face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Lampião















Em suas mãos frias traz o lampião,
tenta iluminar os lugares mais escondidos,
sopra delicado a chama pra que cresça,
aquece o lugar quando ele chega.

Procura em molhos de chaves,
a de uma porta,
mas espera quem dentro está,
agora há quem te espera,
quem ilumina seus caminhos e te estende velas.

O mundo nem sempre é o paraíso que deve ser,
por isso aqui estamos,
estendemos a luz
dispersamos as trevas.

Aqui...
está tudo bem,
agora está tudo seguro,
agora está tudo em paz,
e o que aconteceu foi embora,
está longe,
lá trás...

Já passou...
feche os olhos,
deita a cabeça no meu peito rapaz,
já passou...
já passou...

Tenha paz


David Vilela

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Delta do Nilo

Pedra-a-pedra uma civilização foi construída,
arquitetos chamados para alinhar as ruas com o sol,
sementes buscadas dos confins do mundo,
para num mesmo jardim crescer, estar...

Filhos do deserto,
pessoas cansadas,
encontram oásis,
camelos bebem,
compram-se frutos,
vendem-se mercadorias,
no papiro o novo monumento,
no governante expansão do reino.

A nova casa criada,
alimento no delta do nilo,
todos vindo pelas estradas,
todos nutridos.

Tocam em minha visão,
tudo treme como seda ao vento,
a tempestade de areia ameaça,
passar e minha civilização inteira levar,
não sobrar nada,
só lembranças e miragens,
mas lutarei contra ela.

Ganharei


David Vilela

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Leve toque de anil

São tempos onde toda felicidade do mundo está condensado no olhar de duas crianças,
elas brincam nos intervalos,
contam entusiasmadas seus sonhos,
e isso não é nem o começo...

A sintonia faz com que seus corpos rodopiem,
se unam,
tomem forma,
a completude dos seres acontece,
estremece o de olhos maiores,
cora o de braços mais fortes,
o sorriso aparece igual.

É brisa fresca de verão,
sorvete em alta estação,
assento no cheio busão,
entardecer segurando tua mão...

São olhos que sonham sem foco,
lembrando quando se viu refletido nos teus,
o corpo aqui é todo seu,
meus dias de sonhos azuis.

Cachoeira, trilha, morro e campo,
roça, carro, caminhão, num canto,
minha boca teu corpo engole,
tua mão me impulsiona e acolhe.

As vezes imagino como vou aguentar,
tanto sentimento sem conseguir chorar,
de alívio, felicidade ali ao teu lado,
fazendo amor na beira do lago.

Fugido no bar,
perdido no churrasco,
a festa é no banheiro de baixo,
dispensa apertada convida,
teu corpo minha tara
minha sina.

Mão boba e perna por baixo da mesa,
enquanto sorrio dissimulado,
vejo teu jeito louco,
me querendo logo,
apertando teu corpo.

Meu maior sorriso não é segredo,
nossa vida nossos azulejos,
noite findando me dá um beijo,
sem medo...
sem medo...


David Martinez

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cantiga pra tico dormir

Quando se sentir inseguro estarei ao teu lado,
quando o coração acelerar e medos aparecerem,
mostrarei minha voz mansa e meu sorriso,
não importa o abismo,
eles vencem.

<3

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Aguardando a volta

Espero que em suas lacunas você se encontre
e veja minha mão suas costas apoiando
espero que te venham respostas
que unam o quanto antes nossas mãos,
espero que o silêncio te traga sussurros
das preces que faço pra Deus te abençoar,
espero que os xamãs me ajudem
com a cobra e o veado a te curar.
Espero que seu sorriso brote
ao lembrar do meu também,
e que você encontre o que eu já achei,
espero que venha no faro
desejando sentir na fonte o cheiro meu
me tome me abrace porque sou só seu.

É modesto
não tenho muito você sabe,
mas te pago em sorrisos,
te mostro meu nudismo,
pra te encantar.

Minha pele nua chama a tua,
peço à lua pra te abençoar,
que o sol ilumine seus passos,
e a lua beije seu rosto,
porque eu também sou luar...

Que venham os dias de frutas maduras colhidas do pé,
dos beijos,
do sorriso nos dias mornos,
que venha você voltando pra mim...

Que sinta falta
porque eu sinto sua também,
quero logo te medicar...

Te amo,
pra sempre vou te amar


David Vilela

sábado, 22 de julho de 2017

Com você eu descobri o amor em todas as esferas,
tive o contato antes do toque,
a presença...
aprendi a medir felicidade em dúzias e mais dúzias de sorrisos
que você plantava e colhia de mim,
e ao fim do dia me mostrava os exemplos da safra,
com você eu nasci.


David Vilela

Perigeu

Meu corpo sente
responde quente ao desejo do teu.

O ar é morno,
fecho os olhos e escrevo,
sentindo o cheiro morno da terra,
madeira e do verde,
do recém colhido e o perfume que se aproxima,
meu sorriso brota antes de te ver,
sou surpreso por seu sorriso,
me aperta firme e me gira pra um beijo,
sabe bem e me guia ao que almejo,
a mão desliza para tua rigidez,
agora sou seu Martinez...

Reclamo meu prêmio,
abro tua calça num canto,
o cheiro da serragem e da tua pele,
cheiro do teu sexo me impele,
quero foder na pele,
me eleve,
me macere num beijo apoiado,
me deixa molhado enquanto passam trabalham distante,
abafa minha boca e me come com pressa,
tenho suas peças,
senta,
cavalgo,
apoio em suas pernas,
me elevas...

Seguro seu rosto com as duas mãos,
te beijo enquanto você me faz pulsar,
mordo sua boca pra não gemer,
me quer ver tremer,
te olho,
te beijo,
suspiro,
mordo,
aperto,
te trago pra perto,
anuncio que tá perto,
você me espera até meu limite,
até meu corpo encima do seu envergar,
eu pulso e vibro não aguentas e me inundas,
violento meu peito se mexe,
tu sua,
sorrio,
te amo menino,
me suja de serragem,
lambo tua testa e colo serragem também,
te beijo,
respiro,
você todo meu,
eu somente seu sorrindo.

Se todos os dias fossem assim,
mas bom que dias diferentes acontecem,
faltam muitos lugares pra gente
colar as costas,
se apertar
e transar.

Amor nasce no campo
nasce também na cidade
mas floresço contigo,
sou seu menino,
só seu.


David Martinez


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Me cala

É um misto sabe?
De tudo que é a vida...
carinho,
cuidado,
a gratidão por estar ao seu lado,
mas as vezes é engraçado,
queria você me tomando pra si,
como digo que já sou
toma minha alma
eleve meu corpo,
me faça vibrar em seu gozo,
viver por mim e por ti,
largue tudo um pouco de lado e me prove
sinta meu gosto
meu arrepio
o toque e tudo que tenho pra te dar...
cale um pouco a mente e me sugue,
corra com o seu corpo o que desejas,
me fode enquanto me beija,
me faça chamar o seu nome,
sinta meu calor...
cala a boca e me ama


David Vilela

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Urbano e Campestre

Ele era construído de milhares de engrenagens,
artefatos minúsculos que movimentavam outros enormes,
ele era disforme,
um caos bem estruturado,
o portão mais trancado,
e todos olhavam aquela imensidão toda sem saber o que fazer,
mas ele sabia,
que a chave que tudo aquilo abria era a mais simples,
a mais modesta,
tímida e marcada da vida,
ela ia entre as engrenagens cromadas,
bem azeitadas mas todas travadas,
devagar ela entrava,
tímida abria,
e agora o mundo inteiro surgia,
pois era só o que lhe faltava,
um menino,
uma estrada,
a paz ali deitada...
dormia.


David Vilela

domingo, 25 de junho de 2017

Ele é um menino que erra,
erra por tanto amar...
e tenta fazer o bem,
errando por tanto tentar.

Só ele conhece o peso de suas escolhas,
mas sorri,
querendo acertar.

Boa sorte menino...

Você precisa ver o mar...
pra se alinhar,
pra tudo acertar.

Menino...

Um dia tudo vai estar do jeito que tem que estar
talvez esse dia seja hoje,
amanhã...
sei lá...

Sorria menino,
menino doce...

A vida vai se ajeitar

sábado, 15 de abril de 2017

Escreve louco varrido,
abatido e sofrido,
flagelado por sua mente doentia.

Fragmentado,
disseminado,
perdido,
cercado.

A passos do trabalho está,
chamaram para um quase ponto de encontro,
descansa seus planos
vaga um dia por vez.

Talvez no fim fique sozinho,
já se lançou do precipício a um mês,
o vento frio já é seu fregues

E corre...
segue
escorre
seque
sangue
cicatriza
imagina
um sonho azul
Dorme pois meus braços já não são os únicos,
já existe dúvida nas palavras que digo.

Dou lugar a outro por ora,
dorme sem demora,
o último beijo e sorriso
não mais meus.

Mas quem sabe o pensamento

Pão da Vida

Jesus repartiu o pão com seus discípulos e disse
'Tomai e comei, fazei isso em memória de mim'

E foi assim que parti

Essência que queria ser apenas do criador,
inteiro crescido,
dividido,

Bendita sois vós entre as mulheres
também homem,
faço o bem,
porém o que quero para agora não tenho,
mas amanhã terei,
amém

Lampada para os meus pés é a tua palavra,
e respiro para viver mais um dia,
aquece em meu peito esperança,
alegria e segurança,
certeza rara hoje.

Tudo é possível para aquele que crê,
cri tanto que senti,
vi,
andei pelo mar,
subi em carros de fogo.

Portanto vigiais, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir

Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã,
porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.
Basta a cada dia o seu mal.




quinta-feira, 30 de março de 2017

Epístola à São João III

O que era concentrado dissemino
Concentrado numa saca
Muita vida cria
Mas nada como eu

Não sei te classificar
És singular
Bagunço o pensamento
Desvio o olhar

Desperta com outro que não você
Que tanto o quis
Ingratidão e ironia
A busca da perfeição matou narciso

Nunca erro minhas palavras,
Nem adjetivos
Calo e grito
Só disso eu saibo agora e sinto

Entendido
Anotado
Marcado
Frisado
Destacado
Mascado
Engolido
Vomitado



David Vilela

Epístola à São João II

Desengrena
Atravanca
Vida vil que anda

Desmarca
A parca
Vinho e vela
Prece pro guia
Levanta o queixo

Estanca o peito
Acelera a dosagem
Enebria menino
Coragem

Firma olho no mundo
Muda a paisagem
Se entregue ao vento
Tomba sem alarde

Fecho os olhos
Pois aqui não preciso mais ver
Ando no escuro
Já não faço planos

Era um menino que tinha fé,
Mas pouco-a-pouco queimou
Medido em horas extensas
Microssegundos mais durou

Vela constante
Centelha guardada

Segue essa vida marcada
Vil


David Vilela

Epístola à São João I

Os boa noite agora são sucedidos de despedidas,
Não mais ofegantes comigo,
Sonhos não mais compassados,
Só deixado de lado,
Rumo a outra cama,
Ele já foi dormir.


David Vilela

quarta-feira, 1 de março de 2017

To com tanta saudade de você, não tem orgulho que valha eu virar as costas numa vã ilusão que o tempo me ajuda a te esquecer, quando na dor da agulha da tatuagem não tinha quem ver feliz ao chegar em casa e me colocar pra cima, só lembrava que existiam dores maiores que aquela, que por sinal sinto. Eu sei que a gente escolheu o jeito mais difícil, mas nossa felicidade nunca foi simples, e a gente ilustrou isso cada dia juntos. Fico vendo seu dia todo, você sabe que pra me ter inteiro é preciso muito mais que sorte... está cedo, não fazem muitos dias, mas talvez essa mensagem já chegue tarde, tarde demais pra você ler, tarde demais pra você saber que eu pensei em você o dia todo, e penso a noite toda, e a cada momento pensava, e mesmo tentando forçar não esqueço
quando fecho os olhos vejo seu jeitinho, seu rosto de menino com dor, aquele rosto que sempre quis no meu colo enquanto eu te afagava

cuidado na estrada meu menino
volta pra mim sempre

De braços abertos esperando meu menino voltar, Te amo João Victor Martinez de Oliveira, se voce é muito pouco, a felicidade que preciso é diminuta, singular, batizada... Te amo

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O menino que tinha galáxias nos olhos
mostrava estrelas quando sorria
em seu abraço ardia o carinho doce de seu peito
seu jeito doado,
braços abertos,
olhos marejados...

Era um simples amante que batia os pés suspensos no muro segurando algumas flores,
pouco a pouco elas reagiam,
tornaram-se viçosas e perfumadas,
a tarde pareciam estar molhadas...
ele as borrifou também,
mas ao fim elas murcharam,
tamanho tempo de espera,
a garganta do menino sorridente escondia o nó,
os olhos escondiam choro e sorriso,
''ele não mais vem, não passou de uma ilusão''
lembro de um filme que assisti,
pessoas se apaixonavam por programas,
depois de conhecer seus gostos se adaptava,
no fim os abandonavam,
corriam pelas estradas...

Os dias que nunca chegaram,
promessas empilhadas,
velhos sonhos em caixas,
noiva abandonada em altar.

O filme que tanto queria nunca assistiu,
não me viu ali quadro-a-quadro,
tenho objetos qual o daria,
acumule,
finja,
sorria.

Ele chegou também ao meu fim



Penso muito em ti...
agora falo só...
fins de noite são silenciosos,
sorrisos imersos em sono de desistencia.

Voce as vezes diz o errado,
se despediu dizendo-se arrependido,
digo que muito sinto,
entretanto orgulho de ter te conhecido...

Inflo o peito,
ergo o olhar,
volto a ser todo ego,
domino,
conquisto,
máquina de olhar frio,
dourado o olhar de lata,
em meu reflexo ainda te vejo...

Teu beijo imagino,
quase chamo teu nome,
não encaro por fim...

Sempre demoro para aprender,
cão enxotado,
sai que de preferido és agora rejeitado,
mergulhe no seu lago.

Inquieto corro atormentado,
com a cabeça zunindo alto...

leia sorte,
acende vela,
pede que vá com ela...
sopra vento,
pinta tela...

dividido e ardido

Sinto tudo,
sinto...

Repito o que já me falaram
"se ele amasse já teria te visto,
os que querem movem mundos"
... já os quis mover...
Tudo encaixa de maneira tão certa
"mas só sonhar ainda te deixa só, você precisa viver"
preciso?
Eu vivo pelo amor todo que amo
"mas falta o beijo, o arrepio, o cheiro e o plano"
Para ele parece tudo certo
"É bom assim... pra você não?"
"Nunca vi, pouco ouvi, nunca uma palavra direcionada a mim"
Já não basta ser desconfiado desconfianças crescem nos pastos
"Ele é real? Casado? Não mente afinal?"
EU O CONHEÇO!

Ok...

Nos damos muito bem,
estava pensando em minha vida pra do teu lado guiar
"mais um que não te vê, fazes muito, mas e você?"
"Sorrisos valem, e tudo valeu,
mas falta o corpo, a dedicação que não veio"

"Isso nunca daria certo"
Eu sempre acreditei que daria,
num momento de raiva escapa,
verdade crua nas linhas...
uma parte de mim mata,
a que te esperava e cria...
agora não sei... muito fazes...
pouco provas pouco queres...
tudo de seu jeito eu desde o começo aceitei,
esperava muito... vacilei...

Só queria uma visita,
a primeira as outras eu faria,
pro teu lado iria,
mas não queres,
sofria...

Acredito ser digno de você ao meu lado,
depois de tanto por ti esperar,
mas corres...
desculpa-se...
abandona-me a falar...

Dói em ti disso sei,
mas tudo pode ser diferente,
não deixas,
aceita,
me cuide,
tudo mude,
espero que no meio disso tudo tu apareças,
como um príncipe em cavalo branco,
mas te conheço,
a quase um ano...

Muito me contenho,
muito anulo,
luto por ti,
calo,
engulo...

Acerta os ponteiros,
calcula as horas,
erra os meses,
demoras...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O coração muda a batida e a respiração responde quando ouço seu nome,
quando lembro de você...

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Badala o sino

Morro um pouco
a cada despedida
presumida...

Vejo muito a morte
resumida.

Num fim de tarde,
toda hora,
uma vez pra cada sintoma
e tudo volta,
me fazendo sonhar
com o encontro
jogo fora os planos
antes feitos

não demora...

pra mudar também estes,
voce sai...
meu pensamento vai atrás
meio louco,
imagino o abrir da porta
voce rouco,
de pouco usar a voz,
sorriso frouxo

por sair da jaula branca
enquanto penso em alianças
o que não definimos ontem
e nem hoje
mas amanhã voce é meu
não é, já volto...

adeus


David Vilela

domingo, 5 de fevereiro de 2017

05/02/2017 01;57

Hoje quis muitas linhas escrever,
mas o sono me leva,
me dopa...
mas para não ir em vão te digo,
te amo seu paçoca
rsrsrs

É feliz esse sorriso bobo,
alegria que enche meu peito,
agora me deito,
e torço muito pra te encontrar,
quando no sonho acordar,
menino meu...

Te prometi que não ficaria até as 2h por aí...
logo fui para isso cumprir.
Te amo


David Vilela para João Victor

domingo, 8 de janeiro de 2017

Bailarina



Era uma louca que vagava em ruas,
nem minha nem suas ela sabia,
aquelas estradas nuas
que seus pés beijariam,
os passos anunciam uma equilibrista,
artista ela andava na corda bamba do meio fio...
sentia um arrepio
de ser lançada ao chão sem nome,
circo dela sozinha...

Pisava e aplaudia,
sozinha esperava plateia,
só precisava ser convidada,
números outros de bailarina rodada,
por trocados sorria e dançava...
nua...

Desenhe a lágrima Pierrot...
o show já vai começar,
falava sozinha,
vendo sombras a lhe cercar...

O disco pulava

Era uma louca ela sabia,
do meio fio...



David Vilela

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Amor de Campo



É uma saudade grande de outras vidas,
lembrando dos dias em que estávamos juntos,
e ao reencontro, quantos já foram,
foste primeiro sem antes me esperar...

Essa saudade ainda bate,
ainda quero me unir ao teu peito,
mas vejo...
a vida ainda vai um pouco isso adiar,
mas não importa todo tempo,
não importa quantas horas...

Meu amor não cabe no peito,
empilho em caixas,
prateleiras,
malotes...
E ainda frutifica meu peito,
querendo em ti logo descarregar,
leva pra longe,
pra paisagens bonitas,
correndo muitas milhas,
eu navegando em pensamentos,
meu menino da terra,
sou teu menino do mar...

Brinca com meus trejeitos,
me conduz melhor do que podia esperar,
controla meu sorriso,
aperta meu bico,
somente pra me beijar...

Me deixa birrento,
porque é melhor pra lamber,
me faz dobrar de rir,
fala que foi fácil pra assim
eu novamente fazer o bico aparecer...

A gente vai assim,
dançando entre a vida corrida,
lamentando não ter tempo,
mas de peito cheio sorrindo com as lembranças,
se encontrando à noitinha feito amantes,
passando o dia vendo o outro,
nos detalhes das nossas vidas.

Quando almoço e pego tomate,
como sorrindo lembrando você,
quando vejo um caminhão descarregando,
sempre desacelero esperando te ver,
quando você se vai,
rezo e peço pra um dia te ver,
e quando vais dormir de cansado,
zelo teu sono pra que durmas pesado.

Me sinto estranho,
meio que sua mãe por opção,
mas esse desejo normal já passou muito tempo a paixão,
te cuido como filho,
te mimo,
te tenho,
te quero ao meu lado,
meu tico pequeno.



David Vilela

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Tem dias que a esperança some,
e tudo parece distante para se realizar,
a vida me aponta amarras,
me sopra aos ouvidos palavras,
duelo comigo,
meu pior inimigo,
me amarras em silêncio.