face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sábado, 1 de outubro de 2016

Sísmico

Hoje ele queima como madeira seca,
gravetos, palha, centelha maldita,
inveja...
Borbulha por debaixo da sua pele,
vomita tudo que come,
nada lhe satisfaz,
nada serve...

É um acessório bonito esse rapaz,
bom de pôr num chaveiro e expor...
serve a mim como bom servo,
mas nem sempre ele se permite

Roda da fortuna,
baixaste de novo?
Na tapeçaria ainda está sortida,
me puxa e desfaz o ponto,
marca do tear ainda fica,
quem vê duvida
que a vida volta pro lugar,
valorizar o que?
Se nada há...
Esforço tão grande pra que?

Deixemos isso de lado,
siga seu caminho,
ainda não tenho ninho,
nem lugar pra repousar...

Mas é tempo de migrar,
longe voa sem dormir,
queimam as asas mas inda vou,
voando voando voando...

Menino de linhas confusas,
te querem,
lhe usas...
como usam tua boca num beijo,
como usam teus sonhos num sorriso,
como usam teus meses num aviso...

Não consigo...
Não consigo...
Não consigo...
Não consigo...

Coração burro,
olha só como foste amar,
agora manco tenta caminhar,
batida frouxa,
segue como trouxa,
entrelaça tuas coxas,
define-te sem lhe completar...

Sou um acúmulo,
de amores,
de túmulos,
sonhos...
uma porrada de sonhos...
rascunhos largados...

Poeta sofre...
Quem me fez amar de mais?

Tenho placas tectônicas,
ruo sozinho,
não entendem



David Vilela

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