face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Saudade quilometrada

Te quero,
te espero,
nas coisas pequenas dos dias...
sento vendo a vista,
as nuvens passarem lentas,
os pássaros a pular,
olho os carros,
procuro em pessoas...

Não estás...

É o que és,
sempre foi assim,
mas deixa de ser um pouco
e vem ter um pouco de mim...

O relógio nunca sai do mesmo ponteiro,
os outros eu faria tic-taquear,
já troquei-te as pilhas,
correram os dias
o que está a faltar?

Tenho pressa?
tenho fome,
apareces...
logo some.



David Vilela

domingo, 18 de dezembro de 2016

Meninos de rua

Esse lugar era sozinho,
nada havia senão a mim,
de repente frutificou tanto,
naquele canto que antes me faltava...

Meninos que se encontram ao cair da noite,
trocando figuras do que no dia encontraram,
em seu coração há algo rígido e molhado,
que lhe traz calor às faces.

Eles gostam de se olhar,
se beijam de tanto imaginar,
e num segundo suas bocas se encontram,
seus olhos se fecham,
as mãos agora apertam o novo,
desejo e arrepio...

É um sentimento mentolado,
cada um de um lado,
fizeram ali em seu esconderijo um lugar de experiência,
criaram e alimentaram culturas de amor,
desejo de adolescência.

Fogo,
torpor,
entrando úmido,
rijo...
Bem recebido,
respiro profundo,
sentiu o seu mundo se conectar ao dele...

Seus corpos colidiam,
os sons lhe envergonhavam,
mas a vontade os engolia,
marcava...

Anunciando o momento,
logo os dois ali tombariam,
sedentos meninos molhados



David Vilela