato quero fazer.

Estou tentando passar em um concurso, e estou em dúvida entre a Polícia civil (Auxiliar de papiloscopista e papiloscopista) por achar que não sou tão inteligente ou capaz de passar em outra coisa; E outro extremo, Analista Judiciário do TRF, pelo menos é o que mais gostei, mas acho que o TRT é mais fácil, sinceramente não sei. Estou no 8º semestre de direito, pensando em fazer meu TCC sobre Garantias fundamentais suprimidas no Estado de Defesa e de Sítio. É um bom tema né?

Fico tentando adivinhar o futuro sabe? Queria fazer vários cursos, viajar para vários lugares, desbravar muitos cantos, e imagino que agora você já tenha feito isso. Valeu a pena passar por essa chatice toda? Continuo mimado? Vivo pelo amor sabe... Espero que tenha conseguido ter uma boa família, apoiado bem meus pais e ter construído algo de que me orgulhe, e algo que me faria chorar hoje de orgulho... mas... como não posso fazer muito agora, eu escrevo.

Bem... esse ano tenho como metas estudar poesia (na verdade já quero uma folga hoje kkkkk) para poder escrever bem futuramente e passar em um concurso. Estou com medo de me formar, parece que é meu prazo fatal, é onde meu futuro vai dar uma guinada no timão.
Mas vamos lá...

Esse ano eu fui num carnaval, fiquei com 10 caras kkkkkkk... engraçado né? Eu também achei... estava com a Thamy, que trabalhei na tim, bebemos e fomos dançar, e dançamos muuuuuito...
Foi uma felicidade boa, estava para superar o término com o Leonardo Martins... Espero que ele esteja bem, tenha virado um bom publicitário e além de tudo, tenha achado a felicidade, os caminhos que ele estava trilhando não eram tão claros assim... que deus o ajude.

O Pedro tem 5 anos, um encanto... os grilos cantam agora na Av. Pedro Américo nº 171, Vila Guarani, Santo André, São Paulo...
Nem imagino onde esteja morando agora. Pensei em tantos lugares... Fora do Brasil, dentro dele, em interior, em capital, na praia e no campo, só não pensei em Atlântida, mas agora penso.
Não farei formatura, quero viajar quando me formar, só não sei pra onde também...

Tudo hoje parece pela metade sabe?
Namoro? Que namoro? rsrs
Falo com um e com outro, procurando um pouco de atenção, perder um pouco de tempo também
Faculdade... indo como sempre
Concurso? Fracassando... mas na verdade, eu estou bem, falta só aprimorar matemática, estou indo muito muito bem, em breve terei bons resultados
Emprego? Já estou há alguns anos sem trabalho, acho que o segundo agora... quero trabalhar, mas não é tempo, agora mesmo não... mas depois não pararei.

Bem... acho que não tenho muito mais a falar...

Espero que quando apareçam seus primeiros cabelos brancos você esteja muito bem de vida viu? É uma meta!
Espero também que tudo isso tenha valido a pena, pois estou bem cansadinho sabe? Fazendo tudo isso por você aí do futuro. Espero que eu leia isso com gratidão, e emocionado.
Será que consegui um terreno para ver minhas árvores crescerem? *-*
Queria tanto isso... e praticar caiaquismo? Saiu do papel esse plano ou não?
Cerâmica? Curso de culinária?

Espero que você tenha encontrado o amor da sua vida, e tenha segurança nisso tudo, você merece ser cuidado, e bem cuidado... que os deuses sejam bons para comigo.

Um abraço apertado do jovem que te ama e pagou para ser você cada linha lida, matéria entendida e suor desprendido.
Um abraço apertado do passado.


David

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Me tome a mão,
e me leve por aí,
me mostre o mundo,
e escreverei o que tu és.


David Weydson

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Terceira rua à esquerda

Quando a companhia dá espaço à solidão escrevo,
molhado de chuva...
fim de fevereiro,
verão.

Inícios de universos devem ser assim,
entre o nada e a criação,
começo de escrita
antes da primeira ideia...
e tudo surge.

Dançamos bem hoje, não?!
Os pés se lembrarão da dança de almas iguais...

O encontro se deu de maneira fácil,
resgatando-me de Tróia antes de sua queda...
Lia sentindo muitos passarem por mim,
deixando o tempo correr na estação consolação,
quando tentei ler o relógio a luz não permitiu,
sorri...

Vida fervilhava enquanto a gente ria,
ia andando sem rumo pela avenida Paulista,
sombra dura de prédios espelhados.

Meus ombros contraindo antes de sorrir,
nunca repararam em tal sutileza
mas corpo é assim mesmo,
denuncia pensamentos abafados.

Komorebi nos salpicou hoje na Alameda Santos,
mostrei-te uma jabuticabeira pequena com raros frutos verdes,
caminhada pontilhada de inspirações profundas e piscares longos.

Uma sombra sempre à minha esquerda,
não acessório meu pois tinha sua própria existência,
seus toques distintos e levava seu guarda-chuva,
comentava,
me guiava,
confortável estava,
como que sozinho.

E no fim
a chuva...
corpos bem juntos,
passos marcados,
e vez ou outra braços se tocando,
de pequena carícia
verte encanto
é melhor ser santo
um dia sendo vivo.


Sabe leitor...
deveria ter nome para a luz vista através das gotas de chuva escorregando pelo vidro,
visão idêntica ao voltar pra casa de noite sem óculos enquanto gotejo.
Troia embaixo da blusa,
presa na cintura,
como minha espada...

Poeta de palavras modestas,
e muito amadas,
ponho-as pra dormir.




David Weydson

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Três em Três

Tenho um novo leitor,
que isso dure eras
e sufoquem as feras que há dentro de mim.

Venha mergulhar
em mim vasculhar
que construa lar.

E quando entrar
não há de reparar
que bagunça há

pois...

Mente de poeta
só acerta
de tanto errar

E ela captura fatos
existências, jarros
pra se acumular

Depois organiza o mundo
num bolso sem fundo
derrubando texto

Olhando para trás
vejo rastro deixado
por onde andei

É tarde para esconder tanto
respiro, me encanto
e puxo o meu manto estrelado de anoitecer.


David Weydson


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Bada Alada

A esperança se lança súbita do ninho,
procurando voar no ar como da primeira vez,
aquecendo o peito, acelerando o que era medo,
miríade de sonhos anil.

Temo dizer o que virá pela frente,
pois é semente o que já vejo floresta,
mui velejei e vejo agora terra farta
dança de almas iguais.

E sopro aqui o que não era pra ser canto,
e desse santo a prece lhe foi atendida,
desapercebida a viúva agora vibra,
em felicidade fugaz...
em felicidade fugaz...
em feliz cidade fugaz...
infelicidade fugaz...
infelicidade fugaz.


David Weydson

Pé d'água

Se atiram nas telhas
centelhas avessas,
brincando nos muros,
entrando em seus furos,
trazendo cheiro de terra,
pulando no tijolo,
estourando na contramão,
meus fogos molhados.

Criando seus laguinhos,
pedaços de céu copiados,
de cima seco
outro molhado,
unindo mundos no pingar,
fazendo copa de árvore,
que aposta corrida com seu par,
brincando de criar formas,
para crianças adivinhar.


David Weydson

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Mas é carnaval


E no batuque dos passos,
e no entornar da bebida,
é procurando espaço,
dançando o louco artista,
mirando olhos que aprovam,
desejam riem e não focam,
no tilintar das garrafas,
é onde faço meu bloco.

Sorrisos, molejos,
e os mais breves beijos,
de homens altos e baixos,
de caras brancos e pardos,
com olhar fixo te beijo,
vertendo em mim teus desejos,
e no balanço do corpo,
o bloco grita a vitória
e vou marcar na memória,
domingo de carnaval.


Pierrot David