face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Terceira rua à esquerda

Quando a companhia dá espaço à solidão escrevo,
molhado de chuva...
fim de fevereiro,
verão.

Inícios de universos devem ser assim,
entre o nada e a criação,
começo de escrita
antes da primeira ideia...
e tudo surge.

Dançamos bem hoje, não?!
Os pés se lembrarão da dança de almas iguais...

O encontro se deu de maneira fácil,
resgatando-me de Tróia antes de sua queda...
Lia sentindo muitos passarem por mim,
deixando o tempo correr na estação consolação,
quando tentei ler o relógio a luz não permitiu,
sorri...

Vida fervilhava enquanto a gente ria,
ia andando sem rumo pela avenida Paulista,
sombra dura de prédios espelhados.

Meus ombros contraindo antes de sorrir,
nunca repararam em tal sutileza
mas corpo é assim mesmo,
denuncia pensamentos abafados.

Komorebi nos salpicou hoje na Alameda Santos,
mostrei-te uma jabuticabeira pequena com raros frutos verdes,
caminhada pontilhada de inspirações profundas e piscares longos.

Uma sombra sempre à minha esquerda,
não acessório meu pois tinha sua própria existência,
seus toques distintos e levava seu guarda-chuva,
comentava,
me guiava,
confortável estava,
como que sozinho.

E no fim
a chuva...
corpos bem juntos,
passos marcados,
e vez ou outra braços se tocando,
de pequena carícia
verte encanto
é melhor ser santo
um dia sendo vivo.


Sabe leitor...
deveria ter nome para a luz vista através das gotas de chuva escorregando pelo vidro,
visão idêntica ao voltar pra casa de noite sem óculos enquanto gotejo.
Troia embaixo da blusa,
presa na cintura,
como minha espada...

Poeta de palavras modestas,
e muito amadas,
ponho-as pra dormir.




David Weydson

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