face de david- michelangelo

face de david- michelangelo
A face seca cede à curiosidade que entorpece os sentidos, focando o vívido olhar ao longe até se perder nas brumas de seus pensamentos distantes

domingo, 8 de janeiro de 2017

Bailarina



Era uma louca que vagava em ruas,
nem minha nem suas ela sabia,
aquelas estradas nuas
que seus pés beijariam,
os passos anunciam uma equilibrista,
artista ela andava na corda bamba do meio fio...
sentia um arrepio
de ser lançada ao chão sem nome,
circo dela sozinha...

Pisava e aplaudia,
sozinha esperava plateia,
só precisava ser convidada,
números outros de bailarina rodada,
por trocados sorria e dançava...
nua...

Desenhe a lágrima Pierrot...
o show já vai começar,
falava sozinha,
vendo sombras a lhe cercar...

O disco pulava

Era uma louca ela sabia,
do meio fio...



David Vilela

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Amor de Campo



É uma saudade grande de outras vidas,
lembrando dos dias em que estávamos juntos,
e ao reencontro, quantos já foram,
foste primeiro sem antes me esperar...

Essa saudade ainda bate,
ainda quero me unir ao teu peito,
mas vejo...
a vida ainda vai um pouco isso adiar,
mas não importa todo tempo,
não importa quantas horas...

Meu amor não cabe no peito,
empilho em caixas,
prateleiras,
malotes...
E ainda frutifica meu peito,
querendo em ti logo descarregar,
leva pra longe,
pra paisagens bonitas,
correndo muitas milhas,
eu navegando em pensamentos,
meu menino da terra,
sou teu menino do mar...

Brinca com meus trejeitos,
me conduz melhor do que podia esperar,
controla meu sorriso,
aperta meu bico,
somente pra me beijar...

Me deixa birrento,
porque é melhor pra lamber,
me faz dobrar de rir,
fala que foi fácil pra assim
eu novamente fazer o bico aparecer...

A gente vai assim,
dançando entre a vida corrida,
lamentando não ter tempo,
mas de peito cheio sorrindo com as lembranças,
se encontrando à noitinha feito amantes,
passando o dia vendo o outro,
nos detalhes das nossas vidas.

Quando almoço e pego tomate,
como sorrindo lembrando você,
quando vejo um caminhão descarregando,
sempre desacelero esperando te ver,
quando você se vai,
rezo e peço pra um dia te ver,
e quando vais dormir de cansado,
zelo teu sono pra que durmas pesado.

Me sinto estranho,
meio que sua mãe por opção,
mas esse desejo normal já passou muito tempo a paixão,
te cuido como filho,
te mimo,
te tenho,
te quero ao meu lado,
meu tico pequeno.



David Vilela

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Tem dias que a esperança some,
e tudo parece distante para se realizar,
a vida me aponta amarras,
me sopra aos ouvidos palavras,
duelo comigo,
meu pior inimigo,
me amarras em silêncio.