face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Amarras

Acúmulo de obrigações,
Limites impostos,
Raiva... desgosto...
Falta justiça aqui
Por fim não faço,
Existo num traço,
Extrapolo...
Fracasso

Sonho Vivo
Lembro Canto

Choro como santo,
Me faz meio anjo

Completo bobo talvez
Num mês eu logo acabo,
Exauro
Me trago
Me abalo
Mas no fim do mês
Renovo talvez,
O pouco que me resta
Vigio as arestas
Procurando encontrar
Um amor de mar
Que me leva e me traz
Que me ame demais
Prove meu amargor
Transforme em doçura
Rego seu peito com gotas de salmoura,
Cansa...
Dói
Mas não vejo onde sangra,
Sinto
Minto
Calo

Não acaba
É curto entre os soluços de alma,
Acalma
Respira
Crescia outro eu
Mas chega
Da troca
Quero minha mesma toca,
Um mantra
A paz

Dor não mais...
E durmo,
E sumo,
E entro,
No centro,
De mim...

Assim...
Nada mais alcança,
Brinco como criança,
Sozinho com meus pensamentos.

Do nada verte dor,
Falta...
Falta...
A rima não sai,
Tentativas no cais,
"vivo por mim"
Mentira
Não vivo
Mas tento
Re-tento
Lento sigo
As vezes vento


David Vilela

domingo, 16 de outubro de 2016

Sol e Lua

Meu anjo errante,
muitas léguas distante,
com corpos entrelaçados,
espíritos moldados
separados porque tinha que ser assim
Mas agradeço...

Sempre gostei do que não entendem,
e somos o que nem sabemos descrever,
na mão do destino sábio,
um em cada mão
nos falando por cartão
escrito, sorrindo
meu menino lindo

Que lê minha alma agora,
grava todo dia minha história,
minha lembrança escrita,
te faço uma lista das vontades que tive com você,
vendo agora a mesma lua,
amarela cheia nua,
nossos olhos se olhando
mirando o mesmo espelho

Sorrio...
não esqueço
meu menino do avesso,
tão presente tão distante,
meu anjo vagante,
levando meu coração viajante.


David Vilela

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Mármore quente de sol


Construindo o amor chegaste na pré-perfeição,
faltando apenas o fogo dos homens pra tudo aquilo se mover,
meu trabalho, obra prima concluí,
não quero outra peça esculpir.

As ranhuras do mármore desenharam suas veias,
toco suas mãos sinto elas quase quentes,
sua boca e olhos estão ali eternizados,
pra correr nos meus sonhos molhados.

Quando chove tenho certeza que choras,
teu peito eu fiz, sei tudo que tem dentro,
apaixonei-me por meu próprio rebento,
meu homem de marfim.

Meu canto é barulhento,
não quero ouvir tudo que dizem,
sumir fugir,
por um mundo feito nosso.

Correr correr...
até me arder o peito,
cair, sentar
aprendo com minhas feridas

Manca,
anda
mesmo com cãibra,
mesmo que não chegues a lugar nenhum,
o sol ainda brilha,
ainda beija minha face lisa,
me desperta um sorriso,
faço disso perfeição.



David Vilela

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

12 de Outubro

Desponta no céu novo horizonte,
céu fechado e clima morno,
a brisa vinda do interior se finda,
de sonhos secos frágeis de fuligem.

Desperta novo endereço,
felicidade em peso,
sorriso
começo,
deito em seu peito e adormeço

São tempos de calma rapaz,
tempos de glória,
beijos e paz

Felicidade nasce na cidade



David Vilela

domingo, 2 de outubro de 2016

Amarras invisíveis que te seguram o corpo,
sua mente já não anda mais,
o menino já se cobra de mais,
envolto em ansiedade e uma estranha paz.

É vontade de gritar ao mundo,
é vontade de não dizer pra ninguém,
lugares altos me estendem asas,
envolto em tontos pensamentos ando pra trás desnorteado

Quero fugir

sábado, 1 de outubro de 2016

Dito de Alguém

Pobre menino fadado a mais um amor de fracasso,
acredita ser o amor de sua vida,
tão novo de vida rapaz,
sorria...
tem mais!

Um amor tão distante,
vínculo preciso...
o menino pagou o que devia,
plantou e regou muito mais que podia,
fartura o acompanhará...

Sorri menino,
o agora contigo é bom,
sê feliz consigo,
muda teu tom.

És bom rapaz!
Sedutor e voraz,
um dia te saciarão...

Vive o hoje rapaz,
que o amanhã já chega,
é só dormir e acordar.


David Vilela

Sísmico

Hoje ele queima como madeira seca,
gravetos, palha, centelha maldita,
inveja...
Borbulha por debaixo da sua pele,
vomita tudo que come,
nada lhe satisfaz,
nada serve...

É um acessório bonito esse rapaz,
bom de pôr num chaveiro e expor...
serve a mim como bom servo,
mas nem sempre ele se permite

Roda da fortuna,
baixaste de novo?
Na tapeçaria ainda está sortida,
me puxa e desfaz o ponto,
marca do tear ainda fica,
quem vê duvida
que a vida volta pro lugar,
valorizar o que?
Se nada há...
Esforço tão grande pra que?

Deixemos isso de lado,
siga seu caminho,
ainda não tenho ninho,
nem lugar pra repousar...

Mas é tempo de migrar,
longe voa sem dormir,
queimam as asas mas inda vou,
voando voando voando...

Menino de linhas confusas,
te querem,
lhe usas...
como usam tua boca num beijo,
como usam teus sonhos num sorriso,
como usam teus meses num aviso...

Não consigo...
Não consigo...
Não consigo...
Não consigo...

Coração burro,
olha só como foste amar,
agora manco tenta caminhar,
batida frouxa,
segue como trouxa,
entrelaça tuas coxas,
define-te sem lhe completar...

Sou um acúmulo,
de amores,
de túmulos,
sonhos...
uma porrada de sonhos...
rascunhos largados...

Poeta sofre...
Quem me fez amar de mais?

Tenho placas tectônicas,
ruo sozinho,
não entendem



David Vilela